Última Chance, Judd.
14 Capítulo XIII
Notas iniciais
Para quem não aguenta mais a enrolação do Harry: hoje, dia 05 de Outubro de 2011, essa humilde ficwriter que vos fala anuncia que terminou, agorinha, de escrever a primeira cena Pudd de toda a fanfic (só mais alguns capítulos até eles se pegarem, galere, fé no Harry -n). *coro de aleluia ao fundo*
Sério, alguém percebe o quão animada eu fiquei? :'D
Agora chega de tagarelar e vamos para o cap. novo antes que vocês me soquem.
Capítulo XIII: A festa.
Ver meus pais há mais de 30 anos juntos me dá uma sensação nostálgica e ao mesmo tempo esquisita que eu não sei definir ao certo, enterrada bem no fundo meu estômago. Eu não posso reclamar de uma coisa dessas, é claro, até mesmo porque se eu reclamasse, soaria como se eu não quisesse vê-los juntos, mas isso me faz pensar verdadeiramente se algum dia eu poderei chegar a um lugar parecido. Digo, eu sou capaz de passar tanto tempo com uma só pessoa também e não deixar de amá-la nem por um segundo sequer?
Na maioria das vezes, acho que não.
Não posso negar que já me imaginei casado com Andi várias vezes, mas pensar sobre isso simplesmente não me soa certo. E não é por ser com Andi, mas com qualquer pessoa. Eu simplesmente não consigo me enxergar casado com alguém, tendo uma vida tranquila em um bairro suburbano de classe média/alta de Londres, com dois filhos no colo e um golden retriever no jardim para servir de enfeite. Talvez essa vida não seja para mim.
Bem claramente, a situação com meus pais é bem diferente da minha. Eles são felizes juntos. Eles se amam. Eles... Que porra de pensamentos são esses?
E é exatamente nesse momento em que eu percebo que devo estar ligeiramente embriagado, porque o garçom passa pela sexta ou sétima vez pela nossa mesa (a que eu e Chaz estamos dividindo) e Chaz simplesmente o faz se aproximar com um grito enrolando de "venha cá, meu camarada!". Os seus braços estão abertos e os seus olhos estão colados nos copos de bebidas coloridas sobre a bandeja do garçom, que oscilam devagar enquanto o homem uniformizado faz o caminho de volta para a nossa mesa.
Eu também ergo meus olhos para a bandeja e estico um dos braços com a intenção de apanhar um copo comprido cheio de algo que eu não sei dizer o que é, honestamente. O cheiro da bebida lembra adstringente e hortelã, mas, sem de fato me importar com o que aquilo seja, despejo todo o seu conteúdo pela minha garganta, esperando que a sensação borbulhante de queimação passe logo. Chaz ri de alguma coisa enquanto apanha dois copos de uma vez só e manda o garçom embora, com um aceno mínimo de cabeça. Nós dois ficamos ali, bebendo e não dizendo nada, somente porque criar uma conversa nesse exato momento seria extremamente complicado, tendo em vista as nossas situações deprimentes.
Por não ter mais o que fazer, observo as pessoas à minha volta, espalhadas pelo jardim de trás da casa de meus pais. Meio amargo, me lembro de todo o trabalho pesado que tivera à tarde para ajudar a decorar o jardim especialmente para as bodas de 30 anos de meus pais, todo coberto por um tecido perolado (o que faz sentido, de acordo com Kara, já que 30 anos são bodas de pérola ou algo assim, eu particularmente não prestei muita atenção). Os convidados estão divididos pelas diversas mesas espalhadas pelo jardim, com suas toalhas de seda e enfeites de centro de mesa e mais um monte de frescura que eu honestamente nunca entendi ao certo o motivo.
A iluminação do espaço todo vem das milhares de luminárias presas entre os troncos das árvores que fazem a volta do jardim, dando ao lugar um ar acolhedor e, ao mesmo tempo, festivo. Além das luminárias, o céu sobre as nossas cabeças se encontra estranhamente iluminado pela lua e suas estrelas. Não é um estilo de comemoração convencional, admito, mas observando por um outro ponto de vista, simplesmente parece ser perfeito para a ocasião.
Eu devo estar muito entretido com os meus pensamentos para quase cair da cadeira quando Chaz me grita algo, entre gargalhadas, surpreendentemente com um novo copo de bebida em mãos.
"Não entre em coma alcoólico já!"
"Foi mal, eu estava pensando...", digo arrastado, trazendo o meu copo de adstringente e hortelã até a boca mais uma vez.
"Desde quando você consegue fazer isso?", Chaz pergunta, rindo bastante e mexendo com os convidados que passam ao lado da nossa mesa.
"Não faça isso com o meu estômago, você está me matando de rir", resmungo sem emoção alguma, revirando os olhos enquanto termino com a bebida viscosa no final do meu copo.
Ouço em seguida Chaz soltar um arroto um tanto alto e logo voltar a gargalhar, como se aquilo fosse a coisa mais engraçada de todo o mundo. Por algum motivo, eu me vejo esticando um sorriso mínimo pelo canto da boca ao observar o estado embriagado de Chaz, que luta para não acabar escorregando de sua cadeira ou algo do tipo. Eu apanho um botão de flor do arranjo central da nossa mesa e o atiro na cabeça de Chaz antes de comentar, divertido:
"Pare de agir feito um retardado alcoólatra, a festa nem começou direito ainda."
"Hey, tem razão! Cadê a cerveja? Eu preciso de uma!", ele exclama, com os braços abertos, caçando com os olhos pelo garçom mais próximo. Com um assovio bastante alto, ele consegue fazer com que um se aproxime.
Com uma expressão de tédio e quase repugnância no rosto, o garçom pergunta:
"O que vai querer?"
"Uma cerveja!", Chaz responde, logo parando o garçom no meio do caminho para lhe gritar mais um pouco. "Não, não, duas cervejas! Uma para mim e outra para o meu colega aqui."
"Chaz, você realmente tem que maneirar na bebida. Já tem muito sangue no seu álcool...", digo entediado, apoiando o queixo em uma das palmas da minha mão.
"Hey! Olha ali a Andi fazendo uma média com a mamãe!"
Logo eu me vejo entortando a cabeça para o lado para poder seguir o olhar de Chaz, vendo de fato mamãe e Andi entretidas em uma conversa muito interessante, aparentemente. Por um instante, eu fico apenas observando Andi, a medindo de cima a baixo com seu vestido tomara-que-caia coral, os cabelos castanhos soltos e enrolados nas pontas. Obviamente, uma sensação esquisita de simplesmente beijá-la toma conta de mim, mas eu decido por me manter sentado e quieto. Com todo o álcool que já ingeri, é bem provável que acabe dizendo alguma coisa errada.
"E cadê a Kara, aliás? Eu quase nem a vi por aqui... Será que ela 'tá se pegando com o Charlie?", Chaz me imita e apoia o queixo nas mãos, esquadrinhando o jardim com os olhos. Com um resmungo enrolado, ele continua. "Sempre soube que ela queria dar uns catos nele."
"Eu nem sabia, cara, ele veio para cá?", pergunto meio surpreso, desviando finalmente o olhar de Andi. Chaz concorda com a cabeça molemente. "Pensei que não fosse vir. Sei lá, depois de tanto tempo..."
"Ele não é burro, afinal a festa é de graça, certo?", Chaz dá de ombros.
"É... Vou ver se o acho por aí, então."
Com isso, me ergo com alguma dificuldade da minha cadeira, a arrastando para trás para conseguir me botar de pé. Devagar, pé ante pé, caminho para longe da nossa mesa, escutando Chaz me gritar por uma segunda ou terceira vez:
"Aproveita e traz as cervejas!"
xxx
Eu não sei ao certo por quanto tempo fico rodeando o jardim por entre as mesas dos convidados, cumprimentando vagamente uma ou outra pessoa no processo, não me arriscando em ter uma conversa de fato, porque sei que não conseguiria. O céu continua limpo e estrelado sobre a minha cabeça e, aos poucos, percebo que não sou o único embriagado da festa, já que vejo de esguelha várias pessoas rindo alto demais e dançando de uma maneira meio afetada.
Depois de cinco ou quinze minutos, eu não sei, finalmente desisto de achar Charlie, me arrastando para dentro de casa, pela porta de trás da cozinha. Com um rangido, ela cede sob o meu empurrão e eu molemente me jogo para dentro da cozinha, caçando por duas latas de cerveja. Quando finalmente consigo encontrá-las em um engradado escondido no chão, as deixo sobre a pia da cozinha antes de me arrastar para fora dali. Dobro as mangas da minha camisa até os cotovelos (calor infernal!) e continuo andando até o banheiro mais próximo, no primeiro andar da casa, muito entretido com a ação de dobrar e desdobrar as minhas mangas para perceber direito o que está acontecendo.
Uma risada suave me chama a atenção. Eu automaticamente paro de andar e espio pela curva do corredor, curioso, esquadrinhando a sala lentamente à procura de algo. Os meus olhos não demoram a achar Charlie apoiado preguiçosamente sobre o pequeno balcão do bar no canto da sala com, surpreendentemente, Dougie a lhe fazer companhia. Os dois conversam tranquilamente sobre algo, entre risadas e copos de uísque com gelo.
Algo me diz para me intrometer no meio dos dois, mas simplesmente não consigo mover meus pés. Fico então escondido na curva do corredor, escutando abobado à conversa de Dougie e Charlie, fazendo força com os olhos para mantê-los abertos e colados nos dois o maior tempo possível.
Honestamente, eu não faço a mínima ideia de quanto tempo fico parado em pé os espiando, mas somente quando as minhas pernas começam a formigar que penso em sair dali e fingir que não sei de nada. E eu provavelmente teria dado meia volta e ido embora se Charlie não tivesse se aproximado demais de Dougie, o corpo pendendo para frente, e lhe murmurado algo no ouvido.
Em um átimo de segundo, observo o rosto de Dougie atingir dez tons diferentes de vermelho, embaraçado demais para tomar alguma decisão, enquanto Charlie faz questão de acabar completamente com todo o espaço pessoal de Dougie. Os meus olhos veem surpresos a boca de Charlie se juntar por um momento à de Dougie, imóvel e rígido, antes de uma de suas mãos subir até a lateral do pescoço de Dougie no intuito de puxar seu rosto para mais perto.
Eu não consigo me mover. Embora queira acabar desesperadamente com aquele momento de afeto entre os dois, os meus pés simplesmente não conseguem sair do lugar. Então eu me vejo apenas os observando com uma expressão vazia no rosto e um peso enorme sobre o meu estômago. A minha boca fica seca por um momento e a bile do meu fígado parece fazer o caminho inverso pelo meu esôfago, me causando uma azia infernal. Mas não é como se eu estivesse dando a mínima para as sensações esquisitas do meu corpo, de qualquer maneira.
Com um ganido surpreso, Dougie se afasta. Segundos depois, a palma da sua mão está sendo forçada contra a lateral do rosto de Charlie de uma maneira assustada e determinada ao mesmo tempo. Dougie recua um ou dois passos para trás, tremendo ligeiramente, e ameaça voar para cima de Charlie, o que me faz pensar que esse é o momento certo para finalmente sair do meu esconderijo e intervir na situação.
Eu não sei exatamente como chego até os dois tão rápido, mas em um momento estou parado no final do corredor e no momento seguinte, entre Dougie e Charlie, tentando sem muito sucesso acalmar os dois.
"O que você pensa que está fazendo?", Dougie rosna para Charlie e nem ao menos repara que eu estou ali, bem à sua frente, tentando o afastar do outro, pela cintura. "Eu estou noivo, você sabe? Qual é o seu direito de fazer uma coisa dessas, babaca?"
"Hey, eu não sabia, só achei que você também–"
"Estava achando que eu era mais um qualquer com que você poderia tirar algum proveito? É?!", rebate Dougie antes de tentar voar para cima do pescoço de Charlie mais uma vez. Aparentemente, nenhum deles parece perceber que eu estou no meio da coisa toda, porque eles ficam se estapeando e trocando xingamentos como se eu fosse apenas uma barreira qualquer (mais Dougie estapeando Charlie e o xingando, na verdade).
"Eu não acredito que você pensou que eu estivesse dando em cima de você e... E...", Dougie continua a rosnar, irritado, quase pulando sobre os meus ombros para conseguir alcançar Charlie, esticando seus braços e mirando os punhos contra a sua cabeça. "Você é patético!"
E é com uma estranha sensação de perigo que eu percebo que me meter entre os dois fora uma péssima ideia. Eu não sei exatamente como a cena toda se desenrolou, mas é somente quando Dougie mira errado a palma da sua mão e um "creck" bem audível ecoa dentro da minha cabeça que tenho certeza de que algo não está certo. Na verdade, algo está muito, mas muito errado nessa coisa toda.
Charlie se afasta instintivamente. Dougie faz o mesmo. Eu fico parado entre os dois, meio zonzo, o meu rosto completamente dormente por algum motivo. Subindo minhas mãos para a altura dos meus olhos, eu finalmente percebo o que há de errado. Meus dedos estão cobertos de um sangue vinho e viscoso. Aparentemente, a mira de um Dougie alcoolizado pode ser muito ruim.
"Ah, meu Deus, Harry...", Dougie murmura preocupado, se aproximando com cuidado de mim, uma de suas mãos manchadas do meu sangue também. "Desculpa, eu não queria... Céus, eu não queria te acertar..."
"Porra!", é a minha vez de rosnar, me afastando instintivamente de Dougie simplesmente porque eu tenho receio de que ele possa me socar o nariz de novo por algum motivo desconhecido. "Porra, isso dói PRA CACETE."
"Harry... Harry, me desculpa", Dougie volta a se aproximar, subindo as suas mãos na direção do meu nariz torto, mas eu logo me vejo recuando mais uma vez.
"Fica longe de mim, porra, caralho, que dor insuportável dos infernos!"
E no instante seguinte Charlie está rindo às minhas costas, quase gargalhando, o que me faz pensar em que porra isso pode ser um pouquinho, no mínimo, engraçado. Ele deixa as suas mãos sobre os meus ombros e me aperta com os dedos, como se quisesse me chamar a atenção, balançando a cabeça loira para frente e ainda rindo bastante.
"Haz! Quanto tempo!", ele diz animado, agindo como se nada tivesse acontecido nesses dez minutos passados. "Hey, eu não sabia que vocês dois se conheciam!"
"Hey, Charlie...", eu murmuro abafado, com uma voz estranha, mais nasalada que o normal. Ouço por trás das minhas costas um risinho mínimo de Charlie antes de sentir um de seus braços ser passado pelos meus ombros. Ele me traz para perto em um semi-abraço, tomando o cuidado para não se sujar do meu sangue.
"Eu perguntaria como você está, mas acho que a resposta está bem clara no momento", ele espalma a mão em um dos meus ombros e sorri abertamente, parecendo se esquecer de Dougie por um instante. Ele analisa o meu nariz durante um momento e então continua. "Causou um estrago bem feio..."
E eu deixo escapar uma risada azeda, meio mal humorada. Por algum motivo, eu nunca consegui de fato ficar irritado com Charlie, independente da situação, apenas porque sei que ele é uma das poucas pessoas com quem eu cheguei a me apegar de alguma maneira na adolescência. Mesmo ele fazendo as suas besteiras e sendo, bem... Charlie, acho que nós nunca de fato chegamos a brigar por algo.
"Hey, quer que eu tente pôr seu nariz no lugar?", ele pergunta empolgado enquanto retira o braço em torno dos meus ombros e sobe as mãos para o meu rosto. "A gente pode gravar e colocar no Youtube depois!"
Eu o olho descrente e ergo uma das sobrancelhas. Sem ânimo nenhum, comento:
"Eu vejo que você continua sendo sem noção como sempre."
"OK, eu só queria ajudar...", Charlie resmunga. "Você foi bem infeliz em ter se metido no meio, mas tenho que te agradecer. Não posso deixar meu lindo rosto machucado, você sabe, é como eu ganho a vida."
"Simpson, cale essa boca", eu rebato de volta antes de levar meus dedos experimentalmente para o meu nariz torto. Um arrepio doloroso sobe pelas minhas costas, me fazendo grunhir em mais plena dor. "Porra, essa merda dói demais. Eu não levava um soco na cara desde a minha adolescência."
"Harry...", Dougie finalmente diz algo, em um murmúrio, tentando mais uma vez se aproximar, sem muito sucesso. "Eu sinto muito, não queria–"
"Deixa isso para lá, Poynter. Essas merdas acontecem todos os dias", digo com a voz meio embargada, tentando de alguma maneira estancar o sangue quente que desce até a linha do meu queixo e respinga por toda a minha camisa.
"Quer que eu vá contigo até um hospital?", pergunta Charlie. "Eu vou chamar um táxi."
"Eu posso ir com você", Dougie se intromete, mesmo após Charlie ter desaparecido pela curva do corredor. Ele parece me observar de uma maneira culpada. "É o mínimo que eu posso fazer."
"Vá aproveitar a festa, Poynter."
"Mas, Harry–"
"Sério, Poynter, nada do que fizer agora vai ajudar em alguma coisa. Qualquer coisa. Eu entendo que você quer ser útil para se livrar dessa culpa que está sentindo, mas agora... Simplesmente...", resmungo sem pensar muito no que estou dizendo, em um tom completamente ácido de voz, antes de completar. "Não."
Dougie apenas ergue o olhar impassivo até o meu. Eu observo seus olhos vagos por um instante antes de algo simplesmente surgir ali, provavelmente muito parecido com irritação e incômodo. Ele grunhe alguma coisa que eu não entendo direito e me agarra por um dos braços, começando a me puxar para fora de casa. Eu, tropeçando nos meus próprios pés e respingando sangue para todos os lados, estou pronto para ralhá-lo quando Charlie volta para a sala, com uma expressão agora confusa e ao mesmo tempo divertida no rosto.
"O que é isso?", ele ressoa em uma vozinha esquisita, logo voltando a rir.
"Nós vamos até o hospital mais próximo. Você não precisa nos acompanhar. Mas obrigado pela ajuda, Simpson", diz Dougie, decidido, ainda me arrastando para fora da casa dos meus pais como se eu fosse uma boneca de pano.
"Hey, Haz, tome cuidado!", Charlie me grita divertido. "Ele já entortou o seu nariz, sabe-se lá o que mais ele pode fazer com você!"
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