Distance Between Us.
Distance Between Us.
Kapitel 122 min Lesezeit

Único

Chest to chest

(Peito com peito)

Nose to nose

(Nariz com nariz)

Palm to palm

(Palma com palma)

We were always just that close

(Nós sempre estivemos assim tão próximos)

Parou o carro estacionando em frente a sua antiga morada e desceu.

Estava tentando adiar aquele momento o máximo que podia, mas não tinha mais como fugir. Por mais que as lembranças continuassem fortes e sempre presentes naquele lugar, devia seguir sua vida. Devia tentar continuar e esquecer tudo que de ruim aconteceu ali. Guardaria somente as boas lembranças eternamente.

Com um pesado suspiro parou em frente à porta de entrada. Ainda estava sem coragem de entrar naquela casa outra vez depois de tanto tempo. Pegou as chaves no bolso e tentando não hesitar mais, colocou-a na fechadura, girou-a e empurrou a porta sem sair do lugar em que estava. Ainda do lado de fora, olhou para o interior da casa. Continuava do mesmo jeito. Do mesmo jeito que ambos haviam deixado-a. Entrou.

Empurrou a porta fechando-a e tirando a chave da fechadura, guardando-a novamente no bolso. Agora que já tinha entrado queria explorar cada mínimo detalhe do que era sua vida na casa.

Pousou os olhos no tapete em frente ao sofá. Fora bem ali que ele, com uma coragem que nem sabia possuir, contou a Tom. Fora ali que se beijaram pela primeira vez.

“Como sempre se encontravam depois das brincadeiras totalmente infantis e únicas que os dois faziam, estavam caídos no tapete da sala dando risada, recuperando o ar que estava em falta devido ao grande esforço de ambos para correr pela casa.

- Ai Bill... – começou Tom ainda deitado com a mão na barriga e em meio a risos – não pensei que você corresse tanto... Tá ficando ágil hein – ironizou

O mais novo pegou a almofada que estava ao seu lado no chão e jogou-a no irmão com a força que tinha, que no momento não era muita, errando por milímetros.

- Você ainda não viu nada meu caro... – brincou Bill – Espera eu retomar as minhas forças e você vai me ver correr ainda mais.

Tom gargalhou com a resposta do moreno e começou a se levantar engatinhando de encontro a ele. Bill ainda não havia notado a aproximação do irmão, permanecia de olhos fechados, e só o que sentiu foi de repente um corpo pesado sobre o seu. Abriu os olhos sentindo arrepios automáticos pelo corpo, constatando que Tom estava em cima de si, com uma perna de cada lado de seu corpo e com os rostos um tanto quanto próximos demais.

- Ah é... Só quero saber como então você pretende se soltar – dizendo isso o loiro segurou com generalizada força os braços do irmão pelo pulso e chegou um pouco mais perto com um sorriso sarcástico.

Wrist to wrist

(Pulso com pulso)

Toe to toe

(Dedão com dedão)

- Tom sai de cima de mim – o momento de descontração havia acabado para Bill, ele precisava de espaço, precisava de afastamento urgente do mais velho. Temia fazer uma grande besteira se continuassem assim por mais tempo. – Você é pesado...

Tom não parecia querer se desvencilhar dele tão cedo. Pra ele aquilo ainda era uma brincadeira. Ou será que não?

- Por que, ta com medo do que?

O moreno meio que arregalou os olhos sem entender muito bem o que exatamente aquelas palavras queriam dizer. Talvez não quisessem dizer nada, mas se tratando de Tom a tendência era sempre contraria. O menor continuou se aproximando e quando Bill pensou que finalmente ele quebraria por completo a mínima distância que ainda existia entre os rostos, este parou encarando-o.

Sentiu que podia explodir a qualquer momento. Precisava contar. Ele iria contar.

- Tom... – ele ainda o encarava segurando seus braços com uma expressão ilegível. – Eu... – tomou fôlego e falou de uma só vez – Eu preciso de você.

Corou violentamente depois de dizer isso, mas não conseguiu esperar por uma resposta do outro e sem pensar acabou com o resto de espaço que os separava erguendo minimamente a cabeça e selou demoradamente os lábios do irmão.

Lips that felt just like the inside of a rose

(Lábios que pareciam o interior de uma rosa)

Não esperava nem por um minuto aquilo que aconteceu a seguir.

Tom soltou calmamente seus braços permitindo assim que o moreno os colocasse em volta de seu pescoço trazendo-o mais para perto. Postou a mão direita na nuca e cabelos de Bill acariciando carinhosamente e a outra apoiada no chão impedindo que todo seu peso recaísse sobre o irmão.

O mais novo foi o primeiro a pedir passagem com a língua para aprofundar o beijo, que logo foi concedida por Tom, começando assim uma literal luta entre elas por espaço em ambas as bocas. Era um beijo calmo e suave. Era uma descoberta para os dois, e, mesmo que Bill ainda não soubesse, uma vontade tanto sua quanto de Tom para que ele acontecesse.

Deram um último selo encerrando o beijo e o mais novo ainda sem soltar a nuca de seu gêmeo fitou seus idênticos orbes castanhos com intensidade, e ainda mais decidido do que antes disse:

- Eu te amo

Tom retribuiu com a mesma veracidade as palavras do irmão.

- Eu te amo Bill. “

Sorriu torto e amargurado com as lembranças que vieram em sua mente. Sentiu a visão meio embaçada pelas lágrimas acumuladas em seus olhos. Lágrimas que ele havia prometido não mais derramar, mas sabia que estando ali de novo seria impossível não fazê-lo.

Ainda não entendia como aquilo tinha acontecido. Não aceitava o porquê de terem se afastado tão cruel e bruscamente. Nunca mais tinha tido notícias de nada sequer relacionado a Tom. Assim como começou, de repente, também acabou. E ele ainda permanecia com milhões de perguntas na cabeça, que temia nunca serem respondidas pelo irmão.

So how come when I reach out my fingers

(Então como pode, quando estico os meus dedos)

It feels like more than distance between us

(Sinto que há mais do que distância entre nós)

“Chegou em casa feliz e ansioso para ver Tom. A faculdade estava realmente acabando com ele e com todo o seu tempo. O mais velho trabalhava, já que ainda não tinha intenção de ingressar na faculdade, e com isso os horários dos dois raramente batiam dando um diazinho de folga para eles.

- Tom!

Jogou a bolsa no sofá e subiu as escadas com pressa, de dois em dois degraus.

- Tom?!

Estranhou não ouvir resposta. Sempre que ele chegava e o irmão já estava em casa era recepcionado calorosamente por ele. Sabia que o loiro estava em casa. Suas coisas estavam na mesa da sala. Celular, carteira, chaves. Então porque não respondia aos seus chamados?

Ouviu o barulho da porta do banheiro se fechando bruscamente e, devido à rapidez, nem conseguiu ver o corpo de Tom entrando lá dentro.

- Tom você ta ai? – aproximou-se da porta

- To, eu já vou sair...

Bill sentiu um tom diferente de voz sair do irmão. Não parecia o Tom de sempre. Reconhecia a quilômetros as emoções do outro, mas dessa vez pareciam perfeitamente camufladas. Só não para ele. Eles afinal eram gêmeos.

- Tá tudo bem? – deu duas batidinhas suaves na porta esperando resposta.

- Tá Bill, eu já to descendo – dessa vez Tom parecia mais impaciente então o mais novo preferiu não insistir e esperá-lo lá embaixo. Mas não podia negar que metade da sua alegria ao chegar a casa havia acabado.”

De fato Tom nunca fora bipolar e essas repentinas mudanças de humor passaram a se tornar freqüentes deixando Bill muito irritado na maioria das vezes. Tinha que adivinhar quando poderia falar com seu irmão?

Continuou passeando pela casa, mesmo que cada pedacinho dela lhe trouxesse uma lembrança dolorosa.

Subiu as escadas e parou em frente ao corredor. A primeira porta à esquerda era de seu antigo quarto e a outra na mesma direção, mas a direita, era de Tom. Obviamente depois do primeiro dia em que se beijaram nunca mais dormiram separados cada um em seu quarto. Até mesmo quando se desentendiam, permaneciam no mesmo lugar. No quarto de um ou e outro. Juntos.

“- Ai Tom mas que saco, deixa de ser idiota eu te avisei que ele vinha aqui pra gente estudar, não se faça de desentendido.

Mais uma vez lá estavam eles prestes a dormir com uma discussão boba que nas atuais circunstâncias passara a se tornar normal.

- Avisou quando? Quando eu tava trabalhando? Porque eu não ouvi nada.

Bill estava sentado na cama com os lençóis sob o corpo esperando que Tom terminasse de se trocar para deitar. Este por sinal rodava pelo quarto e em meio a uma frase e outra procurava uma roupa no armário.

- Eu não tenho culpa se você não presta atenção no que eu falo.

- Agora vai colocar a culpa em mim? Eu chego cansado do trabalho todos os dias Bill e ao invés de te encontrar aqui em casa sozinho me esperando, te encontro “estudando” com o Andreas. – fez aspas no ar. Isso irritou profundamente o outro.

- Você pensa que eu não faço nada da vida? Pensa que a minha vida gira em torna da sua? Eu também chego cansado todos os dias. – apontou para si com muita raiva, sentia o rosto esquentar.

- Ah é, e onde é que estava a matéria que vocês estavam estudando? Na sua coxa? Porque era pra elas que ele não parava de olhar. – retrucou Tom o mais sarcástico que pôde.

Bill sentiu o sangue ferver nas suas veias, sentiu vontade de avançar no irmão naquele momento. Que tipo de cara afinal Tom imaginava que ele fosse?

- Vai se fuder.

Podia sentir os olhos queimando com o misto de emoções que estavam se juntando em seu corpo. Não queria chorar, mas detestava brigar com Tom, detestava acabar a noite desse jeito com cada um para o seu lado e ele obviamente derramando todas as lágrimas que podia por culpa do mais velho.

Tom deu um sorriso sarcástico e meio triste, sabia que tinha passado da conta, mas estava com raiva, era compreensível, não?

Colocou a primeira blusa que achou no guarda roupa e se dirigiu ao interruptor do quarto apagando a luz. Bill já havia se deitado encolhido no canto da cama King Size, que tinha espaço mais do que suficiente para os dois, mas mesmo assim ele ainda queria evitar qualquer possível contato com o irmão durante a noite. Lágrimas escorriam silenciosas por seu rosto e ele continha um soluço que teimava em querer sair.

Sentiu a outra parte da cama afundar, sinal de que Tom estava se deitando e tentou se controlar ainda mais. Ele não iria vê-lo chorando. Não mesmo. Não por isso.”

In this California king bed

(Nessa cama do Rei da Califórnia)

We're ten thousand miles apart

(Nós estamos a dez milhas de distância)

I bet California wishing on these stars of your heart, for me

(Eu aposto que a Califórnia está pedindo ás estrelas o seu coração pra mim)

My California king

(Meu rei da Califórnia)

Entrou no quarto de Tom, onde geralmente dormiam diante da insistência deste sempre que iam se deitar. Ainda estava meio bagunçado. Desde que ele se fora ninguém nunca mais tinha entrado ali.

Depositou os olhos em um porta retrato ao lado da cama. De todos que estavam espalhados pela casa era o que ele certamente mais gostava. Era uma foto divertida que ele e Tom haviam tirado na primeira vez que foram pra Tóquio. Quando ainda eram irmãos. Somente irmãos, sem as complicações de uma relação que ia muito além do laço fraternal. Seus orbes novamente se encheram de lágrimas, mas dessa vez não conseguiu manter a promessa de não derramá-las e pegando o retrato em mãos não resistiu chorar outra vez.

Olhou ao redor. Ainda tinha frescas na memória ótimas recordações daquele quarto.

“Acordou com uma claridade em seu rosto. Estranhou por não ter deixado a cortina aberta noite passada. Olhou para trás e viu que estava sozinho na cama. Lembrou-se da briga com Tom e então tudo veio como um flashback rapidamente em sua cabeça. Sentiu-a latejar. Estava com dor de cabeça. Tinha chorado muito antes de pegar no sono. Aliás achava que a noite de sono havia sido muito mal aproveitada por ele.

Levantou-se com um imenso pesar, não sabia como conseguiria olhar para Tom hoje.

Entrou no banheiro e tomou um banho quente para relaxar. Dessa vez não teve o cuidado de não molhar seus cabelos. Entrou por completo. Precisava sentir as gotas de água em cada parte de seu corpo. Estranhamente isso o acalmava.

Não se demorou muito com a higiene pessoal e saiu do banheiro com uma toalha enrolada á cintura. Em circunstâncias normais ele pegaria uma blusa do irmão no armário, que o deixava extremamente confortável, vestiria rapidamente e desceria com um enorme sorriso no rosto por enfim ser final de semana e eles poderem curtir um pouco a companhia um do outro. Como nada estava normal optou por pegar uma blusa e moletom seus no guarda roupas e vestir. Deixou os cabelos soltos fazendo com que alguns pingos molhassem a roupa que usava.

Depois de se vestir sentou na beira da cama com a cabeça baixa. Não sabia por mais quanto tempo esperaria ali até tomar coragem e descer. Mas afinal porque estava com medo de encarar Tom? Ele que tinha sido grosseiro, se alguém ali tinha que estar constrangido com algo esse alguém não era ele. Sua linha de pensamento foi quebrada quando a porta do quarto se abriu e o loiro entrou com uma bandeja de café da manhã em mãos.

- Bom dia... – disse o menor meio baixo fazendo o irmão erguer o olhar para ele surpreso com o que viu.

- Bom dia... – respondeu Bill ainda sem entender muito bem.

Tom se aproximou deixando a bandeja em cima da mesa ao lado da cama, empurrando um pouco um retrato que ali havia dos dois e depois sentou na cama olhando para o mesmo ponto fixo do chão que Bill fitava.

- Eu fui idiota demais?

O moreno também se surpreendeu com a pergunta do gêmeo. Não tirou os olhos ainda assim do chão.

- Foi – respondeu a verdade. Depois se arrependeu de ter sido tão brusco. Começou a brincar com os dedos das mãos.

Tom suspirou pesado. Virou o corpo de frente para o ombro direito de Bill.

- Desculpa. Eu sei que falei merda. Mas eu tava cansado e estressado, quase não tenho tempo de ficar com você... Só fiquei com ciúmes... – confessou meio envergonhado.

O mais novo esboçou um pequeno sorriso para o chão. Não conseguia ficar com raiva de Tom por muito tempo. E também tinha gostado da constatação de que este estava com ciúmes de si. O loiro percebeu. Segurou seu queixo e virou o rosto do gêmeo maior para si. Pegou sua mão entrelaçando os dedos. Bill olhou-o nos olhos com firmeza.

- Desculpa – repetiu Tom – Sei que devo estar sendo uma péssima companhia pra você mas...

Foi interrompido pelo dedo indicador do moreno tocando seus lábios com calma.

- Não quero desculpas. Quero você do mesmo jeito que sempre foi. Sem se preocupar com essas besteiras que você sabe não fazem sentido algum. Tom você nunca vai me perder. Eu vou ser pra sempre seu.

O mais velho não encontrou palavras que fossem suficientemente boas para expressar o que sentia por Bill. Então somente as demonstrou.

Tocou levemente as bochechas agora meio rosadas do irmão mais novo sentindo a visão um pouco embaçada assim como notava a de Bill também estar. Puxou-o para um abraço forte e carinhoso. Enquanto afagava os cabelos molhados do irmão, este acariciava suas costas com as pontas dos dedos ao mesmo tempo em que afundava a cabeça no peitoral de Tom como sempre gostou de fazer. Ali ele se sentia completamente seguro.

A verdade é que se amavam, independente de tudo aquilo, se amavam.

Eye to eye

(Olho com olho)

Cheek to cheek

(Bochecha com bochecha)

Side by side

(Lado a lado)

You were sleeping next to me

(Você estava dormindo ao meu lado)”

Afinal ele e Tom não dormiam todas as noites virados um para cada lado chateados com o que quer que tivesse acontecido anteriormente.

“Bill estava deitado com a cabeça apoiada no braço esquerdo do irmão pensando na noite passada que haviam tido. A primeira não só com Tom, mas a primeira de sua vida toda.

“Estava com medo do que viria a seguir, é claro que estando na cama eles avançariam para além dos beijos, mas ainda tinha receio, nunca tinha feito aquilo na vida. Havia se guardado para alguém especial. Esse alguém era Tom com certeza.

O Kaulitz mais velho tentava não precipitar as coisas, e mesmo com uma vontade imensa de ter o irmão para si de uma vez, era calmo e carinhoso com Bill, tinha certeza que aquela seria sua primeira vez.”

Mesmo com toda a preocupação ele havia se entregado e assim tido a certeza de que não poderia ter sido mais perfeito e com mais ninguém.

“- Você tem certeza? Bill a gente pode parar por aqui se você quiser. – questionou Tom com uma voz meio preocupada se aproximando carinhosamente do irmão. Parar por aqui? Não podia mais voltar atrás. E além do mais queria aquilo tanto quanto o mais velho.

- Tenho... – Bill somente respondeu respirando fundo.

Tom ainda estava meio incerto se deviam ou não prosseguir, mas o maior parecia seguro de que realmente queria continuar...”

Olhou para o lado na cama e lá estava ele ainda dormindo como um anjo. O moreno não se cansaria dessa visão nunca. Aconchegou-se mais próximo ao irmão e assim resolveu voltar a fechar os olhos e descansar. Ainda tinha muito tempo para curtir a companhia do gêmeo.

Arm to arm

(Braço com braço)

Dusk to dawn

(Do anoitecer ao amanhecer)

With the curtains drawn

(Com as cortinas fechadas)

And a little last night on these sheets

(E um pouco da noite passada nesses lençóis)"

Aquela certamente era uma das mais doloridas lembranças que teve desde que entrara ali. Nunca mais teria a presença de Tom assim tão perto. Nunca mais poderia dizer que era para sempre dele. Nunca mais seria perfeito como foi.

Olhou para a janela que somente exibia uma fresta do dia lindo e ensolarado que fazia lá fora. Aproximou-se, abandonando o retrato que ainda tinha em mãos na mesa que anteriormente este estava.

Abriu-a por completo e pôde admirar a vista que sempre adorou tanto. Lembrou-se.

“Continuava chateado com Tom. Outra briga idiota, que ele na verdade nem sabia como tinha começado. O mais velho não havia saído de casa ele sabia, mas tampouco estava no mesmo ambiente que ele.

A cada dia que passava e aquelas discussões se tornavam ainda mais freqüentes ele começava a pensar em algo que nunca imaginou nem por um minuto cogitar. O fim.

Tom andava estranho. A distância entre eles era cada vez maior e Bill já não enxergava aquele mesmo garoto de alguns meses atrás. Por mais que tivesse medo, sentia em seu íntimo que devia se preparar. Sentia que estava perdendo Tom. E então seria para sempre.

Sentiu uma imensa dor no coração e um nó se formando em sua garganta. Estava chorando. Como á dias vinha fazendo sem que o loiro sequer soubesse. Embora Bill nem imaginasse, o irmão sentia-se tão farto e exausto daquela situação quanto ele. Mesmo assim sua decisão veio antes do que a do irmão mais novo.

Just when I felt like giving up on us

(No exato momento que eu senti vontade de desistir de nós)

You turned around and gave me one last touch

(Você se virou e me deu um último toque)

That made everything feel better

(Que fez tudo parecer melhor)

And even then my eyes got wetter

(E, ainda assim, meus olhos ficaram mais úmidos)

Bill permanecia ali naquela janela, que antes lhe remetia imagens tão vívidas, mas que agora lhe pareciam vazias. Sentiu alguém chegar e abraçá-lo por trás. Um abraço apertado e, ele tinha certeza, cheio de dor. Sem virar-se para trás, entrelaçou as mãos as do irmão e apertou seus braços ainda mais entre seu corpo, temendo que ele o soltasse a qualquer momento. Podia sentir sua camisa sendo molhada pelas lágrimas silenciosas que Tom derramava em seu ombro. Também já não conseguia controlá-las.

Continuaram assim por um longo tempo, até que, inesperadamente o mais velho soltou Bill e dando um ultimo beijo em sua bochecha, lhe disse baixo ao pé do ouvido ainda com a voz meio embargada.

- Eu te amo... Pra sempre. – e então se afastou por completo sumindo do quarto.

Bill ainda levou um tempo para certificar-se de que realmente estava perdendo Tom. Virou-se para trás e constatou que ele realmente tinha ido embora. Não só daquela casa. Da sua vida. Não se encontrava com forças nem para correr atrás do irmão.

Sentiu-se completamente vazio e desabou no chão de uma única vez encolhendo-se a um canto, sabendo que ali ficaria até que nenhuma lágrima mais restasse chorar.

So confused wanna ask you, if you love me

(Tão confusa, quero te perguntar se você me ama

But I don't wanna seem so weak

(Mas eu não quero parecer tão fraca

Maybe I've been California dreaming

(Talvez eu tenha tido meu sonho californiano) “

Conteve-se para não repetir a mesma cena de alguns meses atrás. Encostou-se ao parapeito da janela, ficando de costas para a mesma, e cobriu o rosto com ambas as mãos. Não fazia idéia que ainda conseguia chorar.

Deixou o quarto de Tom com somente um porta-retrato em mãos. Caminhou em direção ao seu antigo quarto a fim de pegar a mala que pediu que Simone fizesse antes de chegar lá.

Atravessou o corredor e adentrou o outro ambiente igualmente familiar. Já estava com os olhos extremamente vermelhos.

Logo avistou uma mala preta em cima de sua cama. Aproximou-se desta e viu que também trazia um bilhete em uma caligrafia bonita e já muito bem conhecida por ele.

“Somente o essencial meu filho, como você pediu.

Embora o seu essencial seja mais que o necessário né...

Espero que esteja tomando a decisão certa meu amor e saiba que eu estarei sempre aqui te esperando voltar.

Te Amo.

Simone.”

Sorriu com os olhos já brilhando.

Lembrou-se do quanto odiava bilhetes. Simone claramente não sabia disso.

“Já havia anoitecido quando Bill, absolutamente seco e sem líquido algum no corpo, finalmente levantou-se e resolveu enfrentar qualquer outro cômodo daquela casa que não fosse o quarto de Tom.

Assim que entrou no corredor viu a porta de seu quarto aberta e assim pôde ver que lá havia um papel. Em cima de sua cama.

Entrou no quarto e aproximou-se do mesmo. Sentou-se na cama e pegou o papel em mãos. Coragem lhe faltava para abri-lo, mas sabia que era de Tom, sendo assim ele deveria ler.

Abriu e notou um papel com diversas partes borradas, sinal de que o irmão o tinha escrito chorando, e com uma letra bastante diferente daquela tão bem desenhada que o mesmo possuía. Parecia trêmula e meio descoordenada ás vezes.

“Bill

Me desculpe por isso que eu estou fazendo.

Caso você esteja mesmo lendo isso, sei que deve estar chateado ou até com raiva de mim, e eu não te tiro a razão.

Te devo desculpas por muitas outras vezes que agi e falei sem pensar, não somente por essa.

Mas essa decisão absolutamente não foi sem pensar. Antes de realmente ir embora, eu passei dias e noites, pensando se essa era realmente a melhor saída. E de fato é sim.

A verdade é que tenho medo de te magoar mais do que eu já venho fazendo.

Não quero que nos tornemos escravos dessa vida que pretendíamos levar.

Quero te ver feliz acima de tudo.

Não quero te prender a essa situação tão inaceitável pela sociedade, e de jeito nenhum quero te ver sofrer. Sei o quanto as pessoas podem ser cruéis e sei o quanto você precisa de carinho e cuidados.

Esse jeito que vínhamos vivendo estava cômodo somente para nós. No nosso mundo único aqui dentro. Mas a vida não acontece somente aqui e eu, melhor do que ninguém sei o quanto você seria afetado por tudo que viria depois daqui.

Embora você possa não entender, estou fazendo isso pra te proteger. Pra nos proteger. Talvez à distância nos ensine melhor como lidar com tudo isso, e um dia você me perdoe.

Me desculpe por tudo, não só por isso.

Te amo.

E estarei com você pra sempre...

Tom.”

Ficava cada vez mais fraco somente de se lembrar de cada frase que o irmão havia escrito. Agora sim era o fim.”

In this California king bed

(Nessa cama do Rei da Califórnia)

We're ten thousand miles apart

(Nós estamos a dez milhas de distância)

I bet California wishing on these stars of your heart, for me

(Eu aposto que a Califórnia está pedindo ás estrelas o seu coração pra mim)

My California king

(Meu rei da Califórnia)

Guardou o bilhete de Simone no bolso e puxou a mala com força de cima da cama, colocando-a no chão. Saiu do quarto sem mais olhar para trás. O que viera fazer estava feito. Era hora de ir embora.

Desceu as escadas e passou pela sala dando-lhes mais uma ultima olhada. Depois disso esperava nunca mais ver aquela casa.

Como já havia combinado, dali iria para o Aeroporto, pegar o primeiro vôo para Leipzig e então pretendia apenas voltar quando viesse visitar sua mãe. Não queria mais estar perto de nada que lhe remetesse o passado.

Pegou as chaves no bolso direito de sua calça e colocou-a na fechadura girando-a e abrindo. Saiu da casa sem mais olhar para trás e trancou a porta atrás de si.

Olhou pela ultima vez para aquela fachada deixando duas insistentes lágrimas correrem seu rosto delicado. Limpou-as rapidamente e então seguiu para seu carro.

Aquela visita só havia lhe servido para lembrar-se de uma coisa: que mesmo longe, ele de fato, seria para sempre de Tom.

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