Último Resquício de Amor(Quebre as correntes)
14 Conflito no Jardim do bem e do mal
Novas terras
Novos corações
Não sei se vejo
O Horizonte
Tenho medo
Campos lindos
Venha comigo
Transitemos
Veremos
Somos nemos
Ninguéns
É seguro¿
Me ajude a ver
A descobrir
Novo mar
Podia te dá-lo
Todo, sem soldo
Mergulhar
Pra ver
Se meu pulmão aguenta
Porque meu coração, não
Hanna pegou esse poema enquanto acordava. Sonhara que estava em Vênus, o planeta do amor. Estava num hotel cujo nome não lembra. Era um estilo que não conseguia descrever. Aria até disse. Nada vinha à sua mente. Era púrpura. Dentro de balões. Estes pairavam por Vênus. Balões amarelos-queimados. Hanna observava as nuvens de Vênus e formavam imagens. Densas e muitas. Muitas nuvens. Não se via a superfície do planeta. Olhou o Sol, era maior. Mais branco. Todos usavam óculos, cujo desenho ainda não havia na Terra. Hastes mudavam com a luz do Sol. Tudo novo. Novas tecnologias. Nova ‘terra’. Aria falava dos que haviam morrido, só havia elas duas... Então Hanna acordou. Ela só abriu os olhos, estática. O sol estava sobre o rosto, pôs o lençol de volta. Pensou mais um instante no sonho. Pegou o poema...
A folha tinha cheiro de Bacuri. Queria saber se esteve no Brasil. Aria adorava o país. Cor rosa azaleia, o pedaço de papel. Hanna resolveu rabiscar umas flores. Primorosa, ela traçou uma flor, uma que tinha visto quando visitou o Jardim Botânico da Índia. Uma flor de cinco pétalas. Violeta Aurora de detalhes rosa. Melindrou-se por colocar até as gotas de orvalho. Um vento soprou a folha para fora da cama, sobre o chão. Olhou para a folha. Gostaria de entender o que Aria estava passando ou sentindo.
Pôs-se a correr pelo Parque. Domingo. Outono. Estava de casaco esporte verde-musgo e uma calça jogging. Depois de uma meia-hora de exercício, pôs-se a descansar sob a árvore onde sempre Aria meditava, tocava, descansava. Apalpou um pouco a grama gelada e achou aquilo gostoso. Olhou para cima e viu o sol lhe clarear.
Aquilo lhe trouxe memórias difusas. Mas conseguia lembrar correndo atrás de uma garota. Segurava-a e caiam juntas sobre a grama. A grama que Hanna segurou de novo, de olhos fechados. Enquanto isso, Aria se preparava para tocar no show de talentos. Sentiu-se satisfeita com as composições, o que eram inéditas à Aria.
Hanna levantou-se e pôs a voltar para casa, correndo. Voltou o semblante e imaginou Aria sentada ali, com fones, colete vermelho, calça jeans e tênis cinza-escuro com detalhes vermelhos.
No outro dia, segunda-feira, Hanna estava sonolenta, num ar onírico. Via Aria. Andava devagar, mas numa velocidade cinematográfica, deslocando-se sua imagem a passos longos. Seus cabelos esvoaçavam e emaranhavam no rosto de Hanna. Os cabelos a deixavam confusa.
Era o show de talentos. Aria pôs-se a apresentar. Tocava violão e cantava. Mas antes, ajeitava a correia e esperava sua banda se preparar. Pronunciou que iria tocar MPB, música do Brasil, o que era um pouco desconhecido ao público adolescente da cidade. Pôs a cantar alguns versos em português, mas o resto foi em inglês. Hanna ouvia atentamente. Emily escutou, entendeu a mensagem, o conflito de Aria; e olhou para Hanna por alguns segundos. Esta não entendia, só apreciava a música. Emily voltou serenamente a olhar para direção do palco. Pouca luz vinha sobre Hanna, o que lhe dava um aspecto sombrio. Aria não pode vê-la no público, porque também estava afastada das outras Liars. Enquanto a música soava, Hanna via o poema de Aria num papel que tinha em mãos, era a mesma letra, mas não entendia.
Aria foi muito aplaudida. Mas esboçou uma reação tímida. Desceu o palco olhando para baixo, mas serenamente. A banda a acompanhou. Hanna cariciava o braço direito com o polegar esquerdo, braços intercalados.
Quando chegou a casa. Hanna saltou sobre a cama. Pensou sobre tudo que houve no dia e parou no show da noite. Não parava de pensar na canção. Finalmente entendera. Aria estava confusa.
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