Ânsia
13 Indigestão
Hugo me encara, aporético, paralisado pela cena. Ele não entende o que vê. Contrações violentas rasgam minha barriga. Me inclino sobre o vaso sanitário, suando frio, a mandíbula parecendo se deslocar. O horror recomeça.
- O que você está... — a frase dele morre.
Meus dedos se enfiam na minha própria garganta, buscando o bloqueio. Começo a puxar. É algo sólido, escorregadio e quente.
Gominho por gominho, puxo metros de um intestino delgado rosado e brilhante, que cai parcialmente no chão. O cheiro de bile e sangue enche o ar.
Meu marido está paralisado, a expressão de nojo congelada em seu rosto.
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