algo na sua narrativa me lembrou muito Machado de Assis. talvez a forma de conversar com o leitor, talvez também o pessimismo disfarçado de ironia e trejeito rebuscado. achei o conto bonito (além da situação óbvia que deveria pender para a tristeza). gostei das reflexões que ele me fez ter... parabéns
Antes de qualquer coisa, queria agradecer demais pelo comentário. Sei que parece bobeira, mas eu tinha isso escrito aqui há algum tempo, e por algum motivo eu só consegui ter a coragem pra publicar agora (acho que porque era pessoal demais, de certa maneira), e não tinha muitas esperanças de que alguém realmente fosse ler. Então, obrigado pelo tempo que você separou pra fazer isso e vir aqui comentar.
Sobre o estilo machadiano intrínseco: sim! Eu tinha a impressão de que tava sendo influenciado por ele o tempo todo, enquanto escrevia. Fico honrado em saber que algum texto meu tenha trazido essa impressão, mesmo que leve.
E se ele te fez refletir, a honra cresce mais ainda. Meu maior medo é de que as coisas que eu escreva só sejam um emaranhado de palavras sem sentido nenhum, então fico feliz de saber que algum significado veio daí.
Obrigado mais uma vez pelo comentário.
U
Unknown
Além de escrever muito bem, era como se estivesse sendo escrito para mim. Pode parecer bobo, mas foi uma leitura tão intensa que até senti uma certa culpa e heroísmo pelo personagem. É algo meio louco de explicar, mas às vezes a leitura nos submerge a um mundo tão profundo que parece que é real - e foi isso que senti, como se fosse real, como se, de alguma forma, eu fizesse parte da estória, como se eu fosse a estória. Enfim, parabéns! Você escreve muito bem. :) ♥
Muito obrigado, de verdade, pelos elogios. Minha intenção quando escrevi era justamente promover esse sentimento no leitor, fazê-lo refletir sobre o que acabou de ler a um nível pessoal, e espero ter conseguido. Concordo totalmente quando você diz que a leitura mergulha a gente nesse mundo projetado pelo autor, e esse é o maior motivo pelo qual eu escrevo.
Ok, eu preciso começar esse comentário dizendo que quando eu li seu texto pela primeira vez acreditei que pudesse ser uma carta de suicídio real oficial. Parece maluco? Talvez. Principalmente porque você se dirige a um interlocutor conhecido durante o texto. Mas o que impede uma pessoa deprimida de postar seus últimos sentimentos pra um bando de ilustres desconhecidos antes de dar fim à própria vida? Nada! Eu fiquei tão angustiada, mas não sabia o que comentar. Aí vim conferir sua história hoje de manhã e VOCÊ RESPONDEU UM COMENTÁRIO, OU SEJA, VOCÊ TÁ VIVO. Isso me deixa muito feliz, continue assim ashuashua Agora que me encontro mais despreocupada (isso definitivamente não é real CERTO?), o seu texto é incrível. Eu pude sentir cada linha. Tão tocante, tão cru, tão comunicativo de sentimentos complexos. Você nos conduziu ao conhecimento da dor desse homem com maestria. Meus parabéns!
Bom, primeiramente, sim, eu estou vivo (eu acho) hahaha
O motivo pelo qual o texto parece tanto com uma carta de despedida é porque eu o escrevi quando tava passando por um momento bem ruim. Eu tentei botar o que tava sentindo em palavras, e só percebi que tudo tava tomando essa forma de "carta de suicídio" no meio do processo. E, sinceramente, eu acho que poderia dizer que esse conto funcionaria como uma carta de despedida pra mim, porque é muito pessoal, de certo ponto de vista.
Agradeço demais pelos elogios ao texto, eu fico muito orgulhoso de ter conseguido passar algum tipo de sentimento, porque esse é o combustível que me motiva a escrever. Obrigado pelo tempo dedicado ao comentário.
K
Karnstein
Brilhante, pessoal, altíssimo nível de reflexão! Desculpa, eu precisava começar assim, senão ficaria com a consciência pesada...
Eu estava ansiosa para ler o seu texto e me surpreendi por ter me identificado tanto, embora em um contexto diferente, mas não fiquei nada surpresa pela qualidade da escrita. Já era de ser esperar algo bom vindo do menino Jairo.
Não sei analisar textos, levei diversos Zeros, então perdoe qualquer equívoco meu.
Durante o recesso de final de ano, eu estava me afogando em pensamentos ansiosos. Muito ânimo e pouco autocontrole. Eu queria tanto viver, mas era como se eu fosse morrer a qualquer momento. Então eu percebi que nada que eu vivi valeu tanto, pois ali, na beira da morte (?), nada era significativo, nada era motivo para lutar pela vida. Era só um amontoado de frustrações e reclamações que se perdiam com o tempo, que também se perdia. Passei da ansiedade para uma mistura dela com a tristeza. Da ansiedade-triste, ganhei um ânimo que vinha da aceitação desse misto, e não do combate a ele. É aí que pesou o seu texto: tudo parecia ganhar vida, as palavras lidas eram mais intensas, não mais soltas e sem sentido; a minha interação com os outros mudou drasticamente e desempenhei papéis positivos que sequer pensei em assumir algum dia e que agora, passado esse mar, embora ainda com resquícios dele, não me sujeito mais a desempenhá-los. Até quis mudar o mundo. Mas no fundo eu não queria era nada mesmo, talvez por isso tenha sido tão bom. A vida virou bela no fim, quando eu nem a vivia mais. O retorno a ela matou tudo outra vez: é esse o problema. O seu texto exprimiu tão bem esse sentimento, o qual eu posso ter distorcido com a minha experiência, mas que sempre que eu senti-lo novamente, voltarei aqui para ler. Vou me certificar de printá-lo, para o caso de você decidir excluir do site, pois seria uma pena perder o conteúdo.
O papel de herói do personagem é interessante. Ele se sente responsável por algo e sente também que está deixando um legado. Como se não pudesse reconstruir a si mesmo, mas tivesse arriscado o seu último ato, ainda que não direcionado a isso, para causar um abalo positivo em alguém. Foi uma preocupação. Por mais que a vida lhe causasse pânico, queria que uma parte de si, essa revelada, continuasse nesse mundo. Talvez eu tenha entendido errado, por me identificar com essa visão, mas talvez tenha sido essa a ideia. Eu não sei, pois como disse, não sei interpretar direito as coisas.
Cara, eu gostei pra caramba do seu texto. A palavras foram realmente importantes para mim. Tenho pensado nelas desde que comecei a leitura e imagino que elas não me abandonarão. É o tipo de coisa que você toma para si e usa para definir certos momentos. Sinto que Machado de Assis te inspirou, na escrita e no tema. Sinto que ele te inspira na vida, falando a verdade. É uma baita inspiração, uma escrita das boas e um humor daqueles... Eu adoro esse tom pessimista, sarcástico e levemente convencido (embora eu tenha uma certa dúvida se o último foi intencional ou criação da minha cabeça, que admira um pouco esse lado).
Acabei colocando mais experiências pessoais do que comentando o conto. Que narcisista eu fui, mas foi tudo culpa sua por ter me feito sentir um bocado. Agradecida.
Espero te ver mais vezes por aqui, senhor Jairo. Até logo.
Obrigado pelas palavras incríveis; eu fico muito honrado em saber o quanto as coisas que eu escrevi influenciaram na sua interpretação da vida, e dos momentos pelos quais você passou. É exatamente o tipo de coisa que eu pretendia, então a sensação de dever cumprido é inevitável. E fica tranquila, o seu comentário não teve nada de narcisista — muito pelo contrário, ele acrescenta bastante sentido ao que eu publiquei.
Agradeço novamente pelo texto incrível e reflexivo, e vou tentar permanecer mais vezes por aqui, sim. :)
algo na sua narrativa me lembrou muito Machado de Assis. talvez a forma de conversar com o leitor, talvez também o pessimismo disfarçado de ironia e trejeito rebuscado. achei o conto bonito (além da situação óbvia que deveria pender para a tristeza). gostei das reflexões que ele me fez ter... parabéns
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Antes de qualquer coisa, queria agradecer demais pelo comentário. Sei que parece bobeira, mas eu tinha isso escrito aqui há algum tempo, e por algum motivo eu só consegui ter a coragem pra publicar agora (acho que porque era pessoal demais, de certa maneira), e não tinha muitas esperanças de que alguém realmente fosse ler. Então, obrigado pelo tempo que você separou pra fazer isso e vir aqui comentar.
Sobre o estilo machadiano intrínseco: sim! Eu tinha a impressão de que tava sendo influenciado por ele o tempo todo, enquanto escrevia. Fico honrado em saber que algum texto meu tenha trazido essa impressão, mesmo que leve.
E se ele te fez refletir, a honra cresce mais ainda. Meu maior medo é de que as coisas que eu escreva só sejam um emaranhado de palavras sem sentido nenhum, então fico feliz de saber que algum significado veio daí.
Obrigado mais uma vez pelo comentário.
Além de escrever muito bem, era como se estivesse sendo escrito para mim. Pode parecer bobo, mas foi uma leitura tão intensa que até senti uma certa culpa e heroísmo pelo personagem. É algo meio louco de explicar, mas às vezes a leitura nos submerge a um mundo tão profundo que parece que é real - e foi isso que senti, como se fosse real, como se, de alguma forma, eu fizesse parte da estória, como se eu fosse a estória. Enfim, parabéns! Você escreve muito bem. :) ♥
Muito obrigado, de verdade, pelos elogios. Minha intenção quando escrevi era justamente promover esse sentimento no leitor, fazê-lo refletir sobre o que acabou de ler a um nível pessoal, e espero ter conseguido. Concordo totalmente quando você diz que a leitura mergulha a gente nesse mundo projetado pelo autor, e esse é o maior motivo pelo qual eu escrevo.
Obrigado pelo comentário.
Ok, eu preciso começar esse comentário dizendo que quando eu li seu texto pela primeira vez acreditei que pudesse ser uma carta de suicídio real oficial. Parece maluco? Talvez. Principalmente porque você se dirige a um interlocutor conhecido durante o texto. Mas o que impede uma pessoa deprimida de postar seus últimos sentimentos pra um bando de ilustres desconhecidos antes de dar fim à própria vida? Nada! Eu fiquei tão angustiada, mas não sabia o que comentar. Aí vim conferir sua história hoje de manhã e VOCÊ RESPONDEU UM COMENTÁRIO, OU SEJA, VOCÊ TÁ VIVO. Isso me deixa muito feliz, continue assim ashuashua Agora que me encontro mais despreocupada (isso definitivamente não é real CERTO?), o seu texto é incrível. Eu pude sentir cada linha. Tão tocante, tão cru, tão comunicativo de sentimentos complexos. Você nos conduziu ao conhecimento da dor desse homem com maestria. Meus parabéns!
Bom, primeiramente, sim, eu estou vivo (eu acho) hahaha
O motivo pelo qual o texto parece tanto com uma carta de despedida é porque eu o escrevi quando tava passando por um momento bem ruim. Eu tentei botar o que tava sentindo em palavras, e só percebi que tudo tava tomando essa forma de "carta de suicídio" no meio do processo. E, sinceramente, eu acho que poderia dizer que esse conto funcionaria como uma carta de despedida pra mim, porque é muito pessoal, de certo ponto de vista.
Agradeço demais pelos elogios ao texto, eu fico muito orgulhoso de ter conseguido passar algum tipo de sentimento, porque esse é o combustível que me motiva a escrever. Obrigado pelo tempo dedicado ao comentário.
Brilhante, pessoal, altíssimo nível de reflexão! Desculpa, eu precisava começar assim, senão ficaria com a consciência pesada...
Eu estava ansiosa para ler o seu texto e me surpreendi por ter me identificado tanto, embora em um contexto diferente, mas não fiquei nada surpresa pela qualidade da escrita. Já era de ser esperar algo bom vindo do menino Jairo.
Não sei analisar textos, levei diversos Zeros, então perdoe qualquer equívoco meu.
Durante o recesso de final de ano, eu estava me afogando em pensamentos ansiosos. Muito ânimo e pouco autocontrole. Eu queria tanto viver, mas era como se eu fosse morrer a qualquer momento. Então eu percebi que nada que eu vivi valeu tanto, pois ali, na beira da morte (?), nada era significativo, nada era motivo para lutar pela vida. Era só um amontoado de frustrações e reclamações que se perdiam com o tempo, que também se perdia. Passei da ansiedade para uma mistura dela com a tristeza. Da ansiedade-triste, ganhei um ânimo que vinha da aceitação desse misto, e não do combate a ele. É aí que pesou o seu texto: tudo parecia ganhar vida, as palavras lidas eram mais intensas, não mais soltas e sem sentido; a minha interação com os outros mudou drasticamente e desempenhei papéis positivos que sequer pensei em assumir algum dia e que agora, passado esse mar, embora ainda com resquícios dele, não me sujeito mais a desempenhá-los. Até quis mudar o mundo. Mas no fundo eu não queria era nada mesmo, talvez por isso tenha sido tão bom. A vida virou bela no fim, quando eu nem a vivia mais. O retorno a ela matou tudo outra vez: é esse o problema. O seu texto exprimiu tão bem esse sentimento, o qual eu posso ter distorcido com a minha experiência, mas que sempre que eu senti-lo novamente, voltarei aqui para ler. Vou me certificar de printá-lo, para o caso de você decidir excluir do site, pois seria uma pena perder o conteúdo.
O papel de herói do personagem é interessante. Ele se sente responsável por algo e sente também que está deixando um legado. Como se não pudesse reconstruir a si mesmo, mas tivesse arriscado o seu último ato, ainda que não direcionado a isso, para causar um abalo positivo em alguém. Foi uma preocupação. Por mais que a vida lhe causasse pânico, queria que uma parte de si, essa revelada, continuasse nesse mundo. Talvez eu tenha entendido errado, por me identificar com essa visão, mas talvez tenha sido essa a ideia. Eu não sei, pois como disse, não sei interpretar direito as coisas.
Cara, eu gostei pra caramba do seu texto. A palavras foram realmente importantes para mim. Tenho pensado nelas desde que comecei a leitura e imagino que elas não me abandonarão. É o tipo de coisa que você toma para si e usa para definir certos momentos. Sinto que Machado de Assis te inspirou, na escrita e no tema. Sinto que ele te inspira na vida, falando a verdade. É uma baita inspiração, uma escrita das boas e um humor daqueles... Eu adoro esse tom pessimista, sarcástico e levemente convencido (embora eu tenha uma certa dúvida se o último foi intencional ou criação da minha cabeça, que admira um pouco esse lado).
Acabei colocando mais experiências pessoais do que comentando o conto. Que narcisista eu fui, mas foi tudo culpa sua por ter me feito sentir um bocado. Agradecida.
Espero te ver mais vezes por aqui, senhor Jairo. Até logo.
Hahaha finalmente o seu comentário!
Obrigado pelas palavras incríveis; eu fico muito honrado em saber o quanto as coisas que eu escrevi influenciaram na sua interpretação da vida, e dos momentos pelos quais você passou. É exatamente o tipo de coisa que eu pretendia, então a sensação de dever cumprido é inevitável. E fica tranquila, o seu comentário não teve nada de narcisista — muito pelo contrário, ele acrescenta bastante sentido ao que eu publiquei.
Agradeço novamente pelo texto incrível e reflexivo, e vou tentar permanecer mais vezes por aqui, sim. :)