Dou um último suspiro, assim que me olho no espelho. Estou vestindo uma blusa regata junto com uma legging e um tênis preto, ou seja, estou usando minha roupa de corrida.
Olho no relógio de pulso que ganhei de minha falecida tia, e vejo que estou atrasada, coloco a coleira em Pipoca que é nada mais nada menos que minha cadela. Sei que vocês devem estar se perguntando que raio de nome é esse, então vou explicar. Eu dei esse nome porque ela é um pequinês branco e a primeira coisa que eu pensei quando a vi foi em uma pipoca, então a partir daí a chamo assim.
Bom acho que falei de mais e não disse nada sobre mim, então ai vai. Me chamo Sophie e tenho 23 anos e um metro e sessenta e oito de altura, meus cabelos são longos e castanhos assim como os meus olhos.
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Já fazia meia hora que eu estava sentada em um banco de uma pracinha e Pipoca estava brincando com os cachorros que ali se encontravam, enquanto eu procurava inutilmente achar um emprego pelo celular. Já era o quinto site que eu visitava, mas não achei nenhum trabalho que me interessasse. Como se não bastasse eu ter mudado de cidade eu perco o emprego e tenho um irmão doente do outro lado do estado. Esse definitivamente é o pior dia da minha vida.
–Qual deles é o seu?
–Oi?- Perguntei assustada com a voz masculina ao meu lado.
–Os cachorros– Explicou ele– Qual deles é o seu?
–Ata. É aquele todo branquinho e pequeno– Respondi sem tirar os olhos do celular.
–Olha pequeno até tem, mas todo branco não tem nenhum.
Levantei o olhar do celular para os cachorros e tomei o maior susto quando vi minha cadelinha que era toda branquinha agora com manchas marrons.
–Pipoca– chamei e ela veio correndo em minha direção- O que fizeram com você?– Perguntei rindo.
–Acho que ela gosta bastante de lama– Disse o homem ao meu lado e eu levantei a cabeça para olha-lo.
Ele devia ter a minha idade, era um pouquinho cheinho, mas não era gordo, tinha pela clara e cabelo castanho, parecido com o meu já seus olhos eram um castanho bem escuro, olhando de longe poderia dizer-se que era preto.
–Sabe que ela nunca fez isso– Falei um pouco corada após perceber que fiquei o encarando por muito tempo.
–Sempre tem uma vez para tudo- Disse ele sorrindo e meu coração acelerou.
O que esta acontecendo comigo?
–Então qual que é o seu?
–Eu não tenho um, infelizmente, mas quem sabe um dia?- Sorri de lado.
Depois disso ficamos conversando sobre coisas aleatórias e até brincamos um pouco com Pipoca que gostou muito dele, apenas uma coisa me incomodou a todo momento ele me olhava de uma forma estranha, como se estivesse feliz em me ver, como se me conhecesse a muito tempo.
–Qual é o seu nome?
–Sophie. E o seu?
–Dylan-
Depois de um tempo tive que ir para casa, mas ele falou que me ia acompanhar até ela, alguém normal não aceitaria, mas eu não me importei, pois de alguma forma eu sentia que podia confiar nele.
–Você por acaso já sentiu como se conhecesse alguém há muito tempo, mas...
–Nem sabia que ela existia?- Completei e nos dois rimos
–Quem sabe a gente já se encontrou em outras vidas?- Questionou ele.
–É quem sabe-
Parece que esse dia não foi tão ruim assim.

