Confesso que assim que li a sinopse senti que era exatamente esse texto que eu precisava ler nesse momento. E estava certa.
Faz bastante tempo que não venho ao Nyah! e essas minhas longas ausências não são de hoje; e quando por algum acaso volto é apenas para ler um texto seu, acho que já se tornou um lugar comum para mim.
Adorei o texto. Embora bastante formal, ele soou muito íntimo (ou talvez seja eu que desde a sinopse estava disposta a mergulhar de cabeça, ou talvez seja os dois) e consegui sentir muito bem todo o sentimento. Me identifiquei, não tanto com o amor que tem que ser abandonado, mas com o sentimento de se aprisionar e insistir em algo que não faz mais sentido, em algo que está machucando e não está nos deixando seguir em frente. Eu penso em todas as coisas que tenho que deixar ir e não estou deixando porque é difícil abandonar.
Essa imagem de olhar para trás e ver como nada era como pensamos, que era mais simples (embora não mais fácil) do que pensamos e que as algemas estavam abertas o tempo todo mas não notamos... Nossa, fico maravilhada. Isso se encaixa tão bem em tantas situações... Saber que as recaídas virão e que está tudo bem, estar ciente de que deixar para trás é a melhor escolha e mesmo assim lamentar por não ter sido antes, evitando tanto do sofrimento presente...
"Estou deixando para trás um sentimento que quase me matou lentamente e tudo bem. Estou colocando um ponto final nisso."
É tranquilizador ver isso. Quase morremos ao alimentar algo que fazia mal, mas não morremos, estamos deixando para trás.
Adorei cada frase, cada sentimento, sinto que não enjoaria mesmo que lesse muitas vezes. Amei. Vou ficar por aqui e espero que da próxima vez minha ausência não seja tão longa.
Sabe, suas palavras descreveram perfeitamente os sentimentos que me guiaram enquanto eu escrevia essa carta, há alguns anos. Naquela época, estava submersa em um sentimento extremamente intenso, cujas propriedades eu nem mesmo era capaz de entender direito (talvez até hoje eu não seja). Escrever essa carta de despedida, que jamais seria entregue ao destinatário, foi uma decisão tomada após um longo processo de convencimento. Hoje, de fato olho para trás e não me vejo mais presa naquela realidade estranha e perturbadoramente incerta.
É engraçado porque, em teoria, sabemos que o tempo consegue dopar qualquer ferida. A vida segue adiante e, com ela, o mundo. Ao nosso redor, inúmeras pessoas seguem seus próprios caminhos e mudam nosso "destino" (assim como mudamos os delas). E essa corrente segue seu caminho ininterruptamente, ainda que a gente tenha medo de admitir isso. Com ela, ainda que aceitemos ou não, as coisas deixam de ser como eram (seja lá qual for a intensidade que essas mudanças ganhem). No entanto, ainda que essa seja uma das poucas certezas que temos na vida, existe uma certa tendência a esquecê-la.
O que quero dizer é que essa realidade artificial começa a adquirir estruturas cada vez mais complexas e difíceis de negar. Ela aparenta ser inabalável, possui correntes e age como um parasita. Mas é somente isso que ela é: um parasita. É realmente muito bom olhar para trás e se orgulhar da decisão de ter colocado um ponto final naquela situação prejudicial (seja ela qual for). E é, principalmente, muito bom olhar para trás e saber que não é exatamente sobre a rapidez com a qual essa decisão foi tomada, mas sobre a trajetória em si.
Fico imensamente feliz que tenha gostado desse texto, ele é bem especial para mim. Muito obrigada por ler =)
Mais um texto bem escrito, curto mas com o poder de levar o leitor pra melancolia. Não, levar não é a palavra certa: ele convida a caminhar junto, e a gente vai.
Porque sim, como outros textos seus, Themis, esse é melancólico. Mesmo que tenha um final feliz (afinal, se desprender de algo que nos machuca sempre é um passo na direção certa), deixa um gosto de tristeza, e o que a gente faz com esse sentimento depois?
Ainda não achei a resposta, mas obrigada pela oportunidade de reflexão e até o próximo.
Acho que, com o passar do tempo, passei a ver muita beleza na melancolia. À primeira vista, para pessoas que temem suas aparições, essa parece ser uma afirmação estranha. Para outros, que convivem com ela diariamente em uma intensidade assustadoramente maior, é uma verdade inegável.
De fato, reconhecer a beleza ou se acostumar com o incômodo da presença da melancolia não é exatamente um processo fácil. Ela traz consigo uma confusa tristeza desnorteante; ela adormece o mundo ao nosso redor. Mas a questão é que sua beleza está presente justamente nisso. A melancolia desacelera o mundo extremamente agitado e artificial no qual já estamos inseridos há muitos anos. Ela mostra que a realidade ao nosso redor, por mais concreta que pareça aos nossos olhos acostumados, nada mais é do que artificial, temporário. Às vezes nos faz refletir sobre o que é verdadeiramente importante e às vezes faz parecer que nada vale a pena. Às vezes traz lágrimas, às vezes traz um vazio impreenchível.
Acho que encaro esse choque de realidade como algo bonito e interessante de trabalhar. A melancolia vai nos acompanhar pelo resto da nossa existência, ela faz parte da vida. Acho que tentar trazer isso para os textos que escrevo se tornou um vício.
Muito obrigada por ler! Fico muito feliz que tenha gostado, Nanda =)
Olá! Tudo bem?
Confesso que assim que li a sinopse senti que era exatamente esse texto que eu precisava ler nesse momento. E estava certa.
Faz bastante tempo que não venho ao Nyah! e essas minhas longas ausências não são de hoje; e quando por algum acaso volto é apenas para ler um texto seu, acho que já se tornou um lugar comum para mim.
Adorei o texto. Embora bastante formal, ele soou muito íntimo (ou talvez seja eu que desde a sinopse estava disposta a mergulhar de cabeça, ou talvez seja os dois) e consegui sentir muito bem todo o sentimento. Me identifiquei, não tanto com o amor que tem que ser abandonado, mas com o sentimento de se aprisionar e insistir em algo que não faz mais sentido, em algo que está machucando e não está nos deixando seguir em frente. Eu penso em todas as coisas que tenho que deixar ir e não estou deixando porque é difícil abandonar.
Essa imagem de olhar para trás e ver como nada era como pensamos, que era mais simples (embora não mais fácil) do que pensamos e que as algemas estavam abertas o tempo todo mas não notamos... Nossa, fico maravilhada. Isso se encaixa tão bem em tantas situações... Saber que as recaídas virão e que está tudo bem, estar ciente de que deixar para trás é a melhor escolha e mesmo assim lamentar por não ter sido antes, evitando tanto do sofrimento presente...
"Estou deixando para trás um sentimento que quase me matou lentamente e tudo bem. Estou colocando um ponto final nisso."
É tranquilizador ver isso. Quase morremos ao alimentar algo que fazia mal, mas não morremos, estamos deixando para trás.
Adorei cada frase, cada sentimento, sinto que não enjoaria mesmo que lesse muitas vezes. Amei. Vou ficar por aqui e espero que da próxima vez minha ausência não seja tão longa.
Até mais!
Olá =)
Sabe, suas palavras descreveram perfeitamente os sentimentos que me guiaram enquanto eu escrevia essa carta, há alguns anos. Naquela época, estava submersa em um sentimento extremamente intenso, cujas propriedades eu nem mesmo era capaz de entender direito (talvez até hoje eu não seja). Escrever essa carta de despedida, que jamais seria entregue ao destinatário, foi uma decisão tomada após um longo processo de convencimento. Hoje, de fato olho para trás e não me vejo mais presa naquela realidade estranha e perturbadoramente incerta.
É engraçado porque, em teoria, sabemos que o tempo consegue dopar qualquer ferida. A vida segue adiante e, com ela, o mundo. Ao nosso redor, inúmeras pessoas seguem seus próprios caminhos e mudam nosso "destino" (assim como mudamos os delas). E essa corrente segue seu caminho ininterruptamente, ainda que a gente tenha medo de admitir isso. Com ela, ainda que aceitemos ou não, as coisas deixam de ser como eram (seja lá qual for a intensidade que essas mudanças ganhem). No entanto, ainda que essa seja uma das poucas certezas que temos na vida, existe uma certa tendência a esquecê-la.
O que quero dizer é que essa realidade artificial começa a adquirir estruturas cada vez mais complexas e difíceis de negar. Ela aparenta ser inabalável, possui correntes e age como um parasita. Mas é somente isso que ela é: um parasita. É realmente muito bom olhar para trás e se orgulhar da decisão de ter colocado um ponto final naquela situação prejudicial (seja ela qual for). E é, principalmente, muito bom olhar para trás e saber que não é exatamente sobre a rapidez com a qual essa decisão foi tomada, mas sobre a trajetória em si.
Fico imensamente feliz que tenha gostado desse texto, ele é bem especial para mim. Muito obrigada por ler =)
Olá =)
Mais um texto bem escrito, curto mas com o poder de levar o leitor pra melancolia. Não, levar não é a palavra certa: ele convida a caminhar junto, e a gente vai.
Porque sim, como outros textos seus, Themis, esse é melancólico. Mesmo que tenha um final feliz (afinal, se desprender de algo que nos machuca sempre é um passo na direção certa), deixa um gosto de tristeza, e o que a gente faz com esse sentimento depois?
Ainda não achei a resposta, mas obrigada pela oportunidade de reflexão e até o próximo.
Olá, Nanda =)
Acho que, com o passar do tempo, passei a ver muita beleza na melancolia. À primeira vista, para pessoas que temem suas aparições, essa parece ser uma afirmação estranha. Para outros, que convivem com ela diariamente em uma intensidade assustadoramente maior, é uma verdade inegável.
De fato, reconhecer a beleza ou se acostumar com o incômodo da presença da melancolia não é exatamente um processo fácil. Ela traz consigo uma confusa tristeza desnorteante; ela adormece o mundo ao nosso redor. Mas a questão é que sua beleza está presente justamente nisso. A melancolia desacelera o mundo extremamente agitado e artificial no qual já estamos inseridos há muitos anos. Ela mostra que a realidade ao nosso redor, por mais concreta que pareça aos nossos olhos acostumados, nada mais é do que artificial, temporário. Às vezes nos faz refletir sobre o que é verdadeiramente importante e às vezes faz parecer que nada vale a pena. Às vezes traz lágrimas, às vezes traz um vazio impreenchível.
Acho que encaro esse choque de realidade como algo bonito e interessante de trabalhar. A melancolia vai nos acompanhar pelo resto da nossa existência, ela faz parte da vida. Acho que tentar trazer isso para os textos que escrevo se tornou um vício.
Muito obrigada por ler! Fico muito feliz que tenha gostado, Nanda =)