Comentários em “Pianista Diferente”: “Trabalho e Concurso”

Freya

Como eu me identifico com o Ricardo, que vida corrida. Todo mundo acaba se envolvendo numa dessas, né? Trabalho, faculdade, curso técnico, tudo de uma vez pra equilibrar como um artista de circo na nossa vida. Eu estou numa fase assim, tenho a esperança de terminar meu curso técnico em algumas semanas e finalmente poder me aliviar um pouquinho que seja. Frequentemente encontro pessoas que me dizem "como você consegue", como se eu estivesse conseguindo, o tempo todo vem aquela síndrome do impostor dizer que não é suficiente, que eu assumi mais responsabilidades do que posso dar conta e tal. Mas quando a gente vê de fora, é assim mesmo, admiramos a pessoa pela sua luta. Por isso simpatizei com o Ricardo.

Adorei como ele explicitamente coloca a música clássica como superior ao funk. Amo música clássica (por isso mesmo que escolhi essa história pra ler rsrsrsrs) e li esse capítulo ouvindo Brahms, mas também gosto de funk. Os politicamente corretos já correriam com várias desculpas para o Ricardo "não, veja bem, você tem que entender que. . ." e com isso tentariam fazer ele se sentir culpado por não gostar do funk. Eu gosto, mas ao mesmo tempo acho legal como dentro da cabeça dele e ele pode expressar todo o seu desgosto que até convence rsrsrs

Não conhecemos os outros concorrentes, então obviamente só posso torcer por ele nesse concurso. Quero muito que ele ganhe, imagine só, o garoto que aprendeu violino sozinho, assistindo vídeos no Youtube, ganhando um concurso desses, seria um verdadeiro Jimi Hendrix do violino! Você já assistiu Tár, aquele filme em que a Cate Blanchett perdeu injustamente o Oscar de melhor atriz pra Michelle Yeoh? Tem uma personagem lá, com relativamente pouco tempo de tela, a Olga, que é uma celista, e ela também diz que aprendeu a tocar violoncelo sozinha, assistindo vídeos no Youtube. É minha personagem favorita do filme. Quem sabe o Ricardo não esteja virando uma Olga também.

Mas, de Gregor Samsa a Jimi Hendrix passando pela Olga de Tár, estou projetando personagens demais no seu personagem. Melhor só relaxar e apreciar a leitura rsrsrsrs Leio o próximo capítulo quando tiver tempo (ou seja, sabe lá Deus quando), mas leio!


O que mais gostei: A opressão da classe trabalhadora!