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1 Capítulo 1
Andava calmamente, os passos em sincronia com os tics e tacs do relógio. Deteve-se um momento para observar a neve do lado de fora, em alguns pontos, colorida em carmim. Embora não parecesse, Ivan estava atento. Atento o bastante para notar um lituano receoso subir as escadas. Toris, distraído, quase derrubou a bandeja que segurava quando o russo se dirigiu a ele com seu habitual sorriso.
– Da~... Que está fazendo, Lituânia?
– A-ah, s-senhor Rússia! Estou levando a comida do-
– Eu levo- Ivan cortou-o, se aproximando.
– Hã? Mas- antes de Toris terminar de falar, teve a bandeja tirada de suas mãos. O russo seguiu seu caminho, afastando-se do báltico a passos um pouco mais rápidos que o relógio, mas não necessariamente apressado. Chegando em frente a determinada porta, seu sorriso se alargou. "Pode ser divertido", pensou o euro-asiático antes de passar a chave pela fechadura. Do outro lado da porta, pôde vê-lo de costas, próximo à janela. O cabelo do outro era bastante parecido com o de Rússia, um pouco mais comprido, mas nada relevante. Ivan sorriu à falta de reação de seu "convidado". Colocou a bandeja em um criado-mudo, trancando a porta atrás de si.
– Trouxe o seu by Browse to Save\">jantar, da~
– Saia.
Nada além do que Ivan imaginara. Seus olhos se estreitaram e, sem mais delongas, abraçou o menor por trás.
– Que cruel, Chechênia... Me rejeitando desse jeito...
– Saia. — Sua voz soou um pouco mais feroz que antes. Isso não abalou o russo, que afagou seus cabelos. Ele era dois palmos mais by Browse to Save\">baixo que Ivan.
– Será que está aceitando a situação, da~?
– Está bebendo vodca demais, não acha? — na voz do checheno mesclavam-se ira e deboche. Para Rússia ficar mais contente que isso, só China aceitando tornar-se um com ele.
– Você sempre foi complicado, da~... Mesmo antes de eu te trazer pra cá... — agora Ivan havia abaixado um pouco, falando by Browse to Save\">baixo no ouvido de Chechênia. Este reagiu, investindo contra o russo com um punhal que levava em baixo da manga. Ivan apenas afastou-se, rindo.
– Sim, sim... O apoio do Ludwig lhe foi útil, não foi? Mas, de qualquer modo...
– Saia! — a expressão do checheno exalava fúria. Seus olhos escuros, cuja cor era algo que alternava entre o roxo e o azul, fitavam Rússia sem piscar. — Já te venci uma vez!
– Mas continua aqui, da~... Um mero fragmento meu...
– Um fragmento forte o bastante para possuir consciência e forma humana! — apontou a lâmina para o russo ao dizer isso. Ivan suspirou, ainda sorrindo. "Sim... Não teria graça se não fosse", ele pensou.
– Seria realmente problemático se eu te deixasse ir... E não é só pelo petróleo, da~... — Ele virou-se em direção à porta. Assim que tocou a maçaneta, Chechênia avançou em sua direção, mirando o punhal a algum de seus pulmões. Ivan simplesmente virou-se e, com a mão direita, segurou o pulso do outro, cujos olhos se arregalaram por um instante. O russo aproximou o rosto ao do menor, quase encostando os narizes. Aproximou-se o bastante para ver as chamas congeladas no fundo daqueles olhos que lhe exaltavam. Então, com a mão esquerda, empurrou-o, fazendo com que caísse de costas próximo à cama que lá havia.
– Dobryĭ vecher, Chechênia... — disse o euro-asiático saindo do quarto. Ah, como o checheno amaldiçoava aquele sorriso. Mas acabou por limitar-se a atirar o punhal na porta, fincando-o, como lembrou Chechênia por um momento, mais ou menos na altura do pescoço do russo. Olhou para a bandeja. No prato havia algo que ele reconheceu como sendo krupa. A vontade que tinha era de atirar o prato à porta, junto do punhal, mas conteve-se. Precisava de forças para o dia em que conseguiria sairia dali definitivamente.
Notas finais
Dobryĭ vecher - "Boa noite" em russo (Wikipédia + Google Tradutor)
Krupa - Nome genérico dado aos pratos à base de cereais e legumes secos, típicos na cozinha russa (Google)
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