Última Dose de Felicidade
6 Holding On
Notas iniciais
No dia seguinte, cheguei na escola e todos do meu grupo de amigos já estavam lá, no corredor, conversando em círculo. Cumprimentei a todos e me juntei à conversa, que passava sobre vários assuntos como de costume. A conversa parou quando vimos Ivy passando com sua corja de patricinhas.
Não me leve a mal, eu realmente tenho motivos para chama-las assim. Ivy é o nível máximo de futilidade que alguém pode atingir e suas amiguinhas não ficam muito atrás disso. Ela é loira, tem olhos bem azuis, aproximadamente a mesma altura que eu e me odeia, no melhor estilo clichê de filme. Mas, ao contrário dos filmes nos quais no final a mocinha descobre um lado bom da vilã e elas viram melhores amigas para sempre, não há nada de bom em Ivy. Ela está sempre tentando menosprezar e humilhar todos, como se isso fosse o prazer que alimenta a alma dela. Enfim, ela é ridícula, ela não me suporta e eu não a suporto.
Então, enquanto observávamos com repulsa Ivy desfilando pelo corredor, o sinal tocou. Seguimos cada um para sua respectiva aula. Eu e Lauren teríamos aula com o Sr. Waller agora, e depois eu e Jessie iríamos para a prova de biologia.
Apesar de tudo, a aula do Sr. Waller passou rápido e acho que me saí bem na prova. No intervalo, nos sentamos na mesa de sempre.
– O Sr. Luke devia passar provas mais fáceis. Tipo, eu entendo o que ele explica na aula e tudo, mas ele consegue complicar tudo na hora da prova! – resmungou Jessie.
– Acha que foi mal? – perguntei, mesmo sabendo que Jessie nunca ia mal numa prova.
– Não sei, acho que dá pra passar.
– Aham, a gente sabe que o seu “dá pra passar” significa que, no mínimo, você gabaritou – brincou Lauren, fazendo todos na mesa rirem em concordância.
– Não exagera, L, e você também não pode falar nada. Quando foi a última vez que você tirou nota vermelha?
– Posso até não tirar notas vermelhas, mas as suas notas são sempre mais altas, Srta. Thompson – Jessie odeia que a chamem pelo sobrenome, e é claro que a gente usa isso contra ela.
– Mas você é bem melhor em física, Srta. Chase.
– Falando em física, Lauren, será que você poderia me ajudar? Eu não tô entendendo nada da matéria que vai cair na prova porque aquele professor não explica direito, você poderia explicar pra mim? – perguntou Chris e não pude evitar olhar para Jessie com um olhar que diz “hmmmmm, eu sei que ele quer mais do que explicações sobre matéria”, que ela retribuiu. Para nossa sorte, ninguém pareceu notar.
– Claro, quando você quer que eu te ajude?
– Se você não estiver muito ocupada, podia ser agora, antes do treino, já que essa semana vai ser meio corrida e eu não vou ter muito tempo.
– Tudo bem então, vamos pra biblioteca porque aqui faz muito barulho, atrapalha a concentração.
E então eles se levantaram e saíram em direção à biblioteca, o que fez com que eu e Jessie trocássemos mais olhares cúmplices.
– Bom, galera, preciso ir para o treino, quero falar com o treinador antes. Vejo vocês mais tarde – Ben me deu um beijo e saiu.
– Preciso ir também, tenho um monte de coisas do jornal pra resolver, e não quero ter que sair da aula pra isso. Tchau! – Peter também saiu, deixando na mesa apenas eu e Jessie.
Depois de alguns minutos de conversa, fomos para o corredor, onde ficavam os armários, para pegar os livros necessários para as próximas aulas. Então vi Ivy passando ali perto e fiquei pasma quando a vi vindo em nossa direção. Com certeza viria tentar me provocar, como ela fazia sempre.
– Olha só se não são duas das três jogadoras de vôlei mais famosas da escola. Fiquei sabendo que vocês mandaram bem no último jogo. Muita sorte, eu suponho – já comentei que a voz dela me dá vontade de vomitar?
– E eu suponho que você seja tão amarga que não consiga admitir que nós sejamos boas em alguma coisa – Jessie retrucou.
– Não importa. Sabe por quê? Porque não importa o quão boa vocês sejam, o quanto vocês se esforcem, vocês não vão ganhar o campeonato. E eu vou estar lá pra rir de vocês.
– Vamos ver quem vai estar rindo quando nós estivermos com o troféu nas mãos. – foi a minha vez de responder.
– Mas vocês não vão ter este troféu, Han, querida. Você não vê? Vocês não são boas o suficiente. Você não é boa o suficiente. Eu sei disso, você sabe disso, o Ben sabe disso.
– Peraí, o que o Ben tem a ver com tudo isso? – se ela estava querendo me tirar do sério, ela estava conseguindo.
– Não vai demorar muito pra ele perceber que pode consegui coisa melhor, fofa. Aliás, não é difícil conseguir coisa melhor quando se trata de você, não é mesmo?
– Escuta aqui sua... – e nessa hora o sinal bateu, enchendo o corredor de pessoas, o que deu uma chance para Ivy se afastar.
– Desculpe, preciso ir agora, Han querida. Mas depois não diga que eu não te avisei, ok? – ela disse de longe, piscando pra mim e me deixando explodindo de raiva.
– Vem, Han, depois a gente quebra a cara dela – disse Jessie, me puxando em direção à sala de aula.
Eu estava fervendo de raiva. Não pelas provocações dela, porque com isso eu já estou acostumada. O problema foi ela colocar o Ben no meio disso, dizer que eu não sou boa o suficiente pra ele. Se eu não sou, quem é? Ela que não, com aquela cara toda rebocada de maquiagem.
Chegamos na sala e nos sentamos na fileira perto da janela, com vista para o campo. Conseguia ter uma visão razoável do que se passava lá, e pude ver Ben.
Mas ele não estava sozinho, Ivy também estava lá.
E eles conversavam, com Ivy passando a mão no rosto de Ben, numa tentativa clara de flerte, enquanto Ben correspondia.
Fale com o autor