Li esse capítulo cedo, e ainda não consegui encontrar o que dizer. Ok, você avisou que essa seria um drama pesado e eu concordei. Porém, nada que me deixe menos angustiada.
O início do capítulo foi bem tranquilo. Mas a partir do meio um aperto foi tomando conta do coração. Porque é a guerra, e você sabe que algo vai acontecer. Não é menos emocionante. Só é triste.
A escrita com acontecimentos separados está boa de acompanhar, e cada pequeno acontecimento faz uma linha. Sei que tudo terá seu desfecho. A morte do garoto... Eu fiquei realmente surpresa, principalmente pelo fato de não conseguir ligá-la a nenhum acontecimento anterior. Quando Wolfran encontrou as meninas no banheiro, pensei que o destino dele estaria selado nesse capítulo. Mas Naftali teve seu fim, e não foi por causa de nada anterior. Foi por quem ele era. E isso foi muito, muito pior.
Acredito que Wolfran não é mais o garoto pacífico que um dia deu um livro à uma garotinha na praia. Talvez todos os acontecimentos em sua vida sejam um ponto de partida pra algo maior... Apesar de ter a impressão de que ele ficaria sempre ali, ao lado da mãe, hoje pensei que algo vai acontecer pra que ele tenha que sair. Se foi a morte do novo amigo, não sei dizer.
Será que no próximo vamos ver o outro gêmeo? Quero ver como ele está se virando.
Esse período da história foi muito triste, porque aconteceu no Ocidente, no bastião da democracia, e isso é o que mais pesou. As perseguições ocorreram de verdade, o autoritarismo e o antissemitismo ficou latente. Junta isso com a imprevisibilidade dos acontecimentos. Não digo os fatos no seio do governo nazista, apesar de Hitler e Cia terem sido imprevisíveis, e sim dos fatos locais em que os protagonistas eram judeus e guardas. Incrível que Hitler nunca visitou um campo de concentração (os demais do alto escalão haviam visitado), nunca disse explícitamente que eliminaria os judeus, e que a sua derrota na guerra foi por ter tido a burrice (sim, se olharmos em termos de estratégia política e militar ele foi bem burro) de invadir a União Soviética, não o holocausto em si. Os globalistas de NY, judeus bilionários e até mesmo o presidente FDR pouco se importava com a vida dos judeus (os EUA negaram a entrada de judeus e muitos desses morreram na volta) e se aliou ao fascínora Stalin pra ganhar a guerra. Portanto, por causa de todos esses fatos históricos, entendemos que as vidas dos judeus europeus estavam por um fio e não valiam muito para os outros países, e só depois do julgamento de Nuremberg que todos ficaram alarmados com as imagens dos campos... Ah vá! E é essa sensação de imprevisibilidade, insegurança, solidão, que está contida no enredo de Cracóvia.
Gostei bastante de ter impressionado os leitores aqui. Até quando eu terminei, parei e respirei um pouco, porque de fato o capítulo ficou muito pesado. Não quis aliviar, não vou aliviar. Escrevo comédia yaoi, aventura, etc, alivio lá, aqui é cutucar a ferida mesmo, marcar o leitor com ferro quente igual gado. Aqui é desse jeito. Mas nem sempre vou utilizar de artifícios de matar personagens queridos todas as vezes. O enredo que fala de um período imprevisível precisa ser imprevisível, escrito de forma imprevisível pelo autor. Enfim, pode ser que aquele personagem sobreviva até o final ou ele pode durar pouco tempo e ter um impacto grande.
Sobre você não ter percebido nenhuma ligação entre o capítulo e o ato final dele. Sim, há pelo menos duas cenas que serviram para pavimentar o resultado da morte do Naftali. Explicarei no próximo cap. Saiba apenas que aquela cena do banheiro foi o começo de tudo.
Esse capítulo prendeu a minha atenção, que nem dá para notar que ele é tem mais de 7.000 palavras.
Você descrever cada detalhe, no inicio foi a inocência das duas crianças, totalmente alheias ao que acontecia ao redor. Anos depois as crianças se reencontram,mas, a situação é diferente, os tempos são outros. Llona tem sonhos, ser uma enfermeira que cuida de soldados, uma alemã que admira o führer e só conhece o lado bom que o governo nazista trouxe. Ela nem imagina sobre a situação doas judeus e principalmente o que eles planejam de verdade. Trazendo para a realidade, muitos alemães, não sabiam de fato o que aconteciam com os judeus, que eles eram mortos, que eram tratados como escravos, que era mandados para campos de concentração,enfim, os alemães só enxergavam os benefícios que o governo nazista trouxe ao país. Por isso, mesmo depois da guerra e durante alguns anos, muitos olhavam torto e até com desconfiança para Alemanha, até que a copa de 2006, tirou essa desconfiança do mundo sobre a Alemanha.
A morte de Naftali se deu em um momento em que o mesmo sonhava com um futuro, viver em outro lugar, ser um músico famoso tocando o instrumento que adorava, o violoncelo, porém, um tiro desfez esse sonho. A frase no final me levou a imaginar um flashback, mostrando um Naftali criança se apresentando com a banda da escola e depois recebendo os parabéns de seus familiares.
Foi triste ver o Wolfram se desfazendo de sua máquina de escrever, um objeto que permitia a ele fazer o que mais amava, escrever, ele já até imaginava escrever um romance policial, com um final, que na vida real aconteceu, só que mais por causa de Estados Unidos e União Soviética. Mas, isso não aconteceu, para que sua família pudesse sobreviver, Wolfram aceitou vender a máquina de escrever e recebeu pouco por ela, mas, já era alguma coisa para que sua família não morresse de fome.
Enfim, o capítulo ficou excelente, parabéns, escrever drama já não é fácil, ainda mais com o tema sobre segunda guerra e está ficando ótimo.
Essa é uma discussão pertinente. Hitler subiu ao poder de maneira democrática, mas a maioria dos alemães rejeitavam a democracia em si, inclusive o presidente Hidenburg que era muito querido. Quando um líder comete atrocidades num regime em que ele foi colocado por meio indireto, tipo qualquer país socialista hoje, podemos culpar o líder e o governo. Mas e quando o presidente é eleito de maneira democrática e vira ditador? Sim, a população possui uma parcela de culpa, indireta, mas possui. Agora ninguém previa que a situação ficaria fora de controle. Nem mesmo o Hitler teve controle da sua ditadura, evidente depois de 1943. Ele sequer precisava falar "judeus precisam ser exterminados" para um subordinado ir lá e matar. Porque o governo nazista foi sistemático e funcionou do topo até a base da sociedade alemã. Enquanto um povo era massacrado (na pseudo-ciência da raça superior), os próprios alemães desfrutavam de uma vida normal. Bicho, se vc fosse alemã e católica na Alemanha, e não fosse obviamente opositora política, viveria normalmente como em qualquer democracia. A propaganda de Goebbels também era muito forte. Até hoje esse cara pra mim é o maior marqueteiro político da história. Uma lábia do caramba que transformou Hitler num santo mesmo sendo acusado (acusado até mesmo por conservadores como padres e pastores!). De fato foi surreal, mas não podemos responsabilizar totalmente uma população fortemente alienada.
Foi bem triste a morte do Naftali, mas a cena do Wolf vendendo a máquina de datilografar foi tensa. Como o coleguinha morto, Wolfram teve que se desfazer de um sonho para sobreviver. O regime mudou completamente o sonho de milhares de pessoas. Quantos Albert Eisteins, Beethovens, Agathas Christies, etc perdemos nos campos de extermínio? É de se pensar nisso.
Um capítulo que começou de modo tão leve – tanto quanto possível para essa história – de repente se tornou angustiante. É como se não houvesse tempo pra se apegar aos personagens que vão aparecendo, afinal existe uma constante dúvida no ar. Uma incerteza insistente é o que paira sobre toda a narrativa, afinal nunca dá pra saber ao certo quem vai morrer ou continuar sobrevivendo. E esse é o fato mais penoso sobre essa "fanfic": saber que tudo que está sendo escrito aqui já aconteceu verdadeiramente num passado nem tão distante. Pessoas viveram essa angústia, essa incerteza e essa dor. Em certos momentos o enredo vai se tornando incrivelmente emocionante, r chega a ser desesperador quando vem o pensamento que diz "é real". Cai um peso sobre os ombros, quase sufocante.
A primeira coisa que apertou foi a cena onde Ilona e Wolfram se reencontram e sequer se reconhecem. Pelo contrário, eles se estranham. Já não há mais aquela inocência do começo da história, ou o sentimento de amizade instantânea que uma criança tem. A pureza infantil se perdeu ali no meio, junto à chegada do Führer.
Depois, Wolfram vendendo o datilógrafo e Naftali falando sobre seu dom para a música e como foi obrigado a deixá-lo inesperadamente no fim desse capítulo. É a representação pura e simples de todos os sonhos que se perderam durante a segunda guerra, tanto durante a luta pela sobrevivência quanto aqueles que não tiveram escolha quando suas vidas foram tiradas. Quantas pessoas tiveram seus antigos desejos abandonados ou interrompidos bruscamente por esse caos?
Tudo que essa história traz é sentimento. Seja tristeza, raiva, alívio, agonia, o texto está carregado de tudo isso. Poucos conseguem passar emoções tão fortes em palavras. Aguardo ansiosamente o próximo capítulo.
Começar o capítulo de uma maneira leve e terminar o extremo oposto é tão legal, parece até uma montanha-russa, um trajeto tortuoso que os leitores terão que seguir. A cena do Wolf dando o livro para a Ilona foi muito significativo, porque foi a partir daí que a moça resolveu se inspirar no personagem e ter um sonho de fzer enfermagem. Para ela o sonho é mais fácil, mas as suas razões por mais nobres que sejam, caminham para o lado errado. Ela sonha em curar os soldados alemães e isso inclui a elite nazista. Realmente ela está fortemente doutrinada.
A guerra, antes dela o governo alemão, foram barreiras tão sólidas, obstáculos tão grandes para as duas crianças. De um lado a filha de um perpetrador, do outro o filho de um judeu. E se esses elementos nocivos não tivessem existido? Se Hitler nunca tivesse subido ao poder? Ou pelo menos ele não fosse extremamente racista? Muita coisa seria dferente, talvez Wolf e Illona seriam amigos de infância. A realidade é dura, né? Vemos na cena do banheiro. Eles realmente não se conheceram. Eu queria deixar bem nítido isso. Essa cena foi de um peso dramático muito grande, principalmente para o desfecho que culminou com a morte do Naftali (no capítulo 4 expliquei isso).
Não foi fácil durante a Segunda Guerra Mundial. Milhares de pessoas desistiram dos seus sonhos para sobreviverem... e nem sempre conseguiam já que fizeram parte das 6 milhões de vítimas. A imprevisibilidade dessa época foi gritante. De fato, não existia viver naquela época, e sim sobreviver.
Li esse capítulo cedo, e ainda não consegui encontrar o que dizer. Ok, você avisou que essa seria um drama pesado e eu concordei. Porém, nada que me deixe menos angustiada.
O início do capítulo foi bem tranquilo. Mas a partir do meio um aperto foi tomando conta do coração. Porque é a guerra, e você sabe que algo vai acontecer. Não é menos emocionante. Só é triste.
A escrita com acontecimentos separados está boa de acompanhar, e cada pequeno acontecimento faz uma linha. Sei que tudo terá seu desfecho. A morte do garoto... Eu fiquei realmente surpresa, principalmente pelo fato de não conseguir ligá-la a nenhum acontecimento anterior. Quando Wolfran encontrou as meninas no banheiro, pensei que o destino dele estaria selado nesse capítulo. Mas Naftali teve seu fim, e não foi por causa de nada anterior. Foi por quem ele era. E isso foi muito, muito pior.
Acredito que Wolfran não é mais o garoto pacífico que um dia deu um livro à uma garotinha na praia. Talvez todos os acontecimentos em sua vida sejam um ponto de partida pra algo maior... Apesar de ter a impressão de que ele ficaria sempre ali, ao lado da mãe, hoje pensei que algo vai acontecer pra que ele tenha que sair. Se foi a morte do novo amigo, não sei dizer.
Será que no próximo vamos ver o outro gêmeo? Quero ver como ele está se virando.
Até mais!
Esse período da história foi muito triste, porque aconteceu no Ocidente, no bastião da democracia, e isso é o que mais pesou. As perseguições ocorreram de verdade, o autoritarismo e o antissemitismo ficou latente. Junta isso com a imprevisibilidade dos acontecimentos. Não digo os fatos no seio do governo nazista, apesar de Hitler e Cia terem sido imprevisíveis, e sim dos fatos locais em que os protagonistas eram judeus e guardas. Incrível que Hitler nunca visitou um campo de concentração (os demais do alto escalão haviam visitado), nunca disse explícitamente que eliminaria os judeus, e que a sua derrota na guerra foi por ter tido a burrice (sim, se olharmos em termos de estratégia política e militar ele foi bem burro) de invadir a União Soviética, não o holocausto em si. Os globalistas de NY, judeus bilionários e até mesmo o presidente FDR pouco se importava com a vida dos judeus (os EUA negaram a entrada de judeus e muitos desses morreram na volta) e se aliou ao fascínora Stalin pra ganhar a guerra. Portanto, por causa de todos esses fatos históricos, entendemos que as vidas dos judeus europeus estavam por um fio e não valiam muito para os outros países, e só depois do julgamento de Nuremberg que todos ficaram alarmados com as imagens dos campos... Ah vá! E é essa sensação de imprevisibilidade, insegurança, solidão, que está contida no enredo de Cracóvia.
Gostei bastante de ter impressionado os leitores aqui. Até quando eu terminei, parei e respirei um pouco, porque de fato o capítulo ficou muito pesado. Não quis aliviar, não vou aliviar. Escrevo comédia yaoi, aventura, etc, alivio lá, aqui é cutucar a ferida mesmo, marcar o leitor com ferro quente igual gado. Aqui é desse jeito. Mas nem sempre vou utilizar de artifícios de matar personagens queridos todas as vezes. O enredo que fala de um período imprevisível precisa ser imprevisível, escrito de forma imprevisível pelo autor. Enfim, pode ser que aquele personagem sobreviva até o final ou ele pode durar pouco tempo e ter um impacto grande.
Sobre você não ter percebido nenhuma ligação entre o capítulo e o ato final dele. Sim, há pelo menos duas cenas que serviram para pavimentar o resultado da morte do Naftali. Explicarei no próximo cap. Saiba apenas que aquela cena do banheiro foi o começo de tudo.
Obrigado pela leitura.
Olá
Esse capítulo prendeu a minha atenção, que nem dá para notar que ele é tem mais de 7.000 palavras.
Você descrever cada detalhe, no inicio foi a inocência das duas crianças, totalmente alheias ao que acontecia ao redor. Anos depois as crianças se reencontram,mas, a situação é diferente, os tempos são outros. Llona tem sonhos, ser uma enfermeira que cuida de soldados, uma alemã que admira o führer e só conhece o lado bom que o governo nazista trouxe. Ela nem imagina sobre a situação doas judeus e principalmente o que eles planejam de verdade. Trazendo para a realidade, muitos alemães, não sabiam de fato o que aconteciam com os judeus, que eles eram mortos, que eram tratados como escravos, que era mandados para campos de concentração,enfim, os alemães só enxergavam os benefícios que o governo nazista trouxe ao país. Por isso, mesmo depois da guerra e durante alguns anos, muitos olhavam torto e até com desconfiança para Alemanha, até que a copa de 2006, tirou essa desconfiança do mundo sobre a Alemanha.
A morte de Naftali se deu em um momento em que o mesmo sonhava com um futuro, viver em outro lugar, ser um músico famoso tocando o instrumento que adorava, o violoncelo, porém, um tiro desfez esse sonho. A frase no final me levou a imaginar um flashback, mostrando um Naftali criança se apresentando com a banda da escola e depois recebendo os parabéns de seus familiares.
Foi triste ver o Wolfram se desfazendo de sua máquina de escrever, um objeto que permitia a ele fazer o que mais amava, escrever, ele já até imaginava escrever um romance policial, com um final, que na vida real aconteceu, só que mais por causa de Estados Unidos e União Soviética. Mas, isso não aconteceu, para que sua família pudesse sobreviver, Wolfram aceitou vender a máquina de escrever e recebeu pouco por ela, mas, já era alguma coisa para que sua família não morresse de fome.
Enfim, o capítulo ficou excelente, parabéns, escrever drama já não é fácil, ainda mais com o tema sobre segunda guerra e está ficando ótimo.
Até a próxima!!!
Essa é uma discussão pertinente. Hitler subiu ao poder de maneira democrática, mas a maioria dos alemães rejeitavam a democracia em si, inclusive o presidente Hidenburg que era muito querido. Quando um líder comete atrocidades num regime em que ele foi colocado por meio indireto, tipo qualquer país socialista hoje, podemos culpar o líder e o governo. Mas e quando o presidente é eleito de maneira democrática e vira ditador? Sim, a população possui uma parcela de culpa, indireta, mas possui. Agora ninguém previa que a situação ficaria fora de controle. Nem mesmo o Hitler teve controle da sua ditadura, evidente depois de 1943. Ele sequer precisava falar "judeus precisam ser exterminados" para um subordinado ir lá e matar. Porque o governo nazista foi sistemático e funcionou do topo até a base da sociedade alemã. Enquanto um povo era massacrado (na pseudo-ciência da raça superior), os próprios alemães desfrutavam de uma vida normal. Bicho, se vc fosse alemã e católica na Alemanha, e não fosse obviamente opositora política, viveria normalmente como em qualquer democracia. A propaganda de Goebbels também era muito forte. Até hoje esse cara pra mim é o maior marqueteiro político da história. Uma lábia do caramba que transformou Hitler num santo mesmo sendo acusado (acusado até mesmo por conservadores como padres e pastores!). De fato foi surreal, mas não podemos responsabilizar totalmente uma população fortemente alienada.
Foi bem triste a morte do Naftali, mas a cena do Wolf vendendo a máquina de datilografar foi tensa. Como o coleguinha morto, Wolfram teve que se desfazer de um sonho para sobreviver. O regime mudou completamente o sonho de milhares de pessoas. Quantos Albert Eisteins, Beethovens, Agathas Christies, etc perdemos nos campos de extermínio? É de se pensar nisso.
Sem palavras, é assim que me encontro agora.
Um capítulo que começou de modo tão leve – tanto quanto possível para essa história – de repente se tornou angustiante. É como se não houvesse tempo pra se apegar aos personagens que vão aparecendo, afinal existe uma constante dúvida no ar. Uma incerteza insistente é o que paira sobre toda a narrativa, afinal nunca dá pra saber ao certo quem vai morrer ou continuar sobrevivendo. E esse é o fato mais penoso sobre essa "fanfic": saber que tudo que está sendo escrito aqui já aconteceu verdadeiramente num passado nem tão distante. Pessoas viveram essa angústia, essa incerteza e essa dor. Em certos momentos o enredo vai se tornando incrivelmente emocionante, r chega a ser desesperador quando vem o pensamento que diz "é real". Cai um peso sobre os ombros, quase sufocante.
A primeira coisa que apertou foi a cena onde Ilona e Wolfram se reencontram e sequer se reconhecem. Pelo contrário, eles se estranham. Já não há mais aquela inocência do começo da história, ou o sentimento de amizade instantânea que uma criança tem. A pureza infantil se perdeu ali no meio, junto à chegada do Führer.
Depois, Wolfram vendendo o datilógrafo e Naftali falando sobre seu dom para a música e como foi obrigado a deixá-lo inesperadamente no fim desse capítulo. É a representação pura e simples de todos os sonhos que se perderam durante a segunda guerra, tanto durante a luta pela sobrevivência quanto aqueles que não tiveram escolha quando suas vidas foram tiradas. Quantas pessoas tiveram seus antigos desejos abandonados ou interrompidos bruscamente por esse caos?
Tudo que essa história traz é sentimento. Seja tristeza, raiva, alívio, agonia, o texto está carregado de tudo isso. Poucos conseguem passar emoções tão fortes em palavras. Aguardo ansiosamente o próximo capítulo.
Começar o capítulo de uma maneira leve e terminar o extremo oposto é tão legal, parece até uma montanha-russa, um trajeto tortuoso que os leitores terão que seguir. A cena do Wolf dando o livro para a Ilona foi muito significativo, porque foi a partir daí que a moça resolveu se inspirar no personagem e ter um sonho de fzer enfermagem. Para ela o sonho é mais fácil, mas as suas razões por mais nobres que sejam, caminham para o lado errado. Ela sonha em curar os soldados alemães e isso inclui a elite nazista. Realmente ela está fortemente doutrinada.
A guerra, antes dela o governo alemão, foram barreiras tão sólidas, obstáculos tão grandes para as duas crianças. De um lado a filha de um perpetrador, do outro o filho de um judeu. E se esses elementos nocivos não tivessem existido? Se Hitler nunca tivesse subido ao poder? Ou pelo menos ele não fosse extremamente racista? Muita coisa seria dferente, talvez Wolf e Illona seriam amigos de infância. A realidade é dura, né? Vemos na cena do banheiro. Eles realmente não se conheceram. Eu queria deixar bem nítido isso. Essa cena foi de um peso dramático muito grande, principalmente para o desfecho que culminou com a morte do Naftali (no capítulo 4 expliquei isso).
Não foi fácil durante a Segunda Guerra Mundial. Milhares de pessoas desistiram dos seus sonhos para sobreviverem... e nem sempre conseguiam já que fizeram parte das 6 milhões de vítimas. A imprevisibilidade dessa época foi gritante. De fato, não existia viver naquela época, e sim sobreviver.