o olhar no distante. O Horizonte tão belo quanto o movimento do mar em dias ensolarados. Destinado aquele futuro, questionava quanto mais de sofrimento aguentaria.
há anos atrás...
— "E deitando junto da luxúria! Deitando-se com quem não se casará. É essa a imoralidade que o inimigo deseja que caia em tentação! não deixe o atormentar sua mente com tanta perversidade, para não arder no fogo do inferno!" seu lábio inferior se movia rápido demais, a cada frase completada sua saliva voava até o microfone, grudado em sua boca. Pastor tão dedicado, adorando a deus com convicção. Em outro olhar não parecia tão forte quanto a do seus fiéis, mas é a frase que sempre digo; quando se tem tanta confiança e certeza do que fala, começam a acreditar em sua palavra e ainda mais quando é um pastor berrando no microfone. – "É dito de minha boca, mas eu repito irmãos! foi ele quem veio a mim, o mensageiro de Deus"
Soava como um verdadeiro qualificado no que é falado, mas a mim não engana. Embora começasse a dar algumas bandeiras da qualidade de quem era, seus fiéis sempre dizem que ele nunca faria isso, é claro que é "má impressão" de minha parte, afinal ele é "bom homem". Sua testa virava um vermelho vivo, as marcas da idade aparente. Sua voz ecoando pela igreja, deixando visível sua veia graças ao enorme esforço para pregar a palavra. No fundo deste lar uma música esperançosa se soava nas quatro paredes, O símbolo de fé.
-"TENHA PIEDADE! IRMÃ PELA MOR DE DEUS!!" os gritos são agonizantes aos olhos daqueles que não sabem das regras, que não estão familiarizados. o chão soltava um ranger baixo, mas igualmente irritante, o som vinha diretamente do piso de anos, causando um peso ainda maior. Cada vez que seus joelhos se moviam na intenção de parar de tremer, agonizava cada parte do seu corpo com o olhar da freira em pé à sua vista, o tremor vinha ainda mais forte
–"Eu juro pelo deus que sempre está do meu lado, nunca!. Toquei. aquele. Homem!." as sobrancelhas se arqueiam em desespero, a segurança que infla no seu peito começou a se esvair, murchando cada vez mais. nem o próprio pastor salvaria da desgraça. A cada implorar, cada vez que as lágrimas escorriam do seu rosto de uma maneira tão lamentável a responsável por ela se encontrava impassível como uma pedra
-"tanto afirma mas se encontrou com pelas nossas costas" abaixando o olhar devagar para encará-la, seus dedos pousam no queixo, pressionado suficiente para levantar o olhar da freira. A entonação não era só cortante e sim de alguém que vivia-se disso, vivia para monitorar todos que ultrapassam a linha do pecado.
– "na casa de Deus entregamos tudo, lar, comida, esperança e amor"a cada palavra sua boca parecia pegar um ritmo lento, prolongando a tortura do que viria depois, o que faria depois. Negava incansavelmente com a cabeça. Suas mãos agarram seu vestido longo se arrastando aos seus pés –"Não queria...ele...ele me seduziu!"
-"Luxúria assim como adultério é um pecado, você sabe a punição."em um curto passo ela se afasta, virando-se de costas. A tensão nos ombros da garota pareceu aumentar cada vez mais. A forma profunda como o marrom claro do seu olhar demonstra carregar algo pesado, doído. – "aceito qualquer coisa, mas por favor não me condene ao inferno! não me mande embora"
Aqui não expulsamos nossos irmãos, é como diz:"O insensato sofrerá as consequências dos seus erros; o homem de bem terá alegria nos seus atos."o som dos seus sapatos pareciam ter saído de uma câmera lenta, cada passo direcionado a um baú branco. No lugar de Deus não deveria nos manter em uma corda bamba, só um desequilíbrio e Minhas vontades e valores podem desabar e para onde iria depois de cair?
atualmente...
O olhar suave via-se no espelho recém-quebrado, cacos ainda no chão da noite anterior. – "mãe? A senhora está melhor"
O olhar antes tão doce estava devastado. Seus pensamentos agitavam só de olhar sua mãe. O brilho que antes carregava estava desaparecendo –"por favor..fale alguma coisa" Collin vira-se. Suas mãos pousando na própria coxa, deixando que a mão direita fique entrelaçada na da sua mãe apertando com força o suficiente para que seus dedos entrelaçados ficassem esbranquiçados. — "aquela foi a última vez"
seu olhar é carregado de algo profundo e sua voz firme o suficiente para confundir com uma raiva escondida, a dor que sempre se repetia agora foi embora, esperava um alívio no peito, mas envés disso minha cabeça não é mais a mesma. O vento era fraco mas frio, voltava-se para o seu rosto arrepiando os pêlos do seu braço
– "não deveríamos ter ido embora querida.." em rapidez leva sua mão no ombro, seu toque não entregava como realmente se sentia, mas o brilho em seu olhar Se intitulava medo puro.
– "não precisa ficar eufórica, só iremos ficar fora por alguns meses, Até a poeira abaixar" sorrio em mostrar os dentes. Por um segundo ela não disse nada, o suspiro que soltava revelava que sabia que tinha razão. Em uma postura determinada a abraço com força. Minha verdadeira vontade agora é conseguir passar todas as forças que tinha para que minha mãe voltasse a ser quem realmente era.
-"já ficamos tempo o suficiente no hotel mãe. Conversei com uma amiga minha através das cartas e ela disse que conseguiu um lugar" levantei com a mão ainda entrelaçada na minha, o olhar fixo no seu que mal dava ao trabalho de levantar. Meu peito apertou vendo tão vulnerável, sua mão suave estava fria assim como o próprio gelo, não era por falta de se aquecer mas a resposta do que estava sentindo, uma reação automática.
-"antes que me contrarie vou deixar bem claro que não vamos ser um incômodo! É uma igreja e lá eles acolhem o tempo que precisar!" ergo a sobrancelha com um sorriso no canto da boca, minha mão leva até os fios do seu cabelo levando atrás da orelha. -"vamos dar um jeito mãe, prometo."aquele jeito de dizer lembrava minha infância a maneira como ela mesma me acolhia quando as coisas iam em uma direção que não estava esperando, mas agora é o contrário.
As poucas roupas que tínhamos organizamos na mala saindo às pressas do hotel. O dinheiro estava contado para o necessário, não poderia se dar ao luxo de gastar com coisas desnecessárias. Andando a estrada até o que chamam de 'templo'. Na minha vida toda nunca fui apegada a isso, mas já minha mãe adora a Casa de Deus, seguir suas sabedorias.
semana atrás...
Ela anda estranha demais. Em suas idas ao santuário li suas cartas e não existe nada. No segundo em que comecei a vasculhar é como se já soubesse. as mãos se mexiam às pressas, seus dedos brancas como de porcelana molhados, estava consumida pela ânsia de entender, porém quanto mais fundo cavava era como se estivesse buscando um objeto em um buraco negro, não existia. A cada gaveta fechada sentia a única esperança que tinha sido tomada pelo desespero.
-"droga! Eu só preciso saber onde ela está escondendo, porque é tão difícil? As lágrimas que não permitiam descer, mesmo com o corpo gritando. engulo o seco sentindo-me presa em uma corda, a dor de não poder se expressar de desejar ser ouvida quando gritar, tudo aquilo me corroía por dentro me rasgando em pedaço.
-"tudo bem, eu consigo fazer isso! Pânico não vai me ajudar agora" levando as mãos até o rosto começando a esfregar no mesmo. tudo parecia estar contra mim, sempre que as coisas levavam para o difícil, sempre acontecia. –caramba...cadê..achei!
