Bolo lunar
Bolo lunar
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O lamento da inocente deusa lunar

Ao meu arqueiro divino,

Ábdito de mim o estás.

Por teu coração genuíno

Estarei daqui a rogar.

A ti eu culpo o ardor.

Se não és o deus do amor,

Por quê flechaste-me o coração

Com tamanha precisão?

Crueldade do destino,

Que tal como um ladino

Uniu-nos sem escrutino.

Isso sim foi desatino!

Padeço da intensa mágoa

Dos teus toques e calor não sentir.

De súbito, sinto a água

De uma lágrima a cair.

A solidão é um castigo,

Do qual nem o coelho de Jade

Com inabalável lealdade

Foi capaz de suprir o vazio.

Porém, sempre és tu a me proteger

Não importando a distância,

Meus medos nunca vão prevalecer

Com tua força em abundância.

Sim, Houyi, mais que digno o és

Deste fervor mais lustroso que os dez.

Aguardo por ti o tempo que for

Para findarmos a saudade e a dor.

Tradição enche-me de esperança

E silencia as inseguranças.

Prometamos, sob o tecido estelar,

Dividir um último bolo lunar?

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