Éter flui pela Espada Imperial

1 Capítulo I- Orgulho de General em palavras


Notas iniciais
A primeira vez que conversamos, somente nós,

O vento bateu forte na General da Guarda Imperial, levando sua capa para longe de seu corpo e fazendo o metal em seu peitoral chacoalhar, em barulho.

Ela estava do lado de fora da escola onde sua antiga, e velha amiga, trabalhava.

Aisha Landar, uma das poucas magas de Éter que restou no Mundo.

A primeira pessoa que seu irmão, Elsword, encontrou ao sair de casa em uma aventura que ele não deveria ter se metido.

A primeira pessoa a se juntar ao Grupo de Busca de El.

Quanto tempo havia se passado desde então.

O fim do Grupo de El era inevitável, entretanto quando cada um foi para um lado, seguindo suas próprias motivações, o contato se tornou nulo.

Entretanto, depois de tanto tempo, ali estava ela, indo ter sua primeira conversa depois de anos separadas, isso soava tão... estranho agora.

E ainda assim, estava ali, não para relembrar memórias antigas ou para festejos, e sim para se preparar para a guerra que viria.

— General Elesis, — A chegada do mensageiro era, ainda, um sinal bom — o encontro com a professora de Arquimagia, Aisha, será em 10 minutos. — A mulher acenou enquanto olhava para o mensageiro — voltarei se tiverem mensagens para a senhorita.

Outro aceno se seguiu, e a General acompanhou o homem com o olhar até ele estar relativamente longe. Respirou fundo uma última vez enquanto deixava o pôr do sol banhar toda a sua armadura.

Talvez pegasse mal a General parada na frente da porta de uma escola de magia, mas era onde sua missão estava, mesmo ainda vestindo sua armadura para campo de batalha.

Uma das poucas escolas de magia que restaram naquele mundo onde a guerra não mais era algo a vista de todos.

Mesmo que a escola se localizasse no meio da grande metrópole que Velder tinha se tornado, ela não era tão lotada quanto deveria ser antigamente.

A General Elesis fechou seus olhos avermelhados, se concentrando na missão que estava por vir.

Ao abrir, ela estava pronta para ter que argumentar com uma porta.

Arrumou seu broche que ficava preso do lado esquerdo e ajeitou a capa para desdobrar, a jogando para trás de si enquanto abria a porta que dava para um longo corredor branco com prata.

Assim como os alunos deveriam, sempre, vestir suas roupas escolares fora da escola, a General deveria usar sua roupa militar fora do exército, mesmo que ela fosse excessivamente extravagante.

Uma farda militar vermelha, feito especialmente para si quando se tornou alguém tão importante. O peitoral era uma jaqueta grossa vermelha, presa com três fivelas douradas e um broche na ponta.

Mesmo que a cada passo ela sentisse todo o equipamento pesado por baixo.

Andou, passando pelas paredes lisas do início do local às pressas.

A saia vermelha longa fazia ondas ao seu redor, enquanto a abertura na frente mostrava sua bota de metal batendo rígido no chão de piso frio a cada passo seu e a saia preta, curta, lhe dava o movimento necessário para qualquer situação.

A General Elesis respirou fundo novamente, acalmando seu coração que insistia em imaginar a criança que Aisha era.

Uma pirralha que nunca ouvia ninguém e que insistia em ficar dando em cima de seu irmão, que nunca ligou para ela. Além de todos os problemas que causava antigamente, como explosões neles mesmo e birras por se achar fraca. Era arrogante e se achava demais na frente de todos, mesmo que chorasse de medo na maioria das ocasiões.

Elas nunca haviam conversado, não sozinhas, mesmo que tivessem ficado mais de uma década no mesmo grupo, as conversas eram para geral quando ambas tinham que falar algo. A birra de Aisha fazia Elesis se afastar dela, enquanto a insistência em uma espada fazia a própria maga não querer contato.

Mas uma coisa era certa, se a magia lhe tornou professora, então ela deveria ter obtido alguma maturidade com o tempo.

A General verificou suas abotoaduras douradas na barriga e arrumou a espada em sua cintura, já vendo que estava perto de seu destino: Uma porta que havia luz.

Mesmo que sua espada pudesse assustar Aisha, ela não poderia, nunca, deixar sua arma para trás, não na situação em que tudo se encontrava.

Não com o inferno lá fora.

A lua tomou seu porte do lado de fora, transmitindo pouquíssima luz naquele corredor que dava para as salas, iluminando, inclusive, a General Elesis, que atravessava aquela enorme janela.

Bom, não era para ter mais ninguém na escola àquela hora, então era óbvia a escuridão.

Os cabelos presos em um rabo de cavalo da General voaram quando ela apressou o passo para chegar ao seu destino, fazendo a trança abaixo do rabo de cavalo pesar mais do que deveria.

Ela não gostava de deixar damas esperando, principalmente a que ela veria depois de anos.

A General parou quase no fim do corredor, em uma porta entreaberta onde saia luz.

O local marcado para a primeira conversa das duas.

Apesar de meio aberta, ela segurou a maçaneta e bateu, antes de abrir a porta e se apresentar.

— General Imperial Elesis se apresentando, às suas ordens, Sábia do Éter.

Aisha parou boquiaberta.

Em meio a luz alaranjada, a maga estava de pé em frente a uma estante. Seu cabelo roxo se sobressaindo de seu vestido da mesma cor, simples, com algumas aberturas em branco. Ela segurava um livro na mão e mais dois no braço, todos de magia.

Mas acima disso tudo, o que impressionou Elesis foi a crise de riso que veio logo a seguir da sua apresentação.

A maga ria como se fosse a melhor piada da vida dela, tendo que se segurar na estante para não cair no chão.

Elesis não tinha um sorriso em seu rosto. Elas não tinham tempo para brincadeiras idiotas

— Desculpa, — A risada de Aisha não parava. A maga respirava fundo várias vezes, mas a crise logo voltava e a risada continuava, irritando a General — eu fui pega de surpresa. Certo, — respirou mais uma vez e olhou para Elesis, que agora tinha a certeza da garota nunca ter mudado — Você precisava falar comigo, General?

Elesis fechou os olhos por um segundo, mentalizando sua missão e o porquê de estar ali.

Aisha ainda era uma criança que sabia usar umas magias poderosas.

— Sim, Sábia do Éter. — Ela adentrou a porta, ficando de frente para a garota — Fui enviada para lhe convocar para a guerra que está vindo. Seus conhecimentos com magia de Éter nos serão úteis e será uma arma preciosa contra os inimigos.

Ao terminar de falar, Elesis viu a garota ficar branca, os livros escorrendo pelo seu braço.

— Guerra? Por qual motivo? Acreditei que tudo havia acabado a anos.

— Não há como saber. Dia após dia estamos recebendo ataques de demônios que gritam o nome de um líder que não é Lu ou Ciel. Estamos completamente perdidos e recrutando pessoas para uma guerra que não deveria existir.

— Não... — Mais apavorada do que Elesis esperava, a maga tentava formular as palavras que não saiam de sua boca da forma que ela desejava. — Não poderia ser um engano?

— Não existem enganos ao matar pessoas inocentes, Sábia do Éter. — Os olhos de Elesis, apesar de atentos aos problemas, olhava a garota que Aisha era e a que havia se tornado. Uma maga com medo de uma guerra. Uma criança dando aula. — Precisamos acabar com isso antes que nós estejamos acabados.

Aisha apertou as mãos, que agora estavam sem os seus livros.

O choque era tamanho que ela não ousou se mexer, e Elesis entendia completamente a garota.

Uma guerra que não deveria existir.

Pessoas iriam morrer em uma guerra que não era para ter.

— Como... — ela engoliu em seco e respirou fundo — como está Elsword?

Elesis suspirou, deixando o ar preso em seu pulmão vagar pela sala pequena, se ajoelhando logo em seguida para pegar um livro que estava perto de seus pés.

Por que não falaram para Elsword recrutar Aisha e não ela? Eles eram namorados, talvez fosse até melhor. Iria ser difícil recrutar uma maga naquele estado.

— Ele está a caminho, entretanto não ficará na linha de frente. Talvez vocês não consigam se ver. — A General passou a mão pelo livro e o estendeu à Aisha quando levantou—se.

A expressão de ter acabado de voltar para realidade da maga preocupou a General.

A última coisa que ela queria era magos distraídos colocando fogo nos aliados

— Ah, — A Sábia pegou o livro da mão da General e se abaixou para pegar os outros, juntando todos os três em seu braço — obrigada. — Alguns segundos se passaram antes de Aisha realmente falar algo, talvez processando tudo aquilo — Por favor, — um sorriso fraco se transmitiu da maga — pare de me chamar de Sábia do Éter, Elesis, nos conhecemos bem antes disso ser importante.

Os olhos vermelhos de Elesis transmitiram o espanto de sua mente ao ouvir aquilo.

Com tudo aquilo, ela estava se preocupando com formalidades?

Mesmo que devesse ficar nervosa com a garota à sua frente, Elesis não conseguiu.

Aisha não havia se tornado arrogante como ela pensava, mesmo que isso pudesse vir para o bem, ou para o mal.

A General viu, pela primeira vez, a sala que estava.

Era uma sala com a personalidade da garota.

Uma sala pequena, lotada de livros, poções e símbolos mágicos que ela um dia, podia ter aprendido, mas não se lembra mais deles.

— Certo, então... — Um sorriso gentil de Elesis, acompanhado de olhos ternos se juntaram para a frase que iria trazer o fim do mundo que elas conheciam. — Você nos ajudará nessa guerra, Aisha?

A maga segurou os três livros no peito, os levantando um pouco para não os deixar cair, e então, deu o sorriso mais lindo que Elesis já viu na vida.

— É o correto a fazer! Se precisam de mim, então eu vou!

Elesis sorriu.

Então, ali estavam as crianças que elas eram antigamente.

Notas finais
você ainda era a criança que eu conheci a décadas. Muito obrigada por todos que lerem ♥ eu realmente sou grata a todo carinho que isso alcançar. Então, muito obrigada por tudo, e espero que eu possa ficar mais um tempo com vocês. Kissus~