Comentários em “Ancorado”: “Aconteceu em Setembro de 1996”

Sarah LS Karafiol

Olá...

Apesar de esse ser o primeiro poema de sua autoria que leio, posso afirmar com toda certeza que já estou fascinada. O jeito que você narra é completamente maravilhoso, pois faz com que as palavras fiquem vivas e nos toquem... São extremamente profundas.

Além disso, eu amei muito a delicadeza presente na prosa. Sabe quando estamos lendo um livro e quando percebemos parece que saímos totalmente no mundo real e mergulhamos na história? Pois bem, foi assim que me senti ao ler suas belas palavras. Elas são singelas, melancólicas e parecem uma garrafa de vinho com pequenos fogos de artifício dentro, pois milhões de faíscas, luzes, sentimentos e choques estão sob o vidro.

Eu achei maravilhoso o poema todo, contudo, há uma frase no testo que realmente me marcou, que essa:

"Era aquela velha rotulação de achar que tratamentos padronizados funcionavam, como se todos os seres fossem peças iguais de um tabuleiro. E eram. Mas não desse modo."

Eu acho que não tenho nem palavras para descrever o quanto achei deslumbrante, porque é exatamente como penso. Por que ficar caracterizando todos como iguais? Sim, somos todos muito parecidos... Talvez a humanidade tenha sempre a mesma ganância no fundo do coração, porém, há pessoas diferentes. Há pessoas que parecem sempre caminharem na direção contrária, e ninguém sabe exatamente se é o certo ou o errado a se fazer.

Enfim, o seu texto proporcionou-me uma bela reflexão, além de me fornecer lindas frases. Achei imensamente bom.

Parabéns.

Edgar Varenberg

Eita, eu sumi, mas vim responder isso. Desculpa a demora.

Primeiramente, preciso agradecer muito por você ter elogiado sobre o fato da história ser imersiva, de te tocar como se fossem palavras vivas. Eu recebi um outro review de uma pessoa que me disse o mesmo e que me deixou encantado, pois o meu grande objetivo com essa coletânea de poesias é justamente trazer essa imersão. Mostrar que o leitor pode sentir na pele o que o personagem passa, então ver que duas pessoas me elogiaram com isso pode ser uma afirmação de que estou fazendo corretamente, e isso me deixa extremamente feliz e com orgulho do meu jeito de poetizar.

Sobre a narração, às eu vezes eu a acho pequena demais nos episódios, mas nunca as achei que eram muita informação, acho que é uma narração bem equilibrada com todo o contexto melancólico que quero trazer. Adorei a comparação com vinho, parece culto, desejável e antigo.

Sobre essa frase que você destacou, eu quis dizer sobre uma coisa mais específica, sobre quando pedimos conselhos ou procuramos soluções e o fato de ter funcionado com alguém nos dar esperança de que vai funcionar com a gente. E nunca funciona; na maioria das vezes piora. E isso tudo me faz pensar porque com os outros as coisas sempre ficam dando certo, enquanto que pra mim é sempre um erro, outro erro, outro erro. Qual é a falha da planificação disso tudo? Por quê? É isso que este episódio reflete.

Todos somos iguais perante o fato de sermos humanos, mas a diferença mais complexa vem de sermos seres racionais. Devemos ser iguais perante a leis e sociedades, mas não somos iguais por natureza própria. Nós pedimos diferenças. Somos diferentes até o fim. Independente se existir uma raiz que una a todos nós.

Bom, quero agradecer muito novamente pelo comentário, por você ter feito o elogio que eu mais queria ouvir e... Sarah, vou deixar o mistério pelo ar, mas... *suspense* Não é o primeiro poema meu que você lê. Obrigado!