Comentários em “Poems”: “Crônicas da Vida Ordinária 2”

M
Marcondes
Destacado pelo autor

A cada instante que se envelhece, mais um pouco da inocência, nós perdemos.

Feltrin

Todo tombo nessa vida me deixa mais duro,

mais turro, intimista, acabado, encrencado,

encarquilhado, e já não sei se isso é bom ou ruim.

Está chovendo esta noite e estou tentando me reencontrar.

Se eu pudesse criar outro amanhã faria alguma diferença?

Está chovendo esta noite, chovendo sem parar.

Acho que, mesmo sem querer, é responsabilidade nossa nos tornarmos mais sérios com o prosseguir dos anos. Seja pelo peso das coisas, pelos tombos, pelos comprometimentos que aumentam, pela troca árdua e ligeira da idade. Crônicas dessa vida ordinária, de fato. Mas só se obriga a isso quem quer: quem também sabe preservar seu feitio criança, cresce longe do pessimismo e da insensibilidade.

Nesse poema, eu vi desesperança adulta. Não sei se era o objetivo, mas interpretei algo dentro desse assunto. Mas, no geral, a falta de esperança está representada pra mim em tom realista e lírico. E me fez bem poder ler isso, acabei percebendo em como os anos nos maltratam com as exigências e em como, de um jeito ou de outro, a vida adulta e mais velha é representada por nós como algo sem cor. Nós temos esse problema.

Até o próximo,

Nyx

Perugia
Perugia Autor

Haha respondi seu comentário anterior pelo celular e acabei enviando sem querer antes de terminar o pensamento, bem ele termina assim "de qualquer forma estamos sempre melhorando não é mesmo?". Bem é isso Nix, seja bem vinda, fico feliz que gostou, adorei seu ponto de interpretação, está certo? Não sei, afinal poemas foram feitos pra isso, para fazer voar a imaginação de quem lê, um abraço.