Beyond the Gates
Beyond the Gates
Chapter 16 min read

OneShot

Pétalas rosas cobriam o chão. Não restava uma folha nas árvores, todas haviam caído com o último vento do outono. Porém, o caminho estava intocado. Um caminho sinuoso que seguia por entre as árvores para um sonho. Porque Raquel teve que seguí-lo?

Seus passos ecoavam na floresta. A chuva caía mas não a molhava. Seu coração doía mas ela não sentia... Porque da última vez que passou por ali um pedaço dele ficou na outra ponta do caminho.

E ela corria para pegá-lo de volta.

Seus cachos pretos não acompanhavam seus pés rápidos e esvoaçavam atrás da garota, formando ondas que podiam ser facilmente confundidas por ondas de um misterioso e lindo mar negro quem o olhasse fixamente. Fora o que ele disse...

Ele, que a aguardava no fim do caminho...

O barranco, com a única árvore com folhas e flores, a única árvore viva... A cerca branca impedia qualquer um de cair lá embaixo... Foi lá que ele apareceu... Foi lá que ele roubou um pedaço de seu coração.

Respirando profunda e rapidamente, Raquel se apoiou na cerca, esperando que ele chegasse, esperando que ele saísse do nada e dissesse que estava tudo bem, e que ele não era só um sonho... A chuva apertava, apesar de o Sol estar alto no céu...

Os cabelos de Raquel já estavam encharcados e colados ás suas costas. Ela ficou lá parada pelo menos uns dez minutos e nada. Sim, ela começou a achar mesmo que aquilo era apenas um sonho...

Foi quando ela sentiu uma mão gentil no seu ombro.

Ela se virou rapidamente e o encontrou em pé atrás dela. Seu cabelo castanho não estava molhado. Seus olhos, quase sem brilho estavam fixos nela, um olhar triste e carinhoso ao mesmo tempo.

Cristof deu um pequeno sorriso, mas a expressão tristonha não saiu de seus olhos. Ele não a queria ali. Ele havia se apaixonado, sim, tinha que admitir isso, mas era contra as regras...

- Raquel, eu disse para não voltar… — ele disse numa voz suave.

Raquel, ao invés de responder, colocou as duas mãos no rosto de seu amado e pousou gentilmente seus lábios nos dele, tinha que aproveitar, afinal, ela havia decidido não fazer isso novamente. Cristof retribuiu o beijo, mas, rapidamente, separou-se da garota. Não podia deixar se envolver muito com ela, nem ela muito com ele. Já havia sido um engano deixar a Porta aberta. Geralmente, os que vinham uma vez não conseguiam achar o caminho de volta...

Uma expressão preocupada tomou o rosto de Raquel.

Ela não havia contado á ele, pretendia não voltar depois daquela última vez... Será que ele descobrira? Não era possível, aquilo era inaceitável, se descobrissem... mas ela tinha mantido o segredo tão bem guardado!... Ora, mas que bobagem, ela só havia encontrado com ele uma vez, ele não podia desconfiar de nada.

— O que houve? – ela perguntou.

Ele apenas virou a cara, não podia contar a ela... Ela não acreditaria mesmo que o fizesse.

— Só... por favor, não volte...

♣ ♣ ♣

Raquel acordou no seu quarto com uma pergunta pronta nos lábios. Uma pergunta que Cristof não ouviria... Não ouviria porque ela acordou, não ouviria por que ele não existia para ela.

Não existia por que ela não podia deixar ele entrar em sua vida, um humano qualquer. Ela havia quebrado muitas regras indo até lá, não podia se deixar ir encontrar com ele de novo...

Raquel levantou da cama se vestiu rapidamente. Desceu a escada da torre em que ficava seu quarto. Abriu a grande porta e saiu, ela caminhou pelo jardim escuro que cercava o lugar e ia até onde a vista alcançava.

A sua frente, o Portão. Ela fez questão de o fechá-lo muito bem... Para não cair na tentação de abri-lo e sair novamente. Afinal, ela era a guardiã do Portão dos Pesadelos, tinha que protegê-lo de todos, até de si mesma.

♣ ♣ ♣

Cristof fechou as Portas do Sonho novamente. Era um mundo perigoso pelo qual um humano pode facilmente se perder e não voltar mais, principalmente os perdidos. Como guardião da Porta dos Sonhos, ele não podia deixar aquilo acontecer.

Se apaixonar por uma humana! Apostava que a guardiã do Portão dos Pesadelos nunca iria pensar em fazer isso, eles serviam á um propósito maior do que simplesmente saciar suas vontades. Tinham que proteger os Portões...

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