Órion! The Clan Hope Kuchiki

103 Uma historia não contada II


Notas iniciais
Talvez a morte tenha mais segredos para nos revelar que a vida. Gustave Flaubert Não reveles ao amigo todos os teus segredos: sabes se ele não se tornará, um dia, teu inimigo? Não causes ao teu inimigo todo o mal que lhe podes fazer: sabes se ele não se tornará, um dia, teu amigo? Muslah-Al-Din Saadi

Órion Shouri descansava debaixo de uma enorme arvore, estranhou sobre aquilo, uma frondosa e enorme arvore florada em meio a um extenso descampado. A cabeça fervilhava com as histórias contadas pela ‘mãe’. Estava exausta demais para tentar entender alguma coisa naquele momento. Yuè fora procurar comida, pois os mantimentos que trouxera haviam acabado. A mãe demorava, o sol começava a declinar, Shouri divertia-se com os formatos das sombras dos galhos da arvore quando atravessados pelos dourados raios de sol. Porém após uma forte brisa, as sombras formaram o símbolo da tríade exilada, com uma das pontas meio separada das outras duas, a jovem assustou-se, o vento soprou novamente e o símbolo desapareceu.
– Engraçado?! Se eu acreditasse em presságios, diria que este não foi um bom sinal. – sorriu: — mas que fome, porque ela demora tanto? Não uma casa há léguas daqui, acho que não estamos mais na Soul Society!! Como será que a nee-chan estar agora? E...e... By-sama?! Será que já me esqueceu mesmo? Que ainda nutre alguma coisa por mim? Tudo culpa de Apsu!! Tudo por culpa ‘dela’ (referindo-se a Tansui no Hana).
A jovem resmungava sozinha, remoendo aqueles assuntos inacabados. Estava tão distraída que não notara alguém se aproximando lentamente dela e agachando-se ao seu lado. Shouri despertara dos seus devaneios assim que notou várias flores brotarem do chão e desabrocharem à sua volta. Levanta-se assustada e sente uma presença avassaladora ao esbarrar em algo ou alguém. A Kuchiki congelou de medo: ‘como deixei isso acontecer?! Logo eu. Que superei todas as outras avatares, até mesmo àquela a quem substituir, fui pega desprevenida, com a guarda baixa! Quebrei a primeira regra que By-sama me ensinou num campo de batalha!?’
Contudo, a jovem foi virando-se lentamente, até depara-se face-a-face com o dono daquela enorme presença espiritual, arregalou bem os olhos, sua expressão de era de medo e espanto. Temeu, estava só e desarmada, seria morta em um piscar de olhos: ‘onde estar Apsu quando preciso dele?! Ele nunca aparece nessas horas?! Maldito!! Aonde estar aquela deusa uma hora dessas?!’ lamentava a menina em mente, não respirava, estava paralisada, não ficara assim diante de Anupu (Anúbis), porém aquele ser que estava à sua frente era diferente.
– Perdoe-me Criança. Não foi a minha intenção assustá-la. – fala a entidade serenamente, esboçando um sorriso com suas enormes presas de marfim.
Ao ouvir aquilo, a jovem Kuchiki inspira profundamente buscando o ar, e abaixa rapidamente em uma revência ao ser divino à sua frente: — perdoe esta humilde serva, senhor. – fala trêmula.
– Levante-se minha adorável criança, aliás, um deus, não reverencia outro deus, a menos que este seja o Criador de tudo. – fala o grande deus jaguar, levando a enorme garra direita ao delicado rosto feminino, a fazendo levantar-se.
– Meu senhor deve estar brincando comigo! Eu sou apenas uma humilde serva. – fala a jovem sem jeito.
Tezcatlipoca trajava uma exuberante armadura de guerreiro asteca, toda em ouro, joias e várias plumas de cores e beleza jamais vistas. Com sua espada embainhada no grande cinturão que adornava o seu tronco musculoso, cuja pelagem macia delineava cada gomo abdominal, acoplada às suas costas sua grande lança de caçador, e descansando sobre o seu volumoso tórax, um rico colar asteca, cujo pingente era o seu lendário espelho de obsidiana: — teu pai. – O deus faz uma pausa: — teu pai te escondeu muitas coisas, Pequena. A primeira delas foi tua verdadeira paternidade.
– Pai?!...eu acho que nunca tive um pai...pensei que tinha um aqui nesta linha de tempo, mas, não é o meu pai, o proposito dele era outro. – revela a jovem confusa.
– Esperei muito tempo, pacientemente, até que um dos meus irmãos de exilio fosse selado e o teu pai, Apsu, se afastasse completamente de você. – revela o deus jaguar ronronando para a jovem, enquanto acariciava seu rosto com suas enormes garras peludas.
– Apsu?! O meu deus guardião?! – fala Órion Shouri entorpecida com aquele suave ronronar do deus: — Ele não é o meu pai, acho que não tive pai nem no futuro, segundo minha mãe Yuna, eu sou reprodução independente, um clone dela aperfeiçoado e aqui... um clone espiritual de Ária feito por Enpu( Anupu ou Ánubis) e agraciado com a essência de Apsu quando meus senhores o selaram. Não foi isso? – responde a jovem embriagada pelo encantamento de Tezcatlipoca.
– Não minha pequena menina. – O deus sorrir: — isso foi a história que eu quis que tua mãe Yuè e a bruxa egípcia Tsukishirou contasse a todos. A verdade é que... enquanto Órion assumiu sua forma de anjo e fugira a mando do meu irmão Apsu para os reinos do submundo, eu lutava para tomar você das garras dele, a quem ele protegia com todas as forças...
– Mas... não era...Tansui no Hana a filha quem ele protegia enquanto eu estava adormecida e presa na prisão de ilusões? – indaga a Kuchiki quase dormindo.
– Não, Tansui no Hana é... isso não vem ao caso agora, mas ela não é a verdadeira filha do meu irmão corrupto, é você meu tesouro. Agora durma... – fala o deus suavemente fazendo a jovem adormecer profundamente.

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Em algum lugar de Rukongai, a caminho do monte Hakurei:

– Como assim?! Ela desapareceu do quarto?! Ela estava aos seus cuidados... que espécie de pai é você Kuchiki Byakuya? – indaga a pequena deusa irritada.
– E onde você estava todo esse tempo? — interroga o nobre de cenho fechado: — Órion sempre foi assim, Ária nunca me deu problemas nesse sentido, mas Órion e Shouri, tendem a fazer isso continuamente, e você Tansui no Hana segue a mesma regra. É provável que Shouri nem esteja em casa, quando era pequena, desaparecia por dias. – revela o nobre.
– Tendo um pai de criação como você, até eu fugiria. – deixa escapar a jovem.
– Como ousas? Não é porque tu és a deusa regente do meu Clã que vai ficar me dizendo como criar minhas filhas. Quanta petulância vinda de alguém cujo kopanku é meramente um clone de Órion criado por aquele homem. – rebate o nobre irritado.
– Como assim?! O que tem de ser criada em laboratório, isso mesmo, um clone da tua filha?! E você deveria agradecer muito ao Mayuri. – altera-se Tansui.
– Falo desse tipo de educação! Não parece uma deusa, ainda mais a regente do meu Clã. Muito diferente da educação das minhas filhas. – fala o nobre aborrecido.
– Ah!! Agora Shouri é tua filha?! Engraçado até alguns meses atrás você não usava tal termo, agora você sequer olha para ela, nem como a filha que um dia pensastes que ela era, nem como a mulher que você disse que amaria. – elucida a deusa enfurecida.
– Isso não vai acabar bem!!! – observava Hakurei: — Hakurei Tansui no Hana, é melhor parar por aqui.
– Como ousas?! O que você sabe sobre amar?! Você nunca amou, não passa de uma criança cuja essência foi gerada de um deus corrupto e o kopanku criado por um maníaco lunático! – fala Byakuya com desdém: — Eu nem recordo do dia em que deixei de ver Shouri como minha filha, se me afastei dela, foi por tua causa, quando me levaste para o Éden, eu esqueci dela e de quase todo o meu passado naquele lugar sagrado. – responde o Kuchiki enfurecido.
– Agora a culpa é minha!? — altera-se a morena já com os olhos marejados: — se eu soubesse o quanto isso me custaria ou que estaria escutando e vendo tamanha ingratidão, eu jamais levaria você até lá, e muito menos esconderia o corpo de tua filha no Éden para salvar o teu ‘precioso’ Clã, por causa de vocês eu quebrei regras sagradas e desobedeci leis celestes. – grita a jovem: — se eu imaginasse o quanto me custaria tais erros, eu...eu... – Tansui começa a chorar compulsivamente: — como os filhos de Adão são prepotentes, arrogantes e mesquinhos, eu não deveria ter me envolvido tanto com vocês.
– Do que você estar falando? – interroga Byakuya perplexo sem entender nada.
Hakurei se aproxima de Tansui no Hana sem a jovem perceber: — ela estar falando disso. – responde o homem de mechas cinzas, puxando a parte de cima do iromuji da jovem, deixando o ombro direito à mostra.
– O que você pensa que... – desespera-se a deusa, tentando se soltar do nobre de orbes celestes.
Byakuya arregala bem os orbes plúmbeos, sua feição gélida e de desprezo tomou outra expressão: — isso é...
– Reconhece essa marca? Seu arrogante! – ironiza Hakurei,
– Como ousas fazer isso seu...grrrr...- grita Tansui mordendo o antebraço do homem de cabelos cinéreos.
Hakurei à solta rapidamente: — você me mordeu novamente?! Eu ainda tenho a marca da sua primeira mordida. – grita o mais velho.
Tansui no Hana os fita com raiva levantando a manga do seu iromuji: — Eu odeio vocês. – E corre em direção do bosque próximo à hospedaria.
Byakuya já fazia menção de segui-la, mas fora impedido por Mikaido: — deixe-a Kuchiki, ela precisa desse tempo só dela, quando a raiva passar ela volta.
– Mas...você sabia disso todo esse tempo e nada me disse?! – interroga o nobre irritado: — quando foi que isso aconteceu? Me responda.
– Se ela quiser contar alguma coisa a você, tudo bem. Mas estou cansado de ficar me metendo em seus assuntos. – fala Hakurei dando de ombros alisando a marca da pequena mordida em seu braço: — os dentes são pequenos, porem afiados como navalha e a mordida é bem forte para uma boca tão pequena!

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Terras de Annwn:

Órion abriu os olhos delicadamente, ao sentir selinhos quente em seu pescoço: — Annn?! Onde estou?! Aiii...– vira-se assustada para Arawn.
– Não acredito que esquecestes dos nossos... – Arawn é interrompido.
– Nã-não esqueci. Acho que dormir demais. Quanto tempo já estou aqui? – indaga a morena tentando levantar-se, mas fora impedida pelo deus.
– Mais tempo do que imaginas e menos do que eu gostaria. – revela o deus a sentando sobre sua pélvis.
– Arawn!!! Não bastou?! – admira-se a jovem abrindo a grandes asas: — Hããã!? Como?! Porque ainda estou na minha forma de avatar?! – assusta-se a morena.
– Não, não me bastou, pelo contrário, quero ainda mais!! – revela o deus deslizando suas mãos pela pele branca.: — por que se admira em ainda continuar assim?
– É que nunca conseguir ficar assim por muito tempo antes, sempre exigiu muita reiatsu. – fala Órion abrindo e fechando as asas.
– Sim, lá no Sekai e na Seireitei. Mas aqui, no reino dos mortos você assumiu tua verdadeira forma, um anjo feminino e não uma avatar. – revela o deus a beijando docemente.
– Como assim?! Um anjo feminino!! Nunca existiu anjo femininos, isso foi somente uma transformação que Apsu me deu. – elucida a jovem duvidosa.
Arawn sorrir docemente, a beija: — seja uma ‘boa menina’ meu amor e eu te revelarei coisas que nem imaginas.
– Você já me manteve por tempo demais aqui, será que dar para me falar logo o que sabes e depois, eu pensarei se ainda serei uma ‘boa menina’. – exige a jovem levantando e se cobrindo com um fino lençol.
Arawn senta-se na beira da cama desanimado: — certo então, mas cobrarei com juros. – brinca

Notas finais
Se você quiser me contar seus segredos Sou de todo ouvido. Se os seus sonhos não derem certo, Estarei sempre lá para você. Se precisar se esconder, Terá sempre minha mão. Mesmo se o céu desabar, Estarei sempre contigo. Sempre que precisar de um lugar, Haverá meu canto, pode ficar. Se alguém quebrar seu coração. Juntos cuidaremos. Quando sentir um vazio, Você não estará sozinha. Se você se perder lá fora, Te buscarei. Te levarei prá algum lugar Se precisar pensar. E quando tudo parecer estar perdido, E você precisar de alguém Eu estarei sempre aqui. Martha Medeiros