Comentários em “O Auto do Busão do Inferno”: “O boia-fria”

Raura

EXELENTE!!!

Ficou fantástica sua adaptação, as referências, a escrita.

Estava a passear pelo Nyah e me deparei com seu título e sua sinopse, me lembrei de quando tive que fazer uma paródia da obra no colegial, e tinha certeza de que não me arrependeria de ler sua história!

Li tudo de uma vez e deixei oara expressar minha opinião no final, e ó:

Ficou ótima, meus parabéns!

Goldfield
Goldfield Autor

Muito, muito obrigado, hehe :D

Fico contente que tenha gostado da transposição da obra aos tempos atuais. Esse roteiro eu escrevi no colegial também, quando li o Auto da Barca original, só atualizei a história no ano passado para postá-la. Muito obrigado por ler e comentar, e pelos elogios!

Abraços.

M
Maegi

A melhor adaptação que eu já vi, meus parabéns, merece todo reconhecimento do mundo.

Beijos da Mari ^^

Goldfield
Goldfield Autor

Muito obrigado pelo elogio. Fico feliz que tenha gostado :D

Abraços! Valeu por ler.

m
missugarblue
Essa história foi a mais diferente que já li na vida. Amo roteiros, mas nunca li um tão bom como o seu. Permita-me dizer que sua escrita é impecável e o enredo, incrível! As personagens bem formadas, as cenas muito bem construídas e as rimas não ficaram cansativas e chatas. Parabéns pela obra-prima!
Goldfield
Goldfield Autor

Muito obrigado por sua leitura e pelos elogios :) Agradeço muito as boas impressões quanto à minha escrita, os personagens e as rimas (ponto que procurei deixar o mais próximo possível do Auto original, do Gil Vicente). Espero que se anime também a ler outros textos meus!

Abraços.

Ragnes

Nossa, amei a peça kaospkpoask

Quem diria que o Diabo ia despachar o Boia-Fria, né?

Goldfield
Goldfield Autor

Muito obrigado, hehe. E os maus se irritam com os ingênuos e humildes :)

Obrigado por ter lido!

Abraços.

apollo11

Da primeira vez que eu li essa peça, achei genial. Uns meses depois, minha professora de literatura a encontrou e fez com que nós encenássemos. Eu fui o Diabo. E foi assim, encenando a peça, que percebi o quão errado eu estava no começo.

Para começar: o comunista vai para o céu. Ok, nada demais, seu posicionamento político não interfere no seu caráter. Eu, inclusive, sou uma liberal de esquerda. O curioso é que, quando o anjo conversa com o americano, sentenciando-no castigo eterno, afirma que um dos pecados do ianque foi "se esquecer dos ideais de antigamente". Ora, se são tão importantes assim, por que beatificou o comunista? Até onde o meu conhecimento vai, o comunismo é (ou deveria ser) revolucionário, contrariando o ultrapassado sistema capitalista.

O trabalhador boia-fria é acolhido com amor pelo anjo, por ter sido um simples e humilde servo do Senhor. Porém, em uma das cenas anteriores, o anjo diz a um condenado (se não me falha a memória, ao político) que não é digno nem de limpar o banheiro do céu. De nada adianta exultar comunistas e pequenos trabalhadores rurais se desmerece o trabalho das outras pessoas. Por acaso, alguém que limpa banheiros é pior ou menos digno do que qualquer um?

Finalmente, tive que mudar uma das minhas linhas na cena do jogador de futebol, que diz "não consegue distinguir mulher de travesti". Me recuso a dizer uma coisa tao transfóbica assim. Antes de escrever uma barbaridade dessas, devia pesquisar um pouquinho: travestis SÃO mulheres e isso independe do órgão genital. E, antes que diga que isso é invenção das feministas-gayzistas-fascistas, veja o que a Associação Brasileira de Antropologia tem a dizer sobre identidade de gênero.

Goldfield
Goldfield Autor

Olá,

Primeiramente achei curioso e interessante saber que a peça chegou a ser encenada por alguém - e gostaria de pedir mais dados e informações sobre como foi isso, afinal é sempre bom a um autor saber que sua obra foi adaptada de algum modo. Há um tempo um rapaz chegou a me contatar por Facebook pedindo autorização para encenar a peça, não sei se é o mesmo caso - mas de qualquer modo achei bacana.

Achei interessante também as críticas que apontou e o debate instigado. Algumas contradições apontadas achei relevantes, outras nem tanto. Primeiramente, a versão original desta peça é mais antiga do que a postagem - e nesse tempo cheguei a fazer algumas adaptações para incrementar/amadurecer o enredo, embora outras partes mais toscas ou preconceituosas tenham deixado resquícios aqui e ali.

Sobre a contradição do americano/comunista, não a vejo como algo latente, ainda mais pelo trecho apontado, porque "ideias de antigamente" pode se referir tanto a ideias pré-capitalistas (anteriores ao estabelecimento da acumulação de capital e lógica do lucro, ideias por sua vez exaltados no comunista), quanto aos ideias da Declaração de Independência dos EUA - que, embora numa lógica liberal e iluminista, fala em ideais como liberdade, igualdade e justiça universais - que, tanto nos EUA quanto em outros movimentos revolucionários (como o francês), na prática legitimaram o domínio das classes econômicas superiores sobre as inferiores, não aplicados em sua totalidade como se baseavam em seus discursos. Vale perceber também que na peça o contexto não aponta apenas para a Revolução Americana como aquela que se desvirtuou de seus ideais, mas também para a russa (o comunista argumenta com o Diabo não ser stalinista) - então é possível interpretar também as falas e atitudes do Anjo como referências gerais a anseios de transformação social via revoluções.

Sobre a parte de limpeza do banheiro dos céus, não se quer com esta desmerecer o trabalhador humilde - mas mais expressar que o político não poderia entrar no Céu nem colocando-se entre os pequenos (caso argumentasse a respeito, visto ter sido em vida um dos "grandes"). Além do que, o Anjo tenta sempre atacar mais diretamente os anseios e posturas de cada morto em suas falas. Ao Político seria ultrajante imaginar-se limpando um banheiro, e o Anjo quis mostrar-lhe que nem se sujeitando a algo como tal ele poderia estar no Céu. A cena do Boia-Fria, por vir depois, também serve para expor melhor a posição do Anjo quanto aos humildes.

A última crítica é a mais relevante - e por ter sido um recurso usado para delimitar melhor um determinado jogador de futebol do mundo real, projetando-o sobre o personagem, abriu espaço para essa interpretação que legitima o preconceito. No caso, achei boa sua iniciativa de mudar a fala. No entanto, fica o esclarecimento de que o presente autor não apoia a transfobia nem acha que falar dela seja argumento de "feminazis" ou qualquer coisa do tipo - inclusive faço a autocrítica de mudar esse trecho do roteiro.

Abraços.

LadyWolf

História maravilhosa. Faz tempo que não leio algo tão bom. Parabéns, autor!

Goldfield
Goldfield Autor

Muito obrigado por ter lido e comentado :) Abraços!