Notas iniciais
Olá, pessoal, tudo bem? Estão querendo me matar né... Mais uma vez peço desculpas pela demora para atualizar, mas agora já estou bem melhor e preparando os próximos capítulos, então, aguardem atualização na semana que vem! Gostaria muito de agradecer os novos leitores que estão acompanhando, que favoritaram, que comentaram... Isso é muito importante pra mim. Mas, gostaria de saber se aconteceu alguma coisa, se não gostaram, ou sei lá, porque notei o nível de review bem baixo no capítulo anterior. Por favor, sei que é difícil, mas tentem não me deixar sem um feedback :( Para finalizar, essa fic está participando do Diário de Leitora! Yay o/ não sei se vocês conhecem, mas é da página da Tay Lima - Manias de Escritora - e lá eles irão resenhar várias fics, e a nossa linda Íria estará entre elas o/ por favor, quem se interessar, dá uma olhada, tem bastante coisa legal. O link da página é: https://www.facebook.com/pages/Manias-de-Escritora/225743140921440?sk=timeline Chega de blábláblá, boa leitura! Ah, leiam as notas finais.

Capítulo Dez

Seus passos ecoavam por todo o extenso corredor. Ela caminhava firme e, ao mesmo tempo, delicadamente. Seu vestido era de um tecido fino, esvoaçante; era longo e de um tom claro de verde. Seu olhar transmitia um misto de tranquilidade e determinação. Ela estava como na maioria das vezes: com sua expressão neutra, ninguém seria capaz de decifrar o que aquela mulher estaria pensando. Bom... Talvez somente uma pessoa.

Ela bateu levemente ao parar na frente de uma grande porta; era feita de uma madeira escura e, em toda sua extensão, podia-se ver partes lascadas formando um belo desenho de arabesco, linhas curvadas seguindo ora para cima, ora para baixo. Com seus ouvidos aguçados, a mulher ouviu o murmúrio do homem pedindo-lhe para entrar.

Abriu a porta com a mesma graciosidade e entrou. Seus cabelos negros esvoaçavam conforme seus movimentos; fechou a porta e se aproximou da mesa em que o homem apoiava a palma das mãos, em pé, parecendo extremamente absorto nos pergaminhos que lia.

– Faith. – por fim o homem disse, desviando sua atenção para a mulher na sua frente. Aqueles olhos azuis conseguiam hipnotizar qualquer ser.

O homem, na verdade, podia-se ser considerado já um senhor. Sua pele era madura, seus cabelos grisalhos cresciam pelas costas, ondulando levemente. Apesar da idade aparente, de longe se podia ver sua postura impecável e firmeza de um homem jovem. Sua voz também condizia com sua expressão séria.

– Akira. Perdoe-me interrompê-lo. Não consegui ignorar minhas preocupações.

– Posso ver, cara Faith. Por favor, sente-se. Acredito que tenho uma ideia do que se trata. – ambos sentaram-se.

Na grande sala havia pouca mobília. No centro, a mesa em que se encontravam. À direita uma pequena biblioteca particular: algumas cadeiras, uma grande estante com diversos livros. À esquerda uma estante parecida e um gaveteiro, ambos com portas e fechados à chave. Documentos pertinentes somente a autorizados. Em todo o cômodo via-se alguns tapetes no chão e tapeçarias nas paredes, juntamente com lamparinas, que, naquele momento, estavam apagadas. Por ora, contavam com a iluminação do sol.

– Akira, Dominic está agindo rápido demais, erguendo forças rápido demais. Desse modo temo não termos como impedi-lo.

– Sim. Esse assunto também anda me atormentando... – Akira disse com uma voz pensativa, deslizando os dedos em seu próprio queixo.

– Praticamente estão com um exército maior que o do Rei. Isso não poderia ter acontecido, Arlow não terá chances! Acredito que teremos que intervir antes do previsto...

– Faith, precisamos de informações mais profundas para que possamos chegar a alguma conclusão. Tudo deve ser minuciosamente planejado. Por favor, faça uma reunião com todos os Guias e responsáveis de cada grupo na vila; precisamos de mais ouvidos atentos.

– Posso providenciar isso, Akira. – um silêncio tomou conta do ambiente por um minuto, até que ela falou novamente: – Delilah está mais poderosa.

– Você não deveria sequer citar esse nome. – ele disse com descaso.

– Não ignore esse fato, Akira. Eu...

– Eu sei dos acontecimentos, Faith! – Akira elevou a voz ao interrompê-la, soltando sua mão na mesa e fazendo um alto barulho. Faith suspirou e se calou, com uma expressão de reprova no rosto. – Ela vai ser detida. Nem que eu próprio tenha que fazer isso.

– Não está pensando em guerrear com Callum, está?! – a indignação em seu tom de voz era notável.

– Veremos. – Akira disse simplesmente e o assunto estava encerrado. Pelo menos aquele assunto.

Faith aguardou alguns minutos. Sabia que havia tocado em um assunto delicado, mas precisavam agir urgentemente. A guerra não era a solução. Por fim, expos sua outra preocupação:

– Me preocupo com Bernardo. Respeito sua decisão sobre ele nessa missão, sempre respeitei desde o início, mas começo a duvidar seriamente sobre sua capacidade para isso.

– Ele irá conseguir.

– Ele está perdendo a cabeça, Akira. Não vê como ele persiste em ter comportamentos inadequados e impulsivos?! Essa garota pode ser a chave para tudo e Bernardo não vê essa importância! – sua voz era calma, mas, bem no fundo, podia notar um toque de desespero e exaltação.

– Acalme-se, Faith. Eu tenho ciência de todos os comportamentos de Bernardo e sei, assim como você, que estão para chegar. Não há porque se preocupar nessas alturas da situação.

– Ele irá continuar ligado a ela? – Faith falou, obrigatoriamente tranquilizando-se. Não havia nem uma remota possibilidade de discutir ou argumentar com Akira.

– Sim. Ele possui conhecimentos valiosos que desejo que Aurora aprenda.

– Nós nem sabemos do que ela é capaz! Não acha arriscado?

– De modo algum. Iremos analisar a situação com calma, assim que ela chegar. Precisamos ver até onde vai sua herança. A partir desse ponto, faremos o treinamento. Todos aqueles que possuem habilidades que eu considerar importantes, será mestre de Aurora.

– Entendo. – ela disse simplesmente.

– Não deixe seus erros passados lhe atormentarem novamente, Faith... – Akira disse pela primeira vez amaciando a voz e seu olhar. Faith congelou no segundo em que entendeu o que o Guia quis dizer e suspirou.

– Não deixarei. Assim que chegarem, levarei Aurora para os devidos aposentos. – Faith abriu um leve sorriso e, levantando-se, se retirou.

A frase ecoava em sua mente como um eco infinito. “Não deixe seus erros passados lhe atormentarem novamente...”.

****

Pela primeira vez Aurora sentia-se realmente cansada. Seus pés latejavam, suas pernas ameaçavam fraquejar, seus olhos doíam. Quase podia ouvir uma voz no fundo da sua mente implorando-lhe para parar. Não sabia ao certo o motivo, afinal, ela e Bernardo já tinham percorrido uma distância maior anteriormente, mas pensou na possibilidade de ser o som da água ao redor dos dois. Nesse momento, nem o pensamento de que alguém perigoso poderia aparecer a fazia andar mais rápido.

– Bernardo... Podemos ficar aqui um tempinho? – ela perguntou com a voz ofegante, os olhos querendo se fechar.

– Estamos quase chegando. Não podemos ficar no meio da passagem, Aurora. – ele respondeu sem a olhar, como era de costume.

– Espere um minutinho... Deixe-me só... Sentar um pouco. – Aurora falou fraca e pausadamente, sem mais consciência de seus atos. Mal percebeu o momento em que agachou no chão e se encolheu, abraçando o corpo.

****

A voz de Aurora sumiu deixando entrar um silêncio profundo, e Bernardo virou a cabeça para chamá-la, mas a garota já estava no chão, seu corpo inclinado, quase se deitando. Bernardo franziu a testa, achando aquele comportamento completamente estranho e incomum; agindo rápido, se aproximou e agachou ao lado dela.

– Aurora. – chamou com a voz firme e bem nítida.

– Hum... – ela apenas resmungou e logo seu corpo deixou-se levar pelo sono intenso e caiu, deitando-se no chão.

Bernardo precisou apenas de dois minutos observando a cena para tirar suas conclusões. Aurora não teria um comportamento daqueles, estava claro que ela foi forçada a fazê-lo. Com a mesma agilidade de sempre, pôs-se a observar ao redor atentamente, procurando indícios do que suspeitava. O túnel estava vazio, mas isso nada dizia. O ar estava igual, as paredes de água, o teto... Por fim, encontrou. Bem ao lado do corpo de Aurora, conseguiu ver um traço de algo que brilhava. Pó. Com certeza aquele trecho havia sido enfeitiçado.

Como não estava sentindo nenhuma reação à magia, pegou um pouco do componente entre seus dedos, observando seu aspecto mais atentamente e sentindo sua textura. Definitivamente não era uma magia negra ou tão perigosa; era fraca. Quase como que só para tramar alguma brincadeira. De qualquer forma, não era um bom sinal. Como havia dito anteriormente à Aurora, aquele túnel não era utilizado há anos e aquele feitiço estava bem recente.

Precisavam correr.

Com um só movimento, pegou Aurora em seus braços e correu. Assim que se distanciaram alguns metros, libertou, enfim, suas asas. Eram compridas, porém, não tão largas. Desde a raiz até as pontas, podiam-se notar algumas penas vermelhas, formando algumas mechas no meio daquela imensidão branca. Agora, moviam-se com mais velocidade e Bernardo sentiu-se aliviado por ela estar dormindo. Não via a hora de poder entregá-la a Akira e se livrar desse fardo.

****

Passaram-se algumas horas e já estavam fora do túnel. Aurora ainda dormia tranquilamente nos braços de Bernardo e, novamente, um flashback de quando tudo começou o invadiu. Sem mal perceber, o Guia recordava-se mais uma vez do dia em que levara Aurora para longe, de quando a entregara para estranhos. Uma pequena criança indefesa com um grande destino. O pensamento durou apenas alguns segundos, logo o sentimento atual voltou. Achava tudo uma grande besteira e talvez um desperdício e egoísmo. Ela poderia ter uma vida normal, eles poderiam vencer sem ela; mas não. Toda Íria sofreu por todos esses anos e agora mais uma vida seria destruída. Para Bernardo, ela não tinha nada de especial. Apenas mais um número em Althea. Um número dispensável.

Percorreram mais três horas e chegaram ao destino. Nessa parte do caminho iria ser muito mais fácil com ela acordada, mas ele precisaria improvisar. Colocou a garota no chão enquanto suas asas se escondiam novamente. Estavam de volta ao meio da floresta e pararam bem em frente a duas árvores. Quem não olhasse atentamente, não iria perceber que elas estavam em um ponto estratégico, colocadas em uma distância específica uma da outra, formando, quase, uma passagem. Murmurando, disse:

– Per deos omnes, qui inter caelum et infernum, promitto an solum boni. obsecro, `aperire januas¹.

Sem perder tempo, colocou Aurora novamente em seus braços e observou aquilo que já estava decorado e tatuado em sua mente. A porta de Althea.

Os galhos das árvores trabalhavam indo uma em direção à outra, cruzando a madeira, se enlaçando, levando as folhas junto. Vendo a cena parecia que as árvores tomaram vida e decidiram se abraçar. O desenho já estava se formando, um lindo e grande arco, repleto de gravetos, algumas folhas bem verdes e flores que desabrochavam bem diante aos olhos de quem a solicitou. Nada daquilo poderia ser visto se não ao olhar daquele que proferiu o pedido.

Assim que finalizado, ainda parecia somente um arco no meio de uma floresta. Somente a partir da passagem, é que entrariam realmente no destino final. Sem mais delongas, Bernardo atravessou e viu Althea, como sempre com seus habitantes passando por aqui e ali, em mais um longo dia de trabalho. Como previsto, Aurora começou a despertar assim. Os feitiços menos poderosos não resistiam à passagem ao Arco. Ela estava confusa e Bernardo pôde jurar que viu suas bochechas ficarem rosadas por um momento. Em um segundo de alívio e descontração, ele riu. Riu de verdade. Estavam seguros, finalmente.

– Bem vinda à Íria, Aurora. Mais precisamente, à Althea.

Notas finais
¹ Citação em Latim: Por todos os Deus que há entre o Céu e o Inferno, prometo fazer o bem. Por favor, abram as portas. E entãooooo? Por favor, quero opiniões, sugestões, críticas construtivas.. Não desapareçam da minha vida D: hahaha. Até o próximo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.