Último Ato

1 Capítulo único


Notas iniciais
Então, eu estava organizando meu guarda-roupa e achei três cadernos antigos da época do Ensino Médio e tem muitas histórias perdidas, dentre elas esta. Eu escrevi ela em um momento da minha vida que não me orgulho muito. Tive muitos problemas e pensamentos ruins nessa minha fase, e quando escrevi isso estava com a cabeça em outro lugar. Não, nunca pensei em pular de pontes. Como eu disse suicídio não é um ato libertador, ele condena você para toda a vida, pois você está fugindo de seus problemas da pior forma. Espero que gostem, achei interessantinho, então não mudei quase nada da versão de 2013. Boa leitura!

Ultimo Ato

C a p í t u l o Ú n i c o

...

O gotejar da água pela beirada da ponte, indicando a forte chuva que ocorrera minutos atrás, caia suavemente nas águas do rio calmo e extenso. O céu escurecido pelas nuvens acinzentadas deixava o ar úmido e gélido. De tempos em tempos finas gotas despencavam das nuvens ainda carregadas.

Vários carros passavam pela ponte vagarosamente. Diversas buzinas ouvidas por toda sua extensão. Um par de pés descalços colidiam com o asfalto áspero e úmido, deixando-os sensíveis a cada pisar.

Trajada num vestido branco encardido e rodado que ― medindo ao meio de suas coxas, todo molhado pela água da chuva ― grudava em suas pernas dificultando sua locomoção. Cabelos negros e lisos, mas pesados pela água que escorria e pingava pelas pontas rentas. Vários fios colados ao seu rosto alvo e ligeiramente corado pelo vento gélido que batia em seu rosto.

Olhos vermelhos e inchados destacando as orbes azul-turquesa demonstravam as horas de choro que a jovem provavelmente havia tido. Os lábios brancos quase imperceptíveis em sua pele pálida, com somente um leve contorno arroxeado.

Parou bruscamente virando-se a beirada da ponte se apoiando nas hastes de ferro maciço. Sentia-se sozinha, quebrada em finos pedaços que se fundiam em suas lágrimas salgadas. Sentia falta de um calor, um conforto e, acima de tudo, sentia falta dele.

Aquele o qual recebera seu coração tão facilmente e, mesmo com tudo que lhe proporcionou, ele acabou a deixando em uma desilusão imensa. Deu-lhe amor, carinho, fidelidade, sendo retribuída com a mais suja traição.

Fitou a água escura e nebulosa a fazendo morder o lábio inferior. Respirou fundo apoiando seu corpo no parapeito levantando as pernas trêmulas as colocando na grande haste. Ficou de pé encarando o rio agitado e escuro colidindo com força na ponte espalhando água por todos os lados, como se sentisse o desespero envolvendo a alma da jovem e quisesse acudi-la.

Pingos gélidos caíam sobre sua cabeça a fazendo encarar o céu que chorava consigo. Abriu um sorriso sem emoção estendendo os braços e fechando os olhos.

‘Meu último ato’ pensou a garota esticando seu corpo como em um alongamento. Gritos distantes chegaram a seus ouvidos como zumbidos, como se pedissem para que a mesma não pulasse, mas na mente dela elas pediam exatamente o contrário.

Pule.

Seu corpo tombou para frente deixando-o cair em meio ao rio. Um assustador silêncio sendo seguido por um barulho de algo colidindo com a superfície da água. Um pequeno aglomerado de espumas apareceu e desaparecendo na sequência como se nunca sequer estivesse ali.

Engolindo o presente dado pelos céus.

Debaixo d´água sentiu-se calma e tranquila. Fechando os olhos sentiu seu desespero se esvair juntamente de seu corpo e alma.

Libertando-a dela mesma.

...

Um apito soou alto pelo local fazendo todos saírem de perto do cenário de fundo verde no estúdio.

“Ficou ótimo! Um esplendido final, todos estão de parabéns.” Indagou o diretor de olhos negros e cacheados. A pele acobreada contrastando com sua roupa de grife nova.

Todos assentiram saindo e conversando pelo local. A garota de branco havia se secado e estava com um sobretudo preto preso com um cinto. O homem se aproximou dela sorrindo.

“Foi muito bem, me impressionou Gisele.” Elogiou o diretor a fazendo rir orgulhosa.

“Só fiz o que me mediu, Robert” respondeu agradecida. Ele meneou.

“Café depois do expediente?” perguntou sugestivo. Gisele sorriu de lado.

“No Balzac’s?” sugeriu. Ele abiu o sorriso largo.

“Sempre.”

As coisas foram recolhidas com cuidado e guardadas para um próximo evento, pois o final, o último ato, já havia sido finalizado.

~Fim~

Notas finais
O que acharam? Opiniões? Sim, era um filme! HÁ! hreuhruehre não foi totalmente Angst, como eu disse lá em cima nunca pensei em suicídio, mas umas ideias meio bizarras apareciam na minha mente a toda hora, então o que melhor do que passar esses pensamentos para o papel? Gisele é um nome tão não-artístico ruehurheurheu "Ah, mas tem a Gisele Bincheuhrnr (não sei escrever esse nome do cão)" ok, posso repetir o não-artístico? urehruehruer brincadeira. Bom, é isso. To começando a pegar gosto por Originais, é interessante sair um pouco dos Fandoms. MAS NÃO SERÁ HOJE! MUAHAHAH Tenho uma Solangelo para postar. Enfim, obrigada por terem lido até aqui. Espero que tenham gostado, ou pelo menos achado interessante. "Qual a moral?" Nenhuma "Por que escreveu?" Aula de física, era muito chata "Acha suicidio libertador?" Não, ele condena você. "De onde veio a ideia?" De mesmo lugar dos bebês "Ta postando por quê?" Ta perguntando por quê? Beijinhos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!