É Tudo Questão de Genética
3 O Inferno não conhece fúria igual a de uma irmã aprontando
Notas iniciais
Quando Stiles conheceu Cassidy “Cass” Carson, ela estava tacando fogo no traseiro do irmão gêmeo. Quero dizer, fogo de verdade. Aquele que queima e deixa marcas e Stiles, uma impressionável criança recém agraciada com a sabedoria de que era um semideus, na época gritou e jogou nas chamas a primeira coisa que encontrou para assim apagá-las. O problema é que a primeira coisa foi a coca-cola de Dionísio que ele tirou das mãos do próprio deus.
A atitude de Stiles emudeceu o acampamento inteiro e o fez ganhar o seu próprio antagonista para atazaná-lo durante todos os verões em que ele passava no acampamento meio-sangue. Então o Sr. Harris e as suas ofensas a sua inteligência? Não eram nada diante do que Stiles tinha que passar com o deus a cada maldito verão.
Mas nada, e eu digo nada, se compara a Cass com um plano em mente e sede de fazer justiça com as próprias mãos.
E certo, talvez Stiles estivesse exagerando de novo, ou como sempre. Talvez ele fosse mais filho de Apolo diante da sua inclinação para o drama do que de Atena. Mas de qualquer maneira, quando Stiles ligou para a irmã pedindo por ajuda e teve como resposta um: “Aguenta firme irmãozinho, porque quando eu terminar com ele aquele lobo vai pular na altura que você ordenar”, soube que algo grande estava para acontecer. Algo que o faria ter o que ele queria ou traumatizaria Derek para o resto da vida.
Portanto não foi com grande surpresa que quando a segunda-feira chegou e o último sinal tocou nas dependências do Colégio Beacon Hills, fazendo todos saírem apressados dali, que alguns estudantes ao passarem pelo estacionamento lançaram olhares a estranha garota sentada sobre o capô de um Camaro 69. Estranha que usava jeans gastos, uma camiseta de banda velha, All-Stars surrados e tinha longos e ondulados cabelos castanhos e olhos cinza tempestade.
Stiles arregalou os olhos ao abrir as portas da escola e ver a forma pequena e rechonchuda de sua irmã mais velha esperando por ele no estacionamento.
Algumas das líderes de torcida passavam por ela, dando a Cass um olhar enojado devido as medidas fora dos padrões que ela tinha, aos seus cabelos bagunçados, roupas gastas e esmalte descascado. Alguns dos garotos populares também olhavam para ela longamente pois embora Cass não fosse a garota dos sonhos desses meninos descerebrados, algo nos intensos olhos claros dela e no rosto bonito chamava a atenção de qualquer um.
– Olhe mais um pouco e os seus olhos irão cair da cabeça bonitinho. — ela disse para um dos meninos, dando uma piscadela para ele, o que fez o garoto corar e balbuciar alguma coisa antes de partir sob as risadas jocosas dos amigos. — E só para você saber... — Cass apontou para as líderes de torcida. — Não estou acima do peso, apenas tenho mais de mim para ser amada e o meu namorado me adora da maneira que eu sou. — e Stiles quis rir ao ouvir a língua ferina da irmã dispensando as garotas que ainda a olhavam torto.
Provavelmente elas não acreditaram na história do namorado, o que voltaria para mordê-las no traseiro caso elas o conhecerem. Joshua Spencer era o sonho de consumo de qualquer garota. Sendo filho de Apolo o encaixava nesta categoria. Mas Joshua também mostrou várias vezes que preferia uma menina com um bom cérebro ao invés de um bom corpo.
– Stiles! — Cass gritou quando viu o garoto nas escadarias de entrada da escola, descendo do capô do carro em um pulo e correndo até ele. Stiles firmou-se sobre os pés, preparando-se para o impacto. Cass poderia ser pequena, mas era a melhor em luta corpo a corpo dentro do chalé de Atena. Portanto, ela sabia como levar um homem crescido ao chão em segundos, um adolescente franzino como ele não seria nada para ela.
– Cara, quem é ela? — Stiles virou-se levemente, o máximo que deu enquanto Cass o esmagava em um abraço, e mirou a expressão confusa de Scott.
– Cara... — ela disse em zombaria. — Sou a irmã dele.
A expressão de McCall ficou ainda mais confusa e Stiles preocupou-se de que Cass com a sua boca grande e atitude desleixada tivesse fritado o cérebro do amigo. A mente de Scott só conseguia processar uma coisa por vez e esta era a razão (e Stiles chegou a esta conclusão na enésima vez em que foi abandonado por Scott em favor da Allison) do amigo estar tão obcecado pela caçadora.
– Você não tem uma irmã. — foi a resposta de Scott e Stiles rolou os olhos. Ele tinha várias irmãs e irmãos, mas o outro garoto não sabia disto. E esta seria uma longa história a ser contada e se Derek – a parede impenetrável – reagiu do jeito que reagiu, Scott iria ter um ataque de proporções astronômicas se soubesse da verdade.
– Se você olhar bem, eles até que se parecem. Ambos nerds e perdedores. — os olhos cinzentos de Cass focaram em Lydia que ultimamente estava andando com o grupo deles já que depois do ataque de Peter e as “férias” temporárias que passou no hospital, as pessoas estavam a evitando. E não ajudou o fato de que recentemente ela teve uma síncope no meio de uma aula.
– Quem diabos é você? — Cass soltou Stiles para lançar um olhar contrariado a Lydia. O linguajar da garota já tinha feito a própria Atena visitar o acampamento meio-sangue para repreender a filha. A deusa não conseguia entender como Cass sendo filha de um brilhante professor universitário e pesquisador poderia ser tão... Cass. Não havia uma definição exata que combinasse com a jovem.
Lydia retribuiu o olhar atravessado de Cass com outro do mesmo nível e Stiles teve a sensação de que elas estavam medindo o valor uma da outra apenas com o olhar.
Depois de um minuto com as garotas se encarando, Cass pareceu ter encontrado o que procurava, pois deu a Lydia um enorme sorriso.
– Então, você está ciente da situação do Stiles?
– Aquela em que ele tem um ex-acusado de assassinato ridiculamente apaixonado por ele, acusado este que é absurdamente gostoso o que me faz pensar em como um perdedor como Stiles conseguiu chamar a atenção daquela perdição sobre duas pernas que é Derek Hale?
– Gosto de você ruiva, portanto irá me ajudar com o meu plano. — os olhos verdes de Lydia brilharam como uma árvore de Natal ao ouvir o que Cass disse e Stiles engoliu em seco.
Sua irmão era louca e ele sempre considerou Lydia Martin a sua deusa particular. Se o Olimpo estivesse abrindo vagas para novas entidades, Lydia seria a candidata perfeita. Ela era uma mistura da beleza de Afrodite com a ferocidade de Ártemis e a inteligência de Atena. Era uma força a ser temida e agora estava se unindo a Cass. Era o fim do mundo.
– O que você tem em mente? — Lydia perguntou enquanto engatava o seu braço no de Cass, guiando a garota menor na direção do Camaro 69, com ambas sussurrando uma coisa ou outra entre si.
– Te vejo mais tarde Stiles. — Cass gritou sobre o ombro ao mesmo tempo em que abriu as portas do carro e Lydia e ela entraram no mesmo, partindo do estacionamento com um cantar de pneus.
– Mas, cara... — Stiles virou-se para ver que Scott ainda tinha a sua expressão padrão de confusão. — Você não tem uma irmã. — o semideus rolou os olhos e deu tapinhas no ombro do amigo em um gesto confortador. Se a presença de Cass tinha quebrado Scott, Stiles temia o que o plano dela faria com Derek.
Assustado, ele pegou o celular de dentro da mochila e rapidamente discou o número da irmã.
– É melhor você me conseguir uma perdição sobre duas pernas que é aquele lobo rabugento e não uma massa balbuciante de coisas incoerentes. — disse assim que a ligação completou. Porque ele conhecia a irmã bem o suficiente para saber que depois que a tempestade Cassidy passasse, nada sobraria para contar história.
A resposta da garota foi uma longa gargalhada.
– Não se preocupe irmãozinho, não irei quebrá-lo... Muito.
– Cassidy!
– Mas eu preciso saber. — uma pausa e o coração de Stiles pulou no peito diante do tom sério dela. — Você quer que eu o entregue em uma coleira ou em uma jaula? — ela gargalhou de novo e Stiles pôde ouvir a gargalhada de Lydia ecoando com a dela.
– Vai se ferrar! — ele gritou no telefone e desligou na cara dela.
– Cara, sério mesmo, uma irmã?
– Sério Scott? — Stiles debochou. — Olha lá a Allison. — e apontou para um ponto atrás do garoto, obtendo uma reação instantânea. Os olhos de Scott ficaram largos e ele virou-se com um enorme sorriso no rosto, como um filhote que acabou de descobrir que a sua pessoa favorita havia retornado à cidade.
– Onde? — Stiles sabia que estava sendo cruel, mas foi a única maneira que encontrou de fugir das perguntas do Scott. Afinal, ele tinha outras coisas com que se preocupar no momento. Como o fato de que Derek estava ferrado, de todas as maneiras possíveis, e seria culpa do Stiles. Droga!
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