Última luz
2 Capítulo 2
Depois de uns meses eu finalmente sai de casa — não por vontade própria — fui fazer mercado para a minha mãe, fazia muito tempo que não ia a esse mercado. Infelizmente encontrei com uma das pessoas que me perturbavam na escola, agora trabalha no caixa, troquei breves palavras e não conseguia olhar nos olhos, não via a hora de ir embora o mais rápido possível dali, não sentia uma ansiedade como essa desde que sai da escola.
Assim que paguei as compras fui apressada para casa, entreguei tudo a minha mãe e me tranquei em meu quarto — meu doce peito seguro, o único lugar que sabe me acolher quando estou a beira de outro ataque, e onde posso esconder meus rituais de dor. Se minha mãe entrasse no meu quarto, acho que ela brigaria muito comigo por ter tantas manchas de sangue pelo chão — fiquei lá praticamente o dia todo, apenas sai para comer e voltei ao quarto, não sei mais interagir com ninguém, até mesmo com as pessoas de casa.
As vezes escuto minha mãe no Telefone — já que ela tem alguns probleminhas e falar baixo quando conversa com alguém — ela diz que sou estranha, que não sou mais a garotinha que ela conhecia e que tanto queria de volta. Sempre que escuto ela falar, sinto uma dor em meu peito, como se já faça tivesse sido gravada em meu peito. Isso sempre me faz querer morrer, mas tenho medo dela ficar mais chateada comigo, então recorro ao meu velho amigo estilete, ele sempre está ao meu lado quando quero muito fazer essa dor no peito parar, ele me ajuda tanto.
Gosto de ver o sangue escorrendo do meu braço, sinto uma dor tão calmante. Claro que depois tenho que pegar as ataduras e enrolar em meu braço, sei que não posso deixar sangrar de mais ou até mesmo cortar muito grande, pois tenho que conseguir esconder de todos.
De novo não consegui dormir direito, sempre fico pensando em como eu deveria não ter feito as coisas que já fiz em meu passado, sempre remoendo tudo, como gostaria que poder fazer todos esquecerem que um dia eu existi, talvez isso me ajudasse a viver melhor sabendo que sou nada para ninguém.
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