Nossa, esse final fez meu coração apertar. Não esperava por isso. Mesmo que o prédio estivesse ali desde o começo e bastasse ligar os pontos, ainda assim foi um choque. Sabia que o prédio tinha algum valor na história, só não tinha me dado conta de qual era esse valor — até a última fala do final. E, nossa, a frieza com que Alice deu a notícia também ajudou a me impactar, porque ela representa muito dessa indiferença para com a morte de desconhecidos. Gostei disso.
Não sei se foi uma impressão minha ou foi intencional, mas senti que de certa forma o suicídio do Arthur foi adiado pela presença da Eleanor. Talvez houvesse sentimento por parte dele, esperança de que algo pudesse mudar, mas quando ela sumiu por dias essa esperança e consolo sumiram e ele por fim decidiu cometer o suicídio. Além disso, é interessante também notar a resistência da Eleanor em se envolver, mesmo que ela já estivesse envolvida com o rapaz. Ela parecia manter essa distância funcionário-cliente, mesmo que fosse evidente que Arthur não era um cliente como qualquer outro para ela.
Só algo que não achei interessante sobre sua escrita foi o primeiro parágrafo. Parece que você está narrando sob o ponto de vista do Arthur (porque só ele saberia que comia sem se dar conta dos próprios movimentos ou que o café ainda estava muito quente) e logo no parágrafo seguinte você já muda para o ponto de vista de Eleanor, ou seja, é uma mudança muito abrupta que causa certa estranheza em quem está lendo. Talvez deixar essa passagem mais sutil ou então narrar sob o ponto de Eleanor desde o começo ficasse um pouco melhor. Não que isso seja uma regra a ser seguida, de forma alguma.
Enfim, em geral gostei do texto, valeu a leitura. Faz muito tempo que não comento em nada, então peço desculpas se o comentário ficou meio estranho.
Enquanto escrevia essa história, a ideia da indiferença era algo que gostaria, sim, de apresentar. Para Eleanor, que apenas via Arthur durante o horário de trabalho, algo estava errado. Ela não conseguia bem definir o que se tratava, mas sabia que alguma coisa não se encaixava. Mesmo ela, que não de fato o conhecia. E para aqueles que conviviam com ele? Seria assim tão difícil notar que algo estava errado? A reação da personagem Alice pode ser encontrada até mesmo em pessoas mais próximas, que conviviam com aquele que se matou. O mundo parece estar agitado e frio demais para que alguém de fato se preocupe.
A relação entre os dois foi criada baseada no papel que o apego ao familiar e a esperança em pequenas coisas no dia a dia podem ter no adiamento de uma decisão como essa. A cafeteria - um ambiente em que o Arthur realmente se sentia bem -, a rotina de sempre se sentar na mesma mesa e comer uma de suas comidas preferidas, e mesmo o atendimento contido e gentil de Eleanor traziam a ideia de que talvez valesse a pena viver. Mostrava que a vida não necessariamente deve ser feita de grandes acontecimentos para valer a pena. Quando Eleanor adoeceu, Arthur percebeu que a instabilidade reina mesmo sobre aquilo que parece tão certo e fixo. Claro que a instabilidade é uma das características da vida, estamos em constante mudança, mas uma mente ávida por alguma certeza e segurança teme essa característica inevitável da vida.
Sobre esse primeiro parágrafo, tinha esse receio de que ficasse confuso. Minha intenção era a de relatar como Eleanor o observava e, ainda, imaginava suas percepções. Dando uma lida agora, vejo que pode ter realmente ficado confuso. Obrigada pelas dicas, irei revisar esse primeiro parágrafo =)
Desculpe pelo atraso imenso, a vida ficou meio estranha esses dias.
Vou me repetir quando digo que gosto do ritmo das suas histórias. São feitas com cuidado, dando tempo pra gente sentir empatia.
Não sei se foi sua intenção não nos aproximar do Arthur, já que ele não deixa ninguém se aproximar. Às vezes ele fica tão distante que poderia ser um quadro querido na parede.
Curioso que no fim foi o silêncio que o matou. Estou certa que se ele tivesse menos medo de se expor, de deixar explícita sua necessidade de (contato humano?) essa história poderia terminar com os dois tomando um café na folga dela.
Apesar disso, o desconforto crescente nosso e da protagonista no último encontro e o último parágrafo, seco e repentino como a queda foram magistrais. Principalmente o baque no último parágrafo, tenha orgulho dele, Themis, porque foi bom de verdade =).
Como você mesma diria, o resto vou te perguntar por MP.
Fico imensamente feliz ao ler isso, pois acabo sempre tendo a impressão de que a narrativa está corrida. Saber que o ritmo está bom me deixa realmente feliz e aliviada =)
Essa foi justamente a intenção. Queria que a narrativa deixasse claro a barreira que Arthur criou entre ele e o resto do mundo, e que, ainda que ela estivesse lá, existiam brechas. Sabe, os sintomas estão lá, são visíveis se você souber interpretá-los. Quantas não são as vezes em que sentimos algo apitar em nossas mentes, um pequeno aviso de que algo não está certo. Nem sempre temos total consciência desse aviso, mas ele está lá.
Acho que, na situação em que estava, nem mesmo o contato humano parecia ser o suficiente. Creio que aquilo que mais buscava era o conforto que algo familiar pode trazer, algo constante em sua vida que fosse capaz de passar uma falsa sensação de estabilidade. Lidamos com um mundo instável ao longo de uma vida instável, faz parte de quem somos; nos adaptamos. Isso pode ser um pouco assustador. Quando Eleanor ficou doente, bem, aquela ilusão de estabilidade ruiu.
Enquanto escrevia, o último parágrafo foi o que mais me marcou. Tive receio de colocá-lo porque, às vezes, a realidade é difícil de lidar. No entanto, me pareceu errado não fazê-lo.
Estou ansiosa pelas perguntas! Muito, muito obrigada por ler. Admiro muito seu trabalho e sempre que vejo que leu algo que escrevi, fico com um sorriso besta no rosto =)
Olá! Tudo bem?
Nossa, esse final fez meu coração apertar. Não esperava por isso. Mesmo que o prédio estivesse ali desde o começo e bastasse ligar os pontos, ainda assim foi um choque. Sabia que o prédio tinha algum valor na história, só não tinha me dado conta de qual era esse valor — até a última fala do final. E, nossa, a frieza com que Alice deu a notícia também ajudou a me impactar, porque ela representa muito dessa indiferença para com a morte de desconhecidos. Gostei disso.
Não sei se foi uma impressão minha ou foi intencional, mas senti que de certa forma o suicídio do Arthur foi adiado pela presença da Eleanor. Talvez houvesse sentimento por parte dele, esperança de que algo pudesse mudar, mas quando ela sumiu por dias essa esperança e consolo sumiram e ele por fim decidiu cometer o suicídio. Além disso, é interessante também notar a resistência da Eleanor em se envolver, mesmo que ela já estivesse envolvida com o rapaz. Ela parecia manter essa distância funcionário-cliente, mesmo que fosse evidente que Arthur não era um cliente como qualquer outro para ela.
Só algo que não achei interessante sobre sua escrita foi o primeiro parágrafo. Parece que você está narrando sob o ponto de vista do Arthur (porque só ele saberia que comia sem se dar conta dos próprios movimentos ou que o café ainda estava muito quente) e logo no parágrafo seguinte você já muda para o ponto de vista de Eleanor, ou seja, é uma mudança muito abrupta que causa certa estranheza em quem está lendo. Talvez deixar essa passagem mais sutil ou então narrar sob o ponto de Eleanor desde o começo ficasse um pouco melhor. Não que isso seja uma regra a ser seguida, de forma alguma.
Enfim, em geral gostei do texto, valeu a leitura. Faz muito tempo que não comento em nada, então peço desculpas se o comentário ficou meio estranho.
Até, quem sabe, uma próxima oportunidade.
Olá =)
Enquanto escrevia essa história, a ideia da indiferença era algo que gostaria, sim, de apresentar. Para Eleanor, que apenas via Arthur durante o horário de trabalho, algo estava errado. Ela não conseguia bem definir o que se tratava, mas sabia que alguma coisa não se encaixava. Mesmo ela, que não de fato o conhecia. E para aqueles que conviviam com ele? Seria assim tão difícil notar que algo estava errado? A reação da personagem Alice pode ser encontrada até mesmo em pessoas mais próximas, que conviviam com aquele que se matou. O mundo parece estar agitado e frio demais para que alguém de fato se preocupe.
A relação entre os dois foi criada baseada no papel que o apego ao familiar e a esperança em pequenas coisas no dia a dia podem ter no adiamento de uma decisão como essa. A cafeteria - um ambiente em que o Arthur realmente se sentia bem -, a rotina de sempre se sentar na mesma mesa e comer uma de suas comidas preferidas, e mesmo o atendimento contido e gentil de Eleanor traziam a ideia de que talvez valesse a pena viver. Mostrava que a vida não necessariamente deve ser feita de grandes acontecimentos para valer a pena. Quando Eleanor adoeceu, Arthur percebeu que a instabilidade reina mesmo sobre aquilo que parece tão certo e fixo. Claro que a instabilidade é uma das características da vida, estamos em constante mudança, mas uma mente ávida por alguma certeza e segurança teme essa característica inevitável da vida.
Sobre esse primeiro parágrafo, tinha esse receio de que ficasse confuso. Minha intenção era a de relatar como Eleanor o observava e, ainda, imaginava suas percepções. Dando uma lida agora, vejo que pode ter realmente ficado confuso. Obrigada pelas dicas, irei revisar esse primeiro parágrafo =)
Muito, muito obrigada por ler =)
Olá, Themis!
Desculpe pelo atraso imenso, a vida ficou meio estranha esses dias.
Vou me repetir quando digo que gosto do ritmo das suas histórias. São feitas com cuidado, dando tempo pra gente sentir empatia.
Não sei se foi sua intenção não nos aproximar do Arthur, já que ele não deixa ninguém se aproximar. Às vezes ele fica tão distante que poderia ser um quadro querido na parede.
Curioso que no fim foi o silêncio que o matou. Estou certa que se ele tivesse menos medo de se expor, de deixar explícita sua necessidade de (contato humano?) essa história poderia terminar com os dois tomando um café na folga dela.
Apesar disso, o desconforto crescente nosso e da protagonista no último encontro e o último parágrafo, seco e repentino como a queda foram magistrais. Principalmente o baque no último parágrafo, tenha orgulho dele, Themis, porque foi bom de verdade =).
Como você mesma diria, o resto vou te perguntar por MP.
Olá, Nanda =)
Fico imensamente feliz ao ler isso, pois acabo sempre tendo a impressão de que a narrativa está corrida. Saber que o ritmo está bom me deixa realmente feliz e aliviada =)
Essa foi justamente a intenção. Queria que a narrativa deixasse claro a barreira que Arthur criou entre ele e o resto do mundo, e que, ainda que ela estivesse lá, existiam brechas. Sabe, os sintomas estão lá, são visíveis se você souber interpretá-los. Quantas não são as vezes em que sentimos algo apitar em nossas mentes, um pequeno aviso de que algo não está certo. Nem sempre temos total consciência desse aviso, mas ele está lá.
Acho que, na situação em que estava, nem mesmo o contato humano parecia ser o suficiente. Creio que aquilo que mais buscava era o conforto que algo familiar pode trazer, algo constante em sua vida que fosse capaz de passar uma falsa sensação de estabilidade. Lidamos com um mundo instável ao longo de uma vida instável, faz parte de quem somos; nos adaptamos. Isso pode ser um pouco assustador. Quando Eleanor ficou doente, bem, aquela ilusão de estabilidade ruiu.
Enquanto escrevia, o último parágrafo foi o que mais me marcou. Tive receio de colocá-lo porque, às vezes, a realidade é difícil de lidar. No entanto, me pareceu errado não fazê-lo.
Estou ansiosa pelas perguntas! Muito, muito obrigada por ler. Admiro muito seu trabalho e sempre que vejo que leu algo que escrevi, fico com um sorriso besta no rosto =)