Ao meu arqueiro divino,
Ábdito de mim o estás.
Por teu coração genuíno
Estarei daqui a rogar.
A ti eu culpo o ardor.
Se não és o deus do amor,
Por quê flechaste-me o coração
Com tamanha precisão?
Crueldade do destino,
Que tal como um ladino
Uniu-nos sem escrutino.
Isso sim foi desatino!
Padeço da intensa mágoa
Dos teus toques e calor não sentir.
De súbito, sinto a água
De uma lágrima a cair.
A solidão é um castigo,
Do qual nem o coelho de Jade
Com inabalável lealdade
Foi capaz de suprir o vazio.
Porém, sempre és tu a me proteger
Não importando a distância,
Meus medos nunca vão prevalecer
Com tua força em abundância.
Sim, Houyi, mais que digno o és
Deste fervor mais lustroso que os dez.
Aguardo por ti o tempo que for
Para findarmos a saudade e a dor.
Tradição enche-me de esperança
E silencia as inseguranças.
Prometamos, sob o tecido estelar,
Dividir um último bolo lunar?

