Comentários em “Meus Rascunhos”: “Poema: Mundo de Ilusões”

R
Roberto Lasneau
Destacado pelo autor

Eu senti duas coisas forte nesse poema: Ingenuidade e desgosto por essa ingenuidade. "Eu pensei ter entendido" (ingenuidade); "mas percebi que não, que estava sendo consumido." (desgosto pela ingenuidade).Pelo lado que interpretei, eu senti bastante com essas palavras, pois o que eu mais odeio, em mim, são meus momentos ingênuos e isso me dá tanto ódio... É simples, eu não sei como, mas eu não gosto de não saber algo, é claro, não dá para aprender tudo, mas eu sou daqueles que precisa sempre saber o que fazer, o que acaba me deixando maluco de vez em quando.

Eu senti que o "nosso país" está no sentido literal, isto é, Brasil, mas, mesmo assim, interpretarei como se fosse uma nação qualquer, pois eu não gosto de citar nenhum lugar quando o assunto é problemas, afinal, todo país tem seus problemas, então nem é necessário citar. Gostei muito dessas duas opções extremas, como diria, o 8 ou 80. Ou você vive do jeito que está ou vai almejar seus sonhos? Isso não é ficção, é algo que sempre estará na sociedade humana, não importa em que século, isso sempre existirá; só que uns demoram mais do que outros para perceber isso.

"Será que valeria a pena se levantar / mesmo sabendo que vou fracassar?", sei que é uma pergunta retórica, mas a responderei assim mesmo, pois faz parte da minha interpretação. Como foi dito anteriormente, é aceitar ou tentar; se você não está tentando, você está aceitando e vice-versa, então, creio eu que esses versos não combinaram com o propósito. No entanto, não posso afirmar como erro, o poeta é você. (Como eu digo, lei número um da vida: Não existem erros em Poesia), mas, esse trecho não se encaixou com o que eu interpretei, então, logicamente, eu devo ter pensado algo errado. O que eu penso é, se eu levar em conta o "aceitar ou tentar" da 2ª estrofe, eu não posso acreditar no que a última diz. Repare a diferença, na 3ª estrofe temos "Será que vale tentar / mesmo que venha a falhar?", falhar durante uma tentativa é normal, pode ou não acontecer, isso é imutável. Já na última estrofe temos: "Será que valeria a pena se levantar, mesmo sabendo que vou falhar?", aqui, já demonstra certeza, isto é, se eu tentar, eu vou falhar. E, tendo em base as estrofes anteriores, eu não posso acreditar nesses versos da última estrofe.

Seu poema está espetacular, foi o meu predileto até agora. Fazia tempo que eu não refletia tanto sobre um texto assim. :)

Teud
Teud Autor

Finalmente cheguei aqui! Chegou a hora da verdade... O review que me deu mais dificuldade em se responder até hoje... Vamos por partes, assim como o Jack Estripador...

Quanto ao primeiro parágrafo, OK! Sempre me sinto assim. Parece que eu sei o que está acontecendo, mas na verdade a situação é completamente diferente do que eu pensava, vindo esse desgosto por todo o meu ser... Acredito que você entenda isso. Esse sentimento de, na verdade, você não saber nada, sendo que, pela sua personalidade, você anseia saber de tudo ao seu redor. Tudo tem que lhe fazer sentido, assim como para o eu lírico e para mim :D

O "nosso país" tem três sentidos: criticar o Brasil, pois aqui existe um conformismo muito grande com a corrupção presente, sendo que o povo brasileiro tem muita chance de contra-atacar essa injustiça (escrevi esse poema antes do "Despertar do Gigante", a "Revolução do vinte centavos". Porque, se fosse depois, eu criticaria muito mais o nosso país. O que foi aquilo?! Fomos com tudo e depois os líderes desistiram? Por migalhas?! Fiquei inconformado...); criticar os países "desenvolvidos" que pouco se preocupam com o resto da humanidade na qual vive em condições subumanas, explorando-os ao máximo; e, a semântica mais importante, de não ser uma crítica, e também não ser um país em si, e sim as pessoas. Uma nação não é formada por pessoas, por cidadãos? Então, seguindo por essa lógica, quando o eu lírico diz "Nosso país está dividido", quer dizer que as pessoas estão se isolando, estão divididas, estão ficando cada vez mais sozinhas, e isso é mascarado pela própria sociedade, principalmente com as redes sociais...

A parte da escolha você realmente interpretou certo. Ou faremos, ou seremos descartados por tudo e todos. Permanência VS Mudança seria o foco neste ponto.

E finalmente cheguei na parte polêmica... Na parte que eu "falhei". He he he... Você não captou a mensagem aqui. Como eu disse lá nas notas iniciais, eu escrevi este poema em um período conturbado de minha vida. Bem, geralmente só escrevo poemas quando estou deprimido... É muito raro eu escrever estando alegre, e já o fiz algumas vezes... Elas saem engraçadas!

Enfim, indo direto ao ponto: na 3ª estrofe, o eu lírico diz "Será que vale tentar / mesmo que venha a falhar?". Isso é uma pergunta para quem está lendo e para o mundo. Por isso apliquei como possibilidade, como esperança de que alguém, que entendesse a mensagem, fizesse algo a respeito. Agora considere minha situação enquanto escrevia isso: deprimido. Some isso a prepotência que sempre sinto com relação a mim mesmo (sim, eu tenho muita baixa autoestima, tanto que eu quase surtei com o seu primeiro review). Como resultado, esses versos saíram: "Será que valeria a pena se levantar / mesmo sabendo que vou fracassar?". Isso afirma a desistência do eu lírico. Isso afirma que ele já tentou fazer a mudança, unir as pessoas e quebrar o "Mundo de Ilusões", mesmo que em escala micro. Mas fracassou, fazendo justamente o oposto, até porque o que ele tentou criar foi outra ilusão: a de que ele e o grupo que ele tentou forjar eram livres da hipocrisia do mundo. E, tendo falhado miseravelmente, além de notar este seu erro, pergunta-se, com aquelas palavras, se vale a pena se levantar e tentar do jeito correto. Entretanto, já afirma a sua falta de vontade e sua solidão, pois sozinho não é capaz de fazer nada, ou pelo menos é isso em que ele/eu acredita/o. Então as duas situações não são individuais, mas se referem a sujeitos diferentes. Acredito que agora você tenha entendido e, bem, acredito que só dê para entender comigo explicando - porque é algo bem pessoal, senti isso agora... Desculpe por não ser muito claro D: Mas espera, o mundo dos poemas é assim, então deixa!

Também fazia muito tempo que eu não refletia sobre esses assuntos tão a fundo, principalmente para explicar minha visão a outra pessoa! Muito obrigado! Até a próxima! xD

N
Narumy T Matsumoto

Talvez este poema que mais me toque, a começar pelo título: Mundo de ilusões. Esta palavra está me atraindo fortemente toda vez que vejo e parece se encaixar bem em mim.

Primeiramente, todos nós em algum momento da vida, achamos que estamos no controle e sabemos de tudo, contudo, nunca estamos e nunca vamos estar; Para tal coisa, precisariamos do conhecimento, da verdade. Não há Deus, não há ciência. Talvez basta ter fé nas nossas crenças particulares? O fato é que: nunca vamos estar no poder.

Já na segunda estrofe, podemos tentar nos iludir, uma armadilha da nossa mente ou tentar consertar nossos erros, chegar a perfeição. Mas afinal, qual é o conceito correto de perfeição? E quando encontrá-la, qual serás o próximo objetivo...?

Na terceiras, há o medo; Abandonar tudo para falhar? Teríamos que jogar muitas emoções e oportunidades para avançar, mas o medo do desconhecido nos impede. Talvez possa ser oportuno.

Na quartas, tu reforças teus conceitos;

Na quinta, demonstra orgulho. Tu foras humilhado, estás com medo, mas apesar de tudo, levanta-se. Ninguém é 100% inseguro. Há sempre uma razão para nos orgulhar ou para nos fazer lutar.

Teud
Teud Autor

Boa análise! Gostei de ler este comentário.

Realmente, não há uma pessoa sem orgulho próprio, mesmo que seja minúsculo (como o meu). E, bem, realmente foi inusitado você tocar no assunto "controle". Outras pessoas que leram esse poema e o analisaram não chegaram nesse ponto. E por isso fico contente de você ter focado sua crítica baseando-se nesse conceito.

A perfeição é o ideal, nunca o objetivo. Até porque, mesmo que exista, é inalcançável, não?