Comentários em “Ninja controlado das trevas”: “Capítulo 1”

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João Vitor Guimarães

Bom dia, Marcelo Sparda! Como vai? Eu espero que esteja indo tudo bem. Prazer, sou o Sr. PandaJao e, pelo visto, acho que sou o primeiro a vir aqui comentar em sua história, então, vamos lá tecer os meus comentários sobre o que eu achei deste primeiro capítulo.

Olha, vou começar destacando como cheguei até aqui. Eu vi que você favoritou uma das minhas fanfics, “O Nascer De Um Amor” e, por curiosidade, chequei o seu perfil aqui no Nyah!. Vi que tinha muitas histórias publicadas, mas nenhum concluída, então, escolhi uma cuja sinopse me pareceu a mais atrativa. E aqui já abordo o primeiro elemento que me convidou a ler a história que é a premissa da sua história. A trama envolvendo ninjas e samurais me pareceu bacana, eu gosto de histórias em que há uso de espadas ou armas mágicas, acho que pode se extrair muita coisa desse tipo de conceito, porém, eu devo ressaltar que, também, as sinopses de venda das suas histórias, que é como eu gosto de chamar a sinopse feita para atrair os leitores, são bem fracas no sentido de mal desenvolvidas. É o primeiro ponto que me chamou a atenção negativamente e, creio eu, que se você tratasse de melhorar o desempenho de suas sinopses, elas poderiam se tornar mais convidativas e aumentar a chances de mais leitores se sentirem convidados a embarcar na sua história.

Bom, passando a sinopse, tratei de ler o primeiro capítulo e, infelizmente, vi muitos pontos que realmente tornaram a leitura um tanto incomoda, mas vou abordar ponto a ponto, para que eu explique com argumentos bem fundamentados porque eu achei esses pontos ruins.

Primeiro, o mais básico de todos, gramática e ortografia. Há erros banais em relação ao emprego de pontuação, como ponto e vírgula, a estruturação precária de períodos e orações com conectivos usados de maneira indevida, além de palavras escritas de maneira errada. O domínio da língua portuguesa realmente é o pesadelo de qualquer escritor, até mesmo eu tenho minhas dificuldades, contudo, dominar o básico do uso da gramática da língua portuguesa é essencial para qualquer escritor e, me sentindo na obrigação de dizer, a falta de domínio do básico da gramática aqui é um pouco incomoda. A melhor maneira de você conseguir contornar tudo isso é dedicando algum tempo da semana para estudar um pouco mais sobre gramática. Se você dominar o básico das regras gramaticais e colocá-las em prática na sua escrita, já será um grande avanço e mais um motivo para o convite dos leitores a sua obra.

Logo nos primeiros parágrafos, mais alguns pontos se tornaram visíveis para mim: estruturação narrativa, ritmo e construção de ambientação e personagens. Cada um desses pontos me veio a mente nas primeiras linhas e eu vou explicar o porquê.

Começando pela estruturação narrativa. Eu não sei se você já ouviu a frase “em uma história, mostre e não conte”. O que essa frase quer dizer é que ao invés de você dar as informações cruciais sobre a sua história de maneira expositiva e mastigada ao leitor, você precisa fazer com que eles peguem essas informações conforme a história progride. Um exemplo, ao invés de dizer “Esse é Fulano, fulano é um piloto de carros de corrida e está treinando para um campeonato”, mostre isso, como por exemplo, “Fulano coloca as mãos sobre o volante, dá a partida no carro e acelera, avançando a pista. Vários obstáculos surgem no caminho, como cones, pneus, mas Fulano desvia facilmente deles usando da velocidade e dos mecanismos do carro para fazer curvas precisas e desviar sem encostar nos obstáculos. Ele completa a pista em poucos minutos e, ao parar do veículo, ergue as mãos orgulhoso do seu feito”. Em ambas as situações, fica claro que Fulano é um piloto, porém, em qual delas você acha que a informação foi passada de maneira mais convidativa ao leitor? Aquela em que a informação foi dada de bandeja ou aquela em descobrimos conforme a história avançou?

É nesse ponto que abordo. A história de Joe e a primeira cena com o avô... As informações são nos dadas mastigadas tanto pelo narrador quanto pelos personagens. Você mal apresenta a cena do treino que poderia evidenciar de forma natural as habilidades do avô e que ele está tentando passar isso ao Joe. A história do Joe ser adotado, “o mal” que assola o mundo e está chegando à ilha, a própria ilha e o universo ficcional onde se passa essa história... esses elementos têm suas informações passadas, mas não descobrimos isso de forma orgânica.

Além disso, ainda falando sobre a estruturação, muitas pontas soltas ainda deixam a história com lacunas a serem preenchidas. Por exemplo, que Ilha é essa? Por que Joe está na Ilha, o que há no mundo de tão mal que o avô e Joe se isolaram na ilha? O que há neste mundo? Parecem perguntas bobas e simples, mas algumas respostas, mesmo que incompletas, já ajudam a dar mais palpabilidade a esse universo da sua história. Nesse ponto, até a expositividade poderia ser usada para ajudar a preencher as lacunas, claro, se usada de forma correta e bem dosada, porém, por conta dessas lacunas, algumas informações ficam soltas, vagas e isso pode acabar atrapalhando o leitor de IMERGIR na sua história. Dominar a estruturação, neste ponto, é crucial. Estruturar é organizar, planejar construir, e estruturação narrativa, que é o ponto aqui, é a maneira como você vai organizar os eventos e elementos da sua história para contá-la da melhor maneira possível de forma a extrair todo o seu potencial. Se tiver dúvidas sobre estrutura, é só digitar no Google ou no You Tube “estrutura narrativa” e verá muitos pontos sobre isso. Eu recomendo, caso usar o You Tube, a ver os canais Narratologia, Raoni Marqs, Carol Santoian, Novo Orbe, Vilto Reis, e se usar o Google, os sites Tertulia Narrativa e Ficcionados são os melhores sites que falam sobre escrita.

Abordando agora sobre o ritmo... Cara, você tá correndo à 150km/h numa pista cheia com limite de 50km/h (Isso sou eu fazendo uma metáfora e fracassando miseravelmente KKK). Mas enfim, eu comecei a ler os primeiros parágrafos e do nada já vem informações que o protagonista é adotado, que o avo morreu, que ele vai embarcar, que ele chega no continente e... Minha cabeça chegou a explodir. Tá, não foi bem assim, mas deu para sacar o que eu quis dizer, não é?

Bem, o ritmo de uma história poderia ser classificado como um problema de estrutura narrativa, mas eu gosto de pensar que não, pois o ritmo é uma consequência da estrutura. Certas tramas possuem ritmos acelerados, outras, ritmos mais lentos e outras com ritmos variados. Partindo da ideia de que sua história é uma fantasia com toques de Isekai, que é o gênero de anime onde a história parte para um mundo fantasioso e protagonista vive aventuras nesse novo mundo mágico, eu acho que um ritmo variado faria um casamento perfeito com a premissa deste universo ficcional, contudo, a história é muito acelerada e os personagens mal são apresentados, a ambientação fica muita fraca, rasa e superficial e a gente não tem tempo de se conectar aos personagens ou se sentir curiosos a embarcar neste mundo fictício. Frear um pouco esse ritmo, dar tempo para o leitor se familiarizar com o ambiente onde a história se passa, os personagens têm um grande peso aqui. Eu simplesmente queria, por exemplo, saber mais desta ilha, se ela é e porque ela é especial, quem é o avô, um pouco da personalidade dele, a relação do Joe com o avô e até mesmo a relação do Joe com os outros habitantes da ilha, porque o Hinode aparece bruscamente, apesar de eu ter me simpatizado com ele.

Falando agora já dos personagens, eu vou ser sincero, eu gostei mais do Hinode do que do Joe simplesmente por uma coisa que eu acho crucial em personagens: falhas. O fato de Hinode ser mulherengo, ter a cara de pau de cantar as meninas, receber um tapa e ainda agir como se tivesse obtido sucesso ao invés de perceber que ele está agindo como um canalha cafajeste, caramba, o personagem me ganhou, porque apesar da falha, isso torna ele real e, pelo jeito canastrão, alguém simpático, carismático, convidativo. Se Hinode fosse uma pessoa real, com certeza eu já viraria amigo dele.

O mesmo sentimento de afeição eu não pude ter com o Joe ou com o avô, e não porque são péssimos personagens, mas porque não tiveram tempo suficiente para se apresentarem e nem uma apresentação que me fizesse conhecê-los melhor. Sendo o Joe o protagonista, seria importante a gente já saber quais os medos, os desejos, os defeitos e, principalmente, a falha dramática que ele tem. Por exemplo, por que ele quer sair da ilha? Como ele se sente com o fato de ser adotado e os pais mortos? Coisas pequenas, simples, mas novamente, deixam lacunas que podem prejudicar quando não respondidas ou apresentadas. O mesmo eu digo a respeito do personagem do avô, já que seria interessante saber mais sobre esse personagem. Mesmo não sabendo do nome dele, seria legal ver ele interagindo mais com o Joe, o que o motivou a cuidar dele, a sua filosofia de vida já que ele afirmou seguir uma filosofia diferente da qual era imposta a ele a respeito do ninjútsu. Enfim, o que eu quero dizer é que os personagens não me chamaram a atenção, mas não porque são ruins e sim porque ainda não foram devidamente construídos e/ou apresentados e, nesse ponto, como escritor, é seu papel nos fazer simpatizar com os personagens e crer que eles sejam reais.

Por fim, ainda que eu tenha apontado todos esses pontos a respeito da sua história, eu não posso deixar de enfatizar que gostei dela. Acho que ainda há coisas que podemos ver de bom saindo da sua premissa e eu desejo verdadeiramente conhecer mais desse universo e dos seus personagens. As cenas de lutas com as espadas... Eu ainda vou deixar para comentar mais conforme a leitura for avançando.

Enfim, eu agradeço a leitura que você me proporcionou e, caso você se tenha sentido ofendido com alguma coisa que eu disse, eu peço mil perdões, pois não foi minha intenção. Todos esses pontos que eu abordei, eu tentei explicar por que eu não gostei e argumentar da melhor forma para que você entenda os motivos por trás de eu não ter gostado. Eu espero que esses pontos te ajudem a crescer como escritor. No meu papel de leitor, senti na obrigação de apontá-los, pois creio eu que a troca de experiências entre o leitor e o autor é algo bem bacana de ser feito, principalmente aqui no mundo das fanfics, onde podemos ter contato um com o outro. Eu espero vê-lo em breve novamente e, quem sabe, volto a comentar mais uma vez em sua fanfic. Um forte abraço e até a próxima!

Atenciosamente,

Sr. PandaJao!


O que mais gostei: A premissa, que parece ser interessante e intrigante.
O que acho que pode melhorar: Infelizmente, eu tenho que apontar que há muita coisa.