É por isso que eu odeio o futuro!
5 Capítulo 5- Namorado!
Notas iniciais
Eu fui submetido a uma longa e torturante seção familiar onde eu era praticamente obrigado a participar das conversas. Era um tal de “O que você acha, Alex?” ou “ Qual a sua opinião?”. E cara, eu realmente não estava escutado uma palavra sequer da conversa. Eu estava pensando em alpacas voadoras para resumir. Bom, não exatamente, mas era quase...
Eu olhava para todo mundo daquela sala e eu não me sentia parte daquilo. Parecia mais que eu era um penetra que estava ali só pra comer de graça! E por falar nisso... Eu estou morrendo de fome. Eu nem sei quando foi a ultima vez que eu comi.
Ah! Eu quase me esqueci! Eu tenho que falar com o Gustavo. Ele é a única pessoa que pode me dar detalhes daquele dia. Com certeza ele deve ter visto o amigo ser abduzido e trocado por um alienígena, voltando só 14 anos depois... Acho que foi pensando essa teoria que eu acabei em alpacas voadoras.
Eu queria sair, sem chamar atenção de todo mundo e tal, ser bem discreto e apenas o chamar em um lugar e perguntar. Nada de mais. O problema é que, toda vez que eu tento não chamar atenção parece que meu corpo entende exatamente o contrário. Eu levantei bem calmamente do sofá, Roberto só olhou e tal, mas logo voltou atenção par a conversa dele, e eu ia saindo bem calmamente, ate tropeçar na porcaria do tapete e ir de cara ao chão.
Eu tenho certeza que algo segurou a minha perna, porque eu não ia cair assim, do nada e... Tá, esquece.
A maior frustração foi que a minha ideia de sair “calmamente” foi dada descarga bem na minha frente. Eu podia fingir ter desmaiado pra evitar um pouco a vergonha, mas quando eu vi o caos que aquela queda havia causado, se eu fingisse desmaio eles iam surtar! Aí eu ignorei o meu nariz que latejava e encarei todos que me olhavam com aquela cara de “ O que... Aconteceu?”.
—Alex... –Roberto foi o primeiro a falar. Estava com cara de quem também não havia entendido. –... Você caiu?! –Não foi no tom de pergunta idiota, foi no tom de “eu não acredito que você caiu!”.
— Eu... Tropecei.— Eu dizendo o obvio... — Mas eu to bem!— Leia se: Acho que quebrei meu nariz.
Roberto me ajudou a levantar; porque sim, eu ainda estava sentado no chão com cara de paisagem tentando disfarçar a vergonha.
—Alex, querido! Você está bem? — A mãe do Roberto estava bem preocupada.
—Eu... Estou bem!— Afirmei dispensando a preocupação.— Ah... Gustavo!–Gritei para o ser que apenas observava de longe todo aquele malabarismo. E quando eu o chamei, ele olhou para um lado, olhou para o outro e jogou a sentença:
— Eu?— Não, Ameba loira, o abajur atrás de você! Eu queria responder isso, mas já estava bem ruim o clima, então eu apenas suspirei.
—É! Você! O único ser chamado Gustavo nesta sala, posso falar com você? — Parecia que eu tinha o convidado para pular pelado pela janela.
—Tu-Tudo bem... –Ele desgrudou da parede com certa relutância e veio em minha direção.
Depois é que eu vim perceber que Roberto ainda estava segurando meu braço. Na verdade, só percebi quando ele sussurrou no meu ouvido:
—O que vai fazer?
—Vou perguntar pra ele sobre o que aconteceu quando eu fui atropelado.—Sussurrei de volta e pra minha sorte, ninguém perguntou.
Não era como se o que eu ia fazer fosse um puta segredo, mas não dava pra perguntar aquilo no meio da sala. Então o máximo que eu me afastei foi para o corredor entre a sala e o quarto. Quando eu vi que já dava pra conversar, apenas parei e olhei para ele com a cara de desesperado.
— Alex, o que...
—Ai, eu precisava muito falar com você! Diga-me, eu fui abduzido 14 anos atrás? Lembra? Quando eu fui atropelado?
—Abduzido? Atropelado? Do que você está falando?
—Da gente, indo para o porcaria do cursinho, e eu parado igual um saco de batata na pista até ser atropelado! Então acordo aqui e... algo deve ter mudado lá também. Eu fui abduzido, não é?- Ele está me olhando estranho... Eu disse algo estranho?
—Alex, você NÃO foi abduzido! E nem foi atropelado. O carro parou antes de te atingir, só que você se assustou e desmaiou. Foi isso... Apenas.
...ARGH! Que merda! Quando eu encontro uma explicação logica (ok, não tão logica assim) ele me diz que eu apenas desmaiei! O que me faz voltar par a estaca zero... Eu realmente sou uma cara de quase trinta anos, desmemoriado, cafona e gay.
—Cara, você é meu amigo. Eu to na época errada! Acredita!–Supliquei.
—Então... É ai que para a sua memoria? Neste dia? –confirmei. –Alex... Eu soube do seu laudo... Que trancou suas memorias.
—Pois é... Olha que merda!
Gustavo ficou me encarando um tempo e depois suspirou.
—Bom, se era só isso, eu vou voltar... Acho que a gente te perturbou de mais, deveríamos ir embora! Mas fico feliz em te ver. –Ele fez uma pausa e depois olhou pra mim. –Sabe, Alex, talvez seja melhor você ficar assim...
O que? ...
Ele já havia saído. Mas uma coisa é certa! Estou cansado desse povo todo! Não que eu queria ficar sozinho neste apartamento com o pervertido do Roberto, mas eu não to com saco e nem cabeça pra mais conversa.
Voltei pra sala determinado a me livrar daquela gente. Bom... Mas os meus planos não são os melhores.
Sentei-me ao lado de Roberto e fiz algo que está doendo em mim até agora: Deitei minha cabeça em seu ombro. E TODO mundo, incluído o dito cujo, olhou pra mim sem entender.
— Eu estou morrendo de dor de cabeça... Acho que estou cansado. —Também, depois de meter a cara no chão...
Essa é coisa mais gay que eu já fiz na minha vida!... Bom, pelo que eu lembro!
—Você esta bem? — Ele perguntou preocupado.
— AH, Alex! Nos empolgamos e ficamos de mais, certo? Você me parece tão bem e fazia tempo que eu não te via! Eu até me esqueci do porque da minha visita.
Ela tirou alguns envelopes dourados da bolça e entregou um pra mim, um para minha mãe e um para a minha irmã.
—O que é isso?– Roberto perguntou olhando para o envelope!
—É o convite da festa do Alex!— Eu tenho uma festa? Eu tenho uma festa e nem sabia!— Eu organizei de ultima hora! Então ainda estou entregando os convites, mas e pra oficializar a volta do meu querido!
—Ai, Deus... Mãe, sério, o Alex não está em condições de festa.
— É claro que está! E ele AMA festas!— Eu nunca fui a uma festa, cara! O máximo que eu já fiz foi passar o ano novo na casa da minha tia e isso era mais barraco do que festa.
—Eu... Eu acho que talvez eu não devesse mesmo...
—Não diga bobagem, querido! Todos estão morrendo de saudades de você. E não vou aceitar “não” como reposta. Será no sábado. E você é o anfitrião, não falte! E Roberto, se você impedir ele de ir, eu vou sequestrar o Alex!
ELA É LOUCA!
Bom... Mas foi dizendo isso que ela foi embora. Minha mãe olhou pra mim com cara de reprovação:
—Nem pense em ir, Alexander! Você sabe que não esta em posição de fazer isso. — Cara... Eu sinto que o clima entre eu e a minha mãe não é como antes... Ela parece meio distante ou sei lá. Talvez seja impressão...
Mas finalmente, eu estava na santa paz.
—Se você deitar em cima de mim assim eu vou te levar pro quarto agora.— Argh... Eu me esqueci dele.
— Eu só queria que eles fossem embora. E a sua mãe estava me perguntando se a gente brigou aí eu fiz este teatro. Ei, falando nisso, como eu tenho que te chamar?
— Depende... Você sempre variava. Principalmente na cama!
— Aaah... Meu Deus! Pare! Não faz isso ou vou passar mal.— Ele estava rindo. Filho da mãe.
— Chama de Beto!— Ele deu de ombros. Cara, eu não sei explicar, mas me da uma vontade de rir quando eu escuto isso!— Por que você está rindo agora?
— Eu não sei... Mas te chamar assim soa engraçado!— Minha barriga está roncando.
— Você deve está com fome. Não comeu nada...
Oh, Sim! Alimente-me!
—Sim! Comida. Eu preciso.
—O que você quer comer? — Eu posso escolher?
—Macarrão bolonhesa! — Meus olhos deviam está brilhando só de pensar.
—... Isso... Tem carne não é?
— Claro! Por quê?
—Você preferiu aderir a uma dieta vegetariana.
Vegetariano? VEGETARIANO? Porra, como assim vegetariano? Eu faltava sair na porrada com a minha mãe quando ela queria que eu comesse verdura e eu de repente sou vegetariano? Mas o caramba que eu sou! Que merda eu estava fazendo com a minha vida? Vegetariano? Sim, estou mais chocado de ser vegetariano do que ser gay, ok? Eu tinha 15 anos e nunca havia tido uma namorada, então não podia afirmar com certeza, mas carne, velho, carne era meu amor! Como eu posso ter largado a carne? Sabia que esse corpo não era por nada.
Mas tirando isso, não é que o cara cozinhava bem? A única pessoa que eu já vi que podia fazer algo melhor que o da minha mãe. Bom, eu na minha santa inocência e com fome soltei sem querer o comentário:
— Meu Deus! Isto é muito bom! Sério, você já pode casar.
— Então casa comigo!- Ele retrucou de volta.
—Eu realmente... Tenho medo de você.
—Mentira! Você não tem medo de mim. — Merda... Ele esta olhado pra mim com aqueles olhos. — Você confia em mim. Por isso está aqui.
O meu macarrão caiu do garfo e eu nem percebi, porque estava olhando pra ele com a boca aberta parecendo um besta.
— Vou tomar banho. Pode ir deitar primeiro se quiser. — Ele se levantou e eu fiquei sozinho olhando para o nada.
Eu realmente acho o Beto muito estranho. Afinal, quem diabos fica assim quando o namorado esquece tudo sobre ele e lida tão bem com isso? Eu sinto que ele é estranho!
Ah, e é obvio que eu NÃO vou dormir naquela cama de casal. Vou ficar pelo sofá mesmo que pra mim tá ótimo!
Bom, o pior que a minha milagrosa ideia de driblar a cama não durou muito tempo, porque assim que ele percebeu que eu não ia mesmo para o quarto, ele foi atrás de mim:
— Alex, Vem deitar logo. Está tarde e amanhã eu tenho que acordar cedo.
— Eu não vou deitar com você. Vou dormir no sofá. Sei lá, aquela cama deve está cheia de fluidos corporais.
—Fluidos corporais? O quê?...— Ele demorou pra perceber o que eu me referia. — Ah... É isso? Bom, amor, eu sugiro que você vá dormir no corredor do prédio então, porque em todo este apartamento, incluindo o sofá que você está deitado, possui fluidos corporais... Nossos, por falar nisso.
— Argh... Que seja! Eu não vou dormir com você! Minha virgindade estaria em risco!
— Alex, olha pra mim: Você NÃO É VIRGEM!— Esse cara está me fazendo tortura psicológica. — Quer saber? Tudo bem! Não dorme comigo, mas deixa que eu durmo no sofá. Seu corpo ainda não esta bem e se dormir aqui vai ficar pior.
—... Quer trocar de lugar comigo?
—Se você parar de reclamar, eu troco!
...Porque de repete eu estou me sentido mal com isso?
—Mas... Eu meio que ia te expulsar da sua cama... E eu não quero fazer isso.
Ele suspirou e cruzou os braços.
—Então o que sugere? Quer mesmo dormir no corredor?
—Se... Se eu concordar em dormir na cama, com você... Promete não fazer nada?— Merda... Eu estou corando! Eu não acredito nisso.
—Não.— A sinceridade dele é uma coisa...
—Você podia ter mentido pelo menos... — Ele sorriu e veio em minha direção.
—Ótimo! temos um acordo.— Acordo? Mas ele não prometeu nada!
Sabe se lá como, ele me levantou do sofá e me carregou igual uma garota.
—Que isso? Eu sou do seu tamanho. Como pode me carregar assim?
—Não, você é menor e eu já fiz isso, agora para de se debater.
Eu não acredito que estou sendo carregado por outro cara. Isso é tão frustrante.
Esperei ele me soltar na cama, mas ele não o fez. Na verdade ele me colocou tão calmamente que pareceu assustador. Sentia minha respiração ofegar e meu coração acelerar como se eu estivesse em uma maratona.
Beto deitou ao meu lado eu me virei para não encara-lo. Por que eu tenho que agir feito uma garotinha perto dele?
Fechei meus olhos e os apertei com força, mas foi só eu sentir um braço na minha cintura que eu os abri rapidinho.
— que você pensa que está fazendo?
—Estou te abraçando!-Ele respondeu como se fosse obvio. Bom, e era, porque isso eu já tinha notado.
—Tira seu braço dai! Eu não vou conseguir dormir assim.
—Nem pensar! É primeira noite em meses que eu vou dormir com você. Deita ai e fica quieto.
—Você não fica bravo? Eu ficaria triste ou com raiva se alguém que eu gosto me esquecesse.
—Eu fiquei bravo! Mas esta versão de você é tão fofa que acaba com qualquer mau humor.
Ok... Esta historia de ficar conversando na cama e muito estranha, mas eu não estou com sono e tenho N perguntas pra fazer pra ele, então uma coisa leva outra...
—Como foi que a gente começou a namorar afinal? — Perguntei .
Ele riu um pouco e ficou calado, como se estivesse esquecido de responder.
—É uma historia bem longa, Alex. Não foi algo da noite par ao dia.— Ele estava olhando para o teto. Virei-me olhando na mesma direção, mas tudo estava escuro. — Eu sempre te achei meio sedutor, sabia? Você gostava de discutir comigo, por causa da diferença de opinião. Era engraçado, porque parecia que você nunca olhou para mim como o Diretor daquela empresa, e eu acho que foi assim que comecei a gostar em você. Por causa da sua petulância. O que era engraçado, porque você tinha alguém naquela época e eu... — Ele suspirou— Bom, um dia me ligaram de madrugada, do seu celular, dizendo que você estava morto de bêbado em um bar e que o meu numero estava em discagem rápida. Irônico não é? ... E eu fui te buscar. Eu sempre me perguntei o que teria acontecido se eu simplesmente tivesse ignorado aquela ligação. Depois daquilo você me contou que havia terminado o seu namoro e estava chorando. Então eu tive que cuidar de você...
Eu sentia meu olho pesar enquanto escutava as palavras dele; estava uma etapa de pré-sono. Era estranho, mas eu precisava admitir. Mesmo que eu não me lembre de todas aquelas coisas e mesmo que fosse contra tudo que eu imaginei, eu tinha que confessar:
—Certo. Me convenceu. Você é um bom namorado...— Soltei para ele e mesmo escuro eu tive a sensação de vê-lo sorrir.
É... Ele é realmente um bom namorado. Sabe, eu do futuro? Acho que estou com um pouquinho de inveja de você.
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