άδης
1 κεφάλαιο ένα
Estou em um lugar escuro, com chamas. Tem pessoas gritando, mas não vejo ninguém, apenas sinto. Eu não sou eu, sou apenas espírito, não tenho pele, é tudo feito de matéria inorgânica. Vejo a minha volta para eu ter mais precisão de onde estou, e apenas vejo dor. Sabe, às vezes nossos sonhos nem são tão assustadores assim, as imagens que você vê não te assustam, mas você sente coisas que até mesmo um sonho com unicórnios te dará arrepios e fará acordar às 4 horas da manhã suando e com respiração ofegante. E são assim meus sonhos, e eu não entendo porquê.
Eu conto pra minha mãe meu sonho quando acordo, e ela logo diz:
— Não parece tão assustador.
É.
Eu costumo ignorar minha mãe, todas as coisas que ela já fez... mas eu não tenho mais ninguém além dela, então pra mim tudo bem conversar. Mas se eu tivesse que fazer uma coisa pra provar meu amor ou sei lá o que, ela não contaria comigo.
Eu sei que não fui desejada, e ela faz eu me lembrar disso quase todos os dias. E o pior: ela me obriga ir para escola. COM TODOS OS MEUS PROBLEMAS!
Tudo bem, eu não devo me trancar em casa e aceitar a vida horrível que eu tenho, mas poxa... IR A ESCOLA.
Frost é meu padrasto, e ele é bem legal comigo. Sempre tenta me ajudar e nunca me julga. Mamãe devia aprender com Frost.
Bem, a escola é uma droga.
Há pessoas más, comida ruim e gente rindo de você se não fez o dever certo. O que não acontece comigo sempre, mas na maioria das vezes acontece com gente que eu simpatizo — simpatizo, não sou amiga — e isso me irrita. Como aconteceu com Ana. Ela senta na minha frente e na maioria das vezes é bem legal comigo, tem cabelo comprido loiro e olhos azuis, e isso me trás paz, não por ela ser bonita, mas por me lembrar uma pessoa próxima. De alguma forma isso conforta meu coração. Ana quase teve um ataque de pânico quando a professora disse que havia pronunciado várias palavras em latim errado e todo mundo riu dela, ridicularizando o que ela tinha dito. Me deu vontade de quebrar os crânios deles.
Eu gosto de ficar isolada na escola, e quando alguém tenta se aproximar de mim eu hesito, às vezes eu choro de noite por não ser igual a todo mudo, mas às vezes eu me sinto orgulhosa por ser diferente. Vai entender.
Mas eu tenho alguns amigos, poucos, mas tenho. Por favor, eu não sou tão esquisita assim. A maioria eu fiz em festas, onde eu vou pra usar drogas — não conte pra ninguém, e não usem drogas, crianças — e incrivelmente são amigos bons. Um deles é o Adam. Adam é gay, super afeminado e ele me faz rir demais. Pensar em Adam me faz pensar na vez em que eu estava bem bêbada. Era um festa com tema de Halloween, e eu não poderia perder. Eu estava fantasiada de coelhinha — não me imagine tão sexualizada assim — e tinha muuuita bebida. Era uma das minhas primeiras festas, eu estava isolada e conheci algumas pessoas e começamos a tirar fotos bêbados juntos. O fato engraçado é que TODAS as fotos eu estava com uma garrafa de Skye Vodka na mão, e eles me puseram o apelido de Skye Vodka, e com o tempo ficou só Skye. Ótima história de apelido. Pena que eu não posso contar para todos, então quando uma criança ou parente pergunta porque de meus amigos me chamarem assim, eu só digo "Sei lá, só me chamam assim".
Pode parecer esquisito, mas eu ouço vozes as vezes. Óbvio que não conto isso para ninguém, mas eu queria poder gritar para que elas parassem. Eu nunca procuraria atendimento psiquiátrico pra isso, minha mãe não tem dinheiro pra pagar. Elas apenas me incomodam de vem em quando.
Tem acontecido coisas bem bizarras comigo. Frost disse que é apenas neuras adolescentes, mas eu sei que não é. Eu não falei pra Frost das vozes, mas falo das aparições e das sombras, e ele incrivelmente me acalma e acredita em mim. Frost é bem legal, e não acredito que esteja com a mamãe, que é uma víbora.
Aconteceu uma coisa bem ruim na terça-feira, e quarta eu birrei que não iria à aula. Algumas meninas zoaram comigo. Elas botaram na minha mesa um bronzeador e flores. Eu não fiquei zangada, só fiquei triste e chorei no banheiro a aula toda. Por que elas são tão más? O que tem de engraçado em me ver chorando? Ninguém disse nada, e todo mundo riu com elas, porque são bonitas e todos querem transar com elas. Eu me senti muito ruim, não consegui bater de frente.
Frost veio e me perguntou o que houve.
— Nada demais, só algumas meninas...
— Ah, de novo? — Ele parecia bravo. É incrível como ele consegue ser mais mãe que minha mãe.
— Eu já tô acostumada com essa humilhação rotineira. Só não tô afim de ir pra aula.
— Vou falar com sua mãe.
— Não, Frost, não é necessário, sério.
— Já queria te levar para um lugar, e esse é o gatilho.
— Como assim um lugar?
— Eu vou falar com sua mãe.
— Aí meu Deus, vocês vão me enviar pra um internato ou algo do tipo?
— Não, Skye, só fica calma ok? Vou ajeitar tudo isso.
Era sexta-feira, e eu estava dormindo. Estava ficando calor e eu senti cheiro de comida. Levantei num susto e vi o horário. 12:39. Eu só consegui pensar "????????".
— MÃE!
— Skye, que bom que acordou.
— Por que não me acordou pra escola?
— Ah, não, você não vai mais à escola.
— Mãe, o que tá acontecendo?
Ela me serviu e sentou na cadeira.
— Sente-se.
Senti minhas pernas tremerem.
— Nós vamos nos mudar de novo?
— Você deveria saber da verdade.
— Droga mãe, eu sou adotada?
Ela disfarçou um sorrisinho, e eu fiquei com raiva porque estava falando muito sério.
— Não, infelizmente não. Frost não é meu namorado.
— Que? Vocês terminaram? Eu devia saber, ele é bom demais pra você e...
— Cala a boca. Você é igual ao seu pai.
Eu gelei. Minha mãe nunca fala do meu pai.
— Falando no seu pai.. Ah... Frost está aqui pra te proteger. Você está em constante perigo.
— Do que você está falando?
— Me desculpa por te contar só agora quem é seu pai. Olha só pra você, tão crescida, tão inteligente... – Ela estava chorando. – talvez você não acredite em mim, então terei que te levar a um lugar.
Ela pegou as chaves do carro e eu a segui, não falamos nada até chegar no lugar.
Era um matagal só. Mato pra tudo que é lado.
— Foi aqui que eu e seu pai nos conhecemos. Eu tinha 17 anos, e estava tendo aqueles filmes na natureza sabe? Era de noite. Estava passando um filme de terror. Perto da seção tinha uma barraquinha de churros, e seu pai estava lá. Ah, ele era tão lindo. Era pálido, gelado, os olhos dele eram tão profundos... Ele parecia um vampiro. Um vampiro que ia me morder e eu ia virar uma vampira também, e nós iríamos ter nossa paixão vampiresca. – Dou uma gargalhada. – Eu sei, ridículo né? Nós nos pegamos onde ninguém podia ver. E pela primeira vez senti seu pai quente. Trocamos números, mas ele nunca ligou. Então, depois de 9 meses você veio. Você é muito parecida com seu pai.
— Ah, que ótimo. Me conte mais. E quando você tentou me abortar? Isso foi antes, se lembra mamãe? – Dou um sorriso, mas sinto as lágrimas caindo.
— Há coisas que talvez você nunca vai entender. Ter você significava me sacrificar de tudo. Eu nem sei se você iria sobreviver.
— Por que? – Eu sentia raiva.
— Vou ter que te levar à um acampamento.
— Você está maluca? Eu não vou.
— Entre no carro. Agora.
Eu não costumo obedecer minha mãe, mas dessa vez eu senti que deveria, eu sentia ela cada vez mais distante e tinha visões dela morrendo. Eu odiava tê-las e chorava a noite toda, elas eram muito reais. Por mais que eu não gostava da minha mãe, eu não queria perdê-la.
Ela pediu para me arrumar para o acampamento. Disse que todas as minhas dúvidas iriam ser respondias nele. Eu pensei que talvez o "acampamento" fosse uma metáfora. Eu estava confusa. Então eu vi Frost pela casa.
— Frost...
— Ah, oi Skye.
— É verdade que você e minha mãe terminaram?
Ele sorri.
— Skye, está pronta para ir para o acampamento?
— Estou. – Normalmente Frost responde minhas perguntas.
— Então vá se despedir de sua mãe, eu vou levar você.
Disse tchau e abracei ela bem forte, eu senti uma coisa bem ruim dentro de mim e parecia que seria a última vez que veria ela.
Chegamos ao acampamento e era bem longe. Tinha um letreiro ridículo e meninas ridículas.
— Frost, que porra é essa?
— Entre.
Eu entrei e todos olharam para mim. Todos. E havia muita gente. Eu me senti completamente estranha e desconfortável, as pessoas cochichavam ao meu respeito e algumas davam risada, então eu comecei a chorar.
Frost me abraçou e me induziu à uma casinha. O acampamento era bem grande. No meio do caminho algumas meninas nos pararam e disseram coisas estranhas:
— Uau, você é filha de Hades e não é gótica? Que desonra. – E começaram a rir.
Eu não entendi, achei que elas tivessem se confundido com outra pessoa.
Eu entrei na casinha e tinha um... espera... um homem fantasiado de cavalo? Eu não estava entendendo mais nada. Cochichei para Frost:
— Que isso, Frost?
O homem fantasiado se apresentou. Era um completo maluco.
— Olá, Skye... devo chamá-la assim?
— É, pode ser.
— Bem-vinda ao Acampamento Meio-Sangue! Meu nome é Quíron.
— Obrigada. Eu acho.
— Vou lhe apresentar você, primeiro.
— O que?
— Lhe apresentar, menina.
— Como assim? Escuta, você tá drogado? – Ele deu risada.
— Não estou, prole de Hades.
— O que? Esse é o nome do meu pai então? Ele vinha para esse acampamento de maconheiros? Frost, eu quero ir embora.
— Não, eu garanto que ninguém aqui fuma maconha. Frost, pode ir, deixa ela comigo.
— Não, Frost, eu estou com medo.
— Skye, não precisa ok? Ele é meu amigo, vai tudo ficar bem. – Então ele se foi.
— Skye. Vou explicar tudo para você, tá bom? – Ele me deu uma xícara de chá. – Sente-se. Você estudou mitologia grega na escola?
— Sim.
— Pois, e se eu te dissesse que tudo é real? Os deuses, os CENTAUROS? – Ele estava se fantasiando de centauro, deve estar tirando com minha cara. – Hades é o deus dos mortos, do mundo subterrâneo. Um dos três grandes, você é muito poderosa.
— Espera, mas que...
— Antes de dizer qualquer coisa, venha comigo. – Ele me guiou até fora da cerca do acampamento, onde estava somente eu e ele. – Sente-se na grama. Vai demorar um pouco.
Ficamos na grama por uns 40 minutos, até que eu senti o chão tremer.
— O que está havendo?
— Olhe.
Era uma espécie de... Eu não sei. Era grande e forte, parecia um minotauro. Estava chegando cada vez mais perto, eu estava em estado de choque.
Um minotauro? Na minha frente?
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