Último Adeus

4 Capítulo 3 - Pesadelo


Notas iniciais
Espero que gostem ;)

Annabelle

Sorria antes mesmo de abrir meus olhos. Tudo aquilo aconteceu mesmo ou foi um sonho? Suspirei feliz e finalmente decidi levantar, olhei para a cama toda bagunçada e vi que Christopher não estava mais lá. Claro que ele não estaria, com certeza deve ter ido para seu quarto antes de amanhecer para não levantar suspeitas, sentei na cama e me espreguicei o sorriso bobo não saia do meu rosto.

Localizei meu short caído ao lado da cama, me levantei e o coloquei, foi então que percebi a mancha de sangue na minha cama, peguei o lençol e o levei para o banheiro e comecei a lavar, o colocando logo em seguida no cesto, caso alguém perguntasse diria que meu período tinha chegado mais cedo.

Aproveitei que estava no banheiro e entrei no chuveiro, tomei meu banho cantando e pensando na noite incrível de ontem. Os lábios de Christopher passeando pelo meu corpo, suas mãos me apertando, seus dedos me descobrindo, só de me lembrar um arrepio percorria todo o meu corpo o deixando em brasa. Não foi o que eu tinha imaginado para a minha primeira vez e devo admitir que doeu bem mais do que esperava, mas nada disso importava, pois o mais importante era que tinha sido com ele, com Christopher. Agora ficava imaginando o que aconteceria. Será que ele iria me pedir em namoro? Tinha certeza que não, Christopher era orgulhoso demais, além disso duvidava que ele tornasse isso público, eu era praticamente uma pária naquela escola e Christopher não era do tipo que iria arriscar sua reputação para entrar abraçado comigo na frente de todos. Ou ele faria isso? Só de pensar nessa possibilidade meu sorriso aumentou ainda mais, sai do banho sem parar de cantarolar e me aprontei para a escola, desci as escadas praticamente correndo só pensando em ver ele de novo.

Assim que entrei no cômodo para o café da manhã a primeira coisa que percebi foi o lugar de Christopher vago, aquilo derrubou um pouco meu ânimo. Talvez ele estivesse dormindo, afinal a noite tinha sido boa. Boa só não, maravilhosa, deliciosa, perfeita.

– Bom dia Anna. — Katherine cumprimentou me fazendo esquecer meus delírios, sorri e fui até eles, os cumprimentando com um beijo.

– Bom dia mesmo! — Respondi sorrindo.

– Hum alguém aqui acordou de muito bom humor. — Robert disse tomando sua xícara de café.

– É que eu dormi muito bem. — Falei colocando suco de laranja no meu copo e pegando um pedaço de bolo. — E vocês. Como foi a noite? — Katherine suspirou.

– Sabe como são esses eventos né? Tão cansativos. — Reclamou, assenti. — Mas o fim de noite foi bem agradável. — Completou olhando sugestivamente para Robert. Ele sorriu com carinho pegando sua mão e a beijando, achava linda a relação dos dois. Era inegável o quanto se amavam, isso era tudo o que eu queria em uma relação. Fiquei pensando se um dia Christopher e eu estaríamos assim.

– Nada como uma boa noite para acordar bem não é? — Apontei sorrindo comendo uma torrado.

– Com certeza meu bem. — Concordou com um leve sorriso nos lábios. Realmente a noite deles deve ter sido boa, me lembrei novamente da minha, me deixando novamente em um mundo dos sonhos.

– Filha quer uma carona para a escola? — Robert ofereceu solicito, por mais que Katherine e ele insistissem que eu usasse o motorista eu geralmente pegava o ônibus escolar como os outros alunos, me negava a ter qualquer tipo de mordomia.

– Obrigada Robert, vou aceitar. — Eu gostava de pegar carona com ele, íamos conversando sobre a escola e o trabalho, ele sempre me dava ótimos conselhos.

Terminei o café e segui para o meu quarto para escovar os dentes e pegar meu material. Christopher não apareceu em nenhum momento, pensei em perguntar por ele, só que como eu nunca havia feito isso decidi não dizer nada. Com certeza eu o veria na escola, só que lá eu tinha certeza que ele não iria falar comigo, mas não ia me importava com isso agora, mesmo se ele pedisse que mantivéssemos nosso relacionamento em segredo eu aceitaria. Faria o que fosse para ficar com ele. Não via a hora de ficarmos sozinhos em casa novamente, antes que pudesse pensar em mais alguma coisa a buzina do carro de Robert me despertou do meu sonho, me aprontei e desci.

Cheguei na escola e inconscientemente me vi procurando por Christopher, mas não o encontrei em lugar algum, nem mesmo nas escadarias onde ele sempre ficava com os inúteis dos seus amigos. Bando de garotos insuportáveis, o tal de Patrick tinha até tentado me beijar a força, mas lhe dei um belo de um tapa. O que esses playboys achavam? Que era só ir chegando e tudo certo? Christopher podia encontrar amigos muito melhores. Passei meu dia inteiro procurando por ele, mas nada, nem no refeitório nem durante as trocas de sala. Já estava começando a ficar preocupada. Será que ele ainda estava em casa? Será que estava bem? Eu era uma idiota, devia ter perguntado para Katherine sobre ele. Bom, agora isso não importava mais, a aula tinha acabado e eu o veria se ele estivesse em casa, meu coração já batia apressado no peito imaginando ele vindo na minha direção com um sorriso enorme e me girando pela sala e depois me beijando. Só de pensar nisso aquele mesmo sorriso bobo voltava a aparecer no meu rosto juntamente com um leve rubor.

Quando estava saindo do prédio da escola percebi uma aglomeração em frente, olhei bem e pude ver que Christopher estava ali entre os seus amigos. Respirei aliviada por ver que ele estava bem. Tomei coragem e fui até lá. Talvez pudesse pedir uma carona para ir para casa, ninguém ia suspeitar afinal morávamos no mesmo lugar. Ele iria recusar para não dar bandeira? Só esperava que não ficasse chateado ou bravo comigo. Conforme ia me aproximando percebi que estavam todos em silêncio, pareciam concentrados ouvindo uma gravação. De repente fiquei estática, eu reconhecia aquela voz, era minha, e eu estava dizendo ao Christopher o quanto eu o queria.

– Olha só quem esta aqui? — Um dos meninos se virou me encarando. Eu fiquei parada.

– Nossa Annabelle não sabia que você tinha uma boca tão suja. — Patrick me disse se aproximando.

– É, quem diria que a gatinha gostava de gemer alto. — Marcus disparou com um sorriso malicioso. Eu continuava na mesma posição em choque. O que estava acontecendo? Procurei os olhos de Christopher, que me observavam com um sorriso sacana no rosto.

– Sabem o que dizem sobre as mais quietinhas né Marcus? — Patrick provocou. — São as mais selvagens. — Falou tocando meu ombro, me afastei dele e encarei Christopher.

– O q-que significa isso? — Perguntei sem conseguir evitar de gaguejar.

– Ah Annabelle, você, uma aluna brilhante não sabe mesmo o que significa isso? Oras, por favor. — Christopher respondeu caçoando.

– Eu não entendo. — Falei completamente perdida.

– Ahhhh... Você ... hum não entende? — Joseph perguntou como se estivesse gemendo. Voltei a olhar para Christopher.

– Christopher? — O chamei na esperança dele desmentir tudo o que estava acontecendo e me dizer que não havia gravado nossa noite.

– Assim não Annabelle. — Zombou Patrick. — O certo é: Awn Christopher. — Gemeu me imitando. Todos caíram na gargalhada, inclusive Christopher. Eu me aproximei dele, meus olhos marejados. Não podia admitir que isso fosse verdade, que ele seria capaz disso.

– Me diz que é mentira. — Pedi quase chorando.

– Não Annabelle, não é, foi uma aposta e eu ganhei. Disseram que eu não seria capaz de transar com você, mas eu provei o contrário. — O encarava abismada, sem querer acreditar em suas palavras. Ele fez um bico. — Own! O bebê vai chorar? — Eu não me segurei e pulei em cima dele socando seu peito.

– Seu canalha desgraçado. — Christopher continuou rindo enquanto segurava meus braços. — Como pode fazer isso comigo? — Esbravejei lutando contra ele.

– Para que tanto escândalo garota? Vai dizer que você não adorou quando eu a fiz gozar? Foi você que pediu. Christopher me fode!! Me fode gostoso!! Por favor. — Repetiu imitando minha voz e o que havia lhe dito naquele momento tão íntimo. Me desvencilhei dos braços de Christopher.

– Você nunca mais vai encostar o dedo em mim. ESTA ME OUVINDO? NUNCA MAIS! — Gritei, atraindo a atenção de mais pessoas. Ele abriu um sorriso irônico.

– Obrigado, mas acho que uma vez para mim foi o suficiente. — Respondeu rindo com uma cara enojada fazendo com que todos dessem risada também. Virei de costas e fui embora.

– Hei Annabelle não fica assim não. Se quiser vou adorar ouvir você gemer para mim. — Pude ouvir Patrick gritar, sai de lá o mais rápido que pude, não queria encarar ninguém. Como ele foi capaz de fazer isso? O que eu fiz para ele? Tentava o máximo que podia segurar o choro, vi um taxi e fiz sinal. Sem perceber comecei a chorar desesperadamente, o que fez com o que o taxista perguntasse se eu estava bem. Bem? Eu acho que nunca mais estaria bem na minha vida, eu estava devastada, completamente destruída. Eu era uma idiota, conhecia Christopher. Como pude me deixar levar por ele sabendo do que ele era capaz? Me sentia um verdadeiro nada. O meu maior sonho tinha sido tirado de mim de forma grosseira e estúpida só por dinheiro. O que eu mais queria era poder acordar e perceber que tudo não tinha passado de um pesadelo. Um terrível pesadelo.

Notas finais
Bjs e até o próximo ;)