Mais uma vez, um espelho foi quebrado, ela tinha um dom pra isso- atirar coisas em espelhos quando com raiva.
–Eu não vou pra uma droga de colégio interno- disse a garota jogando um porta retratos no chão e chutando o mesmo- por que esta fazendo isso?
–Você tem apenas 16 anos e já foi expulsa de 9 colégios...
–Tecnicamente eu não fui expulsa- debochou a garota.
–Não importa, porquê...
–O que importa pra você? Seu trabalho?- interrompeu a garota observando a expressão zangada da mãe.- Não tem câmeras por aqui, vai Stella deixe sua mascara cair.
–Já chega Allicia- gritou a mulher- O fato aqui é que você vai para um internato e se arrumar qualquer confusão por lá, qualquer reclamação da diretora sobre você... Seu novo lar será uma colégio só para garotas sem acesso a internet, celular, sem musicas profanas...
–Você não ousaria- afirmou ela.
–Já dei meu aviso- disse a mulher saindo.
Mais uma vez coisas voaram pelo quarto se chocando contra as paredes.
Em todo o apartamento ouvia-se o som ensurdecedor de um solo de guitarra bem raivoso.
–Pelo menos ela parou de quebrar coisas- comentou a governanta.-Pobre menina Allicia.
....
"The grass is greener on the other side
What I'm saying is we're all alike"
–Jessie J
Um sedã preto parou de frente a uma construção imponente , o motorista deu a volta e abriu a porta. Ninguém saiu.
–Vai mesmo fazer isso comigo?- perguntou Allicia com uma expressão desafiadora e irritada no rosto.
–Sinto muito filha- lamentou Stella.
A garota deu um sorriso irônico e saiu do carro com uma mochila. Deu um longo suspiro e encarou o casarão a sua frente. Um grande monumento em mármore portas de madeira, deveria ser do tamanho de um estadio de futebol. Allicia pode avistar uma grande piscina retangular e fez uma careta de desgosto.
Pelo pouco que lera sobre o Instituto Branford, era uma escola conservadora gerenciada por um casal de gêmeos que queriam algo próximo de um legitimo colégio britânico. Mas ali era apenas a Nova Inglaterra. Muros e portões pesados cercavam toda a propriedade dando assim o aspecto de prisão que Allicia tanto odiava.
–Preferia estar realmente em Londres- resmungou seguindo até a porta principal.
Não demorou muito para encontrar a secretaria, uma sala redonda e cheia de quadros e murais com avisos ou jornais. Allicia revirou os olhos, ali parecia um lugar tedioso.
Caminhou até uma mesa á esquerda onde uma mulher com cabelos mal pintados e óculos grandes parecia a beira de um colapso nervoso enquanto conversava com um garoto que parecia se irritar mais ainda com a situação.
–Por favor Sr. Black, eu já disse, o diretor não permitira mudanças no cronograma- dizia a mulher impaciente- já estuda aqui tempo o suficiente para entender isso.
–Já me conhece tempo o suficiente para saber que eu não vou desistir até trocar essas malditas aulas-disse ele- e eu sempre consigo o que quero.
–Boa sorte- disse a mulher voltando a atenção para Allicia- e você é?
–Von der Field- disse rapidamente- acabei de chegar nessa prisão.
O garoto sorriu.
A mulher de uma hora pra outra era pura gentileza. Era disso que Allicia não gostava.
–A Srta. Von der Field, é uma honra tê-la no Instituto Branford- disse a mulher com um sorriso de orelha a orelha enquanto pegava uma pasta.- Aqui está seus horários, aulas, mapa da escola, numero do quarto e regras.
–Certo- disse a garota pegando a pasta, a primeira coisa que pegou foi o livrinho de regras e colocou-o sobre a mesa- não precisarei disso.
O garoto mais uma vez sorriu e observou atentamente a jovem. Ela era branca, muito branca,quase pálida até, tinha os cabelos negros e lisos levemente ondulados que desciam até pouco alem da cintura, lábios rosados e delicados, seu corpo não era muito magro e possuía curvas bem definidas e seios fartos, ela tinha 1,67 ou 1,69 de altura no máximo. Mas o que mais chamava a atenção nela eram os olhos, esses eram tão vividos e tão azuis que parecia até mesmo artificiais, e possuíam um brilho travesso de quem adora adrenalina e situações perigosas.
–Vou começar a cobrar se continuar me olhando tão intensamente- disse ela chamando a atenção do garoto.
O garoto sorriu.
–Posso fazer muito mais do que só olhar- sussurrou ele em seu ouvido.
–Não me espante- debochou ela- acabei de chegar nesta prisão, ainda tenho que encontrar minha cela.
Dizendo isso ela saiu com a cara enfiada no mapa que recebera.

