Étoiles Perdues

3 Just Paint the Picture


Notas iniciais
GENTE! desculpa o atraso, de verdade. tô tentando não largar essa história então peço paciência aos que tão acompanhando porque sou muuuito enrolada hahah boa leitura :)

Éponine

Já é a terceira reunião que recebo olhares de provocação. Não como se ele fosse um tarado e ficasse me olhando da cabeça aos pés. É só como se quisesse não só que eu soubesse, mas que eu lembrasse.

Fico lá, sentada em silencio, ouvindo os mais velhos falando das semanas sem isso e sem aquilo. As conquistas e os fracassos. Os problemas. Um cara conta piadas, mas não tão engraçadas como as que Grantaire faz. Aquele idiota. Queria barra-lo e perguntar o que quer de mim afinal.

Grantaire

Enquanto espero do lado de fora, penso se não é tudo invenção da minha cabeça.

E se tudo for loucura?

Meu único motivo de estar aqui é ter certeza de que, sóbrio ou bêbado, eu ainda vejo as lembranças vivas nela. Aqueles buracos negros no rosto que me encaravam no corredor quando dois de nós faziam abrir uma maçaneta parecer a tarefa mais difícil de ser feita.

Nunca trocamos mais que três ou quatro monossílabos, mas cada olhar – profundo e ansioso no medo de ser pego – valia mais que ditar o dicionário inteiro no fim das contas.

Espero que não. Que nada seja loucura do meu corpo corrompido, da minha mente alucinada.

Éponine

Pé direito na parede, camisa xadrez amarrada na cintura, Grantaire me enxerga assim que saio pelos portões. Casualmente olha para o céu, o perfil do rosto iluminado pelo poste de luz, e tira as mãos dos bolsos passando-as nos cabelos desgrenhados.

Os dedos.

Corro parada em direção ao passado. Vejo a maçaneta do vizinho manchada, ouço os xingamentos. Sinto o cheiro das cores.

Tinta.

Ele coça a nuca. Boceja. Olha o relógio no pulso e me encara outra vez.

Grantaire

Ela permanece em frente ao prédio, eu do outro lado da rua. Carros vão e voltam, mas nada nos distrai do jogo de adivinhação silencioso. Provavelmente ela ainda está nadando na duvida do talvez ou com certeza.

Talvez seja quem ela pensa.

Com certeza é.

Mas quem, além de mim e aquelas paredes mofadas, poderá lhe dar a devida luz?

Não é ilusão de ótica.

Quero gritar e sorrir como um velho amigo. Quero contar a ela só não sei o motivo. Não fomos próximos, precisei de um grupo de apoio pra descobrir seu nome e pareço maluco nessa história, mas em algum lugar me sinto tão perto que posso tocá-la e tão conhecedor que saberia qualquer coisa sobre a criatura a minha frente sem ao menos perguntar.

Porém, continuo a um abismo de distancia e tão burro que não saberia minha própria idade se me perguntassem.

Quando ela balança a cabeça e dá o primeiro passo na direção oposta, algo dentro de mim morre.

Duas semanas depois

Cosette

– você é o pior irmão do mundo!

Mamãe grita pra eu parar de bater porta na casa dela.

– sabe, Cosette, eu não sou obrigado a levar você junto. Não somos siameses – Enjolras fala quando passa pelo corredor.

Nem somos irmãos. Tenho vontade de falar, mas me recuso a abrir a boca. Seria a maior besteira da minha vida.

Quando era menor, queria ficar seguindo ele o tempo todo. Logo que chegou, Enjolras se mostrou um menino bom, o tipo de pessoa que ninguém chama a atenção e eu só queria ser igual.

Abro a porta correndo antes que ele saia.

– Espero que seu encontro tão importante assim seja horrível! – grito apoiada no corrimão. Ele me olha do primeiro andar sorrindo e manda um beijo.

Enjolras

A última coisa que vi antes de sair de casa foi o rosto vermelho e o dedo do meio de Cosette. Agora, suando e com a garganta doendo nas ruas de Montfermeil, vendo as pessoas na rua, ouvindo-as gritar, me sinto vivo.

Combeferre

Me perdi em meio a multidão. Tenho um vislumbre de Grantaire correndo para outra rua, os cabelos de Enjolras não muito longe de onde estou. Parado, tendo tempo de observar, só quero fugir daqui. Incendiaram carros, usaram de violência.

Esse não sou eu.

Pode ser Enjolras e com certeza Bahorel, mas, ao contrário do que pensei quando chegamos aqui, não sou eu.

Quero apontar os holofotes para cada pessoa que vive como se estivesse escondida afim de que seja vista, só que não desse jeito.

Meus olhos voltam a focar assim que Courfeyrac aperta meu ombro e aponta para Enjolras.

Éponine

– Ou você me larga ou eu grito, Babet!

Ele esmaga minha boca entre as duas bochechas.

– E quem é que vai te ouvir latir nesse barulho? Hein?

Mais forte dessa vez como que pra confirmar que ou ele se cobra ou ninguém me ouve. Ou ele ganha ou eu perco.

– Onde você andou esse tempo todo? Onde tá o meu dinheiro, sua vadia?!

Meu corpo choca com a parede fria de alguma casa pichada. Minha visão fica embaçada pelas lágrimas mesmo com todo o esforço que fiz pra não chorar.

– Eu não tenho dinheiro nenhum, juro.

– Mas que porra, Éponine! Vai dizer que deu pr’aquele velho gordo de graça ou me dar a droga da grana que tá devendo?

– Já disse que não tenho dinheiro nenhum!

Vejo a mão dele levantada pronta pra me bater. Em reflexo escondo o rosto com a mão e fecho os olhos, mas o tapa não vem.

Notas finais
curto de novo, mas pelo menos saiu. I promise I'll try harder next time. até os reviews ou o próximo capítulo! fiquem com Deus e boa noite :) xx