“Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável...” – Augusto Cury
Inglaterra, 22:30 P.M.
Liverpool é uma cidade muito bela e tradicional localizada no extremo sudoeste do condado de Lancashire, Inglaterra. Nessa mesma cidade, havia uma excêntrica e rica família. A família Longbottom, descendente da linhagem de Godric Gryffindor que foi um dos quatro fundadores da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts, se orgulhava do fato de ser uma família puro-sangue tanto que pensar em algum sucessor sem magia era inconcebível. Todos os descendentes mundanos moram na mansão Longbottom, o Lar Ancestral, que fica em um condomínio fechado no centro de Liverpool. Por essa mesma razão o que atual herdeiro era escondido de todos e morava com seu tio louco, Brandon Longbottom, o qual tentava forçá-lo a situações de risco constantemente para ver se a magia se mostrava presente, embora sem sucesso.
O nome desse herdeiro é: Neville Scott Longbottom, ele tem oito anos e é um menino solitário e de personalidade extremamente tímida. Ele tem cabelos castanhos claros, olhos verde-azulados, pele pálida e é um pouco acima do peso. Neville por ser tímido não tem nenhum amigo e está quase sempre sozinho no lar ancestral Longbottom, prefere passar seus dias em sua estufa pessoal, onde cultiva várias espécies de plantas desde as “normais” até as “bruxas”.
Mesmo sendo o herdeiro na linha de sucessão, sua família ignorava sua existência e o isolava de todos. Para Neville, sua família o odiava e desejava que ele nunca tivesse existido e assim eles poderiam ter o herdeiro perfeito que ele não era, senão porque outra razão eles iriam fugir dele como se fugissem da peste bubônica. Ele era um rapaz muito legal, gentil, prestativo, calmo e educado, porém, tinha um grande problema relacionado à sua total falta de confiança e coragem. O que não era permitido já que ele era sucessor da casa dos corajosos, outros herdeiros quando iam à mansão zombavam dele e de seu jeito de ser, que ignorava concentrando-se em suas atividades na estufa.
Sua família o educou com os melhores tutores, no entanto, por mais que se esforçasse parecia nunca ser o bastante e assim com sete anos de idade já havia desistido e decidiu começar a viver com a idéia de que era mundano. Sua avó, Augusta Longbottom, uma mulher rígida e muito séria, era o maior medo de Neville. Porém, o mesmo quase nunca a via salvando aniversários e outras datas comemorativas.
Iria haver um baile na casa de campo da família, em comemoração ao Solstício de inverno, e assim Neville foi obrigado a viajar com seu tio de carro até a região de Bristol, sudoeste da Inglaterra. Era uma manhã normal, seu tio havia saído para trabalhar no Ministério britânico e os empregados espalhados pela casa arrumando os últimos detalhes, pois essa noite seria o baile na casa de campo.
“Seus usos variam desde alimentação à medicina, ela contém dezenove tipo de aminoácidos, que ajudam a formar as proteínas, nas quais oito são essenciais para a vida. Outra característica sua é que contém vinte e um tipos de minerais vestigiais, incluindo germânio – considerado em estudos como tendo atividade anticancerígena, que é raro como fito-nutriente. Contém o espectro completo de carotenóides antioxidantes, incluindo beta-caroteno (maior concentração que a cenoura) e zeaxantina (protetor dos olhos). O goji é a maior fonte de carotenóides conhecida.”
Neville estava na biblioteca pesquisando sobre Lycium ruthenicum, mas conhecido como Goji Berries, uma espécie rara que ele estava planejando cultivar em sua estufa na semana seguinte, isto é, se ele sobrevivesse até a semana seguinte. Após conviver durante todos esses anos nessa família o fizeram tornar-se tão paranóico quanto Alastor Moody.
Ele passou sua manhã e grande parte de sua tarde fazendo pesquisa e anotações na velha biblioteca, quando era meio dia ele foi chamado por seu elfo doméstico, Dicky, para comer e almoçou sozinho na sala de jantar. Próximo à hora do baile, Neville anotou a página de qual livro ele estava, guardou suas observações e foi se preparar. Ao terminar, ele vestiu um terno preto, com uma camisa social branca
A festa teve início e assim como em todas as festas Neville ficou sozinho em um canto, olhando todos os outros se divertirem. Ele saiu despercebido pela multidão de gente dançando e quando pensou estar sozinho, ouviu uma voz suave lhe dizer:
−Eles são estúpidos em minha opinião, porque não deveriam ignorar o futuro chefe de sua casa. Você não deveria se importar sabe? Isso faz com que Narguilés infestem sua cabeça com idéias erradas.
−Hã?−Disse Neville enquanto se virava para dar cara com uma menina de longos cabelos enrolados loiro platinado e olhos azuis prateado, que parecia ser de sua idade. Ela trajava um vestido rodado de cor branca com ombros nus e mangas bufantes, um laço cinza em sua cintura e sapatilhas brancas. Ela parecia uma perfeita definição de anjo.
−Será que tem pudim aqui, estou com fome. –Ela respondeu normalmente, como se não tivesse acabado de insultar os anfitriões da festa.
“Fame...”
Uma voz sussurrante falou mentalmente, mas tão rápido quanto veio se foi. Ele poderia ter perguntado qualquer coisa à menina diante dele, coisas como: “Quem é você? De onde veio? Como chegou aqui?”. Mas o que ele perguntou mesmo foi:
−Gostaria de fazer a honra de dançar comigo?− A menina sorriu sonhadora e assentiu.
Eles não tinham música, mas quem disse que eles se importavam. Eles dançavam ao ritmo da batida de seus corações. Eles dançaram durante muito tempo, a menina falou sobre criaturas que ele nunca tinha sido mencionado em seus livros didáticos, como: “Bufadores de chifre enrugado que viviam na Suécia e não podiam voar, heliopatas, etc”. Neville ouvia fascinado o conto da menina absorvendo cada bit de informação.
−Mestre Neville, seu tio deseja vê-lo no escritório em 10 min.
Era Dicky que quebrou a bolha que os dois estavam, Neville virou-se para o elfo e disse que ia encontrá-lo. Então, quando voltou sua atenção para onde a menina havia estado, não tinha nem vestígios dela e Neville ficou em estado de choque pensando que talvez tenha imaginado tudo. E assim foi encontrar seu tio Brandon, antes que ele se irritasse e mais tarde, ele iria poder tentar entender o que havia acontecido.
Ele entrou no escritório e o encontrou vazio, então ele decidiu ir a janela observa a noite e pensar um pouco. Porém quando se aproximou, ele foi empurrado e caiu da janela do terceiro andar da mansão. Seus últimos pensamentos foram:
“Eu vou morrer agora! E nunca mais vou encontrar o anjo! Isso não pode acontecer.”
Então tudo aconteceu em um borrão de segundos, ele abriu seus olhos a tempo de ver seu tio sorrindo e naquele momento Neville sentiu ódio pela primeira vez na vida. O sentimento corrosivo tomou conta dos pensamentos dele, naquele momento ele queria poder para quebrar o maxilar de seu tio e tirar aquele sorriso maldito. Ele sentiu um pulso de energia muito poderoso vindo de todo corpo que o protegeu da morte. Ele viu sua avó chorando de alegria junto com seu tio que ainda sorria com a felicidade estampada no rosto de seus familiares, e Neville sentiu raiva submergir dele. Raiva por todos os anos de solidão que o infligiram, pela humilhação constante e pelas tentativas de assassinato que sofreu desde que engatinhava. Ninguém se importava com ele, ninguém nem mesmo sua família. Ele estava sozinho.
Após a festa, seus familiares comemoravam enquanto ele assistia com olhos calculistas seus movimentos. Eles se vangloriavam diante dos convidados, os olhos de Neville digitalizavam a área em busca de seu anjo pessoal e não o encontraram. Ninguém tentou ver se ele havia se machucado, estavam muito ocupados se preocupando com a própria reputação.
“Superbia...”
Novamente, tão rápido quanto a voz apareceu, ela sumiu. Ele deu de ombros e retirou-se para os seus aposentos. Neville tomou uma ducha fria, trocou de roupa e foi descansar.
Onde estou? Por quê está tão escuro? Aqui é frio.
Neville estava confuso, ele tinha certeza que estava no Lar Ancestral Longbottom, então como era possível que ele estava nesse buraco negro? Algo estava definitivamente errado, ele só não conseguia saber o quê. Ele decidiu explorar a escuridão, afinal ela nunca o fez mal e foi nela que Neville encontrou seu anjo.
− Olá...−Uma voz arrepiante sussurrou, ele tinha a ligeira impressão de que já havia ouvido-a antes.
Ignorando o medo e o tremor nas pernas, ele respondeu cordialmente:
− Olá, como vai?
− Nervos de aço, eu vejo. Muito bom e diziam que você era um herdeiro fraco, fale-me de você. Estou curioso sabe?
− Eu falarei sobre mim se me falar sobre esse lugar e mais especificamente sobre quem é você.
Bruscamente a escuridão deu lugar à um jardim magnífico com uma incrível biodiversidade de plantas que pareciam atraí-lo, ele aproximou-se lentamente de uma das plantas, era uma Lycium Ruthenicum. Então, a voz disse novamente:
− Vejo que aprecia a vista, acho que já está familiarizado com essa planta não? Eu sou Pestilentia.
− O que você quer comigo? Eu me chamo Neville Longbottom e acreditava ser um aborto até hoje onde quase fui morto e tive um encontro com um anjo, mas acho que foi só um sonho tolo de um desesperado por carinho.
− Você não deveria subestimar a si mesmo, eu estou aqui para te oferecer uma chance única de liberarmos nosso poder. Juntos, podemos ser poderosos, ninguém mais vai nos humilhar consegue ver isso?
Isso trouxe um sorriso aos lábios de Neville, esse era o maior desejo dele, ser poderoso para que ninguém nunca mais o humilhasse de novo. A voz parecia saber exatamente o que dizer para convencer Neville, então ele perguntou:
− Mas isso não me tornará submisso à você certo? Eu sou minha própria pessoa e não vou ser marionete de ninguém. –Ele disse convicto.
− Claro que não, nós vamos mesclar nossas essências e meu poder será seu, assim como traços de minha personalidade como a minha confiança será sua também.
−Eu aceito.
Então, o céu começou a escurecer e raios vermelhos criaram uma corrente à alguma coisa e a última coisa que Neville viu foi um cavalo branco e o que estava sentado nele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo e para completar a sua vitória. E a escuridão tomou conta de sua visão, o cavaleiro o ergueu facilmente do chão e disse:
− Juntos, minha versão mortal, seremos imbatíveis. É só uma questão de tempo antes que nossos irmãos surjam e então, teremos nossa glória restaurada.

