moonlight
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Kapitel 18 min Lesezeit

Prólogo

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Ouvi a voz esganiçada e irritante da Sra. Black. Engraçado, à anos que não a chamo de mãe… Também duvido que por um mínimo segundo da sua insignificante vida ela pense em mim como filha. Sinceramente, acho que ninguém nesta casa pensa em mim como membro desta família. Sou só mais uma ocupante neste lugar escuro e frio, a que os Black, exceto eu, com grande orgulho, chamam de casa, ou como eles dizem, “Majestosa Residência dos Black”. Quem sou eu? Cami Black, e infelizmente, tenho este sobrenome. Respeitado na comunidade bruxa, os Black se consideram importantes e donos de tudo e todos. Mas claro que até na família mais “perfeita” existe sempre a ovelha negra. Ou duas, neste caso. Mais referidos como os Gémeos Black, ou, A desgraça dos Black. Sirius e Cami Black, nenhum Sonserino, ambos traidores de sangue, palavras deles, ambos gémeos e ambos orgulhosos de não serem iguais aos outros Black. Mas a característica mais comum nos Black é a que mais nos destaca, no negativo claro, por não a possuirmos. Não possuímos uma marca negra e estupida, ou seja, não seguimos a mente dos idiotas preconceituosos, não seguimos o “Lord das Trevas” e não temos problemas com nascidos-trouxas, mestiços ou seja o que for. Agora me perguntam. Onde está esse Sirius? E eu respondo: Ele já não é um Black. No inicio deste Verão ele foi morar com James Potter, o seu melhor amigo. E porque eu estou aqui ainda? Porque eu decidi ficar. Isso mesmo, decidi ficar neste inferno. A minha razão? Régulos Black, o meu irmão mais novo, agora no quarto ano, em Hogwarts, Sonserina e provavelmente futuro comensal. Ele odeia-me tanto quando ao Sirius. Não seguimos os modelos Black, ao contrário dele. Falta-lhe a coragem para enfrentar os nossos pais. Então é apenas a sua marioneta. Faz o que eles querem e acha que assim conseguirá o orgulho deles. Só ele que ainda não se apercebeu que o orgulho de pessoas como eles deveria ser evitado. Eu fico aqui por carinho ao meu irmão. Mesmo nos odiando a ambos ele ainda fala comigo sem trocar insultos de cinco em cinco segundos, embora as nossas conversas cada vez se tornem mais escassas.
Eu também tenho algumas diferenças físicas dos Black. Cabelos pretos como a noite de Lua Nova? Não, tenho cabelos cor-de-palha. Olhos negros e cortantes? Não, tenho olhos com a cor das azeitonas. Verdes com um sublime tom acastanhado. Aposto que se perguntassem a cor dos meus olhos para qualquer membro desta casa qualquer um diria “Não sei!”, pois, eles fazem os possíveis para esquecer a desgraça da família. Um motivo para nos odiarem ainda mais? Somos Grifinórios. Os dois! O Sirius era para ficar aqui até terminar o sétimo ano. Mas quando as sessões de tortura começaram ele decidiu se mandar. Devem estar aterrorizados, certo? Pois, os nosso “queridos e amáveis” pais começaram a tortura-lo com a maldição Cruciatos. Desculpa deles? Anda com traidores de sangue, ele próprio virou um deles, é Grifinórios, é rebelde e umas horas infinitas de desculpas esfarrapadas podiam seguir-se, mas para eles só um destes motivos eram suficientes. Ainda não me torturaram, talvez tenham esperanças que eu, por ser rapariga, e talvez não tão rebelde como o Sirius, mude com o tempo, e mesmo Grifinória, me junte à sua esquadrilha do mal. Mas bem que eles podem continuar a sonhar…
Sirius me convidou para vir com ele quando ia fugir para a casa dos Potter, mas eu recusei. Ele ficou espantado. Daí se seguiram duas horas de discussão, que me pareceram anos. Eu e ele jamais havíamos discutido. Sempre estivemos em sintonia perfeita. Só em Hogwarts as coisas mudavam um pouco. Ele tinha os amigos dele, apelidados por toda a Hogwarts de os Marotos, e eu as minhas, mais concretamente Marlene McKinnon, a qual apelidamos de Lene, Lily Evans, ou Lils, para amigos, Dorcas Meadowes, também conhecida por Dory, Alice Puckle, que também possuía o seu apelido carinhoso, Lice, e Emmeline Vance que com um nome tão incomum e grande, obviamente tinha um apelido, Emme. Eu era simplesmente a Cami.
Cami Phoenix Black. Nome interessante certo? Não! Todos os Black têm nomes de estrelas ou constelações. Mas eu me chamo Cami, o nome mais estupido que eles conseguiram. Até Sirius segue essa característica Black e tem o nome de uma estrela.
Tanta informação, certo? E isto é só o que eu penso em cinco minutos, o tempo exato para a Sra. Black invadir o meu quarto, originalmente verde e prata, agora preenchido, tal e qual como o de Sirius, com um feitiço Adesivo Permanente, os proibindo de arrancar seja o que for das paredes. Posters trouxas e bruxos, tanto de Quadribol como da Grifinória ou atores, cantores, entre outros e imensas fotografias. Lice, Lene, Lils, Emme, Dory e eu brilhando em quase todas. Em algumas sou apenas eu, ou eu e o meu gémeo. Mas existe uma fotografia rara, a única que está exatamente por cima da minha cabeça. Tinha oito anos, tanto eu como Sirius e Régulos tinha seis. Eramos felizes na nossa inocência e ilusão. Eramos unidos, principalmente. Sem preconceito, sem raiva, nada. Eramos felizes sendo crianças. Que me dera que esses tempos jamais tivessem desaparecido. Por isso eu guardava tão bem aquela fotografia. Talvez um dia nós pudéssemos repeti-la e termos uma tarde de inocência, sem preconceitos e voltássemos a ser irmãos…
– ACORDA LOGO! TEMOS QUE IR AO BECO BECO DIAGONAL! – gritou ela, e saiu bufando. Me levantei embora cada milímetro do meu corpo gritasse em protesto. Iria fazê-la pagar por me levantar tão cedo… Abri o meu armário e peguei umas jeans pretas, com alguns rasgos, uma camisola vermelha e solta, com o símbolo da Grifinória estampado em dourado bem na frente. Mas não queria ouvi-la refilar dentro de casa, provavelmente me obrigaria a trocar de roupa para não os fazer “passar vergonhas”. Por isso coloquei um casaco negro e confortável, apertado com largos botões à frente. Botas curtas, sem salto, em tons creme e bem quentes para terminar . Entrei no banheiro branco e sem vida, tomando um longo banho quente, e ignorando os gritos da louca estressada Black. Me preparei e deixei os meus longos cabelos ondulados soltos. Olhei-me no espelho com atenção, coisa que não fazia à muito tempo. Havia crescido pouco no Verão e estava com uma estatura média. O meu peito havia crescido um pouco também e as minhas ancas estavam cada vez mais definidas. Mas emagreci bastante este verão e me encontrava ligeiramente pálida e muito mais magra. Talvez mais que o aconselhável. Podia estar pior, para dezasseis anos… Admito que passei várias vezes o dia inteiro sem comer, tudo porque os meus pais falavam mal do Sirius ou das minhas amigas e eu não descia para o pequeno-almoço. Então eles trancavam o meu quarto e mandavam Monstro, o nosso elfo domestico, não me alimentar. Nem liguei para isso, pois quando eles destrancavam a minha porta eu corria para a cozinha. Mas tinha consciência que isso não era nada saudável. A minha própria cara já não aparentava saúde. Olheiras grandes marcavam o meu rosto. Não ia usar maquiagem para o esconder. Eles que passassem vergonha por os outros verem as monstruosidades que faziam na filha. Mas eu tinha a certeza que o Sirius, se me visse, mesmo estando brigado comigo, se preocuparia.
Tinha a certeza que recuperaria todo o meu peso e aparência saudável e energética em Hogwarts. Desci as escadas que rangiam. Já sabia que não tomaria café da manhã pois dentro dos rígidos horários Black já estávamos atrasados. Eles me esperavam impacientes. Régulos olhava atentamente para a varinha da Sra. Black. Certamente o meu pai estaria demasiado ocupado com trabalho no ministério. Era raro o ver em casa, mesmo…
–Anda logo!
Desinteressada me segurei no ombro do Régulos. Ele ficou rígido e não se mexeu. Aparatámos. O Beco Diagonal… Sem dúvida um local eternamente mágico e infantil. Ela já trazia o dinheiro, provavelmente o pai já havia ido a Gringotes. Olhei para todo o lado, pronta a me separar da Sra. Black. Peguei a minha parte do dinheiro e já ia caminhando em direção à loja, para comprar vestes novas e mais largas, quando senti o meu braço sendo brutamente agarrado.
– Tu vens comigo, o traidor Sirius está ali com os Potter. Não te quero perto dele portanto vais comigo. — a voz dela ela firme e ela apertou o meu braço com mais força, esperando uma afirmação. Em vez disso retirei o meu casaco, deixando à vista a camisola com o símbolo da Grifinória à vista. A boca dela se abriu em choque. Régulos me lançou um olhar com desprezo que eu ignorei.
– Tu não te vais ficar a rir desta quando chegarmos a casa. — disse ela, soltando o meu braço e sorrindo malignamente. Peguei o meu dinheiro e saí. O Beco Diagonal abria as portas para mim e por fim, depois de um horrível Verão, eu estava livre. E em breve, Hogwarts. Acabava tudo. Aí podia abrir as minhas asas e ser quem eu sou. Sem ameaças, sem portas trancadas, nada. Um novo ano me esperava, mas eu nem sabia o quanto ele ia ser diferente do que eu esperava.

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