Comentários em “Uma nova profecia”: “Apresentação 1”

The Thief

Olá Iara e DudaDark, eu sou o beta designado para fazer uma crítica da sua fic através do projeto Critique-me. Aqui farei um apanhado geral dos pontos fortes e fracos da sua fic: tudo com o intuito de ajudar vocês a alcançarem o seu melhor potencial, nunca de ofender ou diminuir vocês (até porque erros todos cometemos, ninguém é perfeito e nem nunca será, a vida é um constante aprendizado).

Eu vou tentar ser o mais didático possível (espero não deixar a leitura chata) e tenho que frisar: qualquer pessoa que escreve uma fanfiction e posta no Nyah! Já tem meu respeito (porque, mais que muita gente, eu entendo a coragem que é necessária para fazer isso). E te respeito ainda mais por você ter posto sua fic no Critique-me, sei que avaliações podem ser um pouco assustadoras, mas relaxa! Nós não mordemos, só queremos ajudar, sempre.

Podemos começar? Vamos lá!

Vou tentar fazer um resumo capítulo a capítulo, ok?

Capítulo 1, 2 e 3 (apresentações):

Posso ser sincero? Eu acho que eles poderiam ser um só. Apresentar essas três personagens que parecem ser as protagonistas da sua história. Dividir esses episódios em partes deixa a coisa toda bastante monótona, a pessoa precisa passar várias páginas até que algo aconteça.

Dito isso, outra coisa que poderia mudar é essas mensagens de “ não leia isso” no primeiro parágrafo desses três capítulos. Elas geram uma expectativa que não é cumprida (eu sei que você pretende mais pra frente fazer uma história com mais ação e aventura, mas nesses capítulos, fora uns pesadelos e coisinhas esquisitas, nada realmente acontece de ação). Minha recomendação é que esse aviso, caso decidam manter esse modelo de cartas) vá para um capítulo mais a frente, um que venha antes do arco principal (que é quando a ação vai começar). Ou até, caso tenham planejado bem à frente de onde estão, iniciarem o primeiro capítulo com um Flashfoward (uma cena que se passa no futuro) de uma cena de tensão, com os heróis em apuros, para exemplificar que haverá perigo no futuro, que inclusive me soa mais eficiente em criar expectativa pro futuro da fic de vocês.

Mais uma coisa baseada nesses três primeiros capítulos:

Mostre, não conte! E isso é bastante importante. Você tem ótimas cenas de cotidiano, mas elas ficam enfraquecidas porque ao invés de mostrar acontecendo, você só conta que aconteceu. Exemplo:

Sempre faça: “— Ei! — Laís puxou seu braço do ataque surpresa do seu cachorro, que quase a mordeu — Não faça isso! Seja um bom menino. ”

E não: “ E então a Laís repreendeu o cachorro que tentou avançar no seu braço”

Das duas formas temos a informação, mas só na primeira a gente pode visualizar a cena acontecendo em tempo real, não apenas em um relato. Um outro exemplo, agora usando uma cena da sua fic:

Você escreveu assim:

“Na quinta parada para pegar mais crianças notei um homem, ele estava com uma calça moletom marrom e uma camisa cinza escrito “gangster”, quando olhei pro rosto dele jurei que tinha só um olho bem no meio da testa, pensei em contar para alguém mas lembrei que ainda não conhecia ninguém.”

Isso resume demais uma cena que poderia ser bem mais legal, já que seu conceito é ótimo!

Exemplo: “ Já estávamos chegando na quinta parada. Via algumas crianças esperando no ponto, mas uma figura me chamou a atenção.
— Isso é...? — Ele vestia uma calça moletom de cor marrom e ostentava uma camisa cinza, com a estampa “Gangster” destacada. Mas não era isso que chamava a atenção... não, o que realmente me causou espanto foi aquele olho, aquele único olho gigante que brotava bem no meio de sua testa. Aquilo era real ou estava vendo coisas? Pensei seriamente em falar pra alguém no ônibus o que vi, mas não conhecia ninguém ainda e não podia dar uma primeira impressão com uma história maluca dessas.”

Entendeu a diferença? Enquanto a forma que você narra a história apenas diz que aconteceu, a forma que eu te mostrei agora coloca o leitor na cena de uma forma mais imersiva, inclusive me aproveitando da narrativa em primeira pessoa pra trabalhar os pensamentos da sua personagem. Usa essa dica e você vai conseguir criar cenas bem legais, mais ambientadas e seu leitor vai ficar mais preso naquele mundo.

Para fechar, Português:

Ouvi falar por alguns outros betas que você tem apenas 10 anos Iara, isso é verdade? Porque para alguém da sua idade até que você escreve muito bem, fora algumas coisinhas de pontuação aqui e ali. Você sabe até usar o verbo “haver” e isso é uma coisa que até gente mais velha ainda erra. Eu não vou ficar aqui destrinchando seus erros de pontuação e tudo mais até porque não é algo que você vá pegar imediatamente, é algo que você vai aprendendo com o tempo, estudando e lendo bastante (o que pode até soar chato, mas acredite, é realmente recompensador). Então vou apenas me ater aos erros que eu vi aparecendo aqui e ali e que você já pode ir modificando na sua escrita para melhorar mais um pouquinho.

“Mas” — Salvando uma exceção (que é quando a conjunção adversativa indica adição, exemplo: “ Não só Joana mas também Rogério queria aquele carro.”) Ou no início de frases, “Mas” e outras conjunções adversativas (porém, contudo, entretanto, todavia, não obstante...) sempre pedem uma vírgula antes. E em algumas situações você não a pôs.

Vírgula antes do “e” — o “e” ( Fulano, Beltrano e Ciclano) geralmente é utilizado para fechar uma lista dividida por vírgulas, para encerrar a contagem, logo, salvando-se raras exceções, não se deve utilizar vírgula antes do “e”. Ou é “e” ou é vírgula.

Novamente sobre o “Mas” e dica de sinônimos. — “Mas”: essa palavra é uma conjunção adversativa e indica um contraponto a um levantamento feito anteriormente: “ José era ruivo, mas perdeu todo o cabelo.” E aqui vai uma dica que eu vou dar para o “mas” e que você pode usar na sua escrita como um todo: Sinônimos. Por vezes li o famigerado “mas” sendo repetido à exaustão, sendo que ele tem tantas variantes (como eu apresentei exemplos acima). Repetição de um mesmo termo por várias vezes no texto nunca é legal, então sempre que possível se utilize de sinônimos (se não conhecer nenhum, pesquise no Google, isso é uma forma muito boa de aumentar seu vocabulário). Isso vale para tudo, se você está em uma cena que se passa em um carro, não escreva apenas “carro”, tem automóvel, veículo, condução, entre outros. Se aproveite dos sinônimos para enriquecer seu texto sempre, contudo se lembre que nem todo sinônimo apresentado nos sites tem exatamente a mesma colocação, pode ser apenas uma palavra com significado próximo, porém não com o mesmo sentido (exemplo fitar e arrostar, que são sinônimos, mas arrostar é um olhar mais irritado enquanto fitar é olhar com atenção.)

Capítulos 4, 5 e 6:

Aqui eu tenho algumas observações diferentes.

De início vou falar do que julgo mais importante: Gente demais para capítulos de menos. Você decidiu apresentar os onze personagens numa porrada só e eles foram tão “socados” goela a dentro dos leitores, que não deu tempo nem de se importar com eles. Conhecer eles de verdade, entende? Quer manter a coisa dos onze escolhidos? Ótimo, mantenha, porém você precisa repensar a apresentação desse pessoal todo. Eles se esbarram na escola e começam uma sequência interminável de “olá, esse é fulano”, “prazer, sou ciclano”, “e aí, gente! Esse é Beltrano” são mais de dez diálogos de apresentação em dois capítulos apenas (e estão rasas as falas, como eles falam basicamente só olá, não há como diferenciar as personalidades e o jeito de falar de cada um deles).

Minha dica: Dê tempo ao tempo. Apresenta uns quatro mais importantes para a trama, e então vai introduzindo os demais aos poucos nos capítulos seguintes ou algo mais drástico se estiver disposta a isso: reduza o número de personagens principais. Onze é um número muito grande e vai ser muito complicado dar a devida atenção a todos eles. Acho que se reduzisse para... cinco, ou algo próximo disso, você teria mais tempo de cena para cada um e seria menos complicado para quem lê reconhecer essas personagens.

Outro tópico importante, repetindo a questão do “mostre, não conte”. No capítulo quatro a Renata tem um sonho no que parece ser uma cidade grega antiga. Eu realmente queria ter visto essa cena em detalhes, talvez com a Renata caminhando pela rua, olhando para os soldados e vendo a tal sigla. É uma cena que pode ficar bem legal se você trabalhar a questão de mostrar a cena em tempo real ao invés de apenas dizer que teve esse sonho.

Pra fechar o balão:

Seis capítulos e ainda nada aconteceu de verdade. Eu sei que tempo para apresentar os personagens é crucial, mas, como disse no início, vocês têm que pegar a apresentação dos três pontos de vista e conectá-los em um só capítulo, para então usar o capítulo dois como vida ordinária (escola, amigos, estudo, coisas do gênero) para então no três já poderem começar a mostrar ao menos resquícios de coisas maiores (como o sonho da Renata na Grécia, que parece mega interessante, ou até mesmo a Iara vendo o cara com um olho só.) Esse tipo de cena chama a atenção do público para o que vocês tão tentando produzir, esse convite para uma aventura fantástica. E é claro, as cenas de ação, pra engajar o leitor de vez.

Conclusão:

Iara, DudaDark. Mesmo sem conhecer o fandom, eu tentei levantar todos os pontos que me chamaram a atenção. Vocês têm a oportunidade de fazer uma história bastante divertida, eu vejo os elementos disso aqui.

Eu realmente espero que levem tudo o que eu disse como uma forma de aumentar seus conhecimentos e escrever histórias cada vez melhores. Eu já disse antes e vou repetir: respeito de mais qualquer pessoa que tenha a coragem de não só postar sua história no Nyah! Mas também de colocar ela na mira de um beta pelo projeto critique-me.

Ah! Quase esqueci, vocês poderiam por favor dar o feedback da minha crítica no link logo em baixo:

http://goo.gl/forms/rv0T0Zf7B3

Fique tranquila, eu não tenho acesso a nada do que você disser nesse feedback . (Ao menos que você queira que eu veja, aí você tem essa opção). Então pode falar honestamente sobre o que achou sem problemas, ok?

Siga escrevendo e até a próxima!