Comentários em “The Senser”: “Conflito”

T
Tess
Destacado pelo autor

É intrigante pensar em tudo que a noite abarca, fato potencializado pela presença da escuridão não somente nela, mas em cada gota de sangue, respirar ou sonho que não se conclui, dissipando-se antes de tornar-se algo concreto. Talvez o problema desses sussurros seja a falta de escudos presente no ser, eles não encontram barreiras antes de se achegarem aos ouvidos e tornam os desejos e anseios reféns da noite. Isso marca o conflito primordial com o dia, já que buscam por reter as mesmas coisas. Talvez seja por isso que a presença da luz não seja considerada, de toda, um alívio.

Parece que há Dementadores nesses ventos, seguindo todos os seres e, como sabemos, eles realmente não são muito gentis ao drenar parte das essências... assim como Chronos não é paciente em acelerar os ponteiros dos relógios. Ambos são dependentes, de certa forma, do medo e também entram em êxtase ao perceber que são capazes de exterminar traços da juventude, não terminando com a vida, mas com a vivacidade. Só que esquecem que existem Patronos e que em alguma vertente, que não sei qual é, o tempo não se faz tão importante e dono de nós, pois é ainda mais relativizado.

Quanto a alegria, bem, ela não é algo fácil de se obter, principalmente tendo Hugin e Munin revirando as memórias e pensamentos, tornando tudo que um dia foi bom, em nostalgia amarga. Todavia, esse revirar conflitante não pode, em teoria, existir no presente, pois nesse momento a alegria é um viver, não uma lembrança. Se focar nisso, talvez, e só talvez, a alegria possa tornar a ser marcada no dicionário. Não que seja simples no presente se desvincular do passado e sentir a alegria por completo, acho que é uma característica dela aparecer em partes, aos poucos.

Essa última estrofe está sendo ainda mais difícil de comentar, acho que é muito; muito sentimento, muita carga e bem, por mais que eu goste de ler textos assim (aquelas quedas da quebrada pelas sad things), não sei o que dizer em seguida. So, terei de sair daqui da área de comentários sentindo que ainda havia mais a se dizer, mas fazer o que? Coisas da vida...

Enfim, enfim, tu fez um excelente trabalho aqui, como sempre, então, antes de ir, minhas humildes congratulations u.ú

See ya

Gabrielus
Gabrielus Autor

Hum... Notoriamente, a noite se porta como uma espécie de portal para diversos tipos de sentimentos diversos. A potencialidade dos mesmo durante o frio da madrugada se dá por vários motivos; acho que é quando nosso cérebro descansa, parando de pensar nas correrias ou preocupações do dia, quando estamos perto de adormecer, nossa mente se desliga de muitas coisas exteriores e se foca no interior. Quase chamando-nos a tentar explorar essa área um tanto desconhecida, ou talvez nos indagando sobre o que fizemos e o que devíamos ter feito.

Admito ter tirado um pouco da inspiração dos Dementadores, afinal, certas vezes, algum tipo de felicidade é retirado quase como se fosse pelo vento. Uma sutil e quase pífia metáfora, todavia, ainda latente quando a noite, com suas brisas frias, arranca partes significativas de nós mesmos enquanto tentamos dormir ou... pensar. Acredito que Cronos não é o problema, talvez nem o próprio consiga, de fato, entender o mecanismo que faz com que este se torne o Titã do Tempo; o tempo é único, universal, mas não linear para que um ser pudesse controlá-lo.

Admirei sua citação a Huginn e Muninn, gosto de corvos e a ideia deles também é palpável através do vento que suas asas trazem com a mensagem. O intrépido da noite chega a apavorar certas vezes, e nos faz escrever algumas coisas e, bem, às vezes, a carga emotiva e passional é um tanto quanto primaz nessas peripécias e devaneios pela escuridão (claro, meramente metafórica) e mistério das inquietantes madrugadas em que não se consegue dormir por estar em conflito.

Well, muito obrigado pelo seu comentário, sabe que gosto de ler os seus; obrigado também pelos elogios u.u' Enfim, acho que é tudo, até~