Ânsia
22 Incerteza
- Eu sei que é difícil de acreditar... — ele começa, e pela primeira vez, pega em minha mão. Sua pele é áspera.
- Eu acredito — não consigo segurar as lágrimas. — Tio, eu acho que estou amaldiçoada.
- Eu posso ser bruto, Vero, mas fiz de tudo para você crescer longe daquele mal. Mudei de estado. Te coloquei no caminho da Igreja, para lacrear sua alma daquela origem maldita.
Sua voz falha. E então eu vejo. Aquele tom. Aquela pausa. Era o mesmo olhar que Hugo tinha. O olhar antes de morrer. Medo, decepção, confusão.
Mesmo com um buraco no peito, resolvo me abrir.
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