Ódio no passado. Amor no futuro?
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Anna
Olho para o apartamento e vejo tudo aquilo que estou deixando para trás, por 3 dias Mary tentou me convencer a mudar de ideia, mas não é possível mudar uma decisão. Já havia acertado tudo com meu pai, ele estava me esperando em Vancouver.
— Tem certeza disso tudo? – Mary estava encostada na bancada da cozinha me observando esperar o Taxi.
— Tenho total certeza. – Não havia maneiras de voltar atrás e minha decisão já estava tomada.
— Anna, por favor, perceba o que tudo isso significa. Converse com John, é a única coisa que te peço. – Mary se aproxima e pega minha mão em seu olhar percebo que ela realmente quer isso.
— Não, Mary. Não há nada mais a ser conversado. Vou para Vancouver começar uma nova vida lá e pretendo arrancar tudo que John deixou em mim.
— Ele não vai permitir isso, ele vai lutar por você. Tenho certeza.
— Ele pode tentar, mas irá falhar.
— Tudo bem, você sabe o que faz. Mas saiba que sempre será bem-vinda quando quiser voltar. – Eu a abracei, esse abraço foi mais do que apenas uma despedida, foi um apoio.
Quando o taxi chegou, dei um último abraço e me assegurei que Mary não dissesse para John minha nova casa. Ela me prometeu que não diria o destino, mas não me prometeu que ele não saberia que eu estava indo embora. Isso era típico da Mary.
Chego ao aeroporto, me sento em um café até a hora do embarque.
...
John
Os dias passavam como se durassem anos, eu não estava conseguindo lidar com a explosão de acontecimentos. Em um segundo estávamos tão bem, juntos de novo. E no outro tudo desmoronou. Com certeza, eu tenho total culpa pelo que houve. Não lembro como fui parar naquela cama mas sei que eu estava lá com outra mulher. Anna não está errada, mas eu não vou perde-la, preciso lutar por ela.
Meus pensamentos vão e voltam, não tenho cabeça para trabalhar em nada, fico ali parado olhando a bela cidade pela enorme janela de minha sala. Sou desperto pelo meu celular tocando. Noto o número de Mary no visor.
— Alô! Mary?
— Ela foi para o aeroporto, não posso dizer para onde ela vai mas se você for rápido consegue encontra-la e pode ter a sua última chance de falar com ela. Rápido!
Não tenho tempo nem de me despedir, pego meu paletó e saio correndo pelos corredores. Pego o carro e tento chegar o mais rápido ao aeroporto.
No aeroporto a procuro por todos os lados. Sinto meu coração quase sair pela boca, eu preciso encontra-la não posso perde-la. Meus olhos correm por todos os lados no grande saguão.
Eu a noto no fundo saindo do check-in, corro em sua direção. Eu preciso impedi-la.
— Senhor, não pode passar! – Um homem alto me impede de seguir em frente. A vejo indo em direção ao embarque.
— Anna! – Grito seu nome e no mesmo segundo ela me olha, me encara por alguns segundos e se vira de novo em direção ao embarque.
Ela se foi, eu a perdi. Vou para casa desolado, sinto algumas lágrimas se perderem de vez em quando. Não irei me perdoar nunca por ter pedido a mulher da minha vida.
...
Anna
Quando eu chego no aeroporto de Vancouver encontro meu pai me esperando, assim que ele me vê abre um sorriso.
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— Meu amor! Que saudade! – Ele me abraça forte. Me seguro ao máximo para não deixar as lagrimas rolarem.
— Como eu senti sua falta. – Apertei mais o abraço.
— Vamos minha querida temos muito o que conversar. – Ele começou a carregar o carrinho com as malas e fomos para o carro.
Paramos na delegacia meu pai pediu que um dos oficiais levasse as malas para casa e disse que íamos dar uma volta por Vancouver. Meu pai, Hank Swan, é comandante da polícia de Vancouver, antes da separação ele trabalhava na polícia de Chicago.
Começamos a caminhar e conto tudo a ele. Omiti a parte do pequeno atentado contra mim e do que Aaron fez. Depois de tudo dito, eu já não segurava as lagrimas, eu apenas as deixava cair.
— Eu o amava tanto, tanto. E ele não pode ao menos me respeitar. – Senti seus braços ao meu redor, ele estava me acalentando como quando eu era criança.
— Isso é tão estranho. Não posso acreditar que John tenha feito isso.
— Pois acredite pai. – Apertei-o um pouco mais. – Mas fique tranquilo, irei arrancar esse amor com todas as minhas forças.
— Minha querida, eu espero realmente que consiga, mas quando se ama alguém não tem como esquecer.
— Mas eu vou pai, eu vou. – Aquilo soou mais como um pedido.
Saímos dali e fomos almoçar.
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Os dias foram passando rápido e eu estava gostando disso, os novos ares de Vancouver era maravilhoso. Meu pai havia arranjado um emprego com uma amiga dele. Agora eu desenhava roupas para uma galeria muito famosa da cidade. Era ótimo me manter ocupada, pois assim eu teria menos tempo de pensar em coisas que deveria esquecer. Já fazia 2 meses que eu estava recomeçando. Todos as noites eu falava com Jaime e Hannah, era triste estar longe, mas ao mesmo tempo necessário.
A manhã estava linda e o dia parecia amistoso. Desci e me deparei com meu pai preparando o café.
— Bom dia! – Dou um sorriso.
— Bom dia, meu doce. – Ele me dá um beijo na testa. – Estou preparando panquecas de chocolate, que se não me engano ainda são suas favoritas.
— Hum, que delícia. – Pego um copo de suco de laranja que estava na mesa. – ahhh, que gosto horrível.
O suco tinha gosto de laranja podre, me revirou todo o estomago.
— O que? O suco? Mas eu acabei de preparar. — No momento em que meu pai joga a panqueca na frigideira e sobe o cheiro. É o ápice eu não consigo manter o que tem dentro do meu estomago dentro dele, vou direto para o banheiro.
Quando volto meu pai está encostado na bancada da cozinha e me encarando.
— Eu acho que deve ter sido algo que eu comi. Nossa! Como meu estomago esta embrulhado.
— Anna, tem certeza que foi algo que você comeu? – O que será que meu pai quer dizer com isso?
— Logico que tenho! Eu ainda não estou acostumada com a comida daqui. Simples.
— Engraçado que quando você estava gravida de Hannah você não podia chegar perto de algumas comidas como panqueca de chocolate. – Não! Eu com certeza não estava gravida a nãos ser..
— Não pai! Isso é impossível, eu não posso estar gravida. Não tem como eu... – me deparo pensando e pode ter uma possibilidade, a muito tempo eu não tomo meus remédios pois não tinha necessidade e quando voltei com John eu nem me importei.
— Tem certeza mesmo? – Não podia ser, eu estava atrasada.
— Seria um grande golpe do destino, eu estar gravida de um homem que estou lutando para esquecer.
— Sabe o que isso significa? Que o universo quer os dois juntos, porque além de dois tem mais um para ligar vocês para sempre.
— Agora que estava dando tudo certo, eu estava pensando menos nele. A vida me joga mais uma brincadeira. – Lagrimas começam a encher meus olhos.
— Eu vou na farmácia. Vamos ter a resposta para já.
Meu pai sai e volta 30min depois com dois exames, eu me apreço para fazer e comprovar que não posso estar gravida de John. Ter um filho dele só nos aproximaria tudo aquilo que eu quero distanciar.
Mas como eu digo a vida quer pregar uma peça sempre. Os dois exames dão positivo. Saio do banheiro e meu pai me espera quase que ansioso sentado na beira da cama. Assim que o olho não consigo controlar as lagrimas.
— Deu positivo. Os dois!
— Sabe de uma coisa, eu tenho dois netos e não acompanhei a gestação completa de nenhum dos dois, pois agora tenho minha oportunidade. – Eu dou uma risada em meio as lagrimas. Meu pai ajoelha em minha frente e começa a brinca com minha barriga. – Está ouvindo? Eu vou acompanhar todos os seus dias, meu amor.
Ele dá um beijo em minha barriga e se levanta.
— Eu te amo. E vou apoia-la em tudo sempre. – Ele beija minha testa. – Agora eu tenho que me arrumar para o trabalho. E pare de chorar, tenho certeza que tudo isso tem uma razão.
Me arrumo e vou direto para meu trabalho, Erin, minha chefe já deve estar me esperando. Ela é simplesmente adorável, sempre bem-humorada e um amor de pessoa. Ela é casada com o dono do maior e mais luxuoso hotel de Vancouver. Assim que entro, a noto atrás de um manequim tentando vesti-lo.
— Bom dia Erin! Precisa de ajuda.
— Anna! Oi! Se você puder.
Eu a ajudo a vestir o manequim e ela já me conta que temos uma manhã lotada de horários marcados para fazer esboços de vestidos para uma grande festa que haverá em um mês.
Quando termino todos os esboços e saio para almoçar, meus pensamentos voam e, claro, me levam até John. Lembro de como sinto sua falta, quanta saudades tenho de seus beijos e suas caricias. Chega! Grito para mim mesma não posso sentir mais nada por ele, não posso esquecer de sua traição.
O meu celular vibra e recebo uma mensagem do meu pai, dizendo que vai chegar um pouco mais tarde hoje. Já que ficarei sozinha podia fazer um exame de sangue para ter uma resposta mais certeira sobre a gravidez. A caminho de uma clínica perto do centro, passo na frente de uma loja de roupas de bebe. Fico completamente perdida com tantas coisas fofinhas e tão pequenas que há ali.
— Olha só bebe. Imagina você usando isso? Que gracinha que ia ficar! – Acaricio minha barriga – Talvez você tenha vindo em uma ótima hora!
Sigo em frente até a clínica e enquanto espero para ser atendida acabo percebendo que esqueci que terei que falar com John. Só de pensar nessa possibilidade já sinto meu coração apertar. Tenho medo de não poder controlar meus sentimentos, eu o amo tanto, mas eu simplesmente não posso. Uma chuva fina começa a cair lá fora e com ela chega a melancolia, um sentimento de vazio me toma, eu tenho tanto para ser feliz, mas não consigo. O que seria o certo a fazer, perdoa-lo e voltarmos a ser feliz ou me manter como estou? Acho que não conseguirei uma resposta tão já.
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