「Λria」

1 Diga-me que sou louco.


Notas iniciais
Ya~hoooi, cupcakes! Pois bem, esta é minha primeira história por aqui, e não consigo medir tamanha ansiedade e alegria ao postá-la! Estava faziam eras com vontade de colaborar com este fandom lindo, e o resultado foi maior do que esperava. Se você não terminou de ler o mangá, pode se sentir um pouco confuso com o contexto, que se passa seis anos após o encerramento. Qualquer dúvida, sinta-se livre para me perguntar, vai ser um prazer poder esclarecer qualquer confusão que possa ser feita. Tenham uma ótima leitura!

Folheava o livro avidamente, consumindo de suas palavras como a brasa consome a palha, não havia motivo para pressa, mas a necessidade incalculável de preencher um vazio qual era incapaz de descrever sempre a fazia ligeira sem necessidade, assim, ditando em sua mente as palavras conforme seus olhos batiam nelas.

Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado”.

Seus dedos esguios envolveram o livro e o fecharam em uma única batida, este movimento porém se seguia de um suspiro solitário. Sonhos? De tempos em tempos ocasionava de tê-los, na maioria de vezes lembranças que em alguns momentos pareciam apenas desejar importunar sua mente.

Logo faria o almoço, um almoço para dois. Ou neste caso duas, para ela e Blair, da qual insistia em permanecer em sua casa ao longo dos anos com o precedente de não deixá-la sozinha. Maka não poderia negar, a presença da gatuna tinha sido um alívio para seu estresse emocional, já que esta era uma boa ouvinte, e havia se aproximado de chegar ao topo de suas amizades, sempre confidente e racional em seus concelhos.

— Hora de cozinhar. – levantou-se, quase bamba por ter permanecido muito tempo em uma mesma posição, acabando por derrubar parte da pilha de livros que trouxera. – E depois arrumar esta bagunça.

Ah, sim, bagunça. Maka detestava bagunça, mas nos últimos meses sua preocupação quanto a isso havia diminuído consideravelmente, talvez um esforço inútil para não se lembrar de sua insistência com a limpeza da casa, ou de lembrar para quem ela insistia tanto pela organização.

O sol. O sorriso sarcástico além da janela.

Soul.

Eram em dias como aquele, dias ensolarados, em que o sou ria quase com escárnio, que Soul abriria o melhor de seus sorrisos e falaria o que seria uma manhã “maneira”.

— Urgh! – bateu com o punho fechado em sua própria cabeça, querendo vorazmente afastar ele de seus pensamentos. Soul era uma doença, consumia ela aos poucos até que ela não pudesse se concentrar mais. – Idiota! Idiota! Idiota!

Repetiu o movimento algumas vezes antes de ser surpreendida pela porta sendo aberta pelo pequeno gato negro, qual carregava em sua boca um embrulho com um peixe.

— B-Bom dia, Blair – falou sem graça se perguntando se a felina havia visto a cena anterior, a fazendo esconder o punho de imediato atrás de suas costas.

Blair por sua vez optou por fingir, dando um sorriso gentil por detrás do embrulho qual levou até a cozinha, saltando no balcão para deixá-lo próximo a pia.

— Trouxe um peixe delicioso para você fazer no almoço! Cortesia do Senhor Peixeiro! – afirmou a gata com bom humor completo. Era normal que ela recebesse cortesias do peixeiro, que era extremamente atraído por sua forma humana, que ainda trazia um pouco de inveja para Maka.

Mas Maka, beirando seu aniversário de dezoito anos estava se tornado uma mulher ainda mais bela, apesar de sua altura não ter se diferenciado muito, sua face portava traços mais femininos, as curvas lhe começavam a aparecer, e as maria-chiquinha foram deixadas de lado com o tempo, deixando os fios livres, apenas os prendendo em um rabo-de-cavalo para treinamentos ou batalhas.

— Você é mesmo uma amante de peixes – a loira manteve o desvio de sua atitude dando uma risada tranquila ao seguir para cozinha, amarrando o avental ao redor de sua cintura. – Logo, logo você vai virar uma bruxa peixe-gato.

Blair por sua vez soltou um “nyah” em resposta, mantendo de um tom de risada, esperando assim pelo almoço, afinal era inegável que Maka era uma excelente cozinheira.

Quando pronta a comida foi servida sobre o balcão, não era comum que comecem na mesa de jantar, mas onde preferiam. A loira logo pegou seu prato, pronta para ir ao seu quarto, mas logo Blair chamou-a por um momento.

— Maka, se importa de almoçarmos juntas hoje? – tomando sua forma humana ela se direcionou ao sofá da sala, sentando-se casualmente e ao mesmo tempo causando confusão na outra, que apenas assentiu com a cabeça e sentou-se na cadeira do lado oposto. – Nós não temos tido tanto tempo para conversar, nyah.

E era verdade, especialmente devido ao trabalho de Blair no “cabaré”, enquanto Maka se tornará professora da famosa turma NOT da Shibusen, procurando potencial naqueles que alguns insistiam em chamar de alunos sem qualidades.

— Eu concordo. Essa correria diária não nos ajuda muito.

— Você sabia que haverá uma festa na Shibusen? – direto ao ponto, a morena optou por tocar no assunto sem esperar muito, balançando suas orelhas felinas rapidamente, pegando Maka desprevenida, que tossiu ao se engasgar com sua comida.

— Eu não sabia, ninguém me contou. Qual a ocasião? – falou, colocando a mão sobre o peito para retomar seu ar.

— O Shinigami e… Soul estão de volta, depois da longa viagem que fizeram – a voz de Blair vacilou ao tentar dizer o nome do ex-parceiro dela, sabendo que a reação seria mesma que estava a sua frente, um olhar completamente atônito, sem reação. – Todos estão convidados. A festa será amanhã, as dez horas.

— Por que… Ninguém me contou antes?

Blair se silenciou, não precisava dizer o óbvio.

— Por favor, Maka. Compareça. – nisto retirou de baixo de seu chapéu um convite dobrado, entregando-o em mãos. – Isso pode te fazer bem. Tsubaki e Black Star estarão lá também. Será como uma reunião de colégio.

— Blair, não! Por favor! – Maka logo interveio, sem controlar as lágrimas que rasgaram sua face em uma enxurrada repentina. Ela não conseguia se quer pensar na possibilidade de ir, não depois de tanto tempo. Se ela já tinha dificuldade para se comunicar após cometer um erro, mesmo desta vez sem ter feito algo, achava impossível a possibilidade de conversar com Soul.

Um suspirou escapou da felina, como se ela estivesse esperando por aquilo.

— Maka. Você não pode fugir disso para sempre. Por que não consegue mais enfrentar o Soul? Por favor, Maka… Ele nunca te abandonou, ele seguiu o caminho pelo qual você se esforçou para que ele pudesse seguir.

Ela sabia que Blair estava certa neste ponto, mas não significava que aquilo doesse menos para si. A ferida aberta do abandono de sua figura masculina quando criança havia a marcado de uma maneira absurda na infância, se tornando constante durante toda sua vida, por mais que seu pai tentasse como nunca se retratar e reconquistar seu amor nada era capaz de amenizar as amarguras que carregava consigo, às vezes acabando por se perder no conceito de partir por traição, ou por dever.

— Eu sei que isso é egoísta – ela segurou os próprios braços, criando ao seu redor uma redoma de proteção. – Eu sei, eu sei mais do que ninguém. Esse foi o caminho que eu criei para o Soul, pela felicidade dele, pelo meu objetivo pessoal de superar minha mãe como uma “meister” de foices. Mas por que agora eu não consigo mais ficar feliz com isso? Por que o arrependimento vem e me cerca? Eu fiz o que tinha de fazer, por mim, por Soul! Mas… Como não consigo estar alegre com isso?

Mais palavras não eram necessárias, Blair se levantou e puxou a garota para um abraço, apoiando a face no topo de sua cabeça, aquilo era o suficiente para fazer Maka chorar como uma criança.

— Maka – mesmo que ela não pudesse ver, a gatuna sorria docemente ao abraçá-la. – Esse sentimento é porque você se importa com o Soul, mas você sabe mais do que ninguém que ele jamais te abandonaria, por muito tempo, e mesmo até hoje, você é a pessoa pela qual ele morreria. Esse sentimento pesado em seu peito é um medo que acabou se criando por não ter ele por perto de você para provar o que estou dizendo. Afinal, imagino que até hoje você seja a única pessoa pela qual ele se permite tocar e ser tocado sem recuar. Por isso, compareça amanhã, por mais assustador que possa parecer, você é corajosa e pode superar isso.

— Eu vou pensar sobre isso. Mas agora… Temos que nos arrumar para o trabalho, eu não pretendo me atrasar pela primeira vez em dois anos.

Assim o dia correu lentamente, monótono, o que não significava que havia sido ruim já que ela era viciada em padrões, organização era algo pelo qual ela poderia viver por. Ao mesmo tempo Maka se esforçou ao máximo para não pensar na festa do dia seguinte, quaisquer pensamentos sobre isso a faziam tremer como nunca, como se um estranho choque percorresse de sua espinha seguindo por suas veias que bombeavam quase freneticamente seu sangue agora preenchido por adrenalina.

De noite parecia ser o momento que os sentimentos se afloravam devido ao silêncio combinado com a confusão de pensamentos que se sobrepunha.

Se seguiu assim por gritos – os gritos eram abafados por seu travesseiro. Por alguns segundos ela se questionou o motivo de fazer isso, mas parecia que algo completamente irracional se formava em seu peito e precisava ser expulso por sua garganta. Faziam anos desde a última vez que ela gritou daquela forma, se fosse parar para pensar, teria sido quando lutou contra o Kinshin, até sua última gota de suor. Mas ambos ressoavam de maneiras diferentes, enquanto um grito era pela liberdade, outro provinha de um sentimento confuso, tortuoso, algo que era incapaz de descrever.

— Por quê? – quase sem voz, começando a soluçar ela retirou o travesseiro da própria face, pegando o convite que estava disposto ao lado de sua cama, na pequena escrivaninha de estudos. Estendeu a mão e o pegou, se torturando ao reler cada uma das palavras que se seguiam poeticamente – provavelmente resultado da prosa invejável de Kid.

A Shibusen sempre teve a tradição de festejar por motivos banais, porém no intuito de aliviar o estresse coletivo causado pelas lutas contante e diárias, que agora haviam reduzido devido a relação amistosa com as bruxas, conquistada pelo esforço do novo Shinigami. Mal se lembrava da última vez que se preparou para uma festa, muito porque elas perderam a graça com a ausência de seu grupo, especialmente a ausência de Crona e seu sorriso – motivos dos quais faziam desesperadamente querer encontrar uma forma de salvá-la, mesmo com a negação solene dos outros, pois salvar Crona poderia significar o ressurgimento do demônio selado na lua.

— Por favor, kami-sama. Eu não quero. Eu não sei o que fazer.

No dia seguinte, Sábado.

Como uma pedra, Maka não pensou que pudesse dormir daquela forma, seus olhos pesavam tanto ao forçá-los que tamanha resistência a fazia querer fechá-los novamente e dormir até que se sentisse melhor, mais do que o esforço físico, o psicológico era capaz de derrubá-la sem piedade, e após tantas lágrimas e gritos, seu corpo dava os sinais de exaustão do dia passado.

Tateou o criado-mudo pegando o relógio de mesa, encarando silente o horário nele: 1h30 P.M.

— Hmm.

O sorriso torpe dela logo se tornou uma expressão de assombro, a fazendo quase se jogar da cama a vestir desesperadamente suas pantufas, correndo para a sala.

— Blair, me desculpe! Eu já vou fazer o almo...

Para sua surpresa na sala se encontravam Tsubaki, Patty e Liz, tranquilamente confortáveis em seu sofá, ao mesmo tempo agora a fitando naquele pijama de ursinhos infantil, com os cabelos desgrenhados ao ponto de ser cômico. Ela não sabia se deveria dar para cada uma delas um “Maka Chop” ou tentar abraçá-las coletivamente devido a tamanha saudades que sentia. Estava alegre, verdadeiramente alegre, ao ponto de seus olhos encherem de lágrimas quando elas sem esboçar qualquer sinal de risada debochada acenaram e mostraram de seus sorrisos, dos quais tanto sentia falta.

— Woo! Ela vai chorar! Parece que o tempo passou mais você continua a mesma!

A voz petulante e gritada se anunciou ao lado dela, ao ponto que desse um pulinho de susto. Lá estava Black Star ao seu lado com seu sorriso marcante, parecia que finalmente ele havia entendido sobre se espreitar, parece que anos de insistência pela parte de Tsubaki resultaram em algum progresso, o que não significava que ele seria poupado.

— MAKA-CHOP! – o acertou sem piedade, o fazendo cair no chão com as mãos sobre a cabeça.

— Mentira! Mentira! Seu ataque ficou mais forte! – falou choroso, massageando o lugar do qual recebeu a pancada, arrancando risada dos outros, a fazendo Maka se perguntar o que faziam ali, o que foi percebido por Tsubaki que se levantou e seguiu até ela.

— Maka, estamos feliz em te ver – Tsubaki anunciou com um sorriso, segurando as mãos da menor.

— Eu também estou feliz em ver vocês, esperava que só fossemos nos encontrar durante a festa, foi uma surpresa e mesmo assim mal imagino como entraram no meu apartamento – Maka comentou risonha, ouvindo o adendo silencioso de Black Star, dizendo que simplesmente arrombaram a porta, mas não sendo o suficiente para levar mais um “Maka Chop”.

— Nós acabamos nos apressando um pouco porque Tsubaki comentou que você poderia ter esquecido da sua roupa para festa, já que te contaram de última hora – Liz comentou do sofá.

— Ah… Sim. – era verdade, Maka se quer havia pensado na roupa que usaria, com certeza as roupas que tinha no armário estavam desgastas ou mesmo pequenas para seu atual físico. – Eu posso usar uma roupa social, devo ter o terno que recebi de Kid quando comecei a lecionar--

— Você não pode encontrar o Soul usando essa roupa! Hehehe! – Patty e sua personalidade infantil se destacaram entre os demais, fazendo com que Liz desse uma cotovelada nela.

— … É por isso que queríamos te dar um presente, de todos nós. Afinal Maka, nunca te agradecemos propriamente por todos seus esforços – Tsubaki interferiu para amenizar a situação, pegando uma caixa escarlate que estava disposta no sofá, entregando-a para Maka.

— Aposto que você vai gostar, agora que você não é um completo pedaço de pau, vai te cair muito bem! – a honestidade de Black Star em alguns momentos era desnecessária, antes que Maka pudesse o agredir de alguma maneira, foi suficiente o olhar de reprovação que Tsubaki havia dado para ele.

— Esperamos que goste!

Maka, agora sem jeito pelo presente, o abriu, retirando as camadas de papel seda um vestido longo, negro como a própria noite. Acinturado até seus joelhos, terminava em uma camada mais solta, já a parte superior era simples, não contava com muitos detalhes, sem mangas ou alças, com um decote improvável, que deixaria a parte superior um pouco mais exposta do que estava acostumada. Era elegante, extremamente elegante, mas a cor lhe causava suspeitas.

— É lindo. Eu agradeço. – havia total honestidade em sua voz, assim como em seu sorriso, agradecendo todos de uma vez. Com isso Tsubaki não se incomodou com o limite da caixa e abraçou Maka.

— Vamos nos divertir juntos.

Vendo seus amigos reunidos não pode negar o pedido de Tsubaki, em suas limitações retribuindo o abraço dela, fechando os olhos. Seria um longo dia aquele, mas se estivesse com seus amigos por perto era o mais do que o suficiente para garantir sua felicidade.

— Sim. Vamos.

Diferente do esperado o dia passou sorrateiro, engolindo as horas e as tornando minutos que pareciam extremamente impetuosos consigo. Blair por sua vez não estava em casa, havia prometido ajudar nos preparativos da festa a pedido do próprio Shinigami, o que de certa forma estressava a loira, que teria de seguir para a festa por conta própria, já que seus amigos tinham seus próprios afazeres.

— Então.

Do sofá ela olhou para o relógio de parede, eram por volta de oito horas da noite e ela ainda se quer pensava em largar o livro que tinha em mãos, o romance cujo o nome parecia uma piada para si, “Cem anos de solidão”.

"Andava à deriva, sem afetos, sem ambições, como uma estrela errante no sistema planetário de Úrsula."

Ela riu consigo ao ler a frase, concordando mentalmente, se julgando estar em uma situação não tão diferente, ainda que Tsugumi fosse sua nova arma devido à semelhança com uma foice, ela não tinha uma ambição tão ardente como tinha para tornar Soul uma Death Scythe, não que ela fosse uma arma ruim, ela era incrível, além disso ambas tinham a mesma combinação de poderes, as tornando uma dupla monstruosamente poderosa, mas o ressoar não era baseado na música de um piano, que a conduzia com o compasso de uma dança. Mas ainda sim já era tarde, era hora de se levantar, encher o peito e começar a se preparar para a festa, mesmo que em total contragosto.

Lá estava ela em frente ao espelho, tentando mascarar as olheiras da noite passada, mas tentando manter tudo em um tom neutro – sendo excludente o batom vermelho e a longa linha gatuna do delineador, não fazia questão de chamar atenção com outros tipos de maquiagem excessiva. Dedicava-se em prender o seu cabelo em um coque simples deixando sua franja livre contornando seu rosto, ainda sim sustentando por uma fita negra que havia recebido de seu pai, ao redor de seu pescoço uma gargantilha que sustentava um pingente dourado no formato da máscara do Shinigami, e por fim, se dedicou em vestir o vestido negro que ganhará mais cedo. Olhando no espelho se sentia charmosa, ao mesmo tempo que envergonhada com o decote, que apesar de não tão chamativo não era de seu costume, por vir colocou seu escarpam negro.

— Eu consigo.

Respirou profundamente enquanto olhava para sua imagem refletida no espelho a meia-luz de seu quarto, era raro que se sentisse bonita daquela forma devido ao costume de ter sua aparência como motivo de chacota quando era mais nova, por não ser tão desenvolvida como suas colegas. Porém, mesmo tentando estimular a própria confiança, se via tremendo, o que a fazia se segurar na tentativa de restringir seu corpo. Desviou o olhar para o relógio e simplesmente se aborreceu ao ver as horas.

— Eu aposto que Black Star vai me provocar por causa disso – estava atrasada, era nada menos do que meia hora para as onze, por tendência ela era considerada a mais lenta de seu grupo anos atrás, e agora depois de tempos, não seria diferente.

Assim seguiu solitária pelas ruas da cidade, parecia que estava realmente atrasada considerando que as ruas estavam vazias, e a distância notava a movimentação ao redor da Shibusen. Por mais que tentasse atrasar seus passos propositalmente, em uma caminhada de quinze minutos se encontrava em frente ao colégio, e não muito depois em frente a porta do salão da torre em que a festa estava acontecendo.

— Eu…

Não conseguia, estava agitada e travada em frente a porta, como se ela fosse um dos maiores obstáculos dos quais havia se proposto a enfrentar. Soul. Soul estava do outro lado. Ela se recusava a usar sua percepção de alma para confirmar isso, de alguma forma desejava que ele não estivesse do outro lado, esperava que ele tivesse decidido por ficar em casa, já que detestava festas e…

A porta de abriu sem força alguma, no chão notou Excalibur, que lançou o olhar para ela e a chamou de idiota antes de se misturar na multidão a frente.

Agora não havia mais volta, a entrada da espada mágica acabara chamado a atenção de alguns, que caíram de olhares sobre ela, qual apenas se tornou ainda mais tensa até ser envolta por algumas alunas de sua classe.

— Woo, Maka-sensei! Você está linda! Estávamos achando que não fosse vir… – disse uma delas no grupo enquanto Maka fechava a porta atrás de si.

— Eu acabei me atrasando por acidente – respondeu envergonhada. – Perdi muita coisa?

— Não muito durante esse tempo tivemos apenas o Shinigami-sama refazendo seu discurso pelo menos dez vezes por não acertar a simetria perfeita do palco. Soube que essa noite será interessante, teremos algumas performances.

— Parece realmente interessante. – agora mais aliviada ela afagou a cabeça da estudante, enquanto seu olhar buscava na multidão por alguma face conhecida, se deparando então com Tsubaki, que acenava animadamente para ela. – Bom, eu tenho que ir por agora, nos falamos logo, Hana.

— Claro, sensei!

Após a despedida, ela se encontrou com seu grupo ainda incompleto em uma mesa na multidão, puxando uma cadeira para si, enquanto do outro lado Liz a fitava com a face apoiada sobre a mão.

— Está bonita, Maka – comentou, fazendo com que a loira corasse por completo, e agradecesse, em troca dizendo que todos estavam bonitos naquela noite, “até mesmo Black Star” que se gabou dizendo sendo ser o homem mais belo que um Deus.

E assim começaram as conversas, como o esperado Black Star caçoava o atraso de Maka, dizendo que ela continuava a mais lenta deles, sendo reprendido por Tsubaki, enquanto Liz e Patty apenas riam da situação. O clima aos poucos aliviava, no momento apenas vozes preenchiam o salão, nenhuma música, todos caminhavam pelo local se reunindo e conversando, alguns carregando taças consigo, outros apenas acompanhados de seus sorrisos.

— É sério, o cara tinha — pelo menos — uns dez metros de altura! Parecia uma girafa! – o azulado contava sendo interrompido por Patty que insistia em repetir a palavra girafa. Mas o silêncio se tornava coletivo ao som de um a única nota de piano. As luzes aos poucos reduziam, e o som começava a se propagar.

No olhar de todos naquela mesa, o óbvio estava escrito em suas faces, “Soul”. Cada tecla pressionada com a precisão de um mestre, a música parecia como uma enchente de sentimentos, e logo um único holofote se direcionava a um canto do salão, onde as cortinas que o circundavam um palco menor se abriam, revelando o homem em seu terno de risca, e o piano do qual tocava.

Um silencioso coletivo englobava o local, todos admirando a performance ímpar do homem, a música dele possuía uma incrível capacidade de fazer com que as almas ressoassem em uma magnitude para muitos ali desconhecida. Por cinco minutos a atenção da plateia era dele, até que parasse de tocar, se levantasse e cumprimentasse todos com seu típico sorriso. Elegante. Extremamente elegante. Qualquer um que o visse poderia dizer isso, um homem charmoso, cabelos platinados, olhos escarlates capazes de prender sua atenção por horas, e o sorriso quase sarcástico qual aderia o faziam de alguma forma irresistível, o tempo não havia o mudado tanto, apesar de sua altura estar consideravelmente os traços de seu rosto permaneciam bonitos como antes.

Antes que se permitisse receber os cumprimentos pela missão de cinco anos ao redor do mundo, extremamente bem-sucedida, seus olhos buscavam alguém pela multidão. Sem muita dificuldade viu seu grupo de amigos, mas antes que pudesse chegar até os mesmos ele fora parado por uma mulher, cabelos castanhos, olhos azulados como o mais belo dos oceanos, vestida também em azul, quase vulgar. Parecia que dentre todos ela foi a única da qual conseguiu prender sua atenção, ao ponto de parar e conversar com ela, a troca de sorrisos entre os dois não passará despercebida por ninguém.

Em contraponto Maka que se encontrava com seus amigos não deixou de notar – afinal, dentre eles ela era a mais apta a perceber os outros, ainda sim se recusando a ver a alma de seu ex-parceiro.

— Eu vou pegar algo para beber. – se levantou rápida o suficiente para ninguém conseguir a impedir, ao mesmo momento em que Kid chegara até eles, notando a ausência repentina de Maka.

Não demorou muito, excluindo cumprimentos, para que alguém na mesa perguntasse quem era a mulher capaz de adiar o encontro de Soul com seus amigos. Logo, Kid explicou que a mulher em questão se chamava Evangeline Mozart, uma artesã austriaca que haviam conhecido em uma missão menor no Iraque, ela era uma prodígio em foices, capaz de controlar Soul como arma facilmente, também perspicaz quando o assunto se tratava de música, tendo estudado piano por anos, e tocado ao redor do mundo.

Tsubaki franziu o cenho descontente, mas logo Kid afirmou que a relação deles era apenas uma amizade baseada em gostos em comuns, e que mesmo que Evangeline tentasse investir em Soul, ele era incapaz de retribuir de seus sentimentos.

— São os opostos que se atraem – ele fez o adendo.

Inoportunamente a música começou a tocar no salão, assim dando início a dança coletiva, fazendo com que os amigos presentes na mesma mesa se levantassem, Kid levava Patty e Liz para uma de suas danças culturais perfeitamente simétricas como se sentisse falta daquilo, as duas não tiveram objeções, era bom poder relembrar daqueles tempos. Black Star se perdia em flexões ritmadas, tornando Tsubaki envergonhada no que era para ser uma valsa. Soul era arrastado por Evangeline, como ninguém ele cortava o salão enquanto a guiava, por um momento parecendo perturbado ao ver todos se disseminariam pelo ambiente, aproveitando dos giros para procurar uma única pessoa em especial – como se ele não fosse permanecer aquela alma especial para si.

“Maka”. Dentro de sua mente o nome fluiu como água, fácil e simples, como uma nota de seu piano, o trêmulo em sua língua ao falar aquele nome era satisfatório e o retirava sempre os melhores sorrisos. O que era percebido pela artesã da qual ele guiava em suas mãos.

— Procurando alguém? – a morena perguntou para Soul inclinando a face, qual notou seu total desvio de atenção e voltou a fitá-la esboçando um sorriso torto. – A artesã que o tornou uma Death Scythe? – insistiu.

— Estou procurando por meu velho grupo, e além disso, faz muito tempo que não vejo ela.

— Ora, Soul. Você fala com tanta doçura quando envolve essa garota – Evangeline quase pareceu resmungar enquanto eles giravam pelo salão, sem notarem ser o centro das atenções. – Existe alguma hipótese de…

— De? – Soul não era um tolo, sabia que Evangeline mantinha sentimentos por ele, acima do que ele poderia retribuir para ela.

— Eu não sei – rolou os olhos para o lado. – Sua alma ser dela, ou algo do tipo?

— Hm – ele não respondeu, apenas virou a face, se controlando para que não corasse, mas como uma mulher, Evangeline sabia a hora certa para investir em algo, ou pelo menos, tomar a atenção para si, segurando do rosto dele com uma lisura minimalista. – É uma pena, Soul. Que não tenhamos nos conhecido em outra oportunidade.

— Estou satisfeito com as coisas como elas são, Evangeline.

“Maka”. Dentro de sua mente o nome fluiu como água, fácil e simples, como uma nota de seu piano, o trêmulo em sua língua ao falar aquele nome era satisfatório e o retirava sempre os melhores sorrisos. O que era percebido pela artesã da qual ele guiava em suas mãos.

— Procurando alguém? – a morena perguntou para Soul inclinando a face, qual notou seu total desvio de atenção e voltou a fitá-la esboçando um sorriso torto. – A artesã que o tornou uma Death Scythe? – insistiu.

— Estou procurando por meu velho grupo, e além disso, faz muito tempo que não vejo ela.

— Ora, Soul. Você fala com tanta doçura quando envolve essa garota – Evangeline quase pareceu resmungar enquanto eles giravam pelo salão, sem notarem ser o centro das atenções. – Existe alguma hipótese de…

— De? – Soul não era um tolo, sabia que Evangeline mantinha sentimentos por ele, acima do que ele poderia retribuir para ela.

— Eu não sei – rolou os olhos para o lado. – Sua alma ser dela, ou algo do tipo?

— Hm – ele não respondeu, apenas virou a face, se controlando para que não corasse, mas como uma mulher, Evangeline sabia a hora certa para investir em algo, ou pelo menos, tomar a atenção para si, segurando do rosto dele com uma lisura minimalista. – É uma pena, Soul. Que não tenhamos nos conhecido em outra oportunidade.

— Estou satisfeito assim, Evangeline.

— Eu também. – ela sorriu.

Maka apenas observava a situação de longe, apoiada contra a mesa de bebidas, algumas vezes iniciando conversas curtas com conhecidos, mas sem deixar de reparar em Soul e aquela mulher, vendo que ele foi incapaz de cumprimentar até mesmo Black Star, seu então melhor amigo. Era decepcionante? Eram para tudo caminhar daquela forma? Todos como completos desconhecidos, perdidos no tempo? Sem falar daquela mulher, aquela bela mulher que dançava com Soul, eles pareciam fluir como ninguém ali era capaz, tomando conta do salão com sua dança tranquila e compassada, enquanto ela apenas conseguia pisar no pé de Soul, o pedindo para guiá-la.

“Que patético” Se repreendeu mentalmente, girando a taça que estava em sua mão. Nada estava ocorrendo como ela esperava, era tudo mesmo pior do que compraria ser. “Por favor, alguém me leve daqui. Eu não preciso mais… Passar por isso.

Ela respirou fundo, deixando a taça sobre a mesa, era a melhor hora para ir embora. Depois se desculparia com os outros, e- Uma mão se estendeu a sua frente, uma figura elegante, olhos dourados que era incapaz de não reconhecer.

— Maka. – o portador daquela voz aveludada a chamou, quebrando seus pensamentos negativos. Kid estava a convidando para uma dança. – Penso que não tivemos tempo para conversar, já que saiu da mesa assim que cheguei. Não se preocupe, eu prometo não fazê-la dançar vergonhosamente.

— Mas e a simetria? – ela perguntou esboçando um sorriso cômico.

— Eu aprendi um sobre proporção áurea nestes tempos – ele brincou. – Seria um pecado maior do que os listados no Livro de Eibon deixar uma dama qual forma de um conjunto simétrico perfeito esperando por um par, estou enganado?

Maka não tinha ideia de quando o rapaz a sua frente havia crescido daquela forma, sua fala vez mais mansa, vistosa, era impossível recusar seu pedido. E quando se notava novamente se encontrava com os demais na pista de dança.

— Sinto muito pela reunião falha, Maka – Kid sem demora tratou de se desculpar com a loira. – Eu estava ansioso pelo momento que nos reencontraríamos, mas acabei por perceber que acidentalmente dividi todos.

Ela porém não demonstrava estar descontente com a situação, na realidade, ainda se encontrava surpresa com a maneira “fácil” da qual Kid a guiava pelo salão. Segurando sua mão com uma delicadeza da qual não conhecia, visto que Soul a segurava como firmeza como se não desejasse que a dança deles acabasse. Por sua vez, o atual Shinigami parecia querer deixá-la livre, porém segura, um sentimento completamente diferente do que havia experimentado antes.

— Eu não o culpo. Reuniões após tanto tempo, tendem a ser assim, Shinigami-sama.

— Por favor, Maka. Não precisamos dessas formalidades, continue me chamando por Kid, soa muito melhor na sua voz

— Oh – ela não soube o que dizer, engoliu seco e permaneceu ao compasso requintado do homem.

— Desculpe, eu não pretendia a deixar sem jeito.

— Não. Esqueça isso. Não esperava, no entanto, que pudesse dançar deste jeito.

— Ha. É algo que acabei aderindo com o tempo, não pensei que pudesse ser tão interessante ou satisfatório dançar desta maneira.

— O tempo passou, não é mesmo? Nós não somos mais aquelas mesmas crianças, aquelas que derrotaram um Deus, parece que nos folgamos com um mundo mais confortável e fácil de se viver.

— Depois que você evoluí ao seu limite, e as ambições morrem, é complicado de seguir em frente com algum interesse firme, mas eu penso que a vida adulta ainda tem muito para nos oferecer.

— Eu concordo em partes.

— Como sabe, eu fui um fragmento de meu pai criado na forma humana. Eu penso em um dia, por mais fútil ou clichê que possa parecer, ter uma… Criar uma família. Quando todas as pendências do meu cargo diminuírem – levou a mão ao peito, parando a dança. – Penso que meu pai me criou para esse sonho que não pode realizar.

— Kid, eu acho que está enganado.

— Enganado?

— Acredito que o sonho de seu pai tenha sido criar você, apesar dele temer a morte como qualquer outro, o maior sucesso na vida de alguém, é ver seu filho progredir, se tornar forte… Não penso estar enganada sobre isso.

Kid quebrou o momento dando uma risada, voltando a colocar a mão na cintura da loira para voltar a guiá-la pelo salão.

— Você se tornou uma mulher única, Maka. De qualquer maneira, não posso negar sua razão nisso. É bom ter alguém com uma percepção tão delicada e madura para conversar.

— É um prazer poder ajudá-lo, Shinigami-sama – ela sorriu desafiadoramente, arrancando uma risada dele, que logo se tornou mútua.

Do outro lado da pista de dança estava Soul, Evangeline ainda o entrelaçando naquela dança que estava o levando ao fastio, ele não tendia a ficar tão insatisfeito com ela, mas neste dia em especial a mulher estava testando o limite de sua paciência, apenas agitando a alma dele que requiria ver seus antigos colegas.

— Evangeline. Não gostaria de beber algo? – o albino questionou, mesmo porque, criado em uma família rica, ele era inevitavelmente criado em cortesia, apenas forçando aquela aparência caótica e desbocada qual demostrava quando mais jovem.

— Pensei que estávamos tendo um bom momento aqui, Soul. – ela se forçou a mágoa.

— Estamos, mas também desejo ter um bom momento com meus amigos, se não se importa.

— Está bem – respondeu seca. Tentando o fazer guiá-la por sua mão, ou lhe oferecer o braço, dos quais ambos ele recusou andando em um passo mais rápido do que o dela, não sendo o suficiente para que ela deixasse de o seguir até a mesa de bebidas.

— Servida? – ele retrucou pegando uma taça de champanhe para si e para ela. – Evangeline, eu realmente gostaria de poder um tempo com meus amigos.

— Quem é aquela dançando com o Shinigami-sama? – a mulher o ignorou para apontar o fato, o único casal na pista de dança agora eram Maka e Kid, pois uma plateia admirada se formara ao redor deles, observando a facilidade com que os dois dominavam o ambiente. – Parece que as almas deles estão em sincronia.

Soul congelou. Sabia da presença de Maka, conseguia perceber ela como uma vela no escuro, mas não tinha a visto ainda, e lá estava ela, brilhando a luz do holofote, uma mulher como não havia visto antes, era tão bela que apenas de admirá-la sua garganta secará por inteiro, o forçando a tomar do champanhe.

— Maka. – o nome escapou limpo, atraindo a atenção negativa de Evangeline, que aparentou estar contrariada naquele momento.

— Pois parece que o Shinigami-sama se agrada muito em dançar com ela – balbuciou, ácida. Sem perceber que neste mesmo momento, com o simples comentário a taça que Soul segurava em sua mão era forçada ao ponto de começar a se partir.

— Eles eram bons amigos.

— Talvez hoje em dia possam ser mais que isso.

Ele pretendia do fundo de sua alma mandar ela se silenciar, cuspir um “cale essa boca”, mas tudo o que fez foi repousar a taça partida na mesa, respirar profundamente.

— Vou me encontrar com os outros – se afastou rigidamente, indo a procura de seus velhos amigos, assim encontrando Patty, Liz, Black Star e Tsubaki reunidos conversando aos sorrisos. Sendo recebido aos gritos pelo azulado, assim o saudando com um aceno.

Maka havia perdido total noção do tempo naquela dança, parecia que o mundo em anos havia sido colocado nos eixos, tudo aquilo ajudou com que se acalmasse e pudesse lidar melhor com toda a situação, talvez Blair estivesse certa em recomendar que ela fosse aquela festa.

— Maka, eu fico feliz em reencontrar vocês, espero nunca mais ter lidar com missões como essas. Eu realmente gostaria de ter vocês por perto, desta vez como a família que costumávamos ser – Kid foi honesto no que disse, a loira se quer precisava se dar ao trabalho de fitar a alma dele para saber disso.

— Eu também estava com saudades, vocês fazem uma falta de um tamanho que sou incapaz de explicar, é como se eu não me sentisse completa.

— Agora juntos, nós estamos completos, não?

Neste momento ela levantou o olhar, não conseguia decifrar aquele sorriso no rosto dele, ou pelo menos, parecia temerosa de fazê-lo. Uma noite era capaz de tornar tudo estranho, apesar de feliz. Ela pretendia o responder, no mesmo tom doce em que ele a perguntou, mas foram interrompidos por uma mulher, ou melhor, a mulher que havia sido impropriamente apresentada, Evangeline.

— Perdão, Shinigami-sama. Se importa de dançarmos? Seria um grande prazer poder acompanhar seus passos, se não for problema para sua parceira – a morena disse, Maka mesmo sem a conhecer pode sentir um desdém quando a mulher se referiu a ela.

— Tudo bem, Kid. Eu estava pensando em retocar a maquiagem, coisa de mulher, você sabe – Maka cedeu a ela a oportunidade que queria, apenas para ter o prazer de não ter de se referir ao Kid como um superior, mas um igual, para total e completo desgosto de Evangeline.

— Muito bem, Maka. Espero que possa me responder mais tarde.

— Eu irei – ela sorriu antes de se afastar.

Perdida em meio a multidão que voltava a dançar, ela buscou por qualquer face familiar que pudesse se aliar, estava alegre ao ponto de não conseguir explicar, se sentia energizada por mais que tivesse dançado por quinze minutos inteiros com o Kid. Então era isso que significava amadurecer? Aquilo poderia ser um flerte? Sua alma se agitava com a ideia, com a experiência, era algo novo alguém tratá-la assim. Precisava falar com Tsubaki, ou Blair, já que seria vergonhoso falar com as irmãs que fizeram par com Kid por tanto tempo.

Encontrou-os, o cabelo de Black Star era um holofote por si só, se aproximava rapidamente, tentando aderir ao grupo, sem pensar muito.

— Como estamos? – questionou animada, envolvendo o braço ao redor do pescoço de Liz e Tsubaki, porém havia um ar de tensão ali, por mais que todos tivessem a recebido aos sorrisos e risadas.

— Maka.

Sentiu seu coração bater errado ao elevar o olhar e fitar as orbes escarlate a fitarem como se pudessem ver além de sua carne e pele (e de certa forma podiam). Lá estava, o homem de cabelos platinados, agora a superando em altura, encarando-a sem esboçar qualquer expressão que fosse, assustadoramente indecifrável. Nenhuma palavra a mais foi dita por ninguém, pelo contrário o caminho se abriu quando Soul se aproximou e a pegou pelo braço a puxando para longe de todos.

— Soul! – ela não esperava ter de chamá-lo quase em súplica pela primeira vez em cinco anos, ele literalmente estava a arrastando pelo salão, levando-a para a mesma sacada que em muitos anos ela pediu para dançar com ele, sendo recusada e forçada a dançar com seu pai.

Ao chegarem lá, puxou o fio que sustentava as cortinas abertas, criando naquela sacada um espaço privativo.

— Soul. – o chamou novamente inutilmente.

— Nada disso faz sentido.

Sem dificuldade ele a instruiu a se colocar para dançar. Segurando-a com firmeza, em completa contraversão a forma que Kid havia a guiado mais cedo, podia sentir as ondas de sua alma transpassarem sentimentos confusos, mesclados, mesmo sua ávida percepção estava confusa perante aquilo.

— Por que dói tanto? Por quê? E você não pode me responder. Esta reunião. Está tudo errado nela, eu deveria ter feito diferente, no momento que senti sua alma por perto, eu deveria ter ido até você, que se dane essa merda de mundo, droga!

— “Maka chop” – e assim ela bateu com a própria mão em uma vertical sobre a cabeça dele.

— Maka – ele olhou para ela, abraçando-a ao ponto de forçá-la a ficar na ponta de seus pés, sentia falta de abraçá-la, tocá-la, porém sentia medo do que poderia ter mudado em cinco anos, poucas notícias e informações eram as culpadas… Não, ele era o culpado, poderia ter mandado cartas, e não se deu ao trabalho, poderia ter ligado e não ligou, não conseguia imaginar como isso poderia machucar a garota que o tirou de seu inferno pessoal – sua aria, como foi capaz de deixá-la assim, deixar com que outros a tocassem, permitir que alguém assumisse o lugar que ele tinha na vida dela.

— Soul – a loira retribuía do abraço, mal se lembrava do toque dele, e agora estava em seus braços, em um mundo apenas deles, como costumava ser antes de se separarem. – Está tudo bem agora.

— Você fez tanto por mim, Maka. E eu se quer estou agora ao seu lado para protegê-la.

— Eu não fiz tudo que fiz para você me proteger pelo resto da vida, Soul. Eu o fiz para que pudesse ser o melhor, e agora você é. Estou orgulhosa de você, de tudo que fez, este é seu verdadeiro caminho, e nada poderia me deixar mais feliz que isso – quantas mentiras em uma única frase, poderia se repreender por noites por conta disso.

— … – ele apenas a observou cuspir aquelas palavras com imparcialidade, seu cenho franziu para toda aquela “ladainha” coreografada dela. – Maka. É o que você realmente sente? Ou o que você finge sentir, pois é mais fácil para você conceder do que compreender seus próprios sentimentos ou o dos outros? Parece que isso não mudou.

— Eu não estou tentando conceder nada, estou falando a verdade! – afastou-se do abraço, seu nervo de raiva havia sido apertado com as palavras do albino, fazendo ela soltar sua ira guardada em sua voz raivosa.

— Você é idiota?

— O quê?

— Eu sei mais do que ninguém o que você sente, Maka. Mesmo afastado de você, é tão fácil te ler quanto uma dúzia de páginas dos livros que você lê viciosamente.

— Do que você está falando!? – retribuiu, em gritos, tendo seu braço direito segurado com força, sendo puxada para frente.

— Eu conseguia sentir suas ondas desde que você colocou o pé para dentro da Shibusen, Maka! Você parecia depressiva, desanimada, especialmente ao me ver dançando com a Evangeline.

— Pois bem, se ela o faz tão bem e não o perturba com uma onda “depressiva” por que não volta até ela no lugar de cumprimentar os seus amigos que estavam bem na sua frente?

— Sei que errei, eu errei em vários pontos, especialmente com você! E por que está preocupada com a Evangeline repentinamente? Se eu quisesse estar com ela, eu estaria, mas não, estou aqui com você, sua idiota!

— Eu não ligo! – ela revidou tentando puxar seu braço de volta, inutilmente.

— Mas que droga, você é uma criança, Maka?! Eu vou perguntar de novo, é como você realmente de sente? Imparcial? Diga-me que sou louco então. Atreva-se! Diga-me que estes pensamentos torpes, irreais e fantasiosos são apenas desventuras de minha mente. Mas ao menos, se for fazê-lo, use o semblante certo, e não este olhar amargo por trás de uma máscara feroz.

— No que isso te importa, Soul?

— Me importa, Maka. Porque, em todo esse tempo, eu só pode concluir algo. Minha vida não é a mesma sem você, nunca será. Nunca me conectaria com alguém da forma que me conecto com você, estar com você é ter uma partitura em branco esperando pela melhor música a ser escrita, e a música que criamos, a música que criamos juntos, é tão boa quanto eu vou poder criar com qualquer outra pessoa.

— É assim que você se sente?

— Você pode ver minha alma, Maka.

— E o que isso significa?

— Isso não é óbvio, rata de livros? – Soul teve de rir, olhando para o semblante focado dela. – Eu amo você, perdidamente, ao ponto de me despedaçar a alma não tê-la para mim, esse sentimento vem me consumindo desde o primeiro dia que nos afastamos. Não teve um momento que pude me perdoar por ter me deixado de falar com você, sinto como se estes anos tivessem sido um desperdício sem tê-la por perto.

Soul não pode prosseguir, Maka estava aos prantos, porém não eram lágrimas de alegria, e ele sabia muito bem.

— Seu idiota!

A mulher então puxou o braço com toda sua força, e correu do local, cruzando o salão sem que ninguém tentasse a parar, enquanto esfregava seus olhos contra o braço. O albino por sua vez permanecia no local, olhando para o céu enquanto afundava as mãos nos bolsos e enchia os pulmões.

— Mais uma noite sem lua. É o que parece.

[Continua? ]

Notas finais
Apenas esclarecendo, os hints que a história fornecem são realmente para afirmar que Maka está depressiva com a perda de Soul do seu lado. Por isso ela considera seus dias monótonos, deixou de sentir prazer em manter a casa arrumada, ou mesmo sair com seus amigos (o que explica o fato dela não encontrá-los por um longo tempo), a temática da depressão é um fator do qual acho interessante de ser trabalhado, por isso não pode perder a oportunidade. Se possível deixe um comentário com sua opinião, gostaria de saber se devo continuar, ou terminar em um cliffhanger! Prometo responder você com o maior carinho! Se a história conseguiu lhe chamar a atenção não esqueça de favoritá-la! Isso me incentiva completamente para trazer mais conteúdos ao perfil! Como diria o Professor Sid - um bom dia, boa tarde, boa noite! E agradeço a leitura!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.