É Segredo
1 One-shot
Notas iniciais
Virei meu rosto a fim de ver a paisagem de Tokyo.
– O que está vendo? – a voz melodiosa daquele que me acompanhava perguntou, descontraída.
– A vista. É lindo, não concorda?
– Sim. Fica lindo nas noites de inverno. O único problema é esse frio terrível.
Ri. Pra mim, nem o frio era problema. Estar ali, na linda, bem iluminada e altamente tecnológica Tokyo era a realização de um sonho.
– Droga! Começou a chover! – ele exclamou, batendo com força no volante com um estrondo assustador.
– Cuidado! – eu falei. – Não vá machucar essa mão tão preciosa, Guitar no Kami-sama¹. A chuva não é um problema, afinal, eu tenho um guarda-chuva e não seria problema dividi-lo com você.
– Certo. Obrigado, senhorita tranqüilidade. – Nós dois demos risada. – Mas e aí? Gostou do passeio? – Kouyou perguntou receoso.
– Sim. Eu adorei. A Tokyo Tower é impressionantemente linda. E alta, né?
– Sim, ela tem 333 metros². É gigantesca. Ainda bem que você pode ir ao observatório. Teria sido extremamente sem graça se não tivesse dado certo e não pudéssemos entrar.
– Bom, eu acho que, como Uruha, você deve ter certos privilégios a mais, não é?
Ele riu, bem mais tranqüilo do que estava quando começamos a conversar.
– Eu acho que sim. Ainda bem que acreditaram que eu era o Uruha sem eu ter que ir com a cinta-liga.
– Seria bem engraçado. – eu comentei, rindo.
– Não teríamos paz se eu fosse com a cinta-liga. – Kouyou me lembrou, me fazendo gargalhar.
– Sim, seria um problema.
Ele estacionou o carro na vaga reservada do hotel e nós dois seguimos juntos até as escadarias.
– Foi um ótimo dia, Sereny-chan. Pelo menos para mim.
– Com certeza, foi um dia maravilhoso pra mim também. – ficamos em silêncio por um tempo. – Obrigada por me acompanhar hoje, Kou... Mesmo não tendo nenhuma razão... Sei que você é muito ocupado e me acompanhar foi muito gentil de sua parte...
Tentei parecer o mais gentil possível, rezando para que o rubor de meu rosto estivesse apenas em minha mente.
– Que isso... Mas... Eu tenho uma razão, sim. – ele falou, um pouco envergonhado.
– Sério? – eu sorri. – E qual é essa razão?
Kouyou encostou nossas testas delicadamente, sorrindo.
– É segredo. – respondeu-me e subiu as escadas até seu quarto, me deixando para trás sem realmente entender o que ele queria dizer com aquilo.
¹ Deus da Guitarra
² dado correto
Fale com o autor