É como Azul no Verde
2 Entre Mandrágoras e Visgo-do-Diabo
Notas iniciais
Suspirou frustrado enquanto ajeitava a gravata azul em detalhes prateados ao redor do pescoço, odiava usar gravata mas já que era obrigatório o jeito era aguentar o desconforto. Jogou a franja para o lado tentando impedir que os fios negros atrapalhassem sua visão e falhando no processo, teria que cortar o cabelo o mais rápido o possível, talvez pedisse a Jiyoon mais tarde. Vestiu o suéter e vestiu a capa abotoando em seguida, voltou para o quarto que era totalmente decorado em tons de azul royal, prata e bronze e se não fosse o dormitório poderia jurar que estava na biblioteca. As camas estavam quase amontoadas no canto do quarto para das mais espaço as pequenas prateleiras de livros e a uma mesa grande o suficiente para todos os habitantes daquele quarto,oito no total, pudessem fazer os deveres sem precisar disputar por espaço. Andou até a cama ao lado da sua e chacoalhou o ser que dormia e quando não obteve resultados segurou a coberta do rapaz entre os dedos e puxou com força quase o fazendo cair da cama.
— Dennis! Acorda estamos atrasados por sua culpa! De novo!- Jogou o cobertor nos pés da cama de Dennis o ouvindo resmungar enquanto se levantava bagunçando ainda mais os cabelos amaçados e pegava suas roupas indo em direção ao banheiro.- Você tem cinco minutos pra se arrumar ou perdemos o café da manha!- Gritou para que ele o ouvisse através da porta de carvalho, bufou e pegou sua mochila que continua todos os livros que iria utilizar hoje e suas penas, o tinteiro e os pergaminhos, colocou a varinha no bolso interno da capa e rumou para o salão comum enquanto esperava o amigo terminar de se arrumar. Se sentou em uma poltrona que lhe dava a visão perfeita do busto de pedra de Rowena Ravenclaw, adorava aquela figura da bruxa e era fascinado tanto por ela quanto pelos outros fundadores e adorava pensar em como eles teriam se conhecido, como viraram amigos e qual foi o destino dos mesmos já que nunca esclareciam o suficiente nos livros de História da Magia. Após alguns segundos ouviu os passos apressados do amigo na escada e fingiu não ver quando o colega tropeçou no ultimo degrau da escada por conta do cadarço mal amarrado. Saíram do salão de sua casa e rumaram para o salão comunal em passos apressados na esperança de conseguirem chegar a tempo para o café da manhã, quando chegaram quase todos já haviam se retirado para não se atrasarem para suas respectivas aulas salvo por alguns alunos que tinham horário vago naquele período e matam o tempo beliscando algumas das iguarias que estavam dispostas sobre as longas mesas. Tiveram tempo de pegar algumas torradas,duas maças e três muffins e nem ao menos se importaram em se sentar para comer, comeram enquanto corriam para as salas de aula. Dennis para Poções junto com Grifinória e Leo para Herbologia junto com Lufa-Lufa. Entrou de supetão na estufa dando graças a Merlin que a professora Sprount ainda não tivesse chegado, vestiu o avental de proteção as pressas e se atrapalhou um pouco em colocar as luvas enquanto procurava Jiyoon com o olhar e a viu acenando para si indicando o lugar ao seu lado e se apressou até estar ao lado da menor. A frente dos alunos se encontravam vários vasos de cerâmica com uma folhagem verde bonita que para o infortúnio de todos os alunos, se movia.
— Ah droga, mandrágoras de novo não.- Resmungou em desgosto vendo a folhagem se movimentar de um lado para o outro, no começo achava tais plantas interessantes principalmente pelo fator curativo que elas tinham mas começou ter ódio delas quando um engraçadinho da Grifinória quase tirou seus abafadores lhe rendendo dois dias totalmente perdidos na enfermaria. Na primeira vez que tinha pisado na estufa havia achado tudo maravilhoso, as mais diversas plantas coloridas e algumas que se moviam, o que mais lhe surpreendeu foi a enorme flor que servia de pilar para a estufa. Não negava que havia adorado o lugar mas depois de algumas experiências meio traumática com as Bubotúberas preferia se manter longe da estufa e principalmente do Visgo-do-Diabo.
— A professora Sprount nos disse hoje que os estoques de mandrágoras do St. Mungus estão baixos e como nós temos muito mais do que o suficiente ela decidiu doar.-Ouviu sua irmã responder enquanto passava o dedo indicador nas folhas de uma das mandrágoras e rindo quando o galho estremeceu fazendo as folhas balançarem como se sentisse cócegas.- Isso normalmente é tarefa do primeiro ano mas como tem muitas ela decidiu que seria uma boa ideia todos os estudantes ajudarem.
Bom, ao menos era por uma boa causa então não iria reclamar. Após alguns poucos minutos conversando com Jiyoon sobre as aulas de Transfiguração, ela tinha uma admiração enorme pela senhorita Granger, a professora de Herbología entrou e depois de cumprimentar alguns alunos e repetiu as instruções sobre os abafadores e como desenvasar e replantar as mandrágoras e não iniciou a aula até ter certeza que todos haviam colocado devidamente seus abafadores. Estavam a ponto de começar a atividade proposta quando o teto de vidro da estufa se espatifou sobre o peso de um garoto que caiu na parte escura do local onde eram cultivadas as plantas que não suportavam a luz do Sol, a diretora dos lufanos correu em direção ao intruso para verificar se o mesmo estava bem sendo prontamente seguida pelos alunos curiosos. O normal seria simplesmente encontrarem o aluno invasor caído em cima de um dos arbustos coloridos com algumas poucas escoriações no corpo e talvez um braço quebrado, o levariam para a diretoria para saber como e porque ele havia atravessado o teto da estufa o levando para a enfermaria em seguida para tratar dos machucados e por fim ele iria cumprir a detenção.
Mas quem disse que coisas normais acontecem em Hogwarts?
O desconhecido, ou nem tão desconhecido assim já que alguns o reconheceram como Augustus, havia caído em cima de uma mesa que por pura sorte estava vazia, ou quase já que o mesmo repousava parte das costas em cima de um saco que continha adubo e não poderia ser adubo normal, claro que não, mas sim adubo mágico para ajudar as benditas mandrágoras a ficarem mais fortes. Normalmente essa substância era diluída em água e borrifada em quantidades mínimas apenas para fortalecer as que não tinham forças para crescer sozinhas e agora aproximadamente cinquenta quilos em sua forma mais concentrada haviam caído nas plantas. Ou melhor A planta que podia matar todos os desatentos também conhecida como Visgo-do-Diabo.
Não demorou muito para que o local se enchesse com os gritos infantis enquanto os pequenos visgos roxos cresciam em uma velocidade absurda logo envolvendo todos os alunos em seu abraço mortal. Embora ouvisse os gritos da senhora Sprount alertando os alunos para que tivessem calma e relaxassem o corpo os gritos persistiam e mais alunos começavam a sufocar incluindo ele mesmo que tentava a todo custo desenrolar as raízes ao redor do seu pescoço que a cada puxão apertavam ainda mais sua traqueia, era idiotice persistir nisso mas o pânico tornava mais difícil raciocinar com clareza. Os gritos provavelmente eram audíveis até do outro lado do castelo pois após alguns minutos, que mais pareciam horas, conseguiram ouvir a voz tão conhecida da Diretora da escola que apontava a varinha para a enorme confusão de raízes roxas e gritava o feitiço Lumus Solen que cegou a todos mas para o alívio geral fez o visgo soltar suas futuras vítimas e se refugiar na parte mal iluminada do recinto. Os que ainda estavam conscientes corriam para fora e voltavam logo em seguida para ajudar a arrastar os inconscientes para fora da estufa antes que o visgo mudasse de ideia e terminasse o trabalho, após sair da estufa depois de ajudar a arrastar dois alunos para fora se jogou na grama sentindo a mesma pinicar seu rosto de forma desconfortável mas pouco se importou, apenas se concentrou em acalmar os batimentos cardíacos quando viu dois pares de tênis surgirem em sua visão, um deles era preto e cano médio obviamente pertencente a um garoto por conta do desleixo já que estava furado e o outro também preto mas com detalhem em amarelo e em bom estado pertencia a uma garota. Olhou para cima virando minimamente a cabeça e viu Dennis com o braço de Jiyoon ao redor de seus ombros e enlaçando a menor pela cintura tentando lhe dar apoio já que a mesma estava a ponto de desmaiar, era evidente o olhar de desespero do garoto que olhava fixamente para a estufa enquanto deitava a garota ao seu lado.
—Você viu o Gus? Não sei se conseguiram tirar ele de lá e não vi ele em lugar nenhum!- O viu retirar a capa que usava a dobrando de forma precisa e em seguida colocar embaixo da cabeça de sua irmã cuidadosamente e voltar a ficar ereto e olhar ao redor tentando encontrar o "parceiro de crime" como gostavam de se nomear quando aprontavam alguma coisa. Para seu alívio o mesmo havia acabado de sair da estufa sendo amparado por Madame Ponfrey que murmurava feitiços de cura rápidos tratando dos ferimentos mais graves, sentiu o corpo retesar quando viu a diretora Mcgonagall se aproximar do amigo em passos firmes e com a expressão mais rígida do que pedra, a ex-professora murmurou algumas rápidas palavras ao garoto e se retirou mandando todos de volta para suas respectivas aulas salvo pelos segundanistas da Lufa-Lufa e da Corvinal que seriam encaminhados a enfermaria para confirmar que nada grave havia acontecido. Porém algo que o jovem Nedergaard não havia visto enquanto corria até o colega para chegar se o mesmo estava bem, foi a diretora da escola ser parada por um pequeno grupo de primeiranistas da Sonserina e após alguns palavras trocadas com os mais novos e um gesto discreto apontando na direção do Grifinório e do Corvino a responsável pela escola segurou suas vestes verde esmeralda entre os dedos e se dirigiu aos dois estudantes ajeitando seus óculos quadrados no meio do caminho.
— Senhor Rodrick, como já sabe espero sua presença em minha sala após sua saída da enfermaria e senhor Nedergaard também aguardo sua presença juntamente com o senhor Rodrick, tenham em mente que isto não é um pedido.-Dito isso rumou de volta ao castelo com as vestes esvoaçando atrás de si. Se entreolharam e engoliram em seco temendo o pior, embora uma pequena parte da consciência de Dennis insistisse me martelar a duvida em sua mente: Quem tinha sido o desgraçado que lhe dedurara? Bom pensaria nisso em um momento mais oportuno, por hora tinha que ajudar a levar Gus e Jiyoon para a enfermaria e tentar ajudar o amigo a se safar de uma possível expulsão.
~X~
—Passaram dos limites dessa vez! Abandonaram a sala de aula, invadiram a aula de outra turma e o pior de tudo: Não só colocaram suas próprias vidas em risco como a de outros alunos também! Eu poderia e deveria expulsa-los permanentemente de Hogwarts mas não vou. E sabem o porque? Por quê vejo um potencial enorme em cada um de vocês que pode ser explorado mas como os senhores fazem isso? Bancando babuínos bobocas! Pregando peças estúpidas nos alunos mais novos quando deveriam estar estudando!- Escutavam calados tudo o que a mulher a sua frente dizia, cabeças baixas e se encolhendo vez ou outra quando o tom de voz da mesma subia algumas oitavas. No fundo sabiam que mereciam ouvir tudo aquilo e era a mais pura verdade afinal ambos eram inteligentes e tinham talento. Dennis além de ser ótimo com no trato de animais mágicos era um excelente apanhador, e Gus apesar de ser bagunceiro tinha notas excelentes, tanto que estava entre os melhores alunos de toda a escola ficando abaixo de um aluno também da Grifinória, e o garoto tinha futuro não apenas no Quadribol como também em Transfiguração e seria mentira se Minerva negasse que já havia cogitado a ideia de ensinar a arte da Animagia ao jovem mas as atitudes infantis do mesmo a deixavam com o pé atrás quanto a isso. A mais velha se sentou em sua cadeira atrás da mesa totalmente organizada e retirou os óculos e fechando os olhos enquanto massageava a têmpora e de repente ela parecia exausta aos seus olhos, principalmente quando voltou a fitá-los com os olhos cansados.- Essa é a última vez que faço vista grossa para as gracinhas que vocês aprontam mas fiquem avisados que esta será a última e na próxima ambos serão expulsos. Seus pais serão comunicados e limparão a sala de troféus por três meses e quando terminarem ajudarão os monitores a patrulharem os corredores, e uma vez por semana irão acompanhar Hagrid na ronda da floresta negra. Agora voltem para suas aulas, após o jantar retornem a minha sala e Filch os acompanhará durante a detenção.
A ex-professora finalizou o discurso recolocando seus óculos e pegando um pedaço de pergaminho e uma pena mergulhando a ponta da mesma no tinteiro e começando a riscar furiosamente o pedaço de papel, estavam prontos para se retirarem quando ouviram batidas suaves na porta as suas costas e um "entre" pronunciado pela Mcgonagall, em seguida a mulher mais bonita que já tinham visto em toda a sua vida adentrou a sala caminhando em passos delicados e graciosos em direção a mesa da diretora. Ela possuía cabelos de um loiro tão claro que beirava o branco, olhos acinzentados que contrastavam perfeitamente com os lábios rosados e o nariz pequeno e delicado. Trajava um vestido branco com detalhes em azul na barra o que apenas lhe dava um ar mais angelical e nos pés pequenos saltos prateados que ecoavam a cada passo que ela dava.
—Olá Minerva, não tem mais tempo para as velhas amigas? — Perguntou enquanto sorria para a mais velha e os dois jovens que permaneciam na sala podiam jurar que aquela era a personificação de Afrodite no mundo mortal. Após Mcgonagall se levantar e contornar a mesa ambas se abraçaram como se não se vissem a muito tempo e o que de fato era verdade.
—Não seja tola Ania, a que lhe devo o prazer de sua companhia? A tanto tempo que não vem me visitar.- Respondeu enquanto agitava sua varinha e silenciosamente trazia uma cadeira até a recém chegada e ordenava que alguns objetos ali presentes iniciassem o preparo do chá.Voltou a se sentar em sua cadeira enquanto entrelaçava os dedos das mãos e os apoiava no tampo da mesa.
— Já se esqueceu? Mandei uma coruja ontem para lhe avisar sobre minha vinda para acertar a transferência de meus filhos para esta escola, a vida de diretora de uma das maiores escolas de bruxaria não é fácil pelo visto minha velha amiga.- Em um gesto extremamente delicado levou os dedos até os fios loiros os colocando atrás da orelha enquanto sorria em condolência para com a mais velha e pode ouvir os suspiros dos jovens que permaneciam no local, se virou parcialmente para fita-los de forma curiosa e rindo ao notar o jeito que eles a encaravam que podia ser descrito como no mínimo embasbacado.- E quem seriam estes jovens senhores?
— Nem faz ideia minha cara, nem faz ideia, principalmente com os incidentes ocorrendo no mundo mágico fica cada vez mais difícil.- Minerva suspirou enquanto servia o chá para a mulher sentada a sua frente e voltou a se recostar em sua cadeira e pousando o olhar sobre os dois garotos que ainda permaneciam em sua sala.- Estes são os senhores Rodrick e Nedergaard que a propósito já estão de saída não é mesmo?- Dennis que estava mais ciente da situação ao seu redor e puxou o amigo, que continuava a encarar Ania fixamente, pelo braço e caminharam em direção a porta quase derrubando algo que parecia ser muito caro no meio do percurso e saíram da sala fechando a porta em seguida, viu Gus chacoalhar a cabeça como se tivesse acabado de sair de um transe e olhar assustado para a porta de carvalho como se atrás da mesma houvesse um monstro, o monstro mais lindo que existe no mundo mas ainda sim um monstro.
—O que diabos acabou de acontecer lá dentro? Tá legal que eu sou meio idiota perto de mulheres bonitas mas eu nunca fiquei tão idiota assim!- A voz indignada do grifinório ecoava pelas paredes enquanto caminhavam em direção as escadas e esperavam as mesmas finalmente pararem de se mover para irem em direção a enfermaria. No meio do caminho tiveram que se esconder de Pirraça que estava escondido em cima de uma das vigas de sustentação jogando uma substância laranja pegajosa em qualquer desavisado que passasse por ali e os sorteados da vez haviam sido dois primeiranistas da Sonserina que foram perseguidos pelo Poltergeist o que deu tempo de sobra para que ambos seguissem seu caminho despreocupadamente.
—Acho que ela deve ser uma criatura mágica ou descendente de uma, li sobre isso um dia desses na biblioteca, vou procurar de novo para ver o que eu encontro a respeito.- O Corvino respondeu antes de mostrar a língua para um quadro de um garoto de cabelos negros e rosto afeminado que usava uma tiara de rosas azuis nos cabelos e roupas femininas tradicionais russas e tinha em mãos uma mascara um tanto quanto bizarra, o garoto no quadro apenas estreitou mortalmente os olhos em sua direção antes de se virar bruscamente fazendo os colares de contas em seu pescoço balançarem e se retirou para algum lugar qualquer fazendo Dennis dar de ombros enquanto voltava a prestar atenção no caminho.- E você é um idiota completo perto de mulheres bonitas sim mas dessa vez ficou duas vezes mais idiota.
—Calúnia e difamação contra minha nobre pessoa! E isso não vem ao caso agora, o que vamos fazer quando nossos pais receberem as cartas?- Viraram no corredor a esquerda e tiveram a visão das enormes portas duplas feitas de carvalho da enfermaria, o suspiro do Nedergaard foi audível e ecoou pelas paredes e o garoto ficou quieto, era possível ouvir as engrenagens de seu cérebro trabalhando enquanto se aproximavam da porta e pararam diante da mesma.
—Rezamos a uma possível força superior e pedimos para que nossos pais não nos matem, que tal? Por hora vamos ver com a Jiyoon e o Leo estão.- E dito isso ambos adentraram o recinto procurando pelos gêmeos.
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