Comentários em “Pianista Diferente”: “Ousadia e Surpresa”

Freya

Eu ainda pretendo ler mais um pouquinho antes de dormir, mas como esse foi o grande plot twist, eu não posso deixar de comentar agora. Como sou grande apreciadora de música clássica, já conhecia todas as obras citadas no capítulo anterior, então não parei pra ouvir, apenas imaginei rapidamente Ricardo tocando o Canon e foi bem bonitinho. Mas quando Viridian começou a tocar, talvez até por toda a construção da cena, eu realmente parei de ler, fechei os olhos e me pus a ouvir Chopin, por quatro minutos, imaginando a personagem tocando, antes de continuar a leitura, e isso foi fantástico. Só a internet mesmo pra deixar uma coisa dessas acontecer. Mesmo quando leio, por exemplo, um livro de Hermann Hesse, em cuja a obra a música é sempre muito presente, eu normalmente fecho o livro primeiro antes de ir ouvir a música, e quando assisto filmes como Tár, só vou procurar as referências no Youtube depois dos créditos. Mas no seu caso, usando o recurso do hiperlink, fez da música o tempero da leitura, e isso foi muito legal.

Ricardo, o narrador, ficou uns três parágrafos surpreso com o talento de Viridian. Se surpreender com o talento dela tudo bem, ele não sabia que ela sabia tocar piano, OK, mas ficar exaustivamente repetindo na cabeça "como?" só porque ela é funkeira é preconceito, sim. Você não sabia que uma funkeira pode tocar piano, agora você sabe, já aprendeu, deixa disso, não precisa fazer esforço pra se manter na ignorância. Embora eu reconheça que a intenção era destacar a perplexidade de Ricardo, a repetição exaustiva da surpresa dele se mescla com um preconceito que se mantém até o fim do capítulo. "Como alguém com o seu talento foi parar no funk?" Não aprendeu nada ainda, né, garoto?

Mas apesar de estar sendo a SJW chata do Twitter que cancela o Ricardo preconceituoso, opressor ****fóbico e ****ista (é brincadeira rsrsrs), eu tenho que admitir que o plot twist também me pegou no pulo no meu preconceito. Eu não estranho em nada uma funkeira tocar piano, mas uma fala anterior de Viridian me chamou a atenção, foi quando ela disse "eles é que são muito exigentes". Exigentes? Uma funkeira usaria essa palavra? Será que não preferiria dizer "duros", ou "chatos" ou mesmo expressar a ideia com mais de uma palavra, na falta de vocabulário, exemplo: "eles querem que você seja perfeito"? Claro que não, não tem nada de errado em uma funkeira ter um vocabulário diferente do mais coloquial da periferia. Assim como Ricardo, também tomei Viridian por uma funkeira ignorante. Quando se aponta um dedo pro outro, três apontam de volta pra você. Obrigada por me fazer perceber meu preconceito, foi uma coisa ótima na leitura também.

Bem, esses foram meus pensamentos. Eu pretendia ler mais, mas esse comentário já me deixou meio cansada. Apesar da curiosidade sobre a "longa história" que vem aí, vou dormir agora e volto outro dia.



O que mais gostei: Preconceitos confrontados, mais do que o autor intencionou, provavelmente
Metal_Will
Metal_Will Autor

Boa tarde.

Desculpe por só responder este comentário agora. Faz um bom tempo que não entro no site. Deixei o Nyah! de lado por alguns meses, tanto por estar envolvido em outros trabalhos que consomem boa parte do meu tempo quanto por falta de inspiração para criar novas fics. Hoje, por acaso, algo deu em mim para entrar no Nyah! e tive a grata surpresa de ver dois comentários (também li seu outro comentário, mas vou responder neste valendo pelos dois).

Parte da minha surpresa também veio por ser um comentário em uma fic bem flopada. Essa foi minha última história e nunca tive nenhum comentário nela. Fiquei feliz de pelo menos alguém ter lido e comentado. Gostaria de agradecer por isso. Até animei de voltar a postar aqui no Nyah! caso eu tenha alguma inspiração.

De fato, queria destacar o preconceito do Ricardo com a Viridian, como você bem notou no comentário. Algo que queria transmitir nessa fic é o contraste entre estilos musicais bem diferentes na pessoa de uma garota que conseguiu transitar entre os dois mundos, embora tenha uma razão para isso (algo que ficará claro nos outros capítulos, então não vou dar spoilers aqui).

Também fiquei feliz do recurso de hyperlink ter funcionado. Para uma fic como essa, conhecer as músicas mencionadas torna a experiência bem mais interessante. Foi a primeira vez que experimentei isso, então ainda bem que deu certo.

No mais, gostaria de agradecer mais uma vez por ler e comentar nessa fic. Não pretendia apagá-la, mas fiquei um pouco frustrado por não ter recebido nenhum feedback, nem que fosse uma crítica. Seu comentário finalmente deu retorno ao meu trabalho e isso me deixou bem feliz, de verdade.

Espero que leia até o fim. Obrigado novamente e até a próxima!