Comentários em “Soul Healer - Viva La Revolución”: “Crônica I ”

Zero

Eu tentei absorver casa parte do seu texto, pra compreender todos os tópicos que eu enxerguei, então eu vou tentar falar a minha interpretação, por isso peço que me corrija que eu estiver errado. Bom, antes de tudo, não tenho como negar que achei o texto magnificamente bem feito, na parte de estruturação, a forma como intercalou as cenas, o vocabulário e bom uso das palavras, da montagem dos personagens, tudo ficou perfeito. Mas olhando bem, parece que a sua história quer dizer um pouco mais do que aparenta. Fica óbvio que se qualquer um for um pouco mais observador, que a personagem principal é você! rs... Não, talvez, fisicamente, mas aquilo que há dentro de você. A garota é exatamente a face do que você é por dentro, de tudo aquilo que você admira. O relâmpago, me fez lembrar muito o seu texto de mesmo nome, e a forma como a garota a manipula, eu vi exatamente você ali naquela cena. O gosto por altitude, algo que você já citou em seus textos, e que foi outra característica latente na personagem. Até o interessante excêntrico por suicidas, manifestado no pensamento da garota ao saltar do prédio. Ficou tudo muito visível, como se você tivesse incluído nela cada parte que te compõe. Outra coisa é a personalidade dela, e a atitude. Essa parte talvez não seja exatamente você, mas aquilo que você queria ser, aquilo que te faz admirar-se... Consigo me identificar, porque geralmente é assim que construo meus personagens também. E estranhamente temos um gosto muito semelhante nessa temática humana, exploramos a parte pútrida da humanidade, que inclui tudo aquilo que nos enoja, e acho que esses personagens que fazemos, são exatamente nosso manifesto, nossa forma de lutar contra essa sociedade corrompida. E é isso que enxerguei nos outros personagens que compõem o capítulo. Por exemplo, quando você mostra o gordo do elevador, eu imagino que a forma que você enxerga as pessoas soberbas e corruptas do mundo, os ostentadores arrogantes que se empanturram de dinheiro e enchem a pança de porcarias que arrancam das pessoas. É quase exatamente a forma que enxergo esses vermes. E o Bo, já imagino como algo que você respeita, não mais um estereótipo de perfeição, mas sim alguém que já viveu a vida, soube lidar com ela e com sua experiência te passa um sentimento de profundo respeito e admiração. Acho que é a mescla de alguém que você já admira, com a imagem de mestre que você deve ter na cabeça, como aquele pelo qual você quer seguir o réquiem, e superar como aprendiz. E a sociedade... Ah, a sociedade. rs... Palavrinha mágica essa, não? Acho que foi o ponto que mais gostei na sua história. Você a retrata exatamente como a enxerga no íntimo, a retrata como aquilo que você sabe que ela, mais cedo ou mais tarde, se tornará seguindo o rumo que está tomando. Esse que você descreveu, é um mundo pós-apocalíptico, que já imagino como fruto de todas as experiências traumáticas que você teve relativo ao seu confronto com a realidade do fim do mundo, algo que claramente está próximo. Uma sociedade caótica, suja, mórbida, completamente desigual, ignorando a beleza das coisas naturais, totalmente alheia ao que não é simplesmente material. A sujeira da sociedade e todo o “falso” brio de progresso que paira sobre nossas cabeças, como um suspeito autor desconhecido, que tenta abafar um caso antigo de merdas acumuladas no passado. Sinceramente, achei genial sua história, e só do que eu vi neste capítulo, eu já tive um vislumbre do que eu vou esperar dos próximos. Quem sabe você goste de Vila das Rosas, até mais do que o que você já leu de mim anteriormente. Continue assim, você tem um talento sem igual. Zero. ;]

(Aliás, desculpe o tamanho do review rs)

Frau Schnellfeuer

Não tenho palavras. E assim como vc eu não gosto dessa sensação.

Pra você entender o mínimo do que eu estou sentindo, deixa eu te contar uma história bem breve: Soul Healer, eu comecei a desenhar na mente com 15 anos. eu tenho 20. Na época estava no auge do meu amor por Jesus. ela era uma história com embasamento bíblico, bem alegórica mesmo. Quando apostatei, há pouco mais de um ano, mudei um pouco a estrutura da história. Não possui mais pretensões de ser análoga a nada além da realidade, mascarada com fantasia e muito, muito sangue.

Eu mudei os rumos de SH muitas vezes e já postei versões meio diferentes dela umas 4 vezes só no Nyah. Essa é definitiva, por que já cansei de trabalhar nela. é meu bebê, e um dia vou publicá-la.

Já recebi muito reviews nessa história. Tipo, uns 200. Fiquei muito feliz com todos, desde o cliche estúpido "adorei, vc escreve muito bem, continua ♥" até as profundas análises literárias que recebi de pessoas muito inteligentes. Mas, com toda a sinceridade, nenhum foi mais profundo e mais abrangente e mais vasto e mais bonito e mais lisonjeante do que o seu enorme (adoro reviews e respostas enormes) review.

Soul Healer é um livro que fala de alma (Aristóteles está pra mim como platão está para vc). E vc foi justamente no ponto que os pretensos literatos do Nyah nunca alcançaram.

Foi e não foi proposital. A Neriah (a ruivinha assassina) surgiu de um amontoado de coisas q eu gostaria de ver numa personagem principal (eu adoro clichês, vou logo avisando): ruiva, pistoleira, peituda rsrsrs, no limite entre racional e emocional e nada doce. Queria muito um personagem que mexesse com o elemento raio, por que eu consigo desenvolver bem lutas com ele (isso é que dá gostar do Blanka, do Raiden e do Thor) e enfim. Respeito um sistema simbólico q eu crieI pra definir a personalidade de todos meus persongens (uma parada extensa e chata) e quando eu criei a Neriah apenas segui isso, baseado no tópico "raio". Deu que ela saiu uma cruza de mim com o Billi the Kid e a Jessica Rabbit.

Mas você foi o único a perceber. Isso por que voce escrutinou a minha alma primeiro, em miopia e depois escrutinou SH. (nunca mais deixo ninguém fazer esse combo!!! kkkkkkkkkkk) Me sinto exposta, revelada. e isso nunca foi tão recompensador.

Bo é um estereótipo, como a esmagadora maioria de personages de SH; o estereótipo de pai postiço que te cria e cuida e te lega o melhor e o pior dele. Eis outro paralelo atordoantemente próximo entre mim e Neriah: ambas fomos abandonadas pela mãe e adotadas pelos melhores amigos do pai. Esse foi absolutamente proposital e desde o começo estive consciente disso; uma experiencia pessoal q deixou muitas marcas em mim e que eu gostaria de compartilhar com os outros.

Chega, chega. Vou ficar aqui até amanhã e preciso tirar a tinta azul que estou pintando meu cabelo XD

Já te disse q seus reviews valeram por toda a literatura que eu podia escrever? Já né? Reitero.

Obrigada demais mesmo e desculpe pela resposta longa

Podia escrever uma fic inteira dizendo como me sinto lendo seus reviews kkkkkkkkkkkkkkkk

ósculos da Kaline