ᓵ𝙹ꖎ ᒷᓵᒷᒲʖᒷ リ ℸ ̣ ᓭ. Noites frias de Dezembro

1 Um estranho, quem sabe, nem tão estranho a espreita.



Era uma noite fria, eu diria quem sabe, a mais fria daquele ano, minhas mãos não paravam de tremer, mesmo trajando três luvas meu corpo não deixava de responder ao clima quase glacial que fazia na floresta de pinheiros naquela tempestade.


Mas que seria de dezembro sem suas noites frígidas? Que memória teríamos que o ano estava para acabar se não fosse a despedida das folhas, do clima quente, e o frescor das flores já murchas pelo outono? Não, não temos um calendário certo, sem ser a própria natureza, que morre temporariamente nesta época do ano, antes de renascer como uma fênix, no começo de fevereiro para março. Sim, não há calendário mais certo, que a própria natureza.




Os risos ecoavam da velha cabana de madeira escura, inundando aquela silenciosa floresta de alegria, era uma tempestade tão severa e fria que nem mesmo havia um monstro que se atrevesse a se aventurar para incomodar aquela família tão alegre finalmente reunida, afinal, as crianças ( já não mais crianças) moravam longe, no que hoje se chama cidade, cidadela, não sei, uma civilização com certeza, muito mais luxuosa e tecnológica que este mundo já experimentou, aonde pessoas voavam, e animais, quem sabe falam, deste local só ouvi falar, apenas histórias, muito de nós antigos temos medo deste "novo mundo", destes novos "comuns", eu por todo caso, apenas mão quero ter o incomodo de me mudar.


Apesar da nova geração e tecnologias, ainda há uma parte deste mundo que ainda vive como se o tal século 18 nunca tivesse acabado, ainda se havia trilhos para locomover-se de uma cidade a outra, naquela cabana no meio da floresta, deuses, ainda haviam tochas, não embebidas de óleo, céus, isso é tecnologia demais! São as clássicas feitas de vara e carvão, até as lanternas tem uma miniatura destas por dentro, antiquados demais, céus atrasados demais! ... Aconchegantes demais.


— Vamos Jesse! Por favor! — Pediu o moreno pentelhando o que havia nascido menino de seus gêmeos.


— Para! Pai! Mãe, pelos deuses alguém me acuda?! Eu não vou por isto na boca! É grotesco!— Berrou o garoto de olhos verdes tapando o nariz desviando o rosto da carne apodrecida.


— Steve, pelos deuses pare de atormentar o menino, ele não veio de longe pra comer carne de zumbi!— Exclamou a matriarca, com a sua carranca de sempre, ela pode parecer mandona( e é), mas acredite, com o marido e seus filhos é um doce.


— Aposto que eles não vêem isto na cidade! Hah! Se quer tem mobs por lá.— Se gabou o patriarca, enquanto a esposa lhe tomou a carne das mãos bufando para o mesmo, ele em resposta solta uma piada que a faz corar.


— Não joga fora eu quero provar! — Gritou a que nasceu menina dos gêmeos, de olhos igualmente verdes como os da mãe, e cabelos tão castanhos quanto de seu pai correndo na direção da ruiva que na mesma hora bateu o pé berrando.


— Jessie! Ninguém vai comer esta Skit de carne! — Xingou a matriarca, vendo o esposo e a filha gargalhando, enquanto Jesse fazia cara de nojo.— Vá lavar as mãos agora Steve Svet! Eu não arrumei esta casa para ela ficar fedendo a gente morta!


— Pff~ — Segurei um riso olhando Steve ser literalmente expulso da sala para o banheiro, enquanto ela jogava a carne podre pela janela.


Céus, ele não muda mesmo, fazia a mesma brincadeira com eles quando pequenos... Deuses, quantos anos isto já faz? Da última vez em que estive aqui, os olhando pela janela eles ainda tinham o que? 7, 8... Meses? Ainda usavam fraldas de pano, choravam alto para pedir atenção, e ficavam passando de colo em colo até que se cansassem e adormecessem no sofá junto com os cães.( Que já se foram há muito tempo, em seu lugar hoje há dois gatos, que mantém os creepers longe da propriedade.)


Eram tão pequenos, até eu já os coloquei para dormir quando berravam na madrugada, seus dedinhos enrolavam em meu dedo como um anel, tão miúdos, quem diria que hoje são um homem e uma mulher, já feitos, ambos tem casa, não, casas! Moram em vários lugares daquela enormes cidade, puxaram a sede de aventura de seu pai, e se tornaram heróis junto de seus amigos na cidadela aonde vivem, salvaram aquele lugar de um monstro gigante, ao menos é o que eu ouvi daqui.


— Prr~ — De novo um arrepio toma conta de meu corpo, gostaria de ascender uma chama, mas numa noite tão escura aonde as nuvens cobriam até a lua, seria facilmente notado por eles, não queria acabar coma diversão, não queria que fechassem a cortina e corressem para a sala de armas atrás de algo para dar cabo da minha vida.( Na verdade, tentar dar cabo da vida que já nem possuo mais.)


— Então Jesse! E as namoradinhas?— Perguntou Steve cutucando o filho que havia finalmente voltado a ser pálido como a mãe, afinal, agora pouco estava verde como um crepper pelo fedor da carne que o pai lhe perturbou para engolir.


— Pai! — Corou, afastando as mãos do rosto e as abanando da frente do patriarca da casa.— Pelos deuses não dê uma de tiozão na ceia!


— Uh~ São namorados então?— O garoto berrou de novo chamando a atenção da irmã que veio correndo da cozinha segurando uma torta na mão a colocando na mesa de forma exagerada na frente do pai que se ajeitou na cadeira para olhar a sua filha.


— Ah! Namoradinho pai! Ele está mega afim do-


— Cale a boca!— Interrompeu a irmã tapando a boca dela em um tapa o que fez ela lhe puxar os cabelos.— Aahh! Me solta! — Rosnou puxando a mão da irmã para a morder.

— Então admita que gosta do Axel!


— Aahh! Nunca! Me larga! Louca!

— Steve! — Gritou a ruiva entrando na sala vendo os filhos brigando, largando o prato com porco assado de qualquer jeito na mesa.— Parem de brigar!


— Calma, Alex, está tudo sob controle, eles são adultos lembra? Brigar é saud- Jessie! Não usa a minha cadeira! Bata no seu irmão com a vareta do quadr-... Era a vareta do quadro, não o quadro! Heliga gudar.— Rezou batendo a mão na testa.


— Deuses você! — Reclamou olhando o marido que apertava as têmporas lamentando pelo quadro destruído lá testa do seu mais velho.— Você pode ser adulta mocinha, mas não pode bater no seu irmão embaixo do meu teto! — Exclamou a de camisa de crochê verde carregando os dois jovens como se fossem ainda pirralhos em seus braços.


Claro que a pequena confusão logo se acalmou, afinal a Alex sempre foi e será a cabeça desta família, Steve eu diria, é o pai liberal que dá um machado para os filhos irem destruir a propriedade alheia ( mesmo que ele vá a noite reconstruir tudo depois) , o que criou um moleque frouxo, mas convencido chamado Jesse, e a garota super simpática e meio grosseira Jessie, posso dizer que ambas das crianças tem um pouco da personalidade de ambos dos pais, tirando o fato que nenhum deles é frouxo, não sei de quem da nossa família esse menino puxou isso.( E nem como ambos enfrentaram um monstro gigante sendo que esse marmanjo tem nojinho de carne de zumbi.)


Comentários a parte, a noite terminou até cedo, Alex foi a primeira a deitar, enquanto as crianças, se sentaram próximo a lareira do antigo quarto deles para escutar histórias de seu pai, hah, Steve sempre aumenta as suas aventuras, era bom que Alex estivesse acordada para as desmentir.


— Então eu peguei o Warden pelo chifre com uma mão só!— Exclamou batendo em seu braço direito musculoso, se exibindo para os filhos que riram.


— Mas pai, como você pegou ele pelo chifre se ele era maior que você? Hah.


— Jessie minha filha, você acreditava mais em mim quando eu contava as coisas...— Comentou bicudo, quase em um murmúrio enquanto eu me sentava entre os galhos do pinheiro para poder espiar a pequena janela do andar de cima.— De qualquer forma eu consegui! E dei tempo da sua mãe pegar o baú para a gente sair correndo de lá!


— Hahaha!— Riram os gêmeos.


— É verdade! Eu ganhei essa cicatriz nova lá! — Apontou para o antebraço aonde havia uma marca que vinha da palma até o cotovelo, parecia que ele tentou segurar uma lâmina cega com as mãos vazias


— Não se preocupe pai, acredito em você, só não acredito que a mamãe não fez nada pra ajudar.— Falou a menina dando de ombros enquanto o irmão concordava com a cabeça enquanto folheava o livro de monstros escrito por seu pai, em uma página aonde justamente falava do tal "Warden".


— Hah... Eles lhe pegaram Steve...— Sussurro trêmulo puxando as barras de minha capa preta afim de me aquecer se eu me encolhesse mais entre os galhos nevados.— Huff~


A noite continuou agitada até que o patriarca da casa caísse no sono sentado em uma das camas dos gêmeos, o mais velho, teve de carregar ele para o quarto de baixo, mesmo com seu sono leve, parece que Steve estava exausto, pois não acordou, ou apenas fingiu que não acordou, para aproveitar aquele carinho que o filho fazia em suas costas enquanto o carregava para fora do quarto, igual como ele fazia com ele quando eram pequenos.


Era a forma mais deliciosa de dormir, eu que o diga, ser carregado até a cama enquanto recebe um carinho nas costas, era algo tão simples, mas que me marca até nos dias de hoje e sei que os marcaram também.


— Pstt~— Chiou a menina olhando na minha direção.— Psst~ Senhor monstro~ — Sussurrou, eu pisquei os olhos surpreso, até me afastaria, mas aquela posição encolhida estava aquecendo deliciosamente minhas mãos em comparação as minhas costas que recebia aquele frio tenebroso, que eu não pude se quer me mexer, apenas abaixei a cabeça e semicerrei meus olhos afim de que ela ache que eu fui embora, e que o brilho dos meus olhos seja abafado pela neve grossa que soprava sem piedade naquela altura em que estava.— Eu sei que está aí ... Por favor, venha, não vou lhe ferir, está muito frio aí fora.— Disse um pouco mais alto, ao me ver abaixando a cabeça.


— Hah... — Eu ri piscando e olhando na direção da minha sobrinha que sorria para mim docemente.


Ah, pequena Jessie, era a que menos chorava, mas apenas abria o berreiro quando o irmão começava a chamar pela mãe com fome, mesmo que o que eles quisessem era comida, eu sempre dava um jeitinho de os distraírem ao menos até o sol raiar para que meu irmão ou sua esposa viessem acudir os coitadinhos.


Eu lembro que sempre que eu a pegava no colo ela sorria, com aquele mesmo sorriso doce antes banguela, agora cheio de dentes brancos como a neve. É, ela deve se lembrar de mim, apesar de que eu lembro de sempre tentar cobrir meus olhos com algo para que achassem que eu era o pai deles, mas não funcionou muito bem, o brilho maldito de meus olhos sempre vão me entregar.


— Vou para casa.— Disse finalmente tomando coragem em me levantar para enfrentar agora no corpo inteiro aquele clima cruelmente frígido que apenas glishes gostam.


— Por favor, eu insisto...— Disse saindo da janela puxando o lençol consigo, cobrindo os ombros já que sua roupa era fresca demais para aquele clima, ela assoprou as mãos com frio e me encarou.— Eu .... Eu e meu irmão vamos viajar pra muito longe! Não sei quanto poderemos voltar de novo... Nem.. nem sei se vamos voltar...— Falou com tristeza abaixando o olhar para a luz que batia na neve vinda do quarto de seus pais.— Eu só queria... Agradecer... Por cuidar de nós.


Eu encarei a luz que se apagou do quarto de meu irmão e olhei para a garota sorrindo suavemente, ela estava com medo? Que viagem é esta que fariam? Gostaria de perguntar, mas, melhor não...


— Você não tem nada o que agradecer pequena Jessie, apenas fiz o que qualquer parente faria.— Disse tranquilo, tentando segurar minha mandíbula que não parava de tremer.


— Meu pai nunca me falou de parente nenhum... És da parte da minha mãe? Por que nunca entra? Por que nunca aparece na frente dos meus pais? Eu... Eu lembro, huff.— Tremeu pelo frio, abaixando a cabeça.— Eu lembro de você... Toda noite quando a gente não conseguia dormir por conta dos monstros você vinha nos acalmar e afungentava eles para longe com seu canto você era como...— Mordeu os lábios.— Como, como um anjo.—Falou olhando na direção da árvore, porém, eu já não estava mais lá e sim no telhado, eu me aproximei dela e ela soltou um leve grito, quase escorregando do telhado, porém eu a segurei pelo pulso, ela arfou e me olhou no olhos surpresa.


— ... Acredite minha doce Jessie.— Falei a puxando para o telhado novamente, não a permitindo escorregar para fora da casa a guiei até a janela indicando que ela entrasse a assim ela o fez, pois seus olhos estavam brancos como os meus, sua expressão de surpresa, deu lugar a uma expressão vazia, como de um zumbi, uma marionete em minhas mãos.— Eu sou tudo... Menos um anjo.— Falei aos poucos soltando minha mão de seu pulso, sua palma deslizou sobre a minha enquanto, a mesma foi andando de costas até a sua cama e se sentou ali se deitando na cama de forma metódica, quase como um chamado "robô".


Ela não vai se lembrar disto pela manhã, espero que nem o irmão dela também.


— Shh~— Xiei fechando o olho do menino que também estava branco, e puxei o lençol para o cobrir até a altura do pescoço, virando minha cabeça olhei para trás vendo a mais nova babando no travesseiro, ambos devem estar em um sono profundo agora, com sorte acordam antes do meio dia.— Hmhum~ — Cantarolei a canção do meu mundo, que começou a tocar, abafada pelos gemidos do vento frio vindo do lado de fora. Assim parti na direção da janela que estava semiaberta.


É uma lástima que estas serão minhas últimas interações com eles, espero que fiquem bem, seja lá para onde vão, acho que é para outra missão de heróis, ouvi eles falando sobre algo no jantar, mas o frio estava começando a levar minha consciência embora. Eu parei, olhei para eles por um tempo, realmente o tempo passa rápido... Muito rápido.


Eram bebês da última vez que os vi, e crianças da última vez que os ouvi, não me atrevi a chegar perto quanto poderiam discernir quem era seu pai e quem não era, mas quem diria, mesmo bebês eles, não, ela se recordaria do "senhor monstro" que ia lhes por para dormir a noite quando o gemido dos zumbis e os xiados das aranhas lhe incomodavam.


Mas para todos os efeitos, fico feliz, que ela veio se despedir de mim.... Apenas espero que fiquem bem.






Steve olhava pela janela o seu irmão saltar de seu telhado para a neve, acendendo uma pequena chama em suas mãos, indo na direção das montanhas, a parte mais feia da floresta de pinheiros, porém, seu coração estava tranquilo, sabendo que lá havia uma caverna no qual o espectro fez de sua casa, ou diria refúgio? Certa vez encontrou por lá um buraco de tamanho 3 por 2 aonde tinha uma fornalha, uma cama e uma estante para porções, ele não a havia feito, e não perguntou a esposa já imaginando a resposta da mesma, afinal para que aquele quatro escondido na base da montanha tão perto de swapns de monstros? Para um humano aquilo seria burrice, até mesmo mortal, mas se tratando de seu irmão amaldiçoado era o maior dos confortos, "ao menos ele tinha uma cama para se deitar" pensou, no dia que encontrou aquela salinha, com certeza feita pelo caçula para assistir seus sobrinhos de longe.


— Só espero que você também não viage para longe irmão, gostaria de continuar ouvindo suas canções...— Sussurrou, como se o espectro pudesse lhe escutar, se afastando da janela embasada pelo vapor de seus lábios, indo até a sua cama, abraçando a ruiva que abriu os olhos alerta.


— Creeper?


— Não, Herobrine...


— Ah sim...—Bocejou, se virando ao marido abraçando-lhe aconchegando a sua cabeça no peito cabeludo do moreno.




.








.








.






— Você disse Herobrine?!



Você chegou ao fim do livro. Parabéns!