“Caro destinatário,

Gostaria de escrever essa carta apenas para dizer umas poucas palavras, não tive muito tempo de vida, foi pouco e muito bem aproveitado, deixo aqui minhas lembranças e lágrimas, deixo também meu sofrimento.

Estou simplesmente e completamente amargurada, perdi a aquele que eu amo, deixei que ele pensasse que ela era a admiradora secreta dele, o deixei pensar que ela gostava dele, deixei-o se iludir por algo bobo.

Fui ingênua ao pensar que o ajudando com ela talvez o aproximasse de mim, consegui ser ainda mais tola quando o deixei escapar, não o esqueci apesar de dizer a minhas amigas que a dor havia passado que não havia passado de uma paixonite infantil, um simples fetiche que tomou conta de minha mente, obrigando-a a olhar para aquele que correspondia a seus gostos e caprichos.

Não consegui ter meu final feliz, de certa forma, até que gostei de poder passar o pouco que me resta de vida com eles, meus melhores amigos e confidentes, sinto como se meu coração se alegrasse apenas pelo simples fato de ter sido algo dele, não consegui dizer o que queria, não tive coragem de me declarar, não tive coragem de contá-lo a verdade ao vê-lo corado pela carta que havia recebido da admiradora.

Não me arrependo do que escrevi apenas me arrependo de tê-lo deixado pensar que ela que escreveu: eu realmente amo o sorriso dele, como ele é cuidadoso e carinhoso com quem se importa como ele é simplesmente fofo quando está corado... Seu sorriso me ilumina o dia, me deixa mais do que feliz!

Deixo aqui apenas o que não consegui dizer, fui covarde por não ter demonstrado logo o que sentia, de certa forma fiquei com medo que acontecesse como aconteceu com o Ken, ele simplesmente amava Lynn, minha melhor amiga, mas ela não gostava dele com a mesma intensidade, o que me faz pensar que de certa forma fico feliz por ele gostar de Lynn, e estar mais do que feliz com ela.

Sabia que desde que chegamos Nathaniel, já tinha reparado nela, eu o ajudei e hoje deixo algo inútil perto do que fiz, ignorei o que sentia, e no fim, acabei recorrendo a minha única amiga no momento a Solidão, me escuta e me consola, não sou forte para recomeçar, e por mais que quisesse não poderia, meu coração se contorce em meu peito, a dor me consome, fui idiota, uma completa tola, burra e idiota por não ter demonstrado o que sentia desde o começo.

Eu adoraria poder ter a coragem que o Ken teve para se declarar para Lynn logo no início antes de ir para o Colégio Militar, eu queria ter a força e a vontade para recomeçar, mas o que posso fazer agora? Recorrer a aquele que há algum tempo atrás se mostrou meu amigo mesmo implicando comigo? Fazer o transplante?

Castiel já me esqueceu, está com Anna, o que me alegra, ambos eram como Gato e Rato antes de começarem a namorar, formam um casal superfofo!

Lysandre, eu o afastei antes que eu o atingisse, penso como a Hazel de “A Culpa é das Estrelas”, sou uma granada e quanto menos gente eu atingir melhor será para todos!

Nathaniel, se afastou quando começou a sair com Lynn, o que eu de certa forma agradeço.

Perdi meus amigos, meus pais se acostumaram a ideia e tentam me salvar, mas sei que será em vão. A Solidão é minha única amiga, aquela que me ouviu em silêncio que me compreende, me consola, minha única e fiel companheira em momentos de angustia.

Sinto-me mais leve agora, sinto que a paz vem em breve, que poderei finalmente deixá-lo à vontade para ficar com minha amiga, a quem eu o confio...

Sinto que a felicidade pode me ajudar a curar os ferimentos, minha felicidade tem nome e sobrenome, e a confio a aquele que me proporcionou tal coisa...

“Quantas vezes você me disse que a ama?
Tantas quanto as que eu quis te dizer a verdade
Há quanto tempo eu estou aqui ao seu lado?
Eu vivo através de você, você olha através de mim

Oh, solidão
Ainda comigo é só você
Oh, solidão
Eu não consigo me afastar de você

Quantas vezes eu fiz isso comigo mesma?
Quanto tempo vai demorar antes que eu veja?
Quando esse buraco no meu coração será fechado?
Quem agora está sozinho, além de mim?

Oh, solidão
Sempre eu e sempre você
Oh, solidão
Só você, única verdade

Todos me deixaram de lado
Esquecida, abandonada, deixada para trás
Eu não posso ficar aqui mais uma noite
Sua admiradora secreta, quem poderia ser?

Oh, você não consegue ver?
O tempo todo, era eu
Como consegue ser tão cego
Para enxergar através de mim?

Oh, solidão
Ainda comigo é só você
Oh, solidão
Eu não consigo me afastar de você

Oh, solidão
Sempre eu e sempre você
Oh, solidão
Só você, única verdade”_ Evanescence-Solitude.

Espero que cuide bem dela, fale que a amo e que nunca a deixei,entregue-o a carta e diga que ainda o amo...

Alice”

O homem ao ler a carta novamente, levou seu olhar a lápide, seu olhar era suplicante, a carta em suas mãos estava amassada de tanto ser dobrada e desdobrada, a conhecida letra enfeitava o papel,ainda se lembrava da sensação que teve ao abrir a carta no dia de sua formatura ao lado do assento que devia ser o dela, lembrava-se de Lynn que chorou, e esperneou por querer ficar com a criança.

Lembrava-se da dor que sentira ao ler a carta, lembrava-se de como havia se xingado, pretendia dizer que a correspondia no mesmo dia, se ela não estivesse prestes a morrer no hospital. Lembrava-se daquele dia 04 de Outubro, quando o acontecimento ocorreu, quando viu pela primeira vez sua pequena sorrir, quando viu que a havia perdido...

Ele dobrou a carta novamente e a guardou em seu bolso, pegou o buquê de rosas vermelhas e brancas das mãos pequenas e delicadas da pequena criança ao seu lado e o colocou com cuidado sobre a lápide, a escultura de um querubim, repousando o rosto nos braços cruzados e apoiados na lápide pareciam olhar para ele, os olhos tristes e distantes, mortos.

Algumas lágrimas escorreram por seu rosto ao fitar a foto que guardava em seu bolso junto a carta, na foto ela estava linda, os cabelos ruivos iam até pouco abaixo dos ombros soltos, os olhos azuis gelo fitavam-no carinhosamente, e o mesmo ria enquanto tomava um sorvete.

Pequenas mãozinhas seguraram o braço do homem, e ele olhou para a criança ao seu lado, a garotinha tinha apenas cinco anos de idade, cabelos ruivos como os da mãe porém lisos soltos iam até sua cintura, os olhos azuis fitavam-no, curiosos, um sorriso triste apareceu nos pequenos lábios rosados da criança e ela o abraçou.

_Papai... ela é a mamãe?_Indaga a criança.

_É..._Responde.

_Por que ela está lá?_Pergunta.

_Porque ela não está mais entre nós..._Responde, o homem sussurrando e segurando o choro.

A pequena criança sem entender olhou novamente para a lápide. A mesma figura da foto apareceu ao lado da lápide, inteiramente vestida de branco, os olhos ainda brincalhões como de costume, cinco anos atrás, a garotinha abriu um sorriso alegre e acenou para a mulher como se a chamasse, a outra apenas sorriu e se aproximou, tocou o ombro do homem, que estremeceu.

_Sinto sua falta..._Sussurra ela, dando um pequeno e breve beijo na bochecha do homem.

O mesmo continuava intacto, e a mulher levantou-se e caminhou em direção a criança, dando-lhe um beijo na bochecha sorriu triste.

_Cuida dele para mim?_Indaga.

_Claro._Responde inocente.

A mulher sorriu triste novamente, antes de caminhar na direção do horizonte, sumindo da vista da criança que se agitou no colo do pai.

_NATH! Finalmente te encontrei! Oi Lucille!_Fala a mulher alta e loira, dando um pequeno beijo na bochecha da criança e dirigindo-se ao homem.

_O que quer Ambre?_Indaga áspero.

_Lynn o espera... e a nossa pequena tem que voltar para o “papai” Lysandre!_Fala ela, tirando a criança dos braços do loiro e a pegando no colo.

Alice havia deixado Lysandre como o responsável pela criança apesar do verdadeiro pai ser Nathaniel, não queria que a criança vivesse em meio as intrigas de Nathaniel com Lynn e Ambre.

O loiro continuou intacto, e a pequena criança, começou a chorar, soluçava baixo, e escondia o rosto no vão do pescoço da tia.

...

No dia seguinte, Ambre se levantou cedo para ir buscar a sobrinha para passearem, mas algo estranho aconteceu, a pequena não estava lá, e seu irmão não estava com Lynn, todos correram desesperados para uma pequena clareira escondida que tinha no parque, em meio ao pequeno bosque logo atrás, a cena assustou a todos.

A criança estava deitada e inconsciente, os olhos fechados, e um sorriso nos lábios. Usava um vestido branco que fora de sua mãe quando pequena. O homem estava não muito longe, também inconsciente, sorria assim como a criança, pareciam dormir.

E logo mais a frente havia uma menina os cabelos negros caiam em cascata sobre seus ombros finos e pálidos. Estava virada para eles, parecia chorar, seus soluços eram ouvidos, e mais a frente ao lado de Nathaniel e Lucille, estava Alice, os olhos felizes e tristes ao mesmo tempo.

A garotinha pequena e a única que na cena não se encontrava inconsciente, virou-se para eles, os olhos azuis e profundos, solitários.

Solidão estava em frente a eles, chorava diante da cena, despedindo-se de uma de suas melhores amigas, que agora estava de pé junto com os outros dois, os três sorriram e acenaram, e sumiram no horizonte.

A garotinha sumiu, e desde então, apenas faz umas poucas visitinhas a aqueles que presenciaram a cena...

Todos lá morreram nos braços de alguém que os amaram até o fim da vida, que os suportaram, apenas uma lá fora diferente, morrera nos braços de alguém que apenas ela compreendia que apenas ela gostava da companhia a Solidão...

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