É mais Simples Tentar Esquecer
3 Jogado nos braços da calma
Notas iniciais
Eu simplesmente fiz Aki se escorar em mim, com sua cabeça apoiada em minha clavícula, ela parou de chorar, mas seu rosto ainda estava avermelhado e úmido.
Apoiei a minha cabeça na dela, ela estava quente, só que eu não queria de forma alguma sair de perto dela, Aki me transmitia uma paz, um conforto...
Deixei meus olhos fecharem, a brisa de vento bater em meu rosto, e com ela, irem todos os transtornos que passei no dia.
-Endou... – Ela chamou meu nome bem baixinho.
-Sim?
-Me desculpa. – Ela falou enquanto passavam seus braços por minha cintura, o jeito que ela me abraçava era doce, mesmo assim seus braços estavam agarrados a mim como se sua vida dependesse disso, como se eu fosse uma corda que não a deixasse cair em um abismo.
Eu movimentei meu corpo para trás e nós dois caímos na grama, ainda abraçados, ela voltou a escorar sua cabeça em mim, ela tremia, a sua temperatura tinha aumentado e estava ainda mais vermelha.
-Tudo bem, não precisa disso. – Eu falei olhando para o céu que estava ficando alaranjado, a tarde estava perto de nos deixar.
Meus olhos olharam para baixo, Aki tinha a cabeça levantada, ela me olhava, sem perceber minha cabeça inclinava e meu rosto de aproximava mais do dela, não perdíamos o contato visual, até que nossos olhos fecharam. Senti um ar quente entrar pela minha boca, era a respiração dela.
Como um imã e o ferro a poucos centímetros de distância nossas bocas se juntaram com velocidade, nos primeiros instantes daquela união minha boca não fez um movimento se quer.
Quando dei por mim, estávamos rolando na grama, ela em cima de mim.
Os lábios dela eram macios, coragem era o que me faltava naquele dia, não tinha coragem para explorar mais o sabor doce da boca dela.
Minhas mãos pousaram em sua cintura fina e a envolveram.
Ela timidamente começou a mover sua boca, nossas línguas se encontraram, e elas começaram a dançar em nossas bocas, a troca de saliva foi uma conseqüência.
Aquele foi o melhor momento do dia.
Senti cair uma gota de alguma coisa em meu rosto, chuva? Não, mas provavelmente lágrimas dela.
Só paramos o contato de nossas bocas quando a necessidade de respirar foi maior do que o desejo de continuar o beijo.
Paramos e começamos a olhar dentro dos olhos um do outro, ela suspirou e quebrou o contato visual. Aki estava sentada em minha barriga, seu cabelo não possuía mais broche verde costumeiro e segurava na mão a faixa laranja que eu usava na cabeça.
Nós dois engolimos a seco.
-Endou, você, por favor, poderia me levar em casa? Já está tarde.
Ela tinha razão, o alaranjado do céu tinha sido substituído por um azul escuro e o céu já possuía alguns pontos luminosos.
Ela saiu de cima de mim e me ajudou a levantar, pegou o broche que estava caído próximo a mim e me devolveu a faixa.
Coloquei-a e quando Aki iria botar o broche a impedi.
-Você fica mais bonita com o cabelo solto, a franja caída te dar um ar a mais de beleza.
-Desde quando se importa com a beleza?
-Desde quando eu te conheci.
Não, eu não sabia o motivo de ter respondido aquilo, se aquilo fosse uma situação normal eu teria corado, tinha tentado esquivar da resposta e nem minha cara de pau aparente me faria responder uma coisa daquelas. Só que aquilo não era uma situação normal.
Aki não prendeu a franja, e fomos caminhando até a casa dela, de mãos dadas.
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