Notas iniciais
Minha primeira fic, espero que vocês gostem! Críticas são bem-vindas, tanto como elogios haha boa leitura! Link para a música: http://www.vagalume.com.br/fall-out-boy/where-did-the-party-go.html

O juiz apita indicando mais um ponto do time do De La Salle. Set point. Mais um, e avançamos mais uma fase rumo à final. Anne saca a bola, que é receptada pela defesa do time visitante e passa para nosso campo. Lillian acerta a bola de manchete, passando-a para Lauren, que levanta para que eu corte no campo adversário. Eu dou um leve tapa na bola e...

– AEEEE!!!

– ISSO AÍ, HANNA!

– GANHAMOS!!! ESTAMOS NA PRÓXIMA FASE!!!

A torcida está ensandecida. Todos gritam euforicamente, comemorando nossa vitória. Recebo vários abraços e comemoro junto com o time. Um jogo a menos. Estamos cada vez mais perto de ganhar. Eu não poderia estar mais feliz.

Enquanto o outro time saía cabisbaixo em direção ao seu vestiário, a torcida começou a invadir a quadra para comemorar com a gente. Também, pudera, não é todo dia que nosso time ganha de um dos times favoritos do campeonato.

Depois de alguns minutos de muita bagunça e comemoração, a multidão foi se dispersando e nós fomos para o vestiário.

– Hanna, parabéns! Você fez um ótimo jogo! – me saudou Lauren, uma de minhas melhores amigas e companheira de time.

Lauren é ruiva, com seus cabelos de dar inveja descendo em ondas até o meio das costas. Como se não bastasse, tem lindos olhos azuis. Ela é magra e apenas alguns centímetros mais alta do que eu. Resumindo: ela é linda.

– Obrigada, Lauren! Mas eu não teria conseguido se não fosse por vocês, afinal nós somos um time, e todos jogaram muito bem hoje.

– Pode até ser, mas nós temos sorte de termos uma capitã como você.

– Eii, meninas! Fizemos um belo jogo hoje, não fizemos? Acabamos com as garotas do outro time! – Jessie chegou dizendo.

Jessie e eu nos conhecemos desde... hm... desde sempre. Sua mãe e a minha já eram amigas antes mesmo de nós nascermos, e sinto como se ela fosse minha irmã. E, se você for analisar fisicamente, isso até que seria possível. Seus cabelos são de um castanho um pouco mais claro do que os meus, porém lisos e na altura dos ombros. Seus olhos são cor de mel e parecem emitir luz própria quando ela está sorrindo. Some isso a termos quase a mesma altura, e poderíamos realmente ser irmãs.

– Isso aí – eu disse – Tenho a impressão de que esse campeonato já é nosso!

Jogar vôlei profissionalmente sempre foi meu sonho. Quando estou na quadra, todos os meus problemas e frustrações simplesmente desaparecem como mágica. É como se eu fosse transportada para um mundo novo, totalmente diferente, onde tudo o que realmente importa é o jogo. Só isso. Não importa se estamos ganhando ou não, não importa se é uma final de campeonato ou um simples jogo na aula de educação física, eu sempre dou o melhor de mim e isso de certa forma me traz uma imensa sensação de felicidade. E é por isso que esse campeonato é tão importante. É a primeira vez que minha escola chega tão longe, e o jogo da final sempre é assistido por pessoas ligadas a grandes times profissionais, procurando novos talentos. Se eu conseguir chegar lá, vai ser minha maior chance de realizar o meu sonho. E eu não posso nem vou perder isso por nada.

– O que acham de a gente sair pra comemorar no shopping? A gente pode almoçar por lá mesmo – sugere Lauren.

– Claro, por mim tudo bem. E você pode levar o Ben, Han.

– Combinado então, vou ligar para ele e avisar pra ele nos encontrar lá, ele vai ter que ficar na escola mais um pouco por causa de um trabalho.

Ben é meu namorado há mais ou menos um ano. Ele é um ano mais novo do que eu, mas não aparenta. Ele é alto, forte, e tem os olhos castanhos mais lindos desse mundo. Ele é capitão do time de futebol da escola. Acho que formamos um belo casal.

Ben concordou prontamente em nos encontrar no shopping, então Lauren, Jessie e eu fomos até lá e ficamos andando pelos corredores e vendo vitrines até que ele chegasse. Quando ele me ligou dizendo que estava nos esperando na praça de alimentação, nós já estávamos cheias de sacolas e morrendo de fome. Decidimos ir num restaurante chinês. Pedimos os pratos, que, como de costume, vieram acompanhados dos tradicionais biscoitos da sorte. Às vezes esses biscoitinhos vêm com frases interessantes, com um significado profundo por trás delas. Mas às vezes vem com algum tipo de premonição, não sei o porquê, já que nunca acontece nada daquilo. Seria melhor para eles se colocassem somente as frases inspiradoras.

Enquanto almoçávamos, conversamos sobre diversos assuntos. Contamos o jogo em detalhes para Ben, que não pode assistir e parece ter ficado triste por isso. Mas, ao saber que ele teria ao menos mais uma chance de nos assistir no campeonato, qualquer vestígio de chateação sumiu de seu rosto.

Conversamos sobre o jogo de futebol, que seria na terça, e como estávamos empolgados para ele. Conversamos sobre minha mãe, que faria 37 anos no dia seguinte. Conversamos sobre as provas e trabalhos que estavam por vir. Conversamos sobre o novo episódio de Pretty Little Liars, mas Ben ficou meio deslocado nesse assunto, então o assunto acabou voltando para o campeonato de vôlei.

E então, na hora de ir embora, nos demos conta de que ainda não tínhamos aberto nossos biscoitinhos da sorte.

– Ok, eu abro o meu primeiro – se adiantou Ben – “Às vezes tudo o que você precisa está onde você menos espera”. Hm, isso não se aplica a mim. Eu sei onde eu encontro tudo o que eu preciso – disse, me puxando para um leve beijo enquanto Lauren e Jessie imitavam sons de vômito.

– Ok, ok, minha vez – interrompeu Lauren – “Atenção! Prepare-se para ter seu amor correspondido”. Aham, claro – disse, irônica, enquanto ria.

– Por que não? Nunca se sabe. Às vezes esses biscoitinhos acertam. – Jessie tentou ajudar.

– Não nesse caso, até porque eu nem estou a fim de alguém no momento, não tem como eu ser correspondida.

– Tem certeza? — perguntei.

– Absoluta.

– Tudo bem então. Minha vez. “Por maior que seja o túnel, no final sempre há uma luz”. Bem profundo. Talvez o túnel seja o campeonato e a luz seja a taça linda que nós vamos ganhar – eu disse, otimista.

– Bem pensado. Só sobrou o meu? Vamos ver então.

Guardei meu papel na bolsa enquanto Jessie quebrava seu biscoito. Se eu já estava confiante sobre o campeonato, isso me deixou ainda mais. Quase podia sentir a emoção da final e ouvir os gritos da torcida comemorando nossa vitória. Mas meus pensamentos felizes foram interrompidos pela leitura do bilhete de Jessie.

– “Viva cada dia como se fosse o último. Qualquer hora você acaba acertando”.

Notas finais
Espero que tenham gostado do 1º capítulo. Lembrando que o próximo capítulo sai quarta-feira da semana que vem. Deixem seus comentários. Beijos!