Era um dia normal no sistema reprodutor feminino. Os ovócitos, que ainda não haviam amadurecido, brincavam pelos ovários, enquanto outros já se preparavam para sua missão final. Foi então que através das trompas de falópio, uma mensagem, vinda do útero, ecoou por todos os cantos.

— Eu não vou gerar macho chato do caralho! Estão proibidos de aceitarem serem fecundados por um espermatozoide Y, vocês me entenderam? Se chegarem aqui com essa porra eu vou abortar!

Os ovócitos não sabiam o que estava acontecendo, o útero sempre foi pacato e receptivo. Era uma atitude muito estranha, à qual eles não sabiam como reagir.

— Querido Útero, o que está acontecendo? É a TPM? — perguntou o endométrio.

— O que você disse, seu filho da puta? Espero que você descame e caia direto na privada, seu lixo. Não é à toa que te chamam de sangue sujo!

O endométrio, que não podia se encolher, afinou de tanto medo.

— Eu passo nove meses carregando esses bostinhas. Me fodo todo, tendo que me esticar e destruir minha bonita silhueta, para quê? Para eles crescerem, se tornarem uns embustes, que não limpam a bunda e nem lavam o pinto? Jamais, eu me recuso!

Temendo represálias, os ovócitos resolveram acatar a ordem. Eles organizaram aulas, para ensinar os novatos a identificar seus inimigos.

— Os espermatozoides, que carregam o cromossomo Y, são velozes e pequenos traiçoeiros. Vão atacar dentro das primeiras 24 horas após sua entrada no canal vaginal, passando pelas trompas, até chegar ao ovário. É aqui onde iremos nos defender — explicava o ovócito maduro. — Nesta área, vocês devem se proteger de todas as formas. Façam escudos, criem barreiras. Falhar é inaceitável!

E assim o fizeram, esperando o fatídico dia da fecundação. Que não demorou a chegar. Sentiam o corpo, que os protegia, aumentar a temperatura, além do balanço peculiar que ritmava o momento. A hora se aproximava, as contrações e a urgência denunciavam. Todos seus guerreiros mantinham a posição.

Quando os soldados invadiram, o útero viu que não havia o que fazer, eram muitos invasores. Percebeu que estava louco, quando achou que poderia ganhar. Talvez tenha sido influenciado pelas diversas exibições de “300”, ou abstinência daqueles hormônios que ela costumava tomar todo mês. Desistiu e aguardou seu destino.

— Se for macho, espero que herde a capacidade de encontrar o clitóris! — resmungou enquanto assistia seu domínio perecer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.