Comentários em “Jovens Afortunados”: “I”

A
Arrogante
Destacado pelo autor

É meu costume iniciar comentários pela parte chata, então cumpro esse ritual mencionando a falta de uso de "Há" para denotar tempo passado (você usa "a", o que é incorreto) e o trecho em que você fala sobre as janelas, que em vez de "sobre" está escrito "sob"; "Então o céu sob nós vale a pena ser visto nesse dia". "Sob" quer dizer "abaixo" e, bom, o céu fica pra cima.

Passando esses erros, que são bobos pra ser sincero, estou positivamente impressionado com a qualidade da sua escrita. Para começar, não é todo mundo que consegue fazer funcionar o formato de romance epistolar; o gênero "found footage" da literatura é complicado por uma série de motivos, e você conseguiu ignorá-los para entregar uma experiência intimista e de altíssima qualidade.

A história é simples, mas muito bem estruturada e com uma promessa de se aprofundar em temas mais profundos. Digo isso como uma pessoa que gosta de ação e acontecimentos marcantes, que normalmente não leria uma troca de cartas dramática entre duas pessoas tão diferentes, e mesmo assim fiquei empolgado para ler os próximos capítulos. E nem é pelos acontecimentos em si, mas sim como os protagonistas reagem a eles e como vão traduzi-los em suas cartas.

Alego e Natasha são pessoas tão... Tristes. Senti isso mais nela que nele, embora ele reclame mais da vida. Algumas frases que ela soltou denotam uma tristeza profunda, assim como evitar falar sobre o motivo pelo qual eles pararam de se falar e de como foi a viagem que a fez sumir por tanto tempo. Gosto dessa tristeza, desse desespero em combatê-la através de cartas.

A caracterização dos personagens é feita muito, muito bem. Gosto de sentir o que chama a atenção um do outro nas cartas recebidas, o que eles decidem responder ou não, o que escolhem contar sobre seus dias. A escrita, apesar dos erros que comentei, é linda. Poética, melancólica, tão bem caracterizada quanto os personagens. Tem cada frase. Minha favorita do capítulo foi "Penso que se retirasse da minha vida as pessoas que me aborrecem, não me sobraria quase ninguém." Tem tanta tristeza nesse simples enunciado, tanta solidão. É de tocar o coração do leitor, e eu me sinto tocado.


O que mais gostei: Poesia
O que acho que pode melhorar: Erros bobos