É por isso que eu odeio o futuro!
9 Capítulo 9-Sobrinhos!
Notas iniciais
Se Beto tivesse me falado pra correr para as colinas, pois um exército de marmotas estaria invadindo a cidade, eu acho que teria acreditado muito mais. Porque sério, não dava para imaginar a Camila ou o Gustavo sendo pais. Não que eu esteja desmerecendo os dois. Nada disso. Juro! É só que é estranho pensar que meu amigo de infância, que discutia comigo sobre o Superman ser melhor que o Batman, seria pai.
E não vou nem comentar a Camila, que poxa, era minha irmãzinha! Ainda estou tentando entender como os dois acabaram casados. Ah... Eu realmente adoraria dar detalhes sobre a gravidez dela e tudo mais, mas assim, não dava pra pegar o bonde andando e já querer sentar na janelinha, né?
Agora, deixa eu te contar uma coisa sobre bebês: Eles demoram a nascer. E quando são dois o tempo também é dobrado. É sério. E olha que eu e Beto fomos os últimos a chegar ao hospital.
Gustavo havia entrado para acompanhar a Camila e lá eles ficaram. E a gente ficou esperando no corredor. Mas quando eu digo “a gente”, me refiro á mamãe, senhor Buck, Beto e eu. Deram falta de mais pessoas? Não? Bom, então eu pergunto: Onde estavam os pais do Gustavo no meio de toda essa bagunça? Pois é, eu também não sei.
Mas como eu ia dizendo, bebês demoram. E muito. Eu acho que fazia mais de quatro horas desde a última notícia que tivemos. E sim! Isso era muito preocupante. Mamãe estava preste a derrubar a porta do centro cirúrgico com golpes de kung fu. E vai por mim, ninguém ia querer isso.
E quanto a mim... Bom, eu estava em uma mistura de adrenalina com tensão bem sinistra. E o Beto notou isso.
—Alex, me de sua mão. – Ele sussurrou em meu ouvido tirando-me de meus devaneios.
—Por quê? –Perguntei também em um sussurro.
—Porque você já roeu todas as suas unhas e eu estou com medo de você comer seus dedos.
Ele sequer esperou eu responder, simplesmente segurou minha mão e a prendeu na dele.
E eu nem tive tempo de falar algo a mais, porque Gustavo abriu a porta, tão discretamente quanto um mamute, meio sorrindo e chorando. E não precisou ele falar nada para todo mundo entender o que aquela reação queria dizer.
Eles... Meus sobrinhos. Nasceram!
Eu me lembro de muito pouco sobre o nascimento da minha irmã. Na verdade, lembro apenas que fiquei na casa de umas das minhas tias enquanto meus pais foram ao hospital. Mas agora... Agora eu estava ali. Vendo os filhos da minha irmã nascendo.
E isso me soava mais estranho a cada minuto que se passava.
Mas no momento tudo que eu fiz foi abraçar meu amigo, que muito surpreso, me abraçou de volta. Não que tenha sido por muito tempo, já que mamãe começou a pressionar o pobre Gustavo para contar os detalhes e exigir ver a minha irmã e os bebês.
— A Camila está dormindo, por conta da anestesia. E a enfermeira ia arrumar os bebês para depois leva-los ao berçário. –Gustavo respondeu.
Nossa... Precisavam ver como aquele povo correu rápido para chegar ao berçário. Nunca vi coisa parecida. É... Só que eu não fui não. Ok. Vai parecer loucura o que eu vou falar, mas... Eu estava com medo. É. Com medo de dois frágeis bebês.
Eu particularmente me sentia como se alguém tivesse me empurrado de um enorme barranco e eu havia dado de cara com uma grande e dura pedra chamada “realidade”. Porque vocês não fazem a menor ideia da ginastica mental que eu estou fazendo para ignorar o fato de ter perdido 14 anos de memórias. Sério!
—O que foi Alex?– Beto perguntou, aparecendo ao meu lado. Ai Deus... Eu já tinha me esquecido dele.
— O que foi o que? –Perguntei inocentemente.
— Porque você está parado aqui? Não quer conhecer seus sobrinhos?– Ele abriu um sorriso.
—Eu Quero. Mas não quero. Entende? – Falei hesitante.
—Na verdade, Não. Pensei que estivesse feliz...
—Mas eu estou feliz!–Me apressei em responder. – É só que... Eu...
—Você está com medo?
Ok, agora é certeza. Ele lê mentes!
—Você pode parar de fazer isso? – Esbravejei. Poxa, não é legal ter um cara na sua cabeça toda hora e em todo lugar! É assustador, na verdade.
— Hã? Mas o que eu fiz?– Ele parecia um tanto chocado com a minha mudança de atitude.
—Pare de ler a minha mente! Você sempre faz isso.
Ele franziu o cenho e depois suspirou pesadamente.
—Alex... –Ele começou calmo e seus ombros relaxaram. – Eu não preciso ler a sua mente para saber o que você pensa. Você simplesmente deixa tudo transparecer. Porque é assim que você é. Sincero demais.
Ele se aproximou e segurou minha nuca. E sério, eu pensei que ele ia me beijar de novo. Meu corpo inteiro se enrijeceu.
Mas não. Ele simplesmente sorriu mais uma vez e ficou me olhando. Eu quase tive um ataque de pânico.
— Vá ver seus sobrinhos. – Disse ele por fim.
Eu não sei se ficava tranquilo por ele não saber ler mentes ou se eu me preocupava com essa história de ser muito transparente... Mas deixa pra lá.
Eu comecei a olhar pra qualquer coisa que não fosse o rosto dele. Não imagina o quanto uma mancha na parede pode ser interessante quando você não quer olhar para alguém.
—Você vai comigo?– Perguntei em um pequeno sussurro, ainda sem encara-lo.
—Mas é claro! Eu estou sempre com você, não é? – Ele segurou minha mão novamente. – É só para o caso de você começar a roer suas unhas de novo. – Respondeu, dando de ombros.
Não contestei. Apenas me deixei ser guiado pelos silenciosos corredores do hospital. Eu sei que ele notou que a minha mão estava um pouco tremula. Mas ele não disse nada. E mesmo que eu a apertasse, ele continuou segurando. Agora, posso pular a parte em que todo mundo ficou olhando pra gente, desfilando de mãos dadas? Que bom!
Sabe, eu realmente estava nervoso, e com medo, e com vontade de sair correndo... Mas quando eu me aproximei do vidro do berçário e vi aquelas duas pequenas coisinhas, todas enroladas em um trilhão de pano... Ah por favor, queria ver quem não ia achar a coisa mais fofinha, apertável e mordível do mundo!
Ah Vamos, qual o problema de ter um ataque de fofura pelos bebês mais fofinhos que eu já vi na vida? Nenhum, certo?
— Como se chamam? –Perguntei, sentindo que eu estava com um sorriso bem bobo no rosto.
— A menina se chama Érica e o menino é Samuel!– Olha só... Não era só eu que tinha um sorriso bobo no rosto. Gustavo também sorria hipnotizado pelos filhos.
—E eles são a sua cara, Alex!–Mamãe falou, colocando a mão em meu ombro. Seus olhos estavam meio avermelhados e marejados, mas ela me parecia muito feliz.
—Que? Sério? Por quê?–Voltei a olhar para os bebês, que de fato possuíam os mesmo cabelos pretos e olhos da mesma cor. Só que em fofura eles me barravam quase que 100%. Mas é claro que haviam puxado a Camila, e não a mim.
—Eles são idênticos a você quando nasceu. – Mamãe deu uma risadinha.
Se eu falar que essa parecia à primeira conversa “normal” que eu tinha com a minha mãe, parece até que eu estou brincando. Mas sério. Mamãe parecia só falar comigo quando muito necessário.
Olhei para Roberto.
—Tá vendo? Eu era muito fofinho quando nasci!– Eu ainda estava naquele meu momento encantado.
—Eu te acho muito fofo agora também. – Acredito que apenas em ouvir isso me fez ficar vermelho de novo. – Parabéns Gustavo!
Gustavo apenas acenou com a cabeça, aceitando as felicitações.
—Mas e a Camila? Quando ela terá alta? – Perguntei.
— Ela só vai ficar em observação. Mas como está tudo bem, tanto com ela, quanto com os bebês, amanhã à noite ela já está de volta. Ela pode se recuperar em casa. Será que você pode me ajudar, Carla? Não sei bem o que fazer...
— Claro! Eu vou amanhã bem cedo para sua casa. Assim eu poderei cuidar melhor da minha menina e dos meus netos. – Mamãe parecia muito orgulhosa e isso era muito bom. – Você gostaria de me ajudar, Alex?
—Eu? Eu posso? – Ah... Meu Deus! Lembrou-se de mim!– É claro! Eu não faço nada o dia todo!
Bom, desde que não considere assistir TV e comer, porque acho que isso não conta...
— Eu imagino que não. Você provavelmente está dormindo até tarde, tomando café da manhã errado, vegetando no sofá e fazendo birra pra almoçar. E o Roberto, fica te mimando e deixa você fazer isso. – Mamãe é realmente assustadora!
— E você acha que eu sei ler mentes? – Beto perguntou em tom muito bem-humorado. – Ah, vamos Carla! É só até o Alex melhorar. Sabe que ele não é realmente assim...
Mas... Eu sou realmente assim! É, mas o outro Alex, não é...
Olhei mais uma vez para os bebês.
Está certo que eu estive muito acomodado nos últimos dias. Eu simplesmente aceitei que perdi minha memória e estou apenas querendo tê-la de volta. Mas não estou realmente me esforçando para isso. Mas se eu recupera-la... Quem vai ficar aqui? Eu ou ele? Porque tecnicamente, eu não pertenço a este tempo...
—O que você tem? – Gustavo perguntou.
—Hã?... Nada. Só estava pesando.
— Isso é ainda mais preocupante. Problemas?
Torci o nariz para a pergunta.
— Nada demais. Mas... Diga-me: Como é ser o novo papai do pedaço?
Ele me olhou meio envergonhado.
—Ah... Alex. É uma sensação que eu nem sei descrever...
—Ah... Mas você viu? Eles parecem comigo!– Coloquei a mão no vidro. – Eles vão ser lindões igual ao titio! Não vão? Claro que vão!
Ok, aquela não era minha melhor voz. Que dizer, é aquela voz bem tosca que você faz apenas para bebês e animais fofinhos. Mas o Gustavo não precisava ficar me olhando como se eu tivesse entrado na missa e levantado à batina do padre, né?
—Quanto você quer para não me mostrar essa voz de novo? –Ele perguntou tentando conter um sorriso.
—Ah cala a boca, eu sei que você também vai fazer essa voz para eles. – Olhei para ele–Posso te perguntar uma coisa?
— Já disse que você não foi abduzido.
— Não é isso. – Ralhei. –Gustavo... Onde estão os seus pais?
Ele parou, entendeu a pergunta, depois apertou os lábios.
—Alex... Os meus pais morreram quando a gente estava na faculdade. –Ele respondeu. E nossa... Eu simplesmente não soube o que dizer. Não que eu fosse tão ligado aos pais dele, porque não era. Na verdade, o pai do Gustavo não ia muito com a minha cara. Ele dizia que eu era um “Ímã de problema”. E veja só: Ele tinha razão!
—Eu... Eu sinto muito.
—Que isso. Está tudo bem. Mesmo. – Ele fitou o chão.
Nada muito emocionante aconteceu depois disso. Gustavo falou que ia passar a noite com a Camila no hospital e mamãe disse que ia para casa preparar não sei o que para o dia seguinte.
E eu também ia para casa com o Beto.
— Você viu como eles são lindos? E a mamãe ainda diz que eles se parecem comigo! – Eu estava meio... Agitado.
—Eu vi, Alex. Eles são muito lindos mesmo. Iguais a você.
— Não é?! Poxa, como eu pude ser tão idiota? Estava com medo de bebês! Mas assim, era estranho saber que eram da minha irmã... Poxa nunca imaginei isso. Pelo menos não tão cedo...
— Ahan. – Foi tudo que ele respondeu. Nossa! Beto estava devaneando mais do que eu.
—Algum problema? – Perguntei cautelosamente.
— Ah... Não é nada! Fico feliz que você está melhor agora. Pensei que você fosse sair correndo. Precisava ver a sua cara.
— Mas eu ia! Sabe aqueles bebês, eles são a maior prova de que tudo isso é real. Que eu realmente... Eu realmente não tenho mais quinze anos. Que eu estou parado no tempo enquanto todos à minha volta continuam a progredir... E eu comecei a ficar com medo.
— Alex, você é uma pessoa incrível. Você com toda certeza tem a força que nem metade da maioria das pessoas teria em seu lugar. É por isso que eu te admiro.
—Você... Me admira? –Olhei para ele, que tinha o rosto sério para a direção.
—Claro! E depois de tudo isso, acho que mais do que qualquer outra pessoa...
Acho que todo mundo já tomou um choque, bem de leve, pelo menos uma vez. Foi como eu me senti. Aquele pequeno tremor no corpo, aquela sensação quente no peito e mais outras coisas que eu não sei explicar...
Mas posso dizer que eu fiquei meio esbabacado olhando para o nada até que Beto abriu a porta do meu lado.
—Alex? Chegamos! Você está bem?
Acho que respondi qualquer coisa meio atordoado.
Mas aquela sensação não passava. Juro que pensei que eu estava passando mal ou sei lá.
E ficou ainda pior na hora de dormir. Ao contrário do Beto que meio que babava ao meu lado, eu estava me revirando igual uma minhoca no asfalto quente e não pregava os olhos. E toda vez que eu olhava para ele, dormindo, tão calmo, parecia que a coisa ficava pior.
Eu já estava pra pirar, quando resolvi usar o meu último recurso: Contar carneirinho! Porque sabe, isso é uma técnica que nunca falha.
E eu já estava no carneirinho número quarenta e oito quando Beto acordou e me perguntou o que eu estava fazendo.
—Eu não consigo dormir. Aí eu resolvi contar carneirinhos...
—Você o que? Vem cá... Você vai cair da cama se continuar dormindo tão na beirada.
Eu... Meio que me aproximei um pouquinho.
—Estou sentido alguma coisa estranha...
—Está passando mal?
—Não sei... É algo esquisito. E não me deixa dormir!
—Quer que eu conte carneirinhos com você?
E não é que ele se dispôs mesmo a contar comigo? E olha que ele estava bem sonolento. Mas ele contou! Até que eu simplesmente pegasse no sono. E não me pergunte qual foi o numero do carneiro em que ele parou...
Acordamos na manhã seguinte parecendo algum tipo de novelo de lã. Minha cabeça estava aconchegada em sua curva do pescoço. Uma das mãos dele estava nas minhas costas e me prendia ainda mais a ele. Enquanto a outra descansava preguiçosamente sobre a minha coxa. Minha perna estava praticamente jogada em cima dele. Enfim, como eu falei, parecíamos um novelo de lã, todo embolado...
—Bom dia!– Ele sussurrou apertando de leve minha coxa.
—Huhum... – murmurei ainda sem abrir meus olhos.
—Acorda, Alex... Hoje você também vai levantar cedo... – Ele falava em tom tão legal... Acho voz dele muito legal pela manhã...
—Só mais cinco minutinhos... Eu já vou!– Respondi, acho que foi meio manhoso.
— Ah, é?–Ele deu um sorrisinho. –Então... Acho que não tenho escolha...
E aí que a mão dele, que antes estava na minha coxa, acabou na minha bunda. E vai por mim: Eu acordei na hora. Na verdade, eu meio que cai da cama, mas isso não tem importância.
— Que isso? Quem acorda outra pessoa assim? – Perguntei me levantado.
—Você não queria acorda... – Por que ele ri tanto as minhas custas? – Pode ir tomar banho enquanto eu preparo o café.
Ainda me recuperando, eu fui, né? Até fiquei enrolando mais que o normal.
Ah... Vocês não sabem como era ótimo abrir o guarda roupa e ter roupas “normais” para vestir. Jeans, camisetas, tênis. Era maravilhoso!
Beto por outro lado, estava impecavelmente vestido, penteado e perfumado para o trabalho.
—Porque eu não posso ir com você? Eu trabalho lá também, não é?– Perguntei quando já saímos de casa.
—Hum... Certo, você sabe o que faz um gerente de marketing?–Ele perguntou.
—Acho que não.
— É por isso que não pode ir.
Beto primeiro me deixou na casa da Camila e disse que me buscaria um pouco antes das seis da tarde.
E olha, foi muito bom passar o dia com a minha mãe e o Gustavo. Sabe, eu sei que a mamãe não precisava realmente de ajuda. Quer dizer, eu nem sei o que ela estava fazendo. Mas eu me senti “em casa” depois de muito tempo. Ela até fez comida! E olha, mesmo que eu ame a comida do Beto, nenhuma era igual a da minha mãe...
Eu e Gustavo nos sentamos no final da tarde, ele para esperar a hora de ir busca a Camila no hospital, e eu para esperar o Beto chegar. E percebi que já não tínhamos mais muito assunto em comum. Mesmo assim eu tentava...
—É... Estranho conversar comigo? – Arrisquei a perguntar.
Ele arqueou a sobrancelhas.
—Não... É meio... Nostálgico. É engraçado ver você desse jeito... Mas acho que seria, se não te conhecesse desde os seis anos.
—Então... Acha que ele acha estranho?
—Ele?– Gustavo sempre foi lerdo. Não liguem. – Ah... Roberto? Bom... Eu não sei. Vocês me parecem estar indo muito bem.
—Ele é legal. Legal de mais para uma pessoa como eu. Mas... Eu sinto que tem algo errado, Gustavo. Não sou idiota. Bom... Não tanto. Você acha que eu fui um cretino com ele? – Eu tinha medo da resposta, tanto quanto tive de fazer a pergunta. Mas Gustavo era meu amigo. Inútil, mas meu amigo. E se houvesse a chance dele saber de algo...
— Por que isso, Alex?– Ele perguntou, cuidadosamente.
—Eu... Você sabe, no dia em que eu sofri o acidente, foi porque nós íamos terminar.
Eu esperava uma cara surpresa, mas não. Ele simplesmente concordou.
—Eu sei.
—Sabe? Como você sabe? E sabe o por quê? Ah Deus! Eu realmente fui um cretino, não é?
—Não. Não é isso... Ah... Eu não acho que eu deva me meter. Principalmente quando finalmente as coisas parecem estar indo bem para vocês.
—Começou agora termina, Gustavo!–Esbravejei. – Estou cansado de todo mundo ficar me enrolando. Se souber de algo, eu preciso que me conte!
Ele suspirou.
—Não é que você tenha sido um cretino, mas você nunca esteve realmente apaixonado pelo Roberto. –Ele falou calmo. Quase como um segredo. – Ao menos, foi o que você disse.
— O quê? Como assim?
Não deu nem tempo dele me responder. Porque antes que Gustavo sequer verbalizasse alguma explicação, uma voz nem um pouco contente falou:
— Sim...Como assim, Gustavo?
E olha, rezei muito, para Deus, anjos, fadas, gnomos, unicórnios alados e qualquer ser que tivesse poderes, pra que não fosse ele.
Mas quando levantei os olhos, vi que não havia sido atendido. E Beto nos encarava, com uma cara nem um pouco boa.
Olhei para Gustavo e a única coisa que consegui pensar foi: “Agora você vai ter que falar!”.
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