Aninhada entre colinas verdejantes e banhada por um rio cristalino, a pacata cidadezinha de Hinode desponta como um oásis de tranquilidade no interior do Japão. As ruas estreitas e calmas são ladeadas por casas tradicionais de madeira, com telhados de telhas de barro que se inclinam suavemente. Lanternas de papel penduradas nos postes iluminam a cidade com um brilho suave à noite, criando uma atmosfera mágica e convidativa. Hinode possui uma população de cerca de 5.000 habitantes, a maioria composta por famílias tradicionais e alguns jovens que escolheram retornar à cidade após seus estudos nas grandes metrópoles. A vida na cidade é tranquila e marcada por um ritmo mais lento, onde os vizinhos se conhecem e se ajudam, e o tempo parece ter se desacelerado. No centro da cidade, encontra-se a Praça do Sol Nascente, um espaço verdejante adornado por cerejeiras floridas que encantam os visitantes na primavera. Ao redor da praça, estão localizados os principais pontos de encontro da cidade, como o Mercado Municipal, onde os aromas e sabores frescos dos produtos locais inundam o ar, e a Casa de Chá Haru, um lugar aconchegante para relaxar e desfrutar de uma xícara de chá verde enquanto observa o movimento da cidade. Hinode também é conhecida por seus belos templos budistas e santuários xintoístas, que se escondem entre as colinas e oferecem aos visitantes momentos de paz e contemplação. O Templo Daikoku, com sua imponente estátua de Buda, e o Santuário Fujimi, com sua vista deslumbrante para o Monte Fuji, são alguns dos locais mais visitados da cidade. Ao redor da pacata cidadezinha de Hinode, uma floresta densa e misteriosa se estende por quilômetros, convidando os aventureiros a desbravarem seus segredos. Árvores centenárias entrelaçam seus galhos frondosos, criando um dossel verde que bloqueia a luz do sol, lançando a floresta em uma penumbra constante. O ar úmido e fresco carrega o aroma da terra úmida, musgo e folhas em decomposição, criando uma atmosfera mística e convidativa. Para quem busca um refúgio da agitação das grandes cidades, Hinode é o destino ideal. Uma cidadezinha pacata e charmosa, onde a tradição se encontra com a natureza, oferecendo aos visitantes uma experiência única de imersão na cultura japonesa autêntica.
Os primeiros raios de sol da manhã espreitam pelas frestas das persianas, lançando longas sombras no quarto de Akane Hiromi. Com um gemido, ela se vira na cama, tentando se livrar do emaranhado de lençóis e cobertas. Seus olhos se abrem lentamente, revelando um mundo totalmente fora do comum para uma adolescente de 16 anos. As paredes do quarto são adornadas com pôsteres de criaturas misteriosas: o Pé Grande espreitando entre as árvores, o Chupacabras com seus olhos vermelhos penetrantes, o Monstro de Loch Ness emergindo das profundezas do lago. Em vez de pôsteres de bandas ou celebridades, Akane prefere imagens que alimentam sua fascinação pelo desconhecido. Em cima da escrivaninha, livros empilhados caoticamente convidam a uma investigação mais profunda. Títulos como "Criptozoologia para Leigos", "Os Mistérios do Mundo Inexplicado" e "Atlas das Criaturas Lendárias" coexistem com livros de ficção científica e fantasia, alimentando a mente de Akane com histórias de mundos e seres além da imaginação. Um globo terrestre repousa sobre uma estante, mas este não é um globo comum. Alfinetadas coloridas marcam os locais de supostos avistamentos de criaturas misteriosas: o Triângulo das Bermudas, o Vale da Morte, a Floresta Amazônica. Akane passa horas explorando esses lugares com a ponta dos dedos, imaginando os segredos que eles guardam. Em um canto do quarto, uma caixa de madeira guarda seus objetos mais preciosos: um mapa antigo com manchas de café, um diário surrado com anotações sobre suas pesquisas, um amuleto de proteção que ela encontrou em um mercado de antiguidades. E finalmente, várias fotos de seres macabros que ela ocasionalmente fotografou com sua polaroid. Cada item tem sua própria história, um fragmento do quebra-cabeça que Akane está montando sobre o mundo misterioso que a cerca. Enquanto a luz do sol se intensifica, Akane se levanta da cama e se aproxima da janela. Observando o movimento da cidade lá embaixo, ela se pergunta quais segredos se escondem por trás da fachada mundana. Para Akane, o mundo é um lugar mágico, cheio de possibilidades e enigmas esperando para serem desvendados. E ela, com sua mente curiosa e espírito aventureiro, está pronta para embarcar em qualquer jornada que a leve a desvendar os mistérios do desconhecido.
Com seus 16 anos, Akane Hiromi ostenta uma beleza natural e delicada. Sua pele clara é adornada por sardas sutis que se espalham pelo rosto como um mapa de constelações. Seus cabelos castanhos, longos e lisos, caem em ondas suaves pelas costas, emolduram seu rosto angelical. Seus olhos cor de mel, grandes e expressivos, refletem a inteligência e a gentileza que habitam seu interior. De estatura mediana, medindo 1,60m, Akane possui um corpo esguio e proporcional. Seus movimentos são graciosos e leves, como se ela flutuasse pelo ar. Em seu sorriso tímido, reside um encanto misterioso, capaz de iluminar qualquer ambiente. Akane se veste com simplicidade, preferindo roupas leves e confortáveis que realçam sua beleza natural. O aroma de café fresco invade o quarto de Akane, despertando seus sentidos. Seus pés descalços tocam o chão frio de madeira enquanto ela se dirige à cozinha. Depois de tomar o café, Akane se veste com seu uniforme escolar tradicional e calça tênis brancos. Ela pega sua mochila e sai de casa, pronta para enfrentar o dia. No caminho para a escola, Akane encontra suas amigas de infância, Sakura e Hinata. As três se abraçam com alegria, felizes em se reencontrar.
Sakura Fujioka, com seus cabelos curtos e pretos, é a mais extrovertida do grupo. Seus olhos castanhos transbordam energia e sua voz contagiante anima a todos ao seu redor. Hinata Terasaki, por outro lado, é mais introvertida e tímida. Seus cabelos longos e negros emolduram seu rosto delicado, e seus olhos castanhos expressam uma profunda gentileza. Ou melhor, apenas um deles, já que o outro olho é sempre coberto por uma enorme franja. As três amigas caminham juntas para a escola, conversando e rindo. Akane conta sobre seus sonhos e planos para o futuro, enquanto Sakura e Hinata a incentivam com palavras de apoio. A amizade delas é um porto seguro, um lugar onde cada uma se sente acolhida e amada. Ao chegarem na escola, as três se dirigem para suas aulas. Akane se sente feliz e confiante, pronta para enfrentar os desafios do dia com o apoio de suas amigas.
O sinal toca, anunciando o início da aula. Akane se senta perto da janela, apreciando a vista do pátio da escola. Sakura e Hinata se sentam logo atrás dela, prontas para mais um dia de aprendizado. As três amigas conversam animadamente, compartilhando histórias e fofocas sobre a escola. Akane conta sobre o novo livro de mistérios que está lendo, enquanto Sakura fala sobre o garoto que ela está apaixonada. Hinata escuta com atenção, sorrindo de vez em quando para as amigas. De repente, a porta da sala se abre e Kenji entra. a personificação da popularidade. Alto e atlético, com cabelos loiros desgrenhados, olhos verdes e um sorriso cínico nos lábios, ele atrai os olhares de todas as garotas da escola. Seu charme misterioso e sua aura de bad boy o tornam inacessível para a maioria, mas não para Akane, sua amiga de infância. Ela o conhece desde que eram crianças e sabe que, por trás da fachada arrogante, existe um coração de ouro.
O sorriso cínico de Kenji Takahashi ilumina o ambiente enquanto ele se senta ao lado de Akane. Seus olhos verdes penetrantes percorrem a sala, capturando a atenção de todas as garotas presentes. Sakura e Hinata, amigas de infância de Kenji, não resistem a comentar sobre sua aparência. "Nossa, Kenji, você está mais bonito do que o normal hoje!" exclama Sakura, com um sorriso radiante. Hinata concorda, seus olhos brilhando de admiração. "Sim, você está realmente muito charmoso." Kenji agradece os elogios com um aceno de cabeça, sem perder a pose arrogante. Ele sabe do efeito que causa nas garotas e se diverte com a atenção que recebe. Akane, por outro lado, parece não se importar muito com a beleza de Kenji. Ela está concentrada em seus livros, alheia aos comentários das amigas e à presença do popular da escola. Sakura e Hinata se entreolham, intrigadas com a indiferença de Akane. Elas sabem que ela não é como as outras garotas, que não se impressiona facilmente com beleza ou popularidade. "Você não acha o Kenji bonito, Akane?" pergunta Sakura, curiosa. Akane ergue os olhos dos livros por um momento, franzindo a testa em confusão. "Bonito? Sim, ele é bonito, eu acho. Mas isso não importa muito para mim." Sakura e Hinata ficam surpresas com a resposta de Akane. Elas estão acostumadas com as garotas se derretendo por Kenji, e a indiferença de Akane é algo novo e intrigante. "O que importa mais para você, então?" pergunta Hinata, com genuína curiosidade. Akane sorri enigmaticamente. "O que importa para mim são as coisas que realmente importam. Amizade, família, livros... coisas que duram mais do que a beleza superficial. "Sakura e Hinata se olham novamente, ponderando as palavras de Akane. Elas começam a entender que a amiga é diferente das outras garotas, que ela tem valores diferentes e prioridades distintas. A conversa continua, com Kenji se juntando à discussão. Ele fica intrigado com a visão de mundo de Akane, diferente de tudo que ele já viu. As amigas debatem sobre diversos assuntos, desde livros e música até filosofia e política.
A porta da sala se abre com força, e a voz grave do Professor ecoa pelo ambiente: "Bom dia, turma!". A algazarra que tomava conta do local se dissolve como fumaça, dando lugar a um silêncio expectante. Os alunos se apressam para seus lugares, ajeitando livros e cadernos com uma mistura de nervosismo e curiosidade. Com um sorriso benevolente, o Professor inicia a aula de matemática. Equações complexas e teoremas desafiadores são explicados com clareza e entusiasmo, enquanto a turma se concentra, ávida por novos conhecimentos. De repente, a porta se abre novamente, e a figura imponente da Diretora surge, acompanhada de um rapaz.
A sala de aula fervilhava com a expectativa da chegada de um novo aluno. Taishou Seiji, como se chamava, era um jovem de aparência marcante. Seus cabelos negros lisos caíam sobre os ombros, emoldurando um rosto pálido e inexpressivo. Seus olhos castanhos, escuros como a noite, emanava um frio glacial que contrastava com a beleza angelical de seus traços. Ele já tinha até uma tatuagem no braço, o que novamente, reafirmava seus traços de rebeldia. Várias correntes de prata envolta do pescoço. Incluindo algumas com pingentes peculiáres, como uma cruz, e outra com uma chave. Enquanto o Professor o apresentou à turma, Taishou fixou seu olhar penetrante em Akane. Uma onda de calafrios percorreu sua espinha, e ela desviou o olhar, nervosa. Sakura e Hinata, percebendo o mal-estar da amiga, trocaram olhares intrigados.
"Você já viu esse garoto antes?", perguntou Hinata em voz baixa. Akane negou com a cabeça, ainda abalada pelo olhar gélido de Taishou. Vestindo uma regata preta rasgada e calças jeans desbotadas, Taishou emanava um ar sombrio e rebelde. As garotas da sala suspiravam com sua beleza melancólica, enquanto os garotos se sentiam ameaçados por sua aura misteriosa. Kenji não gostou dele, e não escondeu sua cara fechada. Ao ser questionado pelo professor sobre si mesmo, Taishou limitou-se a um monossilábico "oi" para a turma. Sua voz grave e rouca ecoou na sala, intensificando a sensação de desconforto que pairava no ar. As aulas seguintes transcorreram em um clima tenso. Akane não conseguia se livrar da sensação de que Taishou a observava constantemente.
O sinal tocou, anunciando o fim da aula de matemática. Akane, ainda nervosa os olhares penetrantes do novato, reuniu suas coisas e se dirigiu ao pátio da escola, onde suas amigas, Sakura e Hinata, a aguardavam. Na hora do almoço, os alunos se reúnem no refeitório, onde desfrutam de uma refeição nutritiva e saborosa. A comida é servida em bandejas individuais, e os alunos aprendem sobre a importância da boa alimentação e da higiene. Akane encontrou Taishou na fila da cantina, seus olhares se cruzavam de forma casual, mas a intensidade gélida nos olhos dele a deixava perturbada. Ela apressou-se para terminar de pegar sua comida, e rapidamente, sentou-se na mesa com suas amigas. "Akane, você está pálida! Aconteceu alguma coisa?", perguntou Sakura, preocupada, enquanto observava a amiga sentar-se no banco. Akane hesitou por um momento, ponderando se deveria contar sobre seu desconforto. Taishou era estranhamente familiar para ela, e o fato dele ficar a encarando o dia inteiro não ajudava o desconforto e a insegurança diminuir. "Eu estou bem...", disse ela, com a voz hesitante. As amigas se entreolharam de curiosidade.
O aroma de pizza e macarrão flutuava no ar do refeitório lotado, enquanto Akane, Hinata e Sakura conversam. Akane tentava se concentrar na conversa animada de suas amigas, mas seus olhos se desviavam constantemente para a última mesa do refeitório. Lá, Taishou, o novo aluno misterioso, observava-a com uma frieza gélida que lhe causava calafrios. Hinata, com sua perspicácia natural, notou o desconforto da amiga. "O que há com você, Akane? Está pálida como um fantasma." Sakura, sempre atenta aos dramas da escola, juntou-se à conversa. "É aquele Taishou, não é? Ele não tira os olhos de você desde que chegou." Akane assentiu, confirmando o presságio de sua amiga. "Ele me dá uma sensação estranha, como se estivesse me analisando." Nesse momento, Kenji, o galã da escola, se juntou à mesa. Sentando-se ao lado de Akane, ele lançou um olhar de desprezo para o outro lado do refeitório. "Aquele cara me dá nos nervos. Só de olhar para ele, dá para sentir que ele vai dar problemas." Sakura riu da irritação de Kenji. "Você está com ciúmes, Kenji? Afinal, ele é o novo bad boy da escola, e você está perdendo o seu posto de galã misterioso." Hinata, sempre tímida, entrou na conversa com uma voz suave. "Talvez ele só esteja sendo tímido. Afinal, ele é novo na escola." Kenji deu de ombros, ignorando a sugestão de Hinata. "Ele não me engana. Tem algo estranho nele. Vocês vão ver."
Enquanto a conversa continuava, Akane não conseguia evitar de olhar para Taishou. Observou as garotas se aproximarem dele, entregando-lhe cartas de amor com sorrisos tímidos. Ele as recebia com indiferença, sem demonstrar interesse. As garotas se afastavam, algumas com o coração partido, outras com a esperança de que ele finalmente as notasse. Taishou mordeu uma maçã, seus olhos fixos em Akane. Ela sentiu um frio percorrer sua espinha, como se ele pudesse ler seus pensamentos. O que ele queria? O que significava aquele olhar penetrante? Uma sensação de medo e fascinação se misturava em seu coração, deixando-a intrigada e apreensiva. Kenji passa suas mãos em torno de Akane, a abraçando. "K-kenji, o que você está fazendo?" Disse Akane se afastando rapidamente dele. As palavras de Kenji soaram como um trovão nos ouvidos de Akane: "Akane, que tal fingirmos que estamos namorando?". O tempo pareceu congelar, os olhares curiosos de Hinata e Sakura fixaram no casal. Kenji, com um sorriso nervoso, coçou a nuca. "Sabe, aquele Taishou não tira os olhos de você desde que chegou. Se ele pensar que você está comprometida, talvez deixe você em paz." Akane, surpresa com a sugestão, franziu a testa. "Namorar? Mas Kenji, somos amigos de infância!"
"Eu sei, eu sei", ele disse, desviando o olhar. "Mas é só até ele desistir de você. Depois, podemos voltar a ser como antes." Kenji se aproximou, seus olhos transmitindo uma sinceridade que Akane nunca tinha visto antes. "Você confia em mim, né?" Sakura, com seu entusiasmo contagiante, vibrava com a ideia do fingimento. "Isso vai ser tão divertido!", ela exclamou, batendo palmas. "Imagine só, Akane, você e Kenji como um casal! Vai ser o maior fofoca da escola!" Hinata, sempre tímida e ponderada, discordava da amiga. "Eu não sei, Sakura. Acho que isso pode dar errado. E se o Kenji se apaixonar de verdade pela Akane? E se ela se apaixonar por ele?" Akane hesitou por um momento, ponderando a situação. O olhar gélido de Taishou a perseguia desde que ele chegou à escola, e a ideia de ter Kenji ao seu lado, mesmo que fosse apenas uma farsa, era reconfortante. Sakura franziu a testa. "Isso não vai acontecer. Eles são amigos de infância, se conhecem muito bem. Além disso, o Kenji só está fazendo isso para ajudar a Akane." Hinata não se convenceu. "Mesmo assim, acho perigoso brincar com sentimentos. E se a Akane se machucar?"
As duas amigas se olharam por um longo momento, cada uma defendendo seu ponto de vista. No final, Akane decidiu seguir seu coração e dar uma chance ao fingimento. No fundo, ela sabia que Hinata tinha razão. Havia riscos envolvidos, mas ela também sabia que Kenji era um bom amigo e que jamais a machucaria propositalmente. "Ok", ela disse, com um sorriso tímido. "Vamos tentar." Kenji sorriu de volta, aliviado. "Ótimo! Então, vamos começar a atuar." Ele colocou o braço em volta dos ombros de Akane, puxando-a para perto. "Ei, pessoal", ele disse, em voz alta, para que todos do refeitório pudessem ouvir. "Só quero que saibam que a Akane é minha namorada." Um murmúrio de surpresa percorreu o refeitório, enquanto os alunos observavam o casal com interesse. Akane corou levemente, mas se conteve, seguindo o jogo. Do outro lado do refeitório, Taishou observava a cena com uma expressão indecifrável. Seus olhos escuros estavam cheios de uma mistura de raiva, decepção e... algo que Akane não conseguia identificar. Ela se virou para Kenji, ainda nervosa, mas com uma sensação de segurança que não sentia há muito tempo. "Obrigada", ela sussurrou. "Por me proteger." Kenji sorriu, seus olhos transmitindo uma ternura que Akane nunca tinha visto antes. "Sempre que precisar, Akane", ele disse. "Sempre estarei aqui para você."
O dia se arrastou como um fardo pesado para Akane. A cada passo, a sensação de ser observada por Taishou a consumia. Seus olhos gélidos a perseguiam, como se estivessem gravados em sua mente. Ela tentava se concentrar nos estudos, nas conversas com suas amigas, mas a imagem daquele rosto impassível pairava sobre seus pensamentos, como uma nuvem escura que não se dissipava. Ao final do dia, Akane, Sakura e Hinata caminhavam juntas em direção à saída da escola. Akane, exausta, tanto física quanto emocionalmente, desabafou com suas amigas: "Estou tão cansada. Esse dia foi tão intenso." Sakura, sempre animada, deu um sorriso brincalhão. "Pelo menos você tem um novo namorado para te animar! Kenji é um gato, Akane. Você tem sorte." Hinata, com sua timidez característica, interveio: "Mas elas estão apenas fingindo, Sakura. Não é um namoro real." Sakura revirou os olhos. "Qual é a diferença? Eles estão juntos, não estão? E quem sabe, com o tempo, o fingimento pode se tornar realidade." Hinata balançou a cabeça, discordando. "Isso é loucura, Sakura. Eles são amigos de infância. Não vai funcionar."
As duas amigas continuaram a discutir, enquanto Akane caminhava em silêncio, absorvendo as palavras de ambas. Uma parte dela se encantava com a ideia de um romance com Kenji, mas a outra parte, a mais racional, reconhecia os riscos e as complicações de um relacionamento falso. De repente, de canto de olho, Akane o viu. Taishou, cercado por um grupo de garotas, mais uma vez, ele recebia mais uma declaração de amor. Sua resposta foi fria, gélida, como sempre. As garotas que o cercavam o cobria de elogios, e ele parecia alheio a isso. Quando as três amigas passaram por ele, Taishou olhou novamente para Akane. Um olhar impassível que a fez arrepiar por um breve segundo. Um olhar penetrante, cheio de mistério, que a deixou intrigada e apreensiva.
"Nossa, Akane, aquele Taishou não tira os olhos de você!", exclamou Sakura, com um sorriso brincalhão no rosto. "Ele está te devorando com o olhar!". Hinata assentiu, um pouco nervosa. "É verdade, Akane. Ele me dá até medo." Akane corou levemente, abaixando a cabeça. A presença constante de Taishou a deixava desconfortável, mas ao mesmo tempo, intrigada. O que ele queria? O que significava aquele olhar penetrante? Nesse momento, Kenji se aproximou do trio, com um sorriso confiante no rosto. Ao notar o desconforto de Akane, ele a abraçou com força, como se quisesse protegê-la. "O que você está olhando, o babaca?", ele perguntou, lançando um olhar de desafio para Taishou. Taishou encarou Kenji com frieza e sem emoção. Ele não respondeu nada. "Fique longe dela." Gritou Kenji para Taishou. "Ela é minha, entendeu? Seu esquisitão do caralho!" Sem dizer uma única palavra, Taishou se virou e foi embora, deixando um clima de tensão no ar.
Sakura vibrava com o desenrolar da cena, como se tudo isso tivesse saído diretamente de alguma revista de mangá. A rivalidade entre Kenji e Taishou era excitante e divertida. Ela observava cada movimento, cada olhar, cada palavra trocada entre os dois, com um sorriso malicioso nos lábios. Hinata, por outro lado, se sentia desconfortável com a situação. A atmosfera densa e carregada a deixava nervosa. Ela preferia a paz e a harmonia, e tudo isso estava se tornando um grande peso em seu coração. "Aquele cara me irrita", confessou Kenji. "Ele está mexendo com você, Akane, e eu não vou permitir isso." Akane se aconchegou no abraço de Kenji, agradecida por sua proteção. Ela sabia que ele era um amigo leal, sempre disposto a defendê-la. "Obrigada, Kenji", ela disse, com um sorriso tímido. "Você sempre sabe como me fazer sentir melhor."
Os quatro seguiram conversando, cada um com seus próprios pensamentos e sentimentos, enquanto caminhavam em direção à casa de Akane. A rivalidade entre Kenji e Taishou pairava no ar, mas também havia um sentimento de amizade e companheirismo que os unia. Ao chegarem à porta da casa de Akane, Kenji se despediu das amigas com um sorriso. "Até amanhã", ele disse, com um olhar especial para Akane. Sakura e Hinata se despediram também, desejando boa noite à amiga. Akane entrou em casa, ainda reflexiva sobre tudo o que havia acontecido. A rivalidade entre Kenji e Taishou a preocupava, mas a presença de Kenji a seu lado lhe dava força e esperança. A noite chegou, e Akane se deitou em sua cama, ainda pensando em Taishou. Quem era ele? Que segredos ele escondia? E por que ele a observava com tanta intensidade? As perguntas giravam em sua mente, como um pesadelo que se recusava a ir embora. Naquela noite, Akane adormeceu com o rosto de Taishou em seus pensamentos, e como Kenji estava ali, disposta a protege-la, ela sorriu, com a certeza de que, no final, tudo daria certo.
Envolta na escuridão da madrugada, a casa de Akane é um contraste com a agitação da cidade durante o dia. As trepadeiras que adornam as paredes de tijolos vermelhos se transformam em sombras misteriosas, enquanto o jardim, antes vibrante de cores, agora se esconde sob o manto da noite. No quarto da adolescente, a luz da lua prateada entra pela janela aberta, iluminando suavemente seu rosto enquanto ela dorme. Seus longos cabelos castanhos se espalham pelo travesseiro branco, e seus lábios se entreabrem em um sussurro silencioso. Do lado de fora, o clima é fresco e silencioso. A lua cheia reina no céu escuro, banhado a casa em uma luz suave e etérea. O vento sopra suavemente, carregando o som distante do grilo cantando e do farfalhar das folhas. A rua em frente à casa está vazia, apenas iluminada por alguns postes de luz.
No silêncio da madrugada, apenas o som da respiração suave de Akane pode ser ouvido. A casa parece estar em um estado de hibernação, serena e tranquila. O silêncio da noite foi subitamente quebrado por um barulho estranho vindo do lado de fora da casa de Akane. O som era abafado, mas o suficiente para tirá-la do sono profundo. Seus olhos se abriram lentamente, se ajustando à escuridão do quarto. Akane sentou-se na cama, esfregou seus olhos para espantar o sono, e atentou-se ao barulho do lado de fora da sua casa. O coração batendo forte no peito. "O que poderia ser?" Ela perguntou, tentando identificar o som. Era um raspar, como se algo estivesse se movendo na grama do jardim. Ou talvez um sussurro, como se alguém estivesse falando baixinho. Akane se debateu entre o medo e a curiosidade. Ela queria saber o que estava acontecendo, mas também tinha medo do que poderia encontrar. Hesitou por alguns instantes, mas a necessidade de descobrir o que estava acontecendo a dominou.
Levantando-se da cama com cuidado, Akane se aproximou da janela e puxou a cortina para trás. A luz da lua banhava o jardim, revelando um vulto escuro parado na grama, de frente para a casa. Akane prendeu a respiração, o medo tomou conta dela. "Quem era?", "O que queria?" Ela não sabia o que fazer, mas sabia que precisava agir. Com um movimento rápido, Akane puxou sua polaroid, e tirou uma foto da criatura, esquecendo completamente que o flash estava ligado. A criatura olha para ela, assim que a luz dispara em sua direção, e ela rapidamente fecha a persiana da janela, fechando-a completamente. A escuridão a engoliu, e ela encostou na parede, o coração batendo forte. Ela deixa a câmera cair no chão apavorada, e a mesma rola para debaixo da cama. O que ela deveria fazer? Chamar a polícia? Gritar pelos seus pais? Mas ela não tinha provas de que havia alguém lá fora que apresentasse um perigo real. E se fosse apenas um animal? Os olhos daquela criatura brilhavam um vermelho intenso. Ela não queria parecer boba fazendo um show de emergência à toa.
Com um movimento rápido e preciso, a criatura escalou a parede da casa, suas garras afiadas arranhando a superfície de tijolos com um som agudo. Em segundos, ela estava na altura da janela do quarto de Akane, seus olhos fixos nos dela. Akane estava paralisada de medo, incapaz de se mover ou gritar. A criatura que escalou a janela de Akane não era humana. Seus olhos brilhavam com um vermelho sinistro na escuridão da noite, e sua pele era pálida como a lua, quase translúcida. Presas afiadas projetavam-se de sua boca, e garras longas cresciam em suas mãos. Orelhas pontudas e focinho longo se destacavam em sua cabeça, parecidas com as de um lobo branco. Um pelagem lisa de cor prateada que cobria seu corpo nu, magro e musculoso.
Akane ficou paralisada de medo, incapaz de se mover ou gritar. A criatura a olhava com um olhar sério, frio e calculista. Uma mistura macabra de humano e fera. Seus movimentos eram rápidos e precisos, como os de um predador experiente. O homem-fera se aproximou da janela, seus olhos fixos nos de Akane. Ele afasta lentamente as persianas, e entra calmamente no quarto. Suas orelhas apontadas para a frente, mostrando que seu humor é sério e agressivo. Seu olhar frio e penetrante. Ele parecia um pouco surpreso por Akane ainda não ter corrido ou gritado. Ele não diz nada. Akane dá alguns passos recuando para trás, ela não grita, embora seu corpo implore para isso. A jovem está paralisada, tremendo de medo. A noite está tão escura que ela é incapaz de ver o corpo da criatura em detalhes. A fera se inclina à sua frente e sua figura fica mais clara à medida que a luz da lua brilha sobre ele.
A lua cheia banhava o quarto com um brilho prateado, enquanto o vento sussurrava entre as folhas das árvores lá fora. Um som baixo e gutural saiu de sua boca, parecido com um rosnado. Seus olhos vermelhos brilhavam com uma luz sinistra, e seus dentes afiados eram como adagas prontas para dilacerar qualquer presa. A criatura foi ficando mais animalesca e menos humana, à medida que a luz da lua batia em seu corpo. Enquanto se aproximava lentamente de Akane, seus pés poderosos batiam no chão com força, seus dedos longos e flexíveis caminhavam com sutileza em sua direção. Seu rosto ainda está frio e imperturbável. A garota não pode ver seu corpo direito, apenas sua cabeça e ombros mergulhada na escuridão do quarto. Sua pelagem branca e macia cobriam seu corpo por inteiro. "Quem é você?" Diz Akane com a voz trêmula. A criatura não diz nada. Ele apenas se inclina adiante. Seus olhos brilhantes fixados nos dela. Eles têm uma expressão calma. Ele dá mais passos em sua direção, e ele fica tão perto dela, que ela consegue ver o brilho de seus olhos. A menina engole seco a saliva, e pensa em gritar, mas imediatamente, com um rápido movimento, ele tampou sua boca. Ela consegue ver em detalhes o tamanho de suas garras. Ele se mantém com os olhos trancados nos dela. O olhar calmo dele contrastava com o olhar de pavor que a garota sentia. Que porra era aquela? Um lobisomem?
A criatura chegou com seu rosto perto de Akane, e começou a farejar seu corpo, como um cachorro. Encostando seu focinho gelado nos peitos de Akane. Ela o encarou sem entender. Ele pressiona ela ainda mais na parede, e ela consegue sentir seu coração batendo tão forte, como se estivesse prestes a pular de sua garganta. Ela pensava consigo mesma. Eu vou morrer? "Eu vou soltar sua boca lentamente. Não grite." A criatura disse com uma voz calma, porém autoritária. Akane moveu sua cabeça lentamente em afirmativo. Seu olhar continua a ser intensamente fixo para ela. Ele está agora usando esse momento para analisar melhor seu corpo. Seu rosto ainda mantém uma expressão calma e fria, mas seu toque e presença mostram um pouco mais de curiosidade. Ele ainda não fala, apenas continua a analisar de perto Akane, esperando por uma resposta. "Por favor, não me machuque." Akane implora baixinho.
Ele se afasta um pouco dela, dando a ideia de que ele não tem intenção de machucá-la. Seus olhos ainda estão fixados nos dela, e parece que ele ainda está considerando suas ações. Ainda assim, ele deixa sua voz ser mais suave do que antes. Seu tom ainda é frio, mas existe uma leve curiosidade em suas palavras. "Por quê você acha que eu machucaria você, garotinha?" Ele pergunta olhando para ela. Segurando seu queixo com delicadeza. "Eu...eu não sei, porque você não é humano...e entrou no meu quarto durante a madrugada?" Ela responde com sinceridade, sua respiração pesada, sussurrando. "Vocês... humanos...tem muita facilidade em julgar pela aparência".
Ele a responde, tem um sentimento de frustração na sua voz, mas, ele tenta continuar a falar com suavidade para ela. "Seu cheiro... seu cheiro me trouxe até aqui... Ele é... familiar para mim". "Um cheiro…familiar?" Ela repete sem entender muito bem.
Ele parece frustrado quando responde: "Sim.". Seu olhar é penetrante, e ele ainda está analisando a situação." "Você tem um cheiro bom. É como se tivesse me lembrado de alguém. E sua aparência… é idêntica a essa pessoa." Ele continua a falar com suavidade. Suas mãos acariciando o rosto de Akane. "Mas, do que é que você está falando?, Quem é você?" Ela pergunta sem entender. Seus olhos arregalados de medo. Seu pequeno corpo magro tremendo e sendo pressionado na parede pela criatura. Ele não responde e simplesmente termina a conversa. Ainda assim, ele parece frustrado e pensativo. Ele se afasta lentamente dela, a olhando uma última vez. E finalmente, ele vai embora, saltando da janela do quarto. A noite continua escura e quieta, assim como o interior da jovem. Os únicos sons do quarto agora, são seus pulmões trabalhando, uma pesada respiração de pânico. "Isso foi um sonho?" Ela pergunta para si mesma.
[...]

